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José Serra na frente

18 de abril de 2010 - 20:05:43

Em primeiro lugar, vemos que a candidatura Ciro Gomes deixou de ser relevante. Seu próprio partido o está rifando, de modo que não pode mais ser levado em conta. O surpreendente é que parte considerável dos seus votos migraria para José Serra, contrariando as expectativas dos estrategistas do Palácio do Planalto, caso sua candidatura seja abandonada. Se Ciro tirasse votos de Serra o próprio PT patrocinaria a manutenção da candidatura. Entendo que Ciro só poderia crescer à custa de Dilma, disputando em seus currais eleitorais, sobretudo no nordeste e na periferia das grandes cidades. Mesmo a retirada da candidatura prejudica mais a Dilma, de modo que um desfecho ainda no primeiro turno, favorável a José Serra, não está descartado. Ciro candidato pode ser a garantia de um segundo turno.

Em segundo lugar, parece consolidada a posição do candidato paulista junto aos formadores de opinião, à classe média e aos empresários. Não que Serra tenha renegado sua fé socialista, mas está longe de ser um incendiário, como parece ser a propensão dos últimos meses do governo Lula e a promessa de campanha da Dilma. A sobriedade de seu discurso e o reconhecido bom governo que fez em São Paulo pesam a seu favor. Esse público qualificado dificilmente se comoverá com as lamúrias sentimentais que Lula usou em suas primeiras campanhas. Ele está cada vez mais inconformado com a elevada carga tributária e o irracionalismo das políticas públicas do PT, especialmente àquelas ligadas ao MST e à política externa. Os lumpens já estão com o PT e não decidem as eleições. Lembrando que Serra mal começou a campanha, significando que tem margem para crescer.

Dilma parece confinada ao gueto tradicional do PT, englobando parte do funcionalismo público, os sindicatos radicalizados, os revolucionários de carteirinha e a massa amorfa dos lumpens, comprados com bolsa-família. Para piorar, seu discurso de campanha tem focado essa gente, evidentemente incapaz de alargar a base eleitoral. Dilma não fala à classe média que não depende do governo.

A posição sólida de José Serra se fortalece pela força da candidatura favoritíssima de Alckmin/Afif ao governo do Estado de São Paulo e a bênção de Aécio Neves em Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais. Se o PT não tiver alguma carta na manga para mudar as coisas nesses dois colégios eleitorais maiores dificilmente poderá ganhar as eleições. O projeto eleitoral do PT parece esgotado.

A candidatura de Marina Silva também parece ter se aproximado do teto. Concorre diretamente com as teses tradicionais do PT e pode servir unicamente para viabilizar o segundo turno. Mesmo assim, conforme o andar da campanha eleitoral, na reta final a tese do voto útil pró-PT pode esvaziar sua candidatura. Ela poderá murchar de forma inexorável.

Se as eleições fossem hoje José Serra ganharia facilmente.

 

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