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Lance de grande mestre

10 de outubro de 2009 - 17:46:06

Pensei: das duas uma: ou foi uma trapalhada do boneco de ventríloquo Amorim que se meteu a chanceler de verdade sem consultar Marco Aurélio Garcia (MAG) e vai ser difícil sair desta ou foi outro lance de mestre do MAG.

Antes de chegar lá: devagar com o andor quando se fala da tradição de neutralidade do Itamaraty. Isto é uma mentira da grossa inventada não sei por quem, mas que jamais existiu. Não houve traição aos ‘ideais do Barão do Rio Branco’ pois ele mesmo era um intervencionista e imperialista de fazer inveja a Molotov e a Theodore Roosevelt. Pacificamente ou não aumentou o território brasileiro a golpes de imperialismo, à custa dos países vizinhos. Não que eu o condene por isto – pelo contrário!, o admiro – mas ‘dourar a pílula’ para mostrá-lo bonzinho e não-intervencionista faz parte de outra tradição, esta de uma idiotice atroz:  brasileiro tem que ser o simpático, o bom menino, cordial. O mesmo se faz com Caxias, exímio guerreiro que deve ser enaltecido por suas qualidades bélicas. Mais uma vez isto é um elogio: um cruel ditador paraguaio desafiou o Império, Caxias foi lá e mostrou com quantos tiros se destroem uma canoa. Vargas jamais deixou o Itamaraty tomar decisões. A infiltração marxista no Instituto Rio Branco foi de tal monta que Roberto Campos se referia aos ‘barbudinhos do Itamaraty’, levando a conseqüências desastrosas nas mãos de um Presidente teutônico, socialista e anti-americanista, como o reconhecimento do governo comunista de Angola antes mesmo da União Soviética.

Voltando ao lance magistral de MAG. O que estava acontecendo antes da suposta ‘trapalhada a reboque de Chávez’? Ora, o governo constitucional de Roberto Micheletti estava dominando a situação, o tempo operava a seu favor, os protestos zelaystas eram mínimos, mesmo sem estado de sítio, as passeatas pela legalidade enchiam as ruas de Tegucigalpa e San Pedro Sula, o apoio dos empresários, da Igreja, dos magistrados e do Congresso era inconteste. A Nova Ordem Mundial e o Foro de São Paulo sentiram o tranco: os alicerces do Foro ficariam abalados, pois são absolutamente muito fracos em função da sua falsidade (a mentira tem pernas curtas!).  Que fazer, como diria Lenin? Aí entrou em cena o Grande Mestre MAG.

Nos tempos em que eu jogava xadrez – mal, aliás – aprendi que depois de saber mexer com as peças é necessário ter uma visão total do tabuleiro e saber que o jogo se decide pela tomada o mais rápido possível do território adversário. Aprendem-se as aberturas e os finais, o miolo do jogo é que é o problema, por isto é o lócus dos Grandes Mestres. O jogo tem tempo para terminar e quando há um impasse e o adversário está mais bem posicionado o tempo joga a seu favor, ou no máximo, a um empate. Aí é que entra a genialidade dos Mestres. Um dos meus professores me ensinou que um Cavalo bem protegido criando um cerco às casas para as quais o Rei pode ocupar em caso de cheque é uma posição muito forte.

Pois é exatamente isto que Mestre MAG fez: colocou um cavalo no território adversário e ameaça virar o jogo a favor do Foro. Zelaya até então corria o risco de ficar apenas uma alma penada errante de país em país até cair no esquecimento e ficar relegado à história como mais um palhaço metido a besta. Zelaya em Tegucigalpa e bem protegido da Justiça pela imunidade diplomática, à qual deve explicações por crimes constitucionais e comuns inclusive narcotráfico, é um Cavalo numa posição fortíssima, restringindo os lances do Governo constitucional. Com Zelaya ali na esquina falando com quem quer diretamente ou ao celular, e com muitas Lempiras para gastar, aumentaram os protestos e as arruaças e a arrogância da Nova Ordem através da OEA, ONU e a administração obaminável de Washington, e o governo constitucional está em cheque. A partida, antes francamente a seu favor, está tendendo a um empate e se Mestre MAG souber mexer as demais peças poder-se-á chegar ao Mate!

Não duvido que o boneco de ventríloquo seja honesto ao dizer que ‘Mel’ se materializou na Embaixada. O Mestre nem sempre informa seu subordinado do que fez ou vai fazer – aliás nem ao Presimente Lula que gozava das delícias turísticas que tanto adora!

Nota: a participação de Marco Aurélio Garcia tal como está aqui é puramente especulativa, mas baseada no fato de ser ele o verdadeiro chefe da diplomacia brasileira além do idealizador do Foro de São Paulo, a reboque de quem segue fielmente Chávez.

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