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Lobby da maconha e Caetano Veloso

26 de maio de 2010 - 5:20:34

Sim senhor. Reunido semana passada em São Paulo, num simpósio promovido pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. (Cebrid/Unifesp), o lobby da maconha pretende agora provar que a cannabis sativa, longe de representar um dano, significa um benefício para o seu usuário.

Segundo os atuantes lobistas, ainda que com restrições, a maconha é planta milagrosa, especialmente aconselhável “no tratamento do câncer, Aids, glaucoma, mal de Alzheimer, dor crônica e severa, perda de apetite, artrite, distrofia muscular, esclerose lateral amiotrófica e caquexia (fraqueza extrema)”. Apontam outros proveitos, mas fico por aqui.

O diretor da Cebrid, Elisaldo Carlini, também presidente do simpósio pró-liberação da maconha, adianta que, de fato, a “planta não cura, mas proporciona a melhora em diversas situações como enfraquecimento por câncer e Aids”. Favorável a pronta liberação da cannabis, ele informa, com certa dose de entusiasmo, que uma empresa dos Estados Unidos já disponibiliza o THC (princípio ativo da maconha) industrializado em cápsulas. E que no Canadá, país híbrido, há comprimidos e spray bucal à base do principio ativo da droga.

Talvez o leitor não saiba, mas o THC (tetrahidrocanabinol) é uma substância psicoactiva das mais daninhas. Afeta o pulmão e todo sistema respiratório, aumenta a freqüência cardíaca, diminui a pressão sanguínea, a coordenação psicomotora, além de inibir a produção da testosterona – hormônio fundamental para a função sexual – e destruir os neurônios. A própria ONU, sempre permissiva, condena o seu uso e a Organização Mundial da Saúde denuncia que o hidrocarbono de um baseado é 10 vezes mais cancerígeno que o do tabaco.

A maconha é um alucinógeno da pesada, contendo mais de 60 substâncias tóxicas. Quase ou tão nocivo quanto o crack, provoca ansiedade, psicose e depressão. À sensação de bem-estar que transmite, de início, seguem-se os estados de angústia, desespero e, depois, letargia. Quando filmei “A Volta do Filho Pródigo”, empreguei um assistente de direção, Sebastião França, que fumava maconha e perdia a noção do que estava fazendo. Era uma tortura. Internei-o num hospital, no Rio, mas foi inútil: morreu de Aids sem largar o vício.

Ademais, a distribuição da maconha, atualmente explorada em larga escala pelas FARC, move o crime organizado e desorganizado, impulsionando diariamente milhares de roubos, furtos, assassinatos, seqüestros e a prostituição infantil – conforme se pode verificar nos extensos registros policiais.

Por que as ONGs, professores esquerdistas, PT e o PSDB promovem em simpósios e entrevistas a descriminalização da maconha mesmo sabendo que o povo brasileiro repudia tal pretensão?

Simples. Pelo desejo mórbido de ampliar o controle social: numa sociedade de drogados fica mais fácil mentir, roubar e manter o País sob o completo domínio do Estado.

***

No tempo em que morava no “Solar da Fossa”, em Botafogo, Caetano Veloso vestia jeans e camisa de marinheiro. Depois melhorou de vida, comprou Mercedes-Benz e danou-se para São Paulo, onde ficou popular por aparecer em programas de TV do tipo “Qual é a Música?”.

Na fase do desbunde, virou cabeludo encaracolado, vestiu colant e, no palco, parodiando Mike Jagger, corria e dava pulinhos performáticos. Os milicos, intolerantes, tosaram-lhes os cabelos e o cantor-compositor (com Gil a tiracolo) se mandou para Londres. Lá, no epicentro sísmico do rock, assimilou o apelo do androginismo, então em moda. À época, responsável pelos filmes do espetáculo “Brasileiro, Profissão Esperança”, montei em table top imagens de Gil e Caetano vivendo em Londres, uma forma de distingui-los no exílio, não sei se voluntário ou não (o exílio).

Nos últimos tempos Caetano passou a usar terno e gravata, aderindo ao “banquinho e violão” – marca registrada de João Gilberto, um sujeito reconhecidamente chato. Agora, nas páginas de “O Globo” (antigo porta-voz da “ditadura militar”), o compositor virou “formador de opinião”.

Num domingos desses, no propósito de defender a recuperação do Pelourinho, Caetano opinou, no jornal, que não era “saudável” fazer com o monumento histórico “o que Ipojuca Pontes fez com o cinema ao acabar com a Embrafilme”.

Caetano Veloso é um palpiteiro. Em profundidade, não conhece rigorosamente nada de economia, história, ciência política, religião, filosofia, etc. (E a julgar pela carta enviada à redação de “O Globo” pelo Secretário da Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles – muito elucidativa, por sinal -, o cantor pop desconhece a própria realidade política que envolve a revitalização do espaço histórico tombado). Talvez por isso o erudito José Guilherme Merquior o tenha definido como “um intelectual de miolo mole”.

Quem sancionou a extinção da Embrafilme (e mais oito empresas estatais, entre elas, o IBC), em 12 de abril de 1990, foi o Congresso Nacional que aprovou, in totum, o Decreto 8.029 enviado pelo novo governo. Nelson Carneiro, presidente do Congresso, e demais parlamentares, inclusive os da ruidosa oposição, poderiam ter embargado a sua aprovação – mas não o fizeram. E por quê?

Pelo odor pútrido que a estatal do cinema exalava. De fato, a Embrafilme, empresa criada durante a vigência do AI-5, além de deficitária e inepta, tornou-se, sob a égide da patota do Cinema Novo, um instrumento de “corrupção, politicalha e privilégios” – conforme expressa a abrangente Pesquisa de Opinião publicada em 1980 pela Agência Razões & Motivos, de São Paulo, encomendada, ironicamente, pela estatal do cinema. Para a população brasileira consultada, a Embrafilme deveria ser fechada com urgência e os seus dirigentes devidamente responsabilizados.

O próprio Glauber Rocha, um dos beneficiários do esquema embrafilmico, assim se manifestou, em carta destinada à “Celsinho” Amorim, então diretor-geral da empresa (tido como traidor e mais tarde expulso do cargo pelos militares): “Proponho para Embrafilme medidas regueanas (queria se referir as “reaganomics”, iniciativas de política econômica de Ronald Reagan, presidente do USA, que tratavam de privatizações, desregulamentação e corte de impostos) de desestatização. Sou favorável, aliás, à desestatização de todo aparato cultural: Funarte, INL, SNT, etc…”.

Caetano Veloso, por não procurar as fontes primárias, algo fundamental para quem pretende questionar os fatos, acha, como os seus pares, que o cinema brasileiro era só o da patota do CN e ignora que nos dois anos de Collor foram produzidos, sem a grana do governo, 105 filmes de longa-metragem (dado, por exemplo, que o criterioso pesquisador Antonio Leão da Silva Neto, depois de consultar produtoras, distribuidores, realizadores e arquivos oficiais, registra no seu bem documentado “Dicionário de Filmes Brasileiros”, edição de 2002).

O então fechamento da Embrafilme resultou de uma política desestatizante de governo, a melhor já traçada no País em todo século, infelizmente malograda pela incompetência de Collor e a ação incessante da aparelhagem comunista que não pode viver sem sugar as tetas do Estado – razão de ser da permanente esculhambação nacional.

De minha parte, digo e repito: foi uma honra ter participado da batalha pela extinção da Embrafilme. O que não impediu, infelizmente, do cinema brasileiro ser hoje uma atividade inteiramente dominada pelo “Estado Forte” de Lula (ou, no futuro, de Dilma ou Zé Serra, pouco importa) a serviço da nomenclatura comunista – um ônus a mais para o bolso do infeliz trabalhador contribuinte que se enverga como louco para sustentar o parasitismo de escol de gente como Cacá Diegues e aliados. (Aqui, convém lembrar que Cacá, cujo pai, Manuel Diegues Jr., dirigia o Departamento Cultural do MEC – órgão ao qual a Embrafilme estava subordinada no tempo da “sangrenta ditadura dos militares” -. não tinha o menor pudor em sacar rios de dinheiro da estatal do cinema para fazer seus “miuras” cerebrinos).

 

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