1. Arquivos
  2. Foro de São Paulo

Médicos cubanos processam por “escravidão”

7 de março de 2010 - 7:48:46

O montante da demanda poderia triplicar e os bens da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) nos Estados Unidos poderiam ser embargados, se o tribunal sentenciar a favor dos médicos cubanos, disse o advogado Leonardo Cantón.

“Há entre 70 a 80 por cento de possibilidades de que o processo tenha êxito”, adiantou Cantón, em uma coletiva de imprensa em Hialeah, convocada para explicar os detalhes da ação legal.

O processo é baseado no testemunho de um grupo de médicos cubanos que serviram em bairros venezuelanos, ao menos desde 2004 até 2008. Os médicos asseguram que foram submetidos a trabalhos forçados e obrigados a atender até 80 pacientes por dia, as 24 horas do dia, os sete dias da semana.

Entre os demandantes estão os médicos Julio César Lubián, Ileana Mastrapa, Miguel Mafjud, María del Carmen Milanés, Frank Vargas, Julio César Dieguez e o enfermeiro Osmani Rebeaux. Uma oitava pessoa preferiu manter-se no anonimato sob o nome fictício de John Doe.

Cantón disse que poderão somar-se à ação judicial todos os médicos que queiram e que, se for necessário, interporão todas as demandas que o caso requeira. O título do processo descreve a Venezuela como “colaboradora com Estados patrocinadores do terrorismo como Cuba e Irã”.

“Mantinham-nos sob vigilância total, não nos permitiam sair nem a um restaurante nem ter amizades, e até me privaram de alimentos”, disse Frank Vargas, um especialista em Medicina Geral de 33 anos, nativo de Havana.

Vargas disse que chegou na Venezuela em abril de 2008. Depois de servir durante três meses em comunidades do estado Zulia, fugiu para a Colômbia em julho desse ano porque não suportou as condições extremas de trabalho. Chegou a Miami em agosto de 2009.

María del Carmen Milanés, especialista em medicina integral de 34 anos e natural de Holguín, relatou como durante sua estada entre janeiro de 2004 e março de 2008, na cidade central de Valencia, foi obrigada a viver praticamente isolada sem permitir-lhe contatos com venezuelanos “sem nem sequer poder ir a um restaurante”, e atendendo pacientes todos os dias da semana sem descanso.

“Não podia fazer nada, relacionar-me com venezuelanos e muito menos se eram anti-chavistas”, disse Milanês a El Nuevo Herald.

Segundo o médico Miguel Majfud, de 40 anos e originário de Holguín, quando decidiram desertar, mantiveram-se em um esconderijo secreto durante cinco meses. “Saíamos somente a cada 10 dias para comprar comida”.

Tanto Milanés quanto Majfud, conseguiram obter uma palavra da embaixada dos Estados Unidos em Caracas e puderam viajar a Miami do aeroporto de Maiquetía em setembro de 2008.

Fonte: The Miami Herald
Tradução: Graça Salgueiro

 

{slide=Artigos Relacionados}{loadposition insidecontent}{/slide}

{slide=Artigos do Mesmo Autor}{loadposition insidecontent2}{/slide}