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Não há nada de novo no bolsa-voto-de-cabresto

3 de fevereiro de 2010 - 15:50:07

De todos os epítetos que o programa já recebeu, tenho que o melhor seja o “bolsa-voto-de-cabresto”. Sim, e pelo motivo mais escabroso: a manipulação política escancarada. Como um voto-de-cabresto evoluído, é entregue à população com o alarme de que deixará de existir caso as oposições venham a vencer as próximas eleições.

Todavia, nada nisto há de novo. A história do populismo apenas se repete, e o Brasil bem que poderia passar sem esta, se não fosse um país tão iletrado.

No livro How Capitalism Saved America, Thomas DiLorenzo apresenta um Franklin Delano Roosevelt que poucos conhecem. Protegida a sua biografia como amiúde tem sido feito pelas universidades e pelos historiadores ideologicamente engajados, restou-nos, em pleno século XXI, reviver as mazelas que o povo norte-americano já experimentara, e claro, tanto nós quanto eles, não impunemente.

Tão festejado pela intelectualidade esquerdista como o responsável por alegadamente ter salvado o capitalismo de si mesmo, o New Deal foi marcado por intensa regulamentação da economia, mormente por meio da legalização de cartéis endossados pelo governo, pelo controle da produção e dos preços, pelo aumento forçado dos salários e pela massiva despesa pública, principalmente em obras de pouca ou nenhuma importância ou de secundária prioridade, e contrariamente ao que sustentam os seus defensores, na verdade o que aconteceu foi que os Estados Unidos demoraram mais que a Europa para se recuperar dos anos de depressão na década de trinta, tendo os americanos convivido persistentemente com altas taxas de desemprego, racionamentos e inflação crescente.

Entretanto, em uma nova oportunidade iremos comentar especificamente sobre as desastrosas falácias perpetradas pela doutrina do New Deal. O que nos interessa evidenciar aqui é o uso que fez Roosevelt da máquina pública ao orientar os seus programas assistenciais não de acordo com as necessidades dos cidadãos ou da recuperação da economia, mas para o solerte objetivo de angariar capital político e prestígio para si próprio, à mesmíssima maneira como o fazem hoje Lula, Chávez e seus assemelhados do Foro de São Paulo.

Em 1938, um relatório oficial conduzido pelo Comitê de despesas de campanha do Senado dos E.U.A. descobriu, entre outras coisas, que:

1 – Em um programa estatal de empregos denominado de Works Progress Administration (WPA), em Kentucky, 349 empregados foram colocados a trabalhar no preparo de listas de preferências eleitorais de cada empregado no programa. Muitos daqueles que declararam que não pretendiam votar em Roosevelt foram deixados de lado.

2 – Em outro distrito do mesmo programa, também em Kentucky, exigia-se que os trabalhadores empregados no programa votassem no senador sênior (atual) de Kentucky, que era um apoiador de Franklin D. Roosevelt. Os que se recusaram foram excluídos dos seus empregos.

3 – Os republicanos em Kentucky eram avisados que teriam de trocar suas afiliações partidárias se eles quisessem se manter empregados no programa WPA. O mesmo aconteceu na Pensilvânia.

4 – Cartas eram enviadas aos empregados no WPA em Kentucky instruindo-os a doar 2 por cento dos seus salários para a campanha de Roosevelt se eles quisessem manter seus empregos. O mesmo ocorreu no Tenessee.

5- Na Pensilvânia, comerciantes que mantinham contratos de fretes com o WPA eram requisitados a oferecer US$ 100.00 (cem dólares – uma soma formidável naquele tempo) como contribuição de campanha.

6 – A distribuição de empregos aumentara dramaticamente justo antes das eleições. Na Pensilvânia, foram distribuídos “vales-emprego” com a duração de duas a quatro semanas pelo tempo das eleições.

7 – Um homem que recebia um (bom) salário de US$ 60.50 por mês em um emprego burocrático foi transferido para um outro cargo, para trabalhar com uma picareta em uma mina de calcário ,depois de ter recusado a mudar sua filiação partidária de republicano para democrata.

8 – Em Illinois, 450 empregados no WPA foram instruídos a angariar votos para os democratas por volta das eleições de 1938, e todos foram dispensados após as eleições.

O senado norte-americano inspecionou apenas quatro estados, mas sobraram razões para acreditar que práticas similares ocorreram em todos os estados.

Além disso, contrariamente à alegada aplicação de recursos onde fosse mais necessária, os registros demonstram que os estados que recebiam as partes mais gordas dos investimentos eram justamente os mais ricos, do oeste. A razão era simples: os investimentos eram orientados não por motivos econômicos, mas políticos: enquanto os estados mais ao sul foram os mais flagelados pela crise, eles eram de maioria democrata e, portanto, não suscitavam a necessidade de serem “conquistados”, de modo que qualquer “merreca” lhes fazia satisfeitos.

De acordo com o historiador David Gordon (1), Franklin Delano Roosevelt “era uma pessoa presunçosa, intelectualmente rasa, cujo principal interesse era reter a todo custo seu poder pessoal”, e cuja prioridade era “a total subordinação da sua política de bem-estar às suas ambições pessoais. Pelo visto, quaisquer semelhanças não são meras coincidências.

Um único alento que podemos extrair sobre o acima exposto é que, de tão desastrosas, várias medidas e instituições criadas pelo New Deal foram posteriormente extintas, o que promoveu aos Estados Unidos respirarem de novo o bom oxigênio do capitalismo. Transpondo isto para o caso brasileiro, temos como acreditar que não há mal que dure pra sempre. Oxalá seja assim.

1 – David Gordon, “Power Mad”, The Mises Review, Primavera de 1999, 7-12.

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