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O Fator Nóbrega

18 de maio de 2010 - 5:47:45

Maílson da Nóbrega foi aquele ministro da política “feijão com arroz”. Feijão azedo e arroz do tipo “unidos venceremos”. Seu desempenho à frente da pasta ficou patente pela sua notória “competência” em lidar com 80% de inflação… mensal. Dizia ele, o negócio é não “inventar moda”. Bom, vai ver que ele entendia que em time que está ganhando, não se mexe, não é? E dá-lhe Keynes a rodar a impressora… Foi tanta inflação que já não tínhamos mais heróis ou personalidades, até que veio o plano Real, com seus bichinhos. E eu que sonhava um dia ver a Xuxa ou a Angélica estampadas numa nota de um milhão de cruzados novos!

Como notórios fracassados como este ainda ganham a vida escrevendo artigos e dando palestras por aí por um bom dinheiro é um assunto para os antropólogos (os estrangeiros). O que nos interessa aqui é desmascarar a farsa, ou o notório equívoco do autor (a gente tem de dar este crédito, certo)? De Keynes, a Europa já está cheia! Foi assim que foi para o buraco.

Na mesma edição da consagrada revista, há uma ampla reportagem sobre os bons números exibidos pelo Brasil, com otimistas prognósticos sobre a prosperidade da economia, sobre a criação e distribuição de riqueza e sobre a ascensão das diversas classes sociais. O periódico elogiou o capitalismo (concordo: foi meio pró-forma) e teceu algumas críticas sobre o preconceito esquerdista, principalmente da mentalidade ainda reinante do marxista jogo de soma zero, isto é, a teoria segundo a qual os ricos são ricos às custas da exploração dos pobres.

Todavia, a reportagem comete uma injustiça: recorrendo ao mito da distribuição de renda, alega que o período do chamado “milagre brasileiro” produziu riqueza, sem contudo, tê-la distribuído, mais ou menos em cima da lendária resposta dada pelo então ministro Delfim Neto, segundo o qual, “era preciso que o bolo crescesse para então ser repartido”. A mentira está em que naquele período houve imensa produção de uma classe média com acesso a muitos bens até então simplesmente desconhecidos. uma histórica capa da Veja mostra justamente um casal de operários dentro de um fusca, a apresentar com a imagem uma nova realidade no Brasil. Foram praticamente 40 milhões de brasileiros que saíram da linha da miséria, ou simplesmente metade da população, um feito que nem de longe foi alcançado durante os governos FHC e Lula juntos.

Certamente, eu mesmo não sou um dos maiores cultores daquela política de desenvolvimento apoiada em largo financiamento e empreendimento estatal, mas nem por isto deixo de reconhecer o mérito efetivo conquistado pelos governos militares. Se tem algo em Lula que lhe desperta o maior ódio, é a sua suprema inveja dos militares – pois estes fizeram tudo o que o PT sempre sonhou em fazer – e pouco fizeram quando chegaram ao poder- os tempos já eram outros e a fórmula não se mostrou tão certa assim. Mesmo assim, ressuscitaram a Sudam, a Sudene e agora, a Telebrás. Dor de cotovelo, nada mais.

Entretanto, otimismo à parte – e que bom – em nenhum momento a matéria da 5ª maior publicação de atualidades do mundo propôs como debate se este crescimento teria sido derivado “graças” ao governo Lula ou “apesar” dele. Tirássemos da equação mais de cento e cinquenta mil cargos públicos que nada trouxeram em termos de uma melhor prestação dos serviços público; tivéssemos pelo menos amainado um pouco nossa pesada carga tributária; tivéssemos demonstrado alguma segurança jurídica mais firme no campo e no combate às drogas e à criminalidade em geral, poderíamos ter dado um banho em russos, chineses e indianos.

 

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