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O fim do périplo da IU pela Colômbia

9 de fevereiro de 2010 - 3:40:37

Como na Espanha não levam a sério a Esquerda Unida, grande defensora de tiranos como Fidel Castro, Hugo Chávez e Evo Morales, seus chefes inventam viagens para que a imprensa estrangeira dê algum eco aos seus amálgamas e ameaças. Essas viagens de turismo revolucionário transformam-se assim, afinal, em tristes farsas.

A IU é uma formação política marginal, herdeira do Partido Comunista da Espanha (PCE). Ela representa uma ideologia criminosa com passado atroz: a maior empresa de destruição dos direitos humanos que a civilização já teve que suportar em toda sua história. Mesmo assim, o neo-comunismo tem o cinismo de querer se erigir em perito em direitos humanos. Porém, com tais antecedentes ninguém lhes dá crédito. Quando se faz parte de uma corrente que preconiza a violência como uma necessidade política, quando esse sistema levou à morte mais de 120 milhões de pessoas no mundo, não se tem autoridade moral para vestir os hábitos de um juiz de nada.

Os políticos da IU foram à Colômbia para fazer a única coisa que sabem: colocar barreiras entre os povos. Aterrissaram em Bogotá para lançar mentiras enormes que perturbem a aprovação do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre a Colômbia e a União Européia. Para tratar de dar uma rasteira nos “mecanismos de cooperação estabelecidos entre a Espanha e a Colômbia”, como revelou um tal de Francesc Canet, foram instigar os senadores norte-americanos que querem abolir o Plano Colômbia.

Essa visita, entretanto, pode ter tido outros objetivos. Que relação há entre esse curioso périplo e o recente anúncio de que as FARC estão tratando de montar um ato propagandístico na Europa? A missão da IU, ou um dos seus membros, aproveitou esses dias para fazer contatos dissimulados com o movimento terrorista e essa montagem na Espanha, onde os pretendidos delegados não teriam que fazer frente à muralha do idioma?

As declarações que a missão lançou fazem pensar nisso. São a cópia exata das exigências das FARC: que o governo deve reconhecer que há “um conflito social, político e armado interno”, que “provoca uma vulnerabilidade sistemática dos direitos humanos por parte de todos os agentes armados”, que a Colômbia deve capitular ante a guerrilha, quer dizer, pactuar uma “saída negociada do conflito”, que na Colômbia “não se respeita a independência do poder judiciário”, etc.

Uma maneira de respaldar as atrocidades que as FARC cometem é ocultá-las, transferindo a culpa para “as partes em conflito”. É utilizar o eufemismo do “conflito social, político e armado interno”. Foi isso que a missão da IU fez. O documento que entregaram diz, por exemplo, que “as mulheres e as crianças são utilizadas pelas partes em conflito”. Não disse que as FARC fazem isso mas que o fazem “as partes em conflito”. Todo mundo sabe que não é o Estado colombiano quem seqüestra e recruta crianças para levá-las às emboscadas. Isso o fazem exclusivamente as FARC e o ELN que os exploram para, além disso, plantar minas anti-pessoa, fazer trabalhos de inteligência e servir de escravos dos chefes terroristas. As Forças Militares, pelo contrário, resgatam os meninos combatentes e os entregam aos programas de reabilitação.

Isso a missão comunista espanhola não reconhece, pois a venda que eles mesmos colocaram nos olhos antes de descer do avião não lhes permitiu ver a realidade. Nessas condições só podiam fazer o que outros os haviam feito decorar: repetir as cantilenas de turno, aprendidas com todo o rigor, como exigem os manuais de agitação e propaganda da IU. Os métodos inventados pelas boas almas de Lênin, Stalin e Breznev não se esquecem facilmente.

 

Tradução: Graça Salgueiro

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