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O Foro e o cerco de Honduras

15 de outubro de 2009 - 17:54:58

O leitor sabe, mas convém repisar: o Foro de São Paulo, mutatis mutantis, é a recriação da célebre OLAS – Organização Latino-Americana de Solidariedade – concebida por Salvador Allende durante o encontro da Tricontinental de Havana, realizado em janeiro de 1966, para, no dizer de Fidel Castro, “estender a luta revolucionária a todos os países da América Latina”. Foi justamente a partir das resoluções da Conferência da OLAS,  transcorrida um ano mais tarde, em Cuba, que se desencadeou a “guerra revolucionária” em vários países do continente, com destaque no Brasil para a guerrilha empreendida por Carlos Marighella, a qual estava atrelado, entre outras vestais da esquerda, o apóstata “Frei” Betto – mais tarde feito “tutor  ideológico” de Lula da Silva.

No histórico, a proposta de Fidel (e Che) para se implantar “Um Vietnã em cada país da América Latina” afunilou-se na luz escura do vazio: salvo nas selvas da Colômbia, a luta de guerrilha, ante a reação decisiva das forças militares, entrou pelo cano. Por sua vez, a queda do Muro de Berlim e a aparente derrocada da União Soviética determinaram dois acontecimentos funestos para a esquerda na AL, a saber: 1) Em Cuba, Fidel Castro terminou por perder a bolsa anual de US$ 6 bilhões paga por Moscou para manter-se no país-satélite próximo às barbas do Tio Sam – o que, em definitivo, intensificou o duro regime de fome na ilha-cárcere. 2) No Brasil, a fuga de Jango e, tempos depois, a derrota fragorosa de Lula para Collor de Mello, candidato comprometido com o avanço do liberalismo econômico e a democracia representativa, fez com que a furiosa frente ampla comunista entrasse em pânico.

Mas, verdade seja dita, só por pouco tempo: instalado o Foro de São Paulo em julho de 1990, em menos de dois anos as esquerdas se reorganizaram e, de forma clandestina, na mais completa ignorância da sociedade brasileira, tramaram com êxito a queda de Collor de Mello e suas (frágeis) aspirações liberais.

Mais ainda: com a ascensão de Lula ao cargo de presidente da República, a organização subversiva, agindo com a desenvoltura de máfia secular, em menos de duas décadas conseguiu instalar vários dos seus asseclas no comando de países da região, todos agindo em conluio surdo para fincar o monopólio comunista no poder político continental. Ainda que o projeto esteja em andamento, é façanha de fazer inveja ao próprio Komintern, a Internacional Comunista criada por Lenin para impor ao mundo a sua “Ditadura do Proletariado”.

Para que tal fenômeno se desse em tão pouco tempo, convém insistir, foi fundamental a ação clandestina do Foro no controle ideológico do aparelho estatal brasileiro. Com efeito, seja manobrando em causa própria os bastidores do poder público ou determinando a farta distribuição de recursos financeiros do governo entre organizações criminosas (ONGs, MST, Via Campesina e tutti quanti); seja aparelhando a máquina estatal com a militância útil (e inútil) ou corrompendo com cargos e propinas os partidos políticos; ou ainda articulando leis racistas e permissivas ou formulando política externa lesiva aos interesses nacionais e de fundo colonialista, ou mesmo inoculando o vírus da ideologia comunista no ensino público, etc. etc. – a organização clandestina, composta por fanáticos das mais diversas latitudes, logo se impôs e está se alastrando pelo continente desguarnecido. A façanha foi tão bem-sucedida que o próprio Lula, na celebração dos 15 anos de existência do Foro (02/07/2005), em discurso jubiloso aos “companheiros” de empreitada, relembrou com riqueza de detalhes como tinha enganado o povo brasileiro e as forças democráticas da nação.

Ademais, na sua escalada para assumir o poder total, a trupe executiva do FSP bolou o instrumento perfeito para o domínio político do continente: o chamado “Golpe do Referendo Popular”, uma empulhação bem adequada ao que se proclama como prática usual na “democracia participativa”.

Em resumo, eis aqui como se processa o “golpe do referendo”: uma vez eleito presidente de um país democrático (em geral, com a ajuda da grana do narcotráfico, dos petrodólares de Chávez e recursos logísticos dos governos aliados), o membro do Foro corrompe o legislativo e, após algum tempo, baixa decreto executivo estabelecendo consulta popular para a convocação de assembléia nacional constituinte a fim de deliberar sobre a criação de nova carta magna. Feito isto, o detentor do cargo presidencial anula o que resta de oposição, estabelece leis ditatoriais e encaminha “legalmente”, sem maiores dificuldades, o “Socialismo do Século XXI” de feição totalitária.

Uma jogada de mestre! De fato, o “Golpe do Referendo Popular” bolado nos intestinos do Foro de São Paulo vinha dando certo em vários países da AL até o advento da inesperada reação das instituições formais de Honduras, que se interpuseram sem temor às pretensões do então presidente Zelaya (também membro do Foro) de mudar as regras do jogo e permanecer ad infinitum no poder.

Sim, amigos. De forma mais que corajosa dentro de um espaço dominado pela sanha expansionista do Foro, mas interpretando fielmente o espírito de uma constituição à prova de manobras continuístas, tanto o Poder Judiciário quanto o Congresso Nacional e as Forças Armadas hondurenhas, tendo a frente o sólido deputado Roberto Michelleti, estão resistindo tenazmente o cerco à democracia em vigência no pequeno país centro-americano, ao tempo em que desmascaram aos olhos de quem quiser ver o diabólico esquema de integração comunista na América Latina – um fenômeno raro, heróico e improvável num continente vivendo à sombra da ameaça totalitária!

Na Declaração Final do seu XV Encontro, ocorrido no México, dois destaques evidenciam o acosso sem limites que o FSP mantém sobre Honduras: no seu parágrafo nono, depois de denunciar a queda de Zelaya como intentona da direita “para deter o avanço das forças de esquerda”, se afirma: “O XV Encontro assumiu o compromisso de continuar apoiando a luta do povo hondurenho e de exigir a liberdade imediata de todos os presos políticos, a suspensão da repressão e a restituição imediata e incondicional do presidente Zelaya ao seu cargo”.

E no anexo do parágrafo décimo quinto do documento, menos explicito, o FSP aprova amplo plano de trabalho para 2010 e se compromete em: “Apoiar decididamente a esquerda hondurenha nos termos da resolução particular aprovada por este XV Encontro”.

Com respeito aos “termos da resolução particular” que o FSP prefere manter oculto para continuar agindo em surdina, não seria exagero mencionar, entre várias outras iniciativas, a pressão histérica que o Brasil exerce sobre a ONU e a OEA contra Honduras, o empréstimo do avião de Chavéz para que Zelaya retornasse à Tegucigalpa e a “materialização” do presidente deposto na hospitaleira Embaixada do Brasil, para não falar dos grossos recursos monetários repassados pelas FARCs (narcotráfico) para se manter na capital hondurenha milhares de milicianos da Venezuela, instruídos por Cuba, para, no momento oportuno, invadir o Congresso hondurenho e baixar o sarrafo.

Mas quem liga para semelhante tipo de agressão a país tão insignificante?

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