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O preço do resgate: passaporte para o Mercosul

3 de novembro de 2009 - 3:21:45

Tanto é assim que, “coincidentemente”, neste mesmo dia o presidente Lula dirigia-se à Caracas para mais uma das incontáveis inaugurações (desta vez, uma “colheita simbólica” de soja, com tecnologia da Embrapa), assinaturas de acordos (que só depois de muito tempo tomamos – nós e os venezuelanos – conhecimento) e exposição de sua candidata-terrorista às eleições presidenciais de 2010, aproveitando para levar a notícia ao seu camarada pessoalmente.

Dois dias antes da votação, esta Comissão recebeu a visita do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que fora convidado pelo senador petista Eduardo Suplicy, para dar seu depoimento acerca da democracia na Venezuela sob o regime de Chávez, considerando que no estatuto de criação do Mercosul um de seus artigos exige expressamente que os membros do bloco respeitem e sigam o regime democrático.

Ledezma é, ele mesmo, uma das vítimas da ditadura chavista, pois eleito democraticamente pela esmagadora maioria dos caraquenhos, nunca pôde exercer seu mandato posto que Chávez confiscou seu direito legítimo pondo no cargo uma “administradora” de sua confiança que ocupa, inclusive, a sede da Prefeitura. Em vista desses atropelos, Ledezma realizou uma greve de fome meses atrás, como protesto, que culminou com seu ingresso no hospital. Em agosto passado, 11 funcionários da prefeitura de Caracas foram presos quando protestavam em uma manifestação opositora pacífica, sob a alegação de “desordem pública”, seguindo à risca o modelo ditatorial cubano.

Apesar disso, Ledezma veio defender a aprovação de Chávez no Mercosul. Sua alegação, frágil e inconsistente, foi de que “a Venezuela não é Chávez e este não permanecerá no governo para sempre”. Ele sabe que mentiu, ele sabe que traiu até mesmo a si próprio, mas aquele gesto tinha um preço muito alto que seria pago em seguida. No artigo UnoAmérica: carta aberta contra o ingresso de Chávez no Mercosul publicado pelo Diário do Comércio, já se advertia do risco desta aprovação e chamava-se a atenção de que Ledezma estava agindo sob coação e pressões muito fortes, sobretudo por causa dos seus 11 funcionários presos injustamente, além de ter sido acusado de “traição à Pátria” devido a uma carta que escreveu ao senador José Sarney, em que mostrava-se contrário à entrada da Venezuela nesta organização.

No dia seguinte à aprovação de Chávez no Mercosul, libertaram os 11 funcionários da Prefeitura de Caracas. Este foi o preço do resgate que Ledezma teve que pagar pela sua traição no depoimento aqui no Brasil!

Lembro que Chávez é comprovadamente vinculado às FARC e que esta prática de cobrança de resgate de seqüestrados ele aprendeu com seus camaradas farianos. Esta prática tem-se mostrado como um meio “legal” de extorquir, processar e pôr na cadeia seus opositores, como foram os casos do fechamento da RCTV, da perseguição a Manuel Rosales (que encontra-se sob a proteção de asilo político no Peru), do jornalista Gustavo Azocar, do ex-ministro da Defesa Raúl Baduel e incontáveis outros casos que são do conhecimento dos venezuelanos. Não podendo alegar perseguição política, Chávez encontra meios de exigir cobranças de débitos com o fisco – muitos deles inexistentes – ou “enriquecimento ilícito” para pressionar a rendição de seus desafetos. Os que não pagam, terminam na cadeia e às vezes assassinados – vide caso Danilo Anderson.

Também é sobejamente conhecida sua aliança com as FARC através do que ficou conhecido nos achados dos computadores de Raúl Reyes, e corroborada a autenticidade pela Interpol. Embora ele negue, os fatos registrados em vídeos falam por si sós. Quando Reyes morreu, Chávez fez um minuto de silencio em sua homenagem numa sessão da Assembléia Nacional; por mais de uma vez afirmou que “as FARC não são terroristas”; permitiu que o bairro 23 de Janeiro, seu reduto, erigisse um busto em homenagem a Manuel Marulanda “Tirofijo”, chefe máximo das FARC, onde na inauguração houve venda de produtos produzidos por este bando terrorista; sancionou os militares venezuelanos por terem prendido Rodrigo Granda, o “embaixador das FARC”, em território venezuelano, os quais continuam presos. Este terrorista das FARC possui identidade venezuelana, assim como cédula eleitoral e um imóvel registrado em cartório em seu nome. Se não houvesse uma aquiescência e conivência por parte de Chávez com estes delinqüentes, nem Granda nem outros tantos terroristas não só das FARC, mas iranianos, cubanos e de outras nacionalidades, jamais teriam conseguido tais documentos e regalias.

E uma das provas mais contundentes do compromisso de Chávez com as FARC está no vídeo abaixo, em que o jornalista da RCTV, Miguel Angel Rodríguez, apresenta em seu programa “La Entrevista” de 23 de julho de 2007. Neste programa ele retransmite uma entrevista dada à Cadeia Caracol da Colômbia por Gabriel Gómez, um jovem colombiano que inscreveu-se para o programa de bolsas de estudo oferecidas pelo Governo da Venezuela a estudantes de outros países. Gabriel iniciou o curso de medicina mas afirma que o curso versava sobre doutrinação comunista, apresentando dentre tantos outros comunistas célebres, Manuel Marulanda “Tirofijo”, como um exemplo a ser seguido. Na reportagem ele prova, através de apostilas, aquilo que denuncia. Gabriel abandonou o curso mas quando foi se queixar, passou a ser perseguido a ponto de ter que deixar a Venezuela. De volta à Colômbia a perseguição prosseguiu e hoje ele vive no Canadá como exilado político.

Não há, portanto, qualquer dúvida de que Chávez e as FARC são parceiros e cúmplices, que seu ingresso no MERCOSUL é nocivo aos interesses nacionais, e que o depoimento de Ledezma, que acabou propiciando esta adesão, foi feita com base em métodos aprendidos com as FARC.

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