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O presidente do Uruguai e sua “orga” assassina

26 de março de 2010 - 5:37:05

Além de muitas vítimas civis inocentes, os uniformizados foram assassinados covarde e cruelmente pela organização terrorista que Mujica liderou junto a outros guerrilheiros. Agora, o mesmo Mujica convoca os uniformizados para compartilhar um almoço de camaradagem.

Irá querer pedir perdão pelos brutais crimes cometidos por sua “orga”? Estará sinceramente arrependido e disposto a reparar tanto dano causado por ele e pelos seus? Irá querer neutralizar toda real ou eventual dissidência? Fabricará discursos carregados de elogios para abrandar, e repleto de anúncios por mais recursos orçamentários? O velho guerrilheiro se mostrará patriota e nacionalista com alguma referencia anti-EEUU que deixará mais de um desinformado encantado?

Lembremos que foi – e é – parte substancial do discurso de Mujica e seus companheiros de rota, atribuir aos outros os males que eles mesmos provocaram. Jamais reconhecem suas próprias culpas, nem assumem suas responsabilidades, nem se arrependem das atrocidades cometidas. Pretendem apresentar-se como idealistas salvadores que dizem querer olhar para o futuro, enquanto acabam de destruir o que resta de saudável nos que cumpriram com o dever de combatê-los. São manipulações tendentes a continuar apagando da memória toda a marca de seus crimes mais brutais.

Já comentei em diversos artigos as analogias entre Barrabás, Hitler, Fidel Castro, Chávez, Lula e Mujica. Também comentei o papel que cumprem hoje os Pilatos contemporâneos, artífices das piores formas de tibieza, covardia e entreguismo.

Agora sublinho apenas que Barrabás também foi considerado uma espécie de herói popular, resultou eleito e beneficiado por uma multidão. E terminou cometendo o crime mais atroz da História. Não se entenderia a concretização desse fenômeno infinitamente perverso sem o papel cumprido por Pôncio Pilatos. Naquela época, como em todos os tempo até nossos dias, quantos lavam as mãos e possibilitam com isso as piores injustiças!

Quantos tíbios, quantos colaboracionistas e entreguistas! O digo pensando em líderes políticos, na direção empresarial, na hierarquia eclesiástica, na cúpula militar, nos mass-media, nos artífices do proselitismo através do sistema educacional, etc.

Mais próximo aos nossos dias, também houve votos abundantes para capturar outro monstro, socialista também, chamado Adolf Hitler. Votos arrancados mediante a manipulação emocional e a ocultação de idéias e de fins últimos. Hitler também esteve preso alguns anos até que, também, foi beneficiado e posto em liberdade. (Estou utilizando deliberada e recorrentemente o termo “também”, para facilitar ao leitor o achado de mais e mais analogias). Hitler também saiu fortalecido do cárcere. É curioso: tempos de prisão que favorecem o delinqüente é como se os carcereiros tivessem querido assegurar um retorno vitorioso.

Depois de fracassar na via cruenta inicial, Hitler também percorreu o caminho legal para tomar o poder. Fabricou um partido político de massas e seduziu burgueses e numerosos operários. Chegou a colher milhões de votos e obteve a maioria do Reichstag rumo ao poder ilimitado: foi eleito Presidente.

Como é sabido, no começo Hitler não foi um tirano que se impôs pela força, senão que foi nomeado legitimamente chanceler do Reich e acabou convertido no chefe de Estado talvez mais popular do mundo. Foi mais tarde que se pôde ver que tipo de monstro havia emergido da preferência eleitoral.

Veja-se para que abismos pode conduzir o sufrágio universal! Será sim, necessário, prever mecanismos para salvaguardar a democracia frente às manobras dos que utilizam as liberdades – e o próprio sufrágio – que a democracia oferece, com a finalidade de aniquilar definitivamente o próprio sistema democrático!

Agora, militares-pedreiros e para combater mosquitos depois, ver-se-á se juram “socialismo ou morte”…

Hitler também esteve convencido de que o exército obedeceria a quem estivesse no poder. É impossível deixar de lembrar os uniformizados que hoje geram repugnância ao jurar “socialismo ou morte” e os que podem estar se dispondo a cobrar suas trinta moedas: ascensões, cargos, destinos, viagens, missões, diárias, etc. A esses a vida de seus camaradas assassinados ou a dos atualmente presos e extraditados nunca lhes importou demais.

Para poder qualificar um governo como democrático, não basta apenas olhar sua origem e ver se houve ou não votos suficientes. É necessário verificar se esses votos resultaram de adesões voluntárias baseadas na informação veraz, ou se, pelo contrario, foram resultado de manipulações enganosas, demagógicas e hipócritas. Junto a isso, é indispensável observar como se exerce esse governo, quer dizer: é necessário revisar se se garantem direitos e liberdades fundamentais ou se as pisoteiam. Será necessário discernir se o Estado invadiu ou não o campo de atividade livre que legitimamente pertence aos particulares. E em tal sentido, há um direito essencial que é chave e serve de termômetro infalível: é o direito à propriedade.

Mujica seguirá o rumo de Chávez, porém via Lula, com abundante verniz de moderação.

Outros votos ascenderam o sinistro Chávez, que também prometeu respeitar a liberdade e a propriedade, fez discursos aos empresários assegurando-lhe que haveria regras claras e respeito ao investimento. Hoje, se aborrece de confiscar propriedades, fechar meios de comunicação e meter seus opositores no cárcere. Atropela direitos e liberdades enquanto as maquina para impor-se autocraticamente mediante fraudes de todo tipo. Aí temos na Venezuela um regime ditatorial com verniz democrático.

É previsível que Mujica decida caminhar para o castro-chavismo, percorrendo a via Lula e fazendo freqüentes escalas técnicas em teatralizações de aparente moderação que evitem reações. Mujica tem bem presente o que ocorreu ao regime de Allende depois de gerar miséria e opressão.

Uma pequena diferença permitiu uma maioria circunstancial que poderá respaldar erros e horrores que serão vistos com maior clareza – em sua crescente gravidade – à medida em que o tempo passe.

Em que pese todas as manipulações, meio país soube resistir e negou-se a dar seu voto a Mujica. Boa parte daqueles que caíram nas redes fraudulentas da demagogia populista, logo verão como ela termina se transformando em totalitária e liberticida.

Continuaremos vendo o grande show dos conchavos, negociações e capitulações para que os Pilatos de hoje facilitem as coisa a Barrabás Mujica Emiliano Mones Morelli?

Quem e quantos se oporão e resistirão a esta via edulcorada que conduz ao castro-chavismo?

Quem e quantos claudicarão? Muito em breve veremos a uns e a outros. Enquanto isso, evoquemos as vítimas inocentes do terrorismo guerrilheiro e recordemos o itinerário percorrido por Chávez e por Lula. Também tenhamos presente o caminho seguido por Allende e como foi seu final.


Nota da tradutora:

[1] “Orga” é abreviatura da “organização” à qual pertencia Mujica, nos tempos de terrorista ativo.

Tradução: Graça Salgueiro

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