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O pró-cônsul Ramiro Valdés

9 de fevereiro de 2010 - 3:51:28

É um fato HISTÓRICO que venha o “comandante” Ramiro Valdés e seja nomeado para se ocupar do governo da Venezuela, pois Chávez continuará falando idiotices dia e noite como o “grande líder” e enganador de ofício, delegando de fato o governo, de agora em diante e de maneira oficial, nas mãos deste super-ministro castrista.

Por isso a nomeação do chefe comunista cubano, Ramiro Valdés, é de uma gravidade insólita.

O “comandante” Ramiro Valdés é nada menos que o terceiro homem do cérebro do poder tirano castrista, que se apropriou da vida de escravidão material e espiritual de 11 milhões de almas cubanas, incluindo 2 milhões de exilados, de vida emprestada em uma nação estranha, embora a tenham feito um pedaço seu desde há agora 51 anos.

“Ramirito” vem para uma múltipla missão que Chávez pactuou com Fidel e Raúl por sua conta. Dizem que a instituição deste pró-consulado castrista do Estado cubano, que exercia Valdés, foi o que motivou a saída de Carrizales da Vice-Presidência; porém, até que este senhor não fale como foi, presume-se que pode ter saído com sua mulher, também ministra, e com o jovem encarregado do banco central chavista, pelo descobrimento de uma descomunal falcatrua que é o que faz rodar reiteradamente por um tempo a todos os da gasta, desprestigiada, hiper corrupta e sobretudo inútil equipe de Chávez.

O mais simples seria dizer que Ramiro Valdés, como verdugo castrista experimentado, vem dirigir a sofisticada repressão dos meios de comunicação, em primeiro lugar os da rede de Internet que constituiu a última experiência dilatada de Ramirito, depois de dirigir por décadas as mais variadas agências de repressão política, fuzilamentos, torturas e cárceres do regime.

Isso pode ser certo, porém temo que seja mais ampla e complicada a missão encomendada por TODA a burocracia cubana, e alentada em especial pela necessidade de Raúl Castro de afastar a quem lhe faz sombra na cúpula do sinistro e senil poder cubano, quando já sem remédio o tirano Fidel está estertorando, embora em câmera lenta.

Esta missão serve, nada mais e nada menos, para garantir com os recursos da Venezuela a sobrevida já comatosa do nocivo, sarnento, chulo e senil regime ditatorial cubano.

Resumamos as conseqüências deste fato histórico, do dia em que se oficializou o início formal da anexação estatal do Estado chavista ao Estado castrista.

– Ramiro Valdés será um super-ministro que receberá prestação de contas desde o Vice-Presidente Elias Jaua para baixo;

– Desde este super-ministério de colônia, disfarçado com o socorrido disfarce de ministro elétrico, Valdés montará um complexíssimo mecanismo de saque ainda maior de nossos recursos financeiros, energéticos, alimentícios, desviando embarques faturados para a Venezuela; e com cabotagem no Porto de Havana, insumos industriais, equipamentos médicos comprados em dobro com os quais já treinaram o pessoal cubano em Bairro Adentro e agora são manipulados lá na ilha com propriedade;

– Dentro do avultado número de funcionários cubanos – 40, 50, 80 mil? – instalados na Venezuela, que devem pelo menos duplicar o confessado em discursos oficiais, tornou-se urgente o controle policial ultramarino por um grande policial repressor, para pôr ordem na comunidade semi-escrava em funções aqui;

– Todas as mais temidas especulações sobre o rol policial e militar do funcionarismo castrista, assentado e em um vertiginoso crescimento todos estes anos na Venezuela chavista, onde se agregaram ademais a uma apreciável quantidade de disfarçados em pessoal sanitário e de educação, milhares e milhares nas múltiplas funções de registro civil, notarias, passaportes, aduanas e agora de funcionários de alto nível de todo um ministério dedicado supostamente a resolver o problema elétrico, completam com o Comandante Ramiro uma massiva falange de invasão silenciosa, de uma muito curiosa e engenhosa maneira de ligar nossa sorte, soberania, economia e anexação estrutural inclusive militar, do próprio Estado venezuelano, à ditadura castrista e à sua legião de parasitas e capangas;

– Como Chávez nunca pôde completar a demolição do velho Estado capitalista venezuelano, implementou uma anexação gradual da república ao Estado castrista, e Ramiro Valdés é a peça-chave para essa mudança de natureza. Isto não significa que amanhã amanheceremos com uma natureza de estado policial como o cubano, porém o passo dado com a vinda de Ramiro Valdés é um salto qualitativo nessa direção;

– Creio que o que estou dizendo tem implicações realmente graves, porquanto já temos a medida – que muitos na oposição midiática querem continuar ignorando -, de que no futuro mais ou menos imediato, essa anexação ou “enfeudamento” estrutural do Estado venezuelano à direção do Partido Comunista Cubano, significaria obrigar-nos a querer nos emancipar do despotismo a que teria que se adiantar ao próprio Estado castrista cubano o qual teria se anexado o regime chavista. Não digo que já chegamos a isso, porém assinalo que será tal a dependência de Chávez na Venezuela, que a vida dessa burocracia totalitária cubana dependerá da sorte da burocracia ladra e despótica do chavismo na Venezuela.

– Chávez não nos federou com o Estado castrista cubano porque aspira a ser ele quem dirija esse Estado Federal e não será assim enquanto os irmãos Castro estejam respirando. A chegada de Valdés prepara essa federação, embora 95% dos venezuelanos estejamos absolutamente contra esse disparate demencial?

– Essas pestes burocráticas vermelhas se mantêm juntas e juntas cairão? Se isso é assim, então é necessário revisar, como se faltassem razões, TODA a estratégia da oposição venezuelana com relação a Chávez e a esta aparelhagem colonial cubana, que no ponto de seu maior desenvolvimento já qualitativo de coluna vertebral do regime chavista, veio dirigir em pessoa o terceiro homem do poder castrista cubano.

– Completou-se o legado de Chávez de nos entregar a Cuba. Começou o domínio colonial cubano com o pró-cônsul Ramiro Valdés?

– Completou-se a “angolização” da Venezuela. Cuba batalhou militarmente com o custo de milhares de mortos para reinar politicamente em Angola; aqui só bastou que Chávez decidisse nos vender a alma a seus amados amos chulos.

– Chávez está levando adiante seu plano. Porém a Venezuela tem outro plano: NÃO SEREMOS UMA COLÔNIA CASTRISTA, não seremos outra Angola, nem outra Nicarágua. Com a vinda de Valdés, Chávez cometeu seu pior disparate em anos. Só 5% apóia seu plano cubano; os outros 95% estamos dispostos a fazê-lo fracassar em seu pior desígnio. Fora Valdés! Fora Chávez!

Fonte: www.analitica.com/va/politica
Tradução: Graça Salgueiro

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