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O segredo sujo dos irmãos Castro

16 de janeiro de 2010 - 8:48:00

Ao longo dessas colunas sobre a ditadura Castro, citei a discriminação racial crônica contra cubanos negros em toda a Revolução de Fidel, uma “revolução” que alegra visitantes como o famoso documentarista Michael Moore, que jamais menciona a segregação racial na ilha.

A extensa marginalização de negros em Cuba não conseguiu penetrar a consciência pública americana; mas, com o lançamento em 30 de novembro da “Declaração de Consciência dos Afro-americanos”, o vil segredo dos irmãos Castro foi exposto.

Segundo o ressonante comunicado à imprensa, que tinha o tom autorizado do “West End Blues” de Louis Armstrong, “60 proeminentes intelectuais, artistas e profissionais negros americanos condenaram o abuso intensificado e o aparente aperto sobre o movimento de direitos civis nascente do país. Essa declaração é a primeira condenação pública das condições raciais em Cuba feita por americanos negros.”

Entre os signatários denunciando a “insensível negligência” com as “pessoas mais marginalizadas da ilha”, estão: Cornel West, professor de Princeton e autor amplamente lido; Julianne Malveaux, reitora do Bennet College; Prof. Ron Walters, da Universidade de Maryland e gerente de campanha da campanha presidencial do Rev. Jesse Jackson; a renomada atriz Ruby Dee Davis; o diretor cinematográfico Melvin Van Peebles; e a vice-chanceler da UCLA Claudia Mitchell-Kernan.

Esses manifestantes enfatizam que “tradicionalmente, os negros americanos defenderam o regime Castro e condenaram as políticas dos Estados Unidos, que trabalharam explicitamente para derrubar o governo cubano. E no entanto, essa declaração de proeminentes negros americanos condena a crescente perseguição travada pelo governo cubano contra movimentos negros em Cuba.”

Reveladoramente, essas tribunas de direitos civis, enfatizam, entre outras questões, a inclusão dos cubanos negros: “O Departamento de Estado dos Estados Unidos estima que os negros componham 62% da população cubana, e muitos observadores informados afirmam que o número é próximo de 70%.

“Os negros cubanos estão sofrendo fortes e crescentes instâncias de racismo na ilha, com cerca de 25 movimentos de direitos civis relatando um amplo espectro de práticas discriminatórias em contratações, promoções e acesso ao sistema socializado de medicina e educação de Cuba.”

Ao filmar seu tributo ao exemplar sistema de saúde pública de Fidel Castro, Sr. Moore, o senhor não notou a escassez de pacientes negros?

E há mais nessa declaração de consciência, que recebeu pouca atenção na imprensa americana até o momento da redação deste texto. Certamente o que se segue é de interesse de americanos de todas as cores:

“Jovens cubanos negros reclamam amargamente do perfilamento agressivo feito pela polícia, e estima-se que a população prisional cubana seja 85% negra, segundo ativistas de direitos civis cubanos.” Além disso, “afirma-se que 70% dos cubanos negros são desempregados. Em tais condições, um vigoroso renascimento do movimento de direitos civis cubano, banido nos primeiros anos da Revolução Cubana, está ocorrendo. As autoridades cubanas estão reagindo com violência e brutais violações dos direitos civis.”

Em uma coluna anterior, relatei uma visita a Havana meses atrás por membros do Congressional Black Caucus. Muitos louvaram entusiasticamente os feitos Fidel Castro no avanço do bem-estar do povo cubano, mas não se disse uma palavra sobre o pervasivo racismo.

Contrastantemente, escrevendo sobre essa “Declaração de Consciência” que desafia o governo cubano, Juan O. Tamayo nota que “mais negros americanos em viagem a Cuba têm podido ‘ver a situação com seus próprios olhos’, afirmou David Colvin, um dos organizadores do manifesto e ex-presidente da National Conference of Black Political Scientists.”

E, em um incisivo lembrete ao Presidente Obama, que defende melhora nas relações dos Estados Unidos com o govero cubano, Victoria Ruiz-Labrit, porta-voz em Miami do Comitê dos Cidadãos pela Integração Racial, organização baseada em Cuba, lembra também a nós de que mesmo os americanos trabalhando pelos direitos humanos em Cuba omitiram em grande medida a questão da raça. Mas, adiciona, “Os negros cubanos chegaram mais perto do termo ‘direitos civis’, porque foi o movimento de direitos civis aqui nos Estados Unidos que defendeu as questões de raça.”

Os Revs. Jesse Jackson e Al Sharpton, junto com líderes da NAACP e outras organizações de direitos civis, vão, espero, em breve reservar passagens para Cuba para estar entre ativistas cubanos de direitos civis na tentativa de tirar alguns de seus membros das cadeias de Castro, onde são detidos em celas junto com criminosos comuns.


Nat Hentoff integra o conselho da Fundação pelos Direitos Individuais na Educação, bem como o comitê diretor do Comitê dos Repórteres pela Liberdade de Imprensa, nos Estados Unidos. Hentoff é um premiado e reconhecido defensor das liberdades civis.

Publicado originalmente em Cato.org e em português no site Ordem Livre.

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