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O sistema realmente funcionou em Detroit?

6 de janeiro de 2010 - 10:05:25

umar_presoO incidente envolveu o nigeriano da poltrona 19A – posicionada em condições ideais sobre os tanques de combustível, acima da asa e próxima à parte externa da aeronave – do voo 253 da Northwest de Amsterdã a Detroit. Conforme resumido pelo
Wall Street Journal, tudo aconteceu quando o Airbus 330-300 com 289 pessoas a bordo aproximava-se de Detroit. O Sr. Abdulmutallab permaneceu no toalete da aeronave por cerca de 20 minutos e ao retornar ao seu assento declarou não estar bem do estômago cobrindo-se em seguida com um cobertor, de acordo com a queixa-crime do Departamento de Justiça. Ao dirigir-se para a aterrissagem no Detroit Metropolitan Airport (Aeroporto Metropolitano de Detroit) antes do meio dia, segundo a queixa, o Sr. Abdulmutallab detonou o dispositivo. Os passageiros ouviram estalos parecidos com traques, sentiram um odor e alguns viram uma das pernas das calças do Sr. Abdulmutallab e a parede do avião em chamas.

Após investigações subsequentes ficou-se sabendo que a conspiração foi organizada e lançada pelos líderes da Al-Qaeda no Iêmen, que dispuseram 80 gramas de PETN (pentaeritrol) para ser costurado nas roupas de baixo de Abdulmutallab. Os investigadores concluíram que somente a sorte de um defeito no funcionamento evitou que o explosivos derrubassem o avião da Northwest.

umar_faroukUmaru Abdulmutallab, pai de Umar Farouk e ex-presidente do First Bank of Nigeria, um dos homens de negócios mais importantes de seu país, foi recentemente à embaixada dos Estados Unidos em Abuja para avisar sobre “a radicalização e as ligações,” de seu filho, motivando as autoridades americanas a colocarem-no na lista de observação de terrorismo de aproximadamente 550.000 nomes, O Banco de Dados da Triagem de Terroristas.

Mas eles não o colocaram na lista de aproximadamente 15.000 pessoas que devem passar por uma triagem adicional e muito menos na lista de cerca de 4.000 pessoas na lista “interditado de voar”, que não estão permitidos de voar para ou dentro dos Estados Unidos. Nem revogaram o visto de turista de entrada múltipla de dois anos de Abdulmutallab. Nem foi acompanhado em seu voo por um oficial à paisana.

Apesar dessas múltiplas falhas, Janet Napolitano, secretária do Departamento de Segurança Nacional, espantosamente alegou que o sistema “realmente funcionou de forma muito, muito tranquila” em Detroit. Essa miopia institucional aumenta as minhas preocupações com relação à aplicação da lei dos Estados Unidos. É claro que, se o sistema tivesse funcionado, Abdulmutallab nunca teria entrado na aeronave, muito menos detonado o dispositivo explosivo.

Pensando no futuro, a Administração de Segurança no Transporte emitiu uma ordem de emergência exigindo que os passageiros com destino aos Estados Unidos de passarem por uma “revista completa” no portão de embarque, com foco nas coxas e no tronco e uma segunda inspeção na bagagem de mão. Durante a última hora em todos os voos nos Estados Unidos, os passageiros devem permanecer sentados, não podem ter acesso à bagagem de mão ou estar com itens pessoais no colo.

Mais deleites podem se seguir, relata o New York Times: “Passageiros do ou para o exterior poderão levar apenas um item de mão a bordo do avião. … Em um voo do aeroporto de Newark, comissários de bordo mantiveram as luzes das cabines dos passageiros ligadas durante toda a viagem em vez de reduzir sua intensidade durante a decolagem e a aterrissagem. Em vigor, as restrições significam que em voos de 90 minutos ou menos os passageiros provavelmente não conseguirão deixar seus assentos.”

Na forma devida Phyllis Chesler pergunta lastimosamente, “Estaremos todos sujeitos à inspeção das roupas íntimas antes de embarcarmos em nossos voos? Se assim for, a Al-Qaeda logo irá ocultar explosivos nas cavidades do corpo. Seremos todos examinados também lá?”

Em outras palavras, devido ao fato dos órgãos de segurança dos Estados Unidos se recusarem a tomar as medidas sensatas de precaução de concentrar seus recursos no pequeno grupo alvo de suspeitos, isto é, os muçulmanos, cerca de 1 por cento da população, centenas de milhões de passageiros terão de arcar com o ônus do custo adicional, a inconveniência e a perda da privacidade.

O episódio de Detroit invalida vários aforismos sobre os quais eu tenho nostalgizado nos últimos anos:

  • Se os responsáveis pelo cumprimento da lei nos Estados Unidos tivessem dedicado a mesma atenção aos conspiradores do 11 de setembro que têm dado desde então ao contra-terrorismo, o 11 de setembro nunca teria acontecido.
  • Embora prevenir a Síndrome Repentina de Jihad executada isoladamente por indivíduos permanece além das habilidades das instituições americanas (a saber; o atirador do Fort Hood no mês passado), os terroristas ligados a Al-Qaeda estão bem monitorados.
  • As autoridades governamentais mantêm o terrorismo sob controle, portanto nós, analistas particulares podemos nos focar nas formas não violentas do islamismo radical conhecido como, “jihad invisível,” “sharia gradual,” “islamismo legal” ou “Islamismo 2.0.”

O incidente da Northwest me leva de volta ao próprio 11 de setembro, quando escrevi uma análise amarga de como o governo dos Estados Unidos “falhou deploravelmente na sua obrigação primeira de proteger os cidadãos americanos do mal.” Esta mesma falha continua.

Qual o tamanho do desastre que precisa acontecer para inspirar uma abordagem séria do contra-terrorismo?

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Atualização de 28 de dezembro de 2009: Janet Napolitano sob críticas contundentes mudou seu tolo comentário , afirmando no programa “Today” (Hoje) dessa manhã da NBC que “Nosso sistema não funcionou nesse caso. Ninguém está feliz ou satisfeito com isso.” Mas a sua declaração original continua a indicar uma mentalidade alarmantemente convencida nos altos escalões da administração Obama.

 

Publicado no FrontPageMagazine.com
Original em inglês: The System “Worked Really Very, Very Smoothly” in Detroit?
Tradução: Joseph Skilnik

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