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Os afundamentos econômicos

13 de maio de 2009 - 7:48:26

Alguém ouviu falar da crise em Cuba? Lógico que não, não há como existir mais crise dentro da crise sistêmica que domina a “ilha cárcere” há 50 anos. Usamos este exemplo para explicar que o Brasil não foi tão afetado, pelo menos ainda, porque não há tanta atividade econômica assim, especialmente a de crédito. Mais da metade da economia nacional é informal. O volume de crédito em todo o País, é de cerca de 40% do PIB, já que todo o resto restringe-se aos papéis do governo – títulos de divida pública, que financiam os bancos. As exportações são baseadas em commodities, especialmente no setor agrícola, e, convenhamos, comida continua a ser necessidade do dia a dia.

O mercado acionário é especulativo. Mesmo com as quedas das taxas de juros por ordem do Presidente da República, a entrada de dólares especulativos continua alta e em tendência de assim continuar – o cambio já se aproxima de nova barreira psicológica, podendo chegar logo a R$ 1,90. Uma montanha russa para as empresas do setor manufatureiro que havia iniciado seus planos de exportação. E os juros na ponta do consumo continuam extorsivos, verdadeiro caso de polícia.

Os demais componentes engessadores da economia permanecem – carga tributária extorsiva, tributando estupidamente a produção, carga burocrática, carga trabalhista, carga regulatória – todas com tendência a piorar com as MPs emanadas do Executivo, graças a paralisação do Congresso, perdido em meio aos escândalos diários. Ora, uma economia que não cresce não pode ser afetada.

Perceba-se que tudo está amarrado, engessado. Somente um vigoroso processo de descentralização dos poderes e atribuições do Estado poderá reverter esse quadro. Mas a estatização que vem ocorrendo em outros países é o pior efeito da crise internacional, criada pela própria interferência do Estado na economia e nas finanças, ao manipular taxas de juros e o mercado de crédito. A bolha está se tornando em “A Coisa”. Elogiados que somos pelos “fundamentos” até pelo Financial Times, podemos dizer que não sentiremos muita diferença – é a tal “zona de conforto”. Mais adiante se tornará muito desconfortável para quem ainda conhece os princípios da liberdade e propriedade. Mas, como dizia Keynes, no futuro, todos estaremos mortos.

 

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Editorial do boletim do Instituto Federalista – www.if.org.br

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