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Os equívocos de FHC

5 de julho de 2010 - 13:34:59

Comecemos pelo exórdio. Ele escreveu:

O mundo continua se contorcendo sem encontrar caminhos seguros para superar as conseqüências da crise desencadeada no sistema financeiro. Até a ideia (que eu defendi nos anos 1990 e parecia uma heresia) de impor taxas à movimentação financeira reapareceu na voz dos mais ortodoxos defensores do rigor dos bancos centrais e da intocabilidade das leis de mercado. No afã de estancar a sangria produzida pelas exacerbações irracionais dos mercados, outros tantos ortodoxos passaram a usar e até a abusar de incentivos fiscais e benesses de todo tipo para salvar os bancos e o consumo“.

Neste parágrafo estão contidos todos os erros e mentiras que gente da social-democracia tem propagado como causa da grande crise que grassa no mundo, com os perigos de iminentes agravamentos. Definitivamente, a crise não foi desencadeada pelo sistema financeiro internacional. Essa é uma mentira colossal e sei perfeitamente que FHC sabe disso. A aceitação dessa mentira leva ao corolário que ele mesmo acrescenta, de que há de haver um governo mundial capaz de tributar e dizer aos banqueiros para onde devem direcionar os recursos de seus depositantes poupadores. FHC é um propagandista perigoso do governo mundial, este a ameaça mais letal que paira sobre a humanidade, equivalente ao retorno da escravidão institucionalizada. A apoteose do estoicismo.

Quais são mesmo as verdadeiras causas da crise? O crescimento do Estado, em todos os campos, sobretudo na previdência social e na tentativa de eliminar o risco existencial e a própria lei da escassez, inerentes à condição humana. É o crescimento do déficit público, da dívida pública e da emissão de moeda. A social-democracia gerou a escandalosa montanha de gente que vive em ócio remunerado, uma imoralidade proibida explicitamente pelos textos sagrados, paga com o suor de quem trabalha. A social-democracia tem esse único programa, de formar multidões de desocupados cheias de “direitos humanos”, que vivem vampirizando aqueles que trabalham diuturnamente.

Portanto, é grossa mentira dizer que a “sangria produzida pelas exacerbações irracionais dos mercados” é a causa dos males do mundo. É a sangria produzida pelos Estados governados pela social-democracia, conduzidos por uma elite degenerada, uma verdadeira estupidez criminosa da elite (apud Voegelin, HITLER E OS ALEMÃES, página 143) que está destruindo os pilares da ordem para lançar o mundo no caos que tem crescido como as ondas de um tsunami.

FHC se jacta de ter proposto criar uma taxação sobre o capital financeiro, como se isso não viesse a ser um agravamento da situação, com mais recursos saindo da iniciativa privada para passar à esfera do poder arbitrário dos burocratas. É uma alucinação perigosa, mas os globalistas como FHC continuam insistindo na dupla mentira, a de que a crise é provocada pelos “mercados” e não pelo Estado e que mais impostos, agora transnacionais, seriam a solução, a panacéia.

É preciso denunciar essa farsa com toda força, É o mal em ação.

Na segunda parte FHC faz a gênese da candidatura de Dilma Rousseff, construindo um paralelo entre o que fez Lula e o que fazia o antigo PRI, no México. Ora, partidos revolucionários são assim, o comitê central é que escolhe o nome. Dentro do regime democrático compete ao departamento de propaganda simplesmente achar os meios certos para que o nome escolhido seja consagrado. FHC sempre soube disso. Ele se esquece de dizer que ele mesmo é o principal responsável pelo crescimento do PT, que agora ameaça a ordem democrática no Brasil. Mas o ex-presidente não tem uma única palavra de autocrítica sobre seu papel histórico na formação do PT e na facilitação da chegada de Lula ao poder. O demônio saiu de sua própria cartola. Houve um tempo em que seria possível impedir que a jibóia crescesse, mas ele se acovardou ou achou que poderia controlar o seu rebento. Está sendo devorado pelo monstro que criou.

Mesmo sua denúncia de agora é fraca e cheia de eufemismos. Não disse que o PT é marxista-leninista, que busca implantar a ditadura do proletariado, que quer o regime de partido único e a simbiose do partido com o Estado. Nunca deu o sinal de alarme para que a Nação possa mover os meios adequados para impedir que nos tornemos uma ditadura do proletariado, espantando os revolucionários profissionais.

FHC está com medo do PT, mas não quer enfrentá-lo a peito aberto com base na verdade histórica, talvez porque, para ter moral para isso, tenha primeiro que fazer o mea culpa. E FHC se esquece também de dizer que seu candidato, José Serra, não é muito diferente de Dilma; ambas as biografias se assemelham. Foi FHC o grande responsável por reduzir as disputas políticas no Brasil num torneio entre mais esquerdas e menos esquerdas. A direita política no Brasil foi assassinada pela social-democracia fernandista.

Ler um artigo desses do FHC me provoca dor na alma. O Brasil está perdido. Não temos homens públicos com estatura para enfrentar os desafios dos tempos. A mistura entre cumplicidade e covardia está entregando o país nas mãos dos revolucionários mais inescrupulosos.

 

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