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Os partidos verdes e Antanas Mockus

19 de maio de 2010 - 16:54:26

Os verdes defendem a economia planejada e querem suspender a democracia “por um tempo” para que um “grupinho de pessoas com autoridade” adote as medidas necessárias para salvar o planeta do aquecimento global. Quem propõe isto é James Lovelock, o Papa da ecologia e autor da teoria de Gaia (o mundo é um gigante que se auto-regula). Com 90 anos, o pensador britânico diz:
“Necessitamos de um mundo mais autoritário”. Ele pede para suspender os mecanismos democráticos das economias avançadas para frear o aquecimento.
“Os seres humanos são muito estúpidos para prevenir a mudança climática”, assegura. (Ver entrevistas de Leo Hockman com Lovelock em
The Guardian, Londres, 29 de março de 2010).

A obsessão contra o capitalismo, o mal absoluto para eles, e contra a democracia mesma, reflete-se nas atitudes dos verdes frente à Colômbia. O presidente Álvaro Uribe e a política de segurança democrática são duramente criticados por eles. Esses reflexos vêm de longe. Em outubro de 2000, quando a Colômbia pediu ajuda aos Estados Unidos e à União Européia (UE) para tratar de conter o tremendo avanço do narco-terrorismo, esta última deu as costas ao Plano Colômbia. Só Washington apoiou a Colômbia. Por trás da traição da UE estava a forte confraria dos partidos de esquerda, entre eles os verdes de vários países, presentes no Parlamento Europeu. Eles viam as FARC como um movimento de “libertação nacional” digno de apoio. Todos eles aplaudiram a péssima experiência das falsas negociações de paz na zona “desmilitarizada” do Caguán, de 1999 a 2002. O rechaço da Europa à ajuda pedida pelo presidente Andrés Pastrana atrasou os êxitos da luta anti-terrorista e agravou o balanço em perdas humanas e materiais na Colômbia.

Apoiados pelas outras facções de extrema esquerda, os verdes trabalharam, durante os anos do seqüestro de Ingrid Betancourt, para acusar o governo colombiano de tudo o que se possa imaginar. Foram eles que exigiram, sem descanso, que Bogotá aceitasse o que as FARC pediam: uma nova zona “de despejo” para negociar a libertação da ex-senadora verde.

Exigiram que os governos cessassem todo tipo de ajuda à Colômbia. Opuseram-se ao acordo de livre comércio entre a Colômbia e a União Européia. Esses partidos gesticularam o tempo todo contra o resgate militar dos seqüestrados. Quando a Operação Xeque libertou quinze reféns “políticos”, esses partidos negaram o heroísmo dos militares colombianos. Defenderam a versão das FARC de que haviam sido “traídos” por “César”.

Os verdes são o resultado da crise da extrema esquerda. Na França apareceram em 1984. No começo não queriam ser “nem de esquerda nem de direita”. Defendiam algo que não era mal: a estrita autonomia da ecologia frente à política. Sob a direção de Antoine Waechter obtiveram seu melhor resultado nas eleições européias de 1989 (10,8%). Dois anos depois, esse movimento deu um giro à esquerda e Waechter foi desbancado em 1994, pelos mentores de uma militância política e “social”. Após um período de alianças efêmeras com comunistas e socialistas, os verdes entram no governo do socialista Lionel Jospin, em 1997. Entretanto, sua eficácia em matéria de proteção ao meio ambiente não convenceu a opinião pública. Em seguida, caem em uma fase de estancamento: sua especificidade ecologista havia sido quase apagada pela linha da “luta social”, ao lado da “esquerda plural”. Os novos líderes eram Alain Lipietz, Dominique Voynet, Yves Cochet e Nöel Mamère. Este obterá, nas eleições presidenciais de 2002, 5,2% dos votos.

Euro-deputado desde 1999, ex-maoísta, ex-socialista, ex-trotskista, Alain Lipietz se entrevistou na França com um representante de Raúl Reyes em 27 de maio de 2002 para pedir-lhe, segundo Lipietz, a libertação de Ingrid Betancourt. Ela havia assistido ao congresso mundial dos Partidos Verdes em Camberra, Austrália, em abril de 2001. Os verdes se opunham a que as FARC fossem declaradas terroristas. Alegavam que a inclusão na lista européia de organizações terroristas prejudicaria Ingrid. Perderam a partida, pois em 13 de junho de 2002 o Conselho Europeu incluiu as FARC na famosa lista. Os verdes sempre apoiaram os chamados “movimentos de libertação nacional”, inclusive pediram a anistia dos nacionalistas corsos que assassinaram o prefeito Erignac, o que os dividiu e isolou ainda mais.

Na Alemanha, os verdes exigiram em 1998 a supressão da indústria nuclear, a dissolução da OTAN e o aumento de 30% no preço da gasolina para baixar o consumo. O ingresso dos verdes franceses à ATTAC, um movimento altermundialista, acentuou o sectarismo. Em 2005, dividem-se de novo em torno do tema da construção européia e a linha “anti-liberal” cobra mais força. Nas eleições presidenciais de 2007, Dominique Voynet obtém só 1,5% dos votos. A recente aliança com Europa Ecologia (de Daniel Cohn Bendit) os tira do poço: essa coalizão obtém 12,5% dos votos nas regionais de março de 2010. Porém, sérias diferenças subsistem entre eles: na Europa Ecologia alguns continuam vendo os Verdes como uma “seita”. Europa Ecologia quer uma Europa federal, o que é rechaçado por Cécile Duflot, a nova líder dos Verdes. Ela promete maravilhas: “Os Verdes de hoje não são os de 1984, são abertos, querem que a ecologia política triunfe com todos. Eles não têm um girassol tatuado no braço”. De verdade? Se isso é assim, por que Cohn Bendit exige que o orçamento militar grego seja reduzido? Danny parece ter descoberto a chave para tirar a Grécia da crise financeira: indignado, o ativista verde disse por esses dias: “Cerca de 300 milhões de euros do orçamento grego vai para a Igreja Ortodoxa”.

Para a Colômbia, quais são as exigências mais recentes dos Verdes? As de sempre. Em março de 2010, o Partido Verde Europeu se reuniu em Barcelona e votou uma resolução sobre a Colômbia. Citando como fonte de suas “informações” a organização Justiça e Paz, do padre Javier Giraldo, culpam Álvaro Uribe e as “forças do Governo” de toda sorte de crimes, sem mencionar as FARC, é claro, nem uma só vez. E exigem que os Estados Unidos, Canadá, Noruega e a União Européia cessem as negociações econômicas que adiantam com a Colômbia.

Estes são os amigos europeus de Antanas Mockus. Resta saber se há ou não, se houve ou não, uma implicação do Partido Verde colombiano nestas manobras desleais realizadas pelo Partido Verde Europeu contra a segurança e a economia dos colombianos.

 

Tradução: Graça Salgueiro

 

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