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Outra vez os “intelectuais” cubanos!

22 de março de 2010 - 7:18:48

Por que não? Pode tratar-se também de uma manobra governamental nesse afã desesperado para lavar um pouco sua imagem outorguemos-lhe o benefício da dúvida. Embora conhecendo muito bem o papel desenvolvido por esta seleta casta de nossa sociedade e verdadeiros arquitetos desse processo utópico, que ainda se arriscam a chamar de “revolução”, não deve nos surpreender que insistam em apoiar o que sabem perfeitamente bem fracassou há muitos anos.

Quantas vezes mais poderão trair seu povo? Quem poderia ter esses poderes divinos para predizê-lo? Foram tantas as vezes que já começamos a perder a conta. Unem-se outra vez pássaros machos e fêmeas ao redor do mesmo traseiro que lhes oferece calor e proteção, quando o sol está muito forte, e acudirão correndo estes infelizes despenados em busca de sombra para proteger sua pelagem. Não estaremos na presença de outro chamado da “confirmação revolucionária”? Tampouco se pode duvidar, é um método utilizado nos tempos de crises. Os iluminados idiotas deste continente nunca compreenderão o sentido destas palavras pobres deles também…

Infelizes os que devem responder imediatamente às ordens ou caprichos de seus amos. Não vens, não assinas? Então, zero carro, publicação, viagenzinhas ao exterior, gravação dos teus discos, exposição de teus quadros. Zero casa boa na zona congelada, embora vivas no trópico, zero rosto que aparece na televisão e voz que se escuta pelo rádio. Assinas? Assino, veloz! Onde? Onde quiser…

Estranha carta trazida à luz sem assinaturas nem nomes, pior ainda seu conteúdo, porém já devíamos estar acostumados, não? Dizem os intelectualóides, ou ao menos os que escreveram em nome deles, que Orlando Zapata Tamayo morreu em uma greve de fome reclamando que “instalassem em sua cela telefone, cozinha e televisão”. Eles esqueceram de acrescentar antena parabólica, computador com serviço de Internet, visita conjugal diária e na ausência desta, as atenções especializadas de qualquer trabalhadora social. Esqueceram de incluir o menu diário e bar aberto, trocar diariamente a roupa de cama, ar condicionado no verão e calefação no inverno para que não sucedesse o mesmo que aos louquinhos do Mazorra [1].

Segundo eles, esse homem morto e convertido em um “mártir necessário” para os opositores, reclamava em seu cárcere artigos que seus verdugos não garantiram nos lares cubanos depois de meio século de existência. O qualificam como delinqüente comum, quando na realidade deveriam considerá-lo um louco ante reclamos como esses. E o pior? O pior é que há idiotas que ainda acreditam em tudo o que o governo cubano exporta.

Não é demais repetir cada uma das linhas daquela cartinha; convido-os a que leiam por vocês mesmos e tirem suas conclusões. Deixo-lhes somente um parágrafo onde se esconde todo o cinismo que abriga este sistema:

“… Na história da revolução jamais se torturou um prisioneiro. Não houve um só desaparecido. Não houve uma só execução extra-judicial. Fundamos uma democracia própria, imperfeita sim, porém muito mais participativa do que a que nos pretendem impor. Não têm moral os que orquestraram esta campanha para nos dar lições de direitos humanos…”

E as crianças assassinadas no rebocador 13 de Março, como se classificam?

E pensar que essa carta foi escrita por intelectuais…

 

Nota da tradutora:

[1] O autor refere-se às incontáveis vítimas do Hospital Psiquiátrico de Havana, conhecido como “Mazorra”, dentre as quais 30 morreram de fome e frio em janeiro deste ano. A notícia pode ser lida aqui.

Tradução: Graça Salgueiro

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