1. Arquivos
  2. Economia

O exemplo alemão

1 de abril de 2009 - 19:31:35

Vimos que Obama, ao propor seu orçamento deficitário, fez a sua escolha pelo ativismo keynesiano. É bem verdade que os EUA têm a chave do cofre da moeda de trocas mundiais e podem dar-se (ainda) a esse luxo de fazer emissões superlativas de moeda, mas ninguém sabe até quando o feitiço vai durar. É verdade também que essas emissões têm-se mostrado inúteis para retirar a economia dos EUA da crise, quando muito servindo para manter insepultos os cadáveres putrefatos das gigantes empresariais quebradas, como a AIG e a GMC (e o setor imobiliários, com seus ativos tóxicos).  Um abuso contra a economia de mercado e a livre concorrência, que pressupõe o desaparecimento dos competidores superados.

Do outro lado temos a disciplinada Alemanha, que encerrou o ano de 2008 com déficit público próximo de zero e com uma governante determinada a não mexer nessa política, que é a melhor tradição da ciência econômica. A Alemanha já viveu os horrores de uma hiperinflação e tem muita clareza dos limites do Estado impostos pelas leis econômicas. Angela

Merkel, em recentes declarações publicadas no jornal
Financial Times (e reproduzidas no site do
UOL), afirmou: ”
A crise não ocorreu porque estávamos gastando muito pouco, mas sim porque estávamos gastando demais para criar um crescimento que não era sustentável”. Obviamente uma referência à gastança dos EUA, vez que a Alemanha vem de uma seqüência e orçamentos equilibrados.

A Alemanha é um país com comércio internacional forte e sofrerá duramente com a recessão norte-americana, estando previsto para o ano de 2009 uma queda de PIB da ordem de 7%. A obstinada recusa da Sra. Merkel em embarcar na aventura monetária expansionista tem razão de ser, vem que pode se traduzir em descontrole de seu comércio internacional, desorganizando a sua indústria. Uma elevação do déficit daquele país se traduziria em imediata elevação das importações, comprometendo a arquitetura de seu sistema econômico.

Ajudaria os EUA, mas destruiria a Alemanha.

Temos que recordar que, se a dinâmica da administração do déficit pela Sra. Merkel é conservadora, a inércia da Alemanha é estatizante. A arrecadação de impostos naquele país encostou em 39% do PIB, tornando-a tecnicamente uma economia socialista. Uma eventual elevação do déficit público colocaria aquele numa zona perigosa, vez que a capacidade adicional de gerar tributos está bastante limitada.

Se este não é o debate econômico do século, certamente será o duelo do ano. Enquanto Merkel governar os keynesianos não terão chance de pôr em prática suas alucinações obâmicas e dos Krugman de plantão. O problema é que em setembro teremos eleições, no auge da crise econômica. É possível que a racionalidade do atual governo saia de cena, vindo a dar lugar aos populistas de esquerda. Certamente a crise será um grande cabo eleitoral, como foi nos EUA. Ainda uma vez os destinos da Alemanha se cruzam com os destinos mundiais.

Quem viver verá.

{slide=Artigos Relacionados}{loadposition insidecontent}{/slide}

{slide=Artigos do Mesmo Autor}{loadposition insidecontent2}{/slide}