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Paralelo entre o Foro de São Paulo e o Plano Estratégico das FARC

2 de abril de 2009 - 23:47:05

O utópico sonho de Jacobo Arenas e a sempiterna saudade da ditadura cubana, começaram a tomar forma no hemisfério quando o sindicalista brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva criou o Foro de São Paulo, e convidou os terroristas colombianos para fazer parte das organizações esquerdistas enfocadas em desprestigiar o Foro de Davos, desconhecer a continentalidade da OEA, tornar sem valor o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), retirar a influência geopolítica, geoestratégica e econômica dos Estados Unidos, mitificando, ao mesmo tempo, Fidel Castro e a ditadura cubana.

A engrenagem de todo o maquiavélico plano comunista contra a América Latina parte da idéia arcaica de que, apesar de seu estrondoso fracasso em outras latitudes, para as FARC e seus comparsas o vetusto comunismo tem vigência e é a solução para os males que afligem a América Latina.

Por desgraça, às erodidas democracias regionais somam-se a influência crônica das castas políticas que têm governado mal os países, situações que favoreceram com que a verborréia populista tenha levado demagogos comunistas aos palácios presidenciais da Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua, Paraguai, El Salvador, e correligionários esquerdistas na Argentina, Chile, Uruguai, Antigua e República Dominicana.

No meio desse entorno o grotesco mandatário venezuelano Hugo Chávez, encontrou terreno abonado para liderar o projeto de integração pró-cubana disfarçado com os pitorescos nomes de Alba, Congresso Bolivariano dos Povos, e depois Coordenadora Continental Bolivariana, que é algo assim como a congregação de embaixadas itinerantes das FARC em todo o continente, sob a direção do terrorista dominicano Narciso Isa Conde.

Todo este imbróglio tem uma compreensão melhor na análise dos documentos decifrados dos arquivos eletrônicos encontrados nos computadores, memórias USB e discos rígidos, achados no refúgio de Raúl Reyes em Angostura, Equador.

Do acervo encontrado nos computadores do terrorista, inferem-se as orientações geopolíticas do Foro de São Paulo, a incidência paralela de Fidel Castro no entorno internacional pós-subversivo e de Tirofijo no arcabouço das FARC. Porém, ao mesmo tempo ficou a descoberto toda a trama do Complô contra a Colômbia, algo que os afetados não entenderam ou não quiseram compreender em sua verdadeira dimensão.

Um exame de inteligência estratégica para determinar a capacidade da adoção mais provável dos inimigos da democracia na Colômbia, demonstra que nem as FARC renunciaram a seu Plano Estratégico nem a seu objetivo final da tomada de poder para instaurar uma ditadura totalitária.

Na ordem internacional, o mesmo exame indica que os conspiradores contra a Colômbia tampouco renunciaram ao propósito de unificar governos marxistas na região.

Por esta razão, uns e outros insistem em colocar o cavalo de Tróia com o argumento-falácia de fazer um acordo humanitário que conduza à paz no país. E neste ponto específico reside o veneno do assunto.

Primeiro, esse acordo humanitário pretende ressuscitar o cadáver político das FARC e o conseqüente reconhecimento do status de beligerância com a possibilidade de abrir embaixadas em Quito, Caracas, La Paz, Manágua e até em Paris. A atitude manhosa de Correa para reatar as relações diplomáticas com condições impossíveis de satisfazer, tais como lhe entregar os computadores e negar que seu conteúdo é verdadeiro, é parte da mesma estratégia.

A explicação é muito simples. Para o Foro de São Paulo e para as FARC, a única paz possível e válida na Colômbia ocorrerá quando as FARC estiverem governando o país e se integrarem ao projeto geopolítico da esquerda encabeçada por Lula, Chávez e Castro. No mais, é pecar por ingenuidade e desconhecer que o Plano Estratégico das FARC caminha ao mesmo tempo com os projetos do Foro de São Paulo, e que ambos coincidem no mesmo objetivo de escravizar a Colômbia.

É sintomático. Embora o comunismo tenha demonstrado sua inoperância absoluta na antiga União Soviética, os esquerdistas regionais persistem em que é uma doutrina política e econômica vigente, e o que é pior, que os dinossauros não são eles mas os que se atrevam a questioná-los… É o mundo às avessas.

* Analista de assuntos estratégicos –
www.luisvillamarin.co.nr

Publicado originalmente na revista da ACORE (Associação Colombiana de Oficiais da Reserva das Forças Militares da Colômbia – Exército, Marinha e Aeronáutica).
www.acore.org.co.

Tradução – Graça Salgueiro

 

 

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