1. Arquivos
  2. Folha de S. Paulo

Pinóquios de verdade

15 de outubro de 2009 - 18:28:21

Às vezes, porém, eu sinto alguma esperançazinha. Quando vejo o anúncio de um novo colunista, por exemplo. “Quem sabe não é o próximo Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, ou, quem sabe, até mesmo Olavo de Carvalho!”, eu penso, batendo palmas freneticamente. Meu êxtase momentâneo é ainda maior quando trata-se de algo relacionado a assuntos internacionais, porque tenho esperança de que, acompanhando as coisas como acontecem lá fora, eles percebam finalmente que há algo de errado com seus pares aqui no Brasil.

Mas é tudo em vão, mesmo. Basta passar os olhos pelo que eles escrevem para ver que, para ser jornalista ou escritor neste país, você não pode ser um menino de verdade: eles só aceitam marionetes. Clóvis Rossi, que, segundo nos informa a capa da Folha de S. Paulo deste último sábado, acaba de entrar para equipe de colunistas internacionais do jornal (antes escrevia sobre política nacional), já chegou à nova seção repetindo a velha lenga-lenga de sempre.

Com aquele jeitinho todo esquerdista de escrever tudo e não dizer nada, ele tenta convencer a todos os leitores da Folha que há, nos Estados Unidos, uma “campanha de ódio movida pela extrema-direita” contra o maravilhoso, o magnânimo, o perfeito, o queridinho, Barack Hussein Obama. E, ái que mêda!, é uma campanha “assustadora”, que pode até mesmo levar ao assassinato – não, leitor, você não leu errado – do presidente norte-americano.

Como no Brasil ninguém precisa provar nada quando fala contra conservadores, Clóvis Rossi não dá nenhum exemplo, nenhum exemplozinho para provar o que seria esta assustadora campanha de ódio. A fonte de suas acusações vem de dois colunistas que, adivinhem!, escrevem para o jornal mais anti-conservador do planeta, o The New York Times. Mas nem as citações de Thomas Friedman – “um dos mais respeitados colunistas do planeta”, segundo Rossi e Roger Cohen, usadas por Rossi, apresentam fatos, mas tão-somente as percepções pessoais bem esquerdistas de ambos.

A citação de Friedman (de um artigo que eu, confesso, não li e nem quero ler) usada por Clóvis Rossi diz que “as críticas da extrema-direita começam a (…) criar o mesmo tipo de ambiente aqui [nos EUA] que existia em Israel na véspera do assassinato de Yizhak Rabin (primeiro ministro israelense)”. Entendeu? Leia novamente: “as críticas da extrema-direita começam a (…) criar o mesmo tipo de ambiente aqui [nos EUA] que existia em Israel na véspera do assassinato de Yizhak Rabin (primeiro ministro israelense)”.

É isso mesmo, leitor. Não há limites para a imaginação desse tipo de gente.

Em primeiro lugar, aposto que Clóvis Rossi não tem acompanhado nada do que tem acontecido nos Estados Unidos: ele só copia as opiniões ultra-imbecis de renomados ganhadores do Prêmio Pulitzer. Eu, que tenho acompanhado a campanha anti-Obama de perto, posso dizer que Rossi a desconhece por completo¹, e que ela nunca me causou ódio nenhum pelo sr. Obama, mas somente um desejo de que ele saia da presidência da nação americana o mais rápido possível.

Motivos para isso não faltam, mas só para citar um, basta dizer que Obama é um mentiroso que esconde seu passado e recusa-se a apresentar uma certidão de nascimento legitimamente americana. Uma das maiores campanhas movidas contra ele é chamada “Where’s the birth certificate?”, e não pede nem um dedinho do presidente, mas somente um papel original que ele pode conseguir indo ao cartório da cidade onde supostamente nasceu.

Pessoas como o sr. Clóvis Rossi não deveriam sequer escrever para panfletos doutrinários da União Soviética, mas estão no comando dos formadores de opinião do Brasil. Ele é o mais novo Pinóquio, um entre milhares, dezenas de milhares. E nem adianta pedir nada à fada azul, leitor: nem ela pode transformá-los em meninos de verdade.

 

_________________

Notas:

1 – Em primeiro lugar, a campanha anti-Obama não é movida por “extrema-direita” nenhuma, mas pela direita inteira. Atribuí-la à “extrema” só serve para que o leitor docilmente a iguale àquela movida por extremistas israelenses que assassinaram o primeiro-ministro israelense.

*

Luiz Fernando Maykot é estudante auto-didata de ciência política desde os 17 anos e atualmente é um estudante de relações internacionais e estudos latino-americanos na Brigham Young University.

{slide=Artigos Relacionados}{loadposition insidecontent}{/slide}

{slide=Artigos do Mesmo Autor}{loadposition insidecontent2}{/slide}