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Por que Chávez está confiscando empresas?

19 de junho de 2009 - 19:58:47

O
segundo ataque contra a propriedade provém do crime organizado, entre os quais se destaca a guerrilha colombiana que opera impunemente nas zonas fronteiriças de Apure, Barinas, Táchira e Zulia. Como é sabido, Chávez mantém uma aproximação ideológica com as FARC, e inclusive fez publicamente um minuto de silêncio depois da morte de Raúl Reyes, pelo que muitos venezuelanos asseguram que existe cumplicidade entre o governo e a guerrilha.

A terceira modalidade é a invasão de terras produtivas e, inclusive, de edifícios de apartamentos, auspiciadas e amparadas por setores oficialistas. Os proprietários acodem à Lei, porém, embora os juízes sentenciem a seu favor, os corpos de segurança do Estado não se atrevem a desalojar os invasores. Chávez tem se manifestado publicamente – sobretudo durante as últimas semanas – contra a propriedade privada.

O quarto esquema de agressão consiste em não pagar às contratadas do Estado, levando-as à quebra. Existe uma crise de pagamento no setor petroleiro, eletrônico, de infra-estrutura, alimentício, e em geral de todas as empresas que requeiram de divisas estrangeiras para operar. É vox populi que, com a baixa do preço do petróleo e os compromissos políticos internacionais, o governo venezuelano carece de dólares para enfrentar suas obrigações.

A quinta forma de atentar contra a propriedade consiste nas expropriações e confiscações. A diferença entre uma e outra é que nas primeiras se pagam e nas segundas não. Porém, na Venezuela não está clara a diferença porque em muitas das expropriações o pagamento é tardio, duvidoso e, mesmo em caso positivo, se cancela com papéis estatais desvalorizados.

O governo de Chávez confiscou empresas do setor do cimento, alimentício, metalúrgico, de comunicações, para mencionar uns poucos; porém, nas últimas semanas o governo se insurgiu contra as contratadas petroleiras, particularmente 76 delas, localizadas na Zona Oriental do lago de Maracaibo (Cabimas, Ciudad Ojeda, Bachaquero e Mene Grande).

Embora o governo diga que são expropriações, a forma militar e agressiva como se tomaram as instalações, assim como as promessas de pagamento pouco claras indica que, de fato, trata-se de confiscações. Tudo isto, no momento de escrever estas linhas, está gerando uma crise social na zona, devido a que a medida produziu ao redor de 20 mil novos desempregados.

A indústria petroleira venezuelana sofre uma perda incalculável com as confiscações em Zulia, porque se trata de empresas que durante 60 anos desenvolveram uma grande capacidade tecnológica, convertendo-se na realidade em companhias de engenharia de ponta, capazes de projetar estações petroleiras e construir refinarias. O valor principal destas empresas não são os multimilionários ativos materiais confiscados, senão o conhecimento e a experiência, que agora ficaram irremediavelmente perdidos.

O ataque à propriedade privada tem um motivo político. O governo de Chávez sabe muito bem que o desabamento do preço do petróleo lhe origina no curto prazo uma crise orçamentária e, como conseqüência, uma crise de governabilidade. O oficialismo crê – equivocadamente – que controlando os meios de produção poderá sair adiante, sem se dar conta de que está jogando lenha na fogueira porque as empresas confiscadas não aumentam sua produção, senão que, pelo contrário, vêm abaixo. Este é um claro exemplo de como o socialismo marxista atua como venda nos olhos, que impede de ver os aspectos mais simples da realidade.

As agressões contra o empresariado venezuelano coincidem com a feroz perseguição aos adversários políticos do governo. Chávez quer acabar com toda forma de dissidência para assim poder reprimir com mão de ferro – e sem oposição política – os protestos de ordem social e econômica que se avizinham.

* Presidente de Fuerza Solidaria e UnoAmérica

Tradução: Graça Salgueiro

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