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Por que Piedad Córdoba protege “Danilo”?

20 de novembro de 2009 - 18:56:24

Os atos de violência e de tortura que foram realizados ali por indivíduos que assistiam à reunião da senadora foram respaldados por ela. Esses atos tiveram como vitimas três agentes do DAS que haviam prendido um provável membro das FARC que se encontrava dentro do público do
mitin.

No Colégio Universitário Politécnico de Cali, por iniciativa de Córdoba, realizou-se um “encontro sobre o intercâmbio humanitário”. Lá os três agentes tentaram deter Iván Danilo Alarcón Quiceno, cognome “Danilo”, um dos chefes da sexta Frente das FARC que assassina nos municípios de Corinto, Miranda, Toribio e Tacueyó, do Cauca. Esse indivíduo deveria estar há muito tempo na prisão. Como réu ausente, foi condenado a cinco anos de prisão por tráfico de drogas. Pior: Alarcón Quiceno é acusado de estar relacionado com o recente massacre de nove soldados no município de Corinto, estado de Cauca.

Quando os policiais detiveram Alarcón, este se pôs a gritar que o queriam matar e um grupo de indivíduos armados de garrotes saiu do público e se precipitou sobre os agentes da ordem. Eles foram golpeados, desarmados e tiveram seus coletes a prova de bala, seus documentos de identidade e uma chave USB roubados. Também roubaram seus provedores e munições, e os seqüestraram durante mais de uma hora. Foram levados para uma residência no centro onde voltaram a golpeá-los e torturá-los. As marcas de estrangulamento são visíveis sobre o pescoço de um dos policiais. Enquanto isso, Daniel Alarcón Quinceno instava os matadores para que assassinassem os policiais.

O guerrilheiro escapou graças à violenta intervenção do misterioso comando, o qual estava no mitin, evidentemente, para protegê-lo. Os matadores também escaparam. “Posteriormente, e após a intervenção da Chefe de Gabinete municipal de Cali, María Fernanda Gómez Espinosa, se conseguiu a libertação dos funcionários do DAS”, revelou o diário El País.

Em vez de condenar essa violenta incursão, Piedad Córdoba denuncia agora a tentativa de capturar o guerrilheiro como “uma provocação do DAS”, e como “uma tentativa de seqüestro do DAS”, como se capturar um fugitivo condenado pela justiça fosse uma “provocação”. Alarcón Quiceno é requerido pela Fiscalização 280. Quando foi detido, os agentes do DAS lhe mostraram a ordem de captura e leram seus direitos. Piedad Córdoba agora faz apologia do fugitivo: ela o apresenta como um “militante dos direitos humanos”.

Essa conduta de Piedad Córdoba é ilegal e inaceitável. Ela cobre e protege um delinqüente. Em que pese a isso, ela aspira a obter o Prêmio Nobel da Paz em 2010. Por intrigas dos amigos das FARC na Europa, falou-se dela como candidata em 2009 para isso, porém os jurados a descartaram. O ocorrido em Cali a distancia ainda mais desse prêmio.

Piedad Córdoba estava acompanhada nesse ato por alguns estrangeiros. Um deles é um tal Charalampus Angourakis, um comunista grego membro do parlamento europeu. Dois “diplomatas” da Palestina e Síria, um deputado boliviano, David Herrada, um ex-guerrilheiro salvadorenho, Jesús Aguilar e o venezuelano Walter Martínez completavam o grupo. Apresentado como “ex-retido pelas FARC”, Alán Jara esteve no mitin como expositor.

Nesse mitin, Piedad Córdoba procurava fazer apologia das posições das FARC. Os terroristas pretendem intercambiar 24 reféns “políticos” (alguns deles foram seqüestrados há 12 anos), por guerrilheiros encarcerados. Isso é o que alguns chamam de “acordo humanitário”.

Porém, o que pode haver de “humanitário” em um ato onde as vítimas são usadas como objetos por seus algozes? A última prova da aliança que existe entre a senadora e as FARC é a mensagem que Alfonso Cano, chefe das FARC, enviou ao mitin de Córdoba, mensagem onde se faz apologia da violência mais extrema. Esse texto está sendo difundido pela página web da senadora [1].

O que a justiça está esperando para abrir um processo pela cumplicidade de Piedad Córdoba na agressão dos três agentes da força pública? O que o DAS está esperando para pedir que a justiça abra uma investigação acerca do papel dos seis estrangeiros nesse incidente, e para que investigue a relação que poderia existir entre o grupo de matadores que agrediram os agentes e a escolta de segurança de Piedad Córdoba? O que a Procuradoria está esperando para identificar e prender os autores das torturas, roubos e seqüestro dos três policiais e para deter Alarcón Quiceno? Semelhante barbárie deveria ser denunciada pelos meios de comunicação. Entretanto, a imprensa tem sido muito lacônica a respeito. Quem está intimidando a imprensa colombiana?

 

[1] A carta de Alfonso Cano dirigida a Piedad Córdoba pode ser lida na íntegra aqui.

Tradução: Graça Salgueiro

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