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Prêmio de jornalismo para José Vicente Rangel

20 de outubro de 2009 - 5:25:47

Aos poucos minutos, um cabo da sempre equilibrada “Prensa Latina” retransmitiu a valiosa informação proporcionada por Rangel, acrescentando que “Peña Esclusa é presidente da União de Organizações Democráticas da América, UnoAmérica, entidade considerada a cabeça da direita na região, por suas posturas contra os processos de mudança em marcha”.

Fiquei tão maravilhado pela capacidade de análise de Rangel que decidi empreender uma campanha internacional para que este conotado prócer receba um ou – se tenho êxito – vários prêmios de jornalismo investigativo.

Confesso que não levei em conta as calúnias de “golpista, terrorista e ultra-direitista” porque seguramente as proferiu obrigado por sua lealdade com o processo, a qual é sincera, esmerada e desinteressada.

Porém, à parte dessa minúcia, tudo o que José Vicente Rangel disse é, sem dúvida, o resultado de uma investigação diligente e profissional. Deduzo que ele deve ter dedicado longas horas de trabalho, recorrer a agentes secretos e a informação altamente classificada para chegar a tão extraordinárias conclusões.

Primeiro, realizou a façanha de averiguar a direção da página eletrônica de UnoAmérica, o qual – me consta – não é nada fácil.

Depois, teve que executar manobras complexas e de grande perícia – com isso que os pitiyanquis chamam “maus” – para descobrir sobre minha viagem “sigilosa” a Tegucigalpa, onde me reuni “secretamente” com os representantes de todos os poderes públicos.

Posteriormente, Rangel checou os links eletrônicos da página e pôde decifrar a informação sobre a acusação “secreta” que UnoAmérica fez ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos contra Chávez, por intervir nos assuntos internos de Honduras. Também se inteirou da mobilização empreendida por UnoAmérica para que se reconheçam as próximas eleições nesse país. Pela serenidade com que Rangel falou, me deu a impressão de que viu até a foto que aparece junto da nota de imprensa “confidencial”.

Porém, o que realmente me impressionou foi que o Sr. José Vicente pôde averiguar minhas capacidades de bi-locação. Trata-se de um super poder que adquiri há alguns anos, estudando detalhadamente a vida e a obra do santo peruano, Frei Martín de Porres.

Lá estava eu parado em um mercado, tratando infrutuosamente de adquirir um quilinho de açúcar, escutando de longe a televisão do português (que, por ser fã do brasileiro Barrichello, estava atento a que começasse a corrida de Fórmula 1), quando repentinamente escutei meu nome na boca do emotivo e sempre sorridente Rangel: “Alejandro Peña Esclusa está operando atualmente em Honduras”.

Fiquei boquiaberto. “É verdade!” – disse para mim mesmo. “Como ele se deu conta?”. Com efeito, eu estava aplicando o velho truque da bi-locação, que uso somente quando é estritamente necessário. Estava aqui, em Caracas, junto ao portuga do mercado; porém nesse mesmíssimo instante também estava lá, em Tegucigalpa, conspirando com os “golpistas”. “Como soube?!” – me perguntei. “Que moelas de James Bond!”, como diria um compadre maracucho.

De agora em diante, jamais farei compras aos domingos às 11:00 da manhã, mas ficarei em casa, para não perder nenhum dos detalhes “confidenciais” de José Vicente Rangel.

* Presidente de Fuerza Solidaria e UnoAmérica

Tradução: Graça Salgueiro

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