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‘Próximo Passo’: lá vem o ‘Primeiro Emprego’ requentado

7 de junho de 2010 - 19:21:38

O programa Primeiro Emprego nasceu da constatação estatístico-burocrática de que os jovens não conseguiam emprego por falta de referências profissionais. Em suma, por falta de experiência. Então pensaram os iluminados sabichões barbudinhos: vamos inventar um jeito artificial de proporcionar a experiência de que necessitam. Ahh tá…

Diz uma piada de português que, da perícia havida para avaliar um acidente entre um caminhão e um trem, sobreveio a constatação de que o caminhão havia colidido com o último vagão. Pois, diligentemente, as autoridades baixaram um decreto obrigando às composições operarem com até o penúltimo vagão, por medida de segurança…

Ainda que aquele malfadado programa lograsse êxito, não deixaria de mostrar a sua face mais cruel: seria, concomitantemente, o “programa do último emprego” para milhões de pessoas que seriam prejudicadas pelas vantagens concedidas aos beneficiários do primeiro emprego, notadamente as mais idosas.

Em um mercado estagnado, um emprego que entra tem de valer por outro que sai. Tertium non datur. Portanto, para que se consiga oferecer mais empregos, somente a expansão racional do mercado – e isto significa dizer “uma expansão livre de interferências estatais” – tem a capacidade de admitir novos trabalhadores. Obviamente, à medida que a máquina passa de uma marcha à outra, os primeiros a serem admitidos são aqueles que possuem um diferencial, tal como a prévia experiência o que é muito justo, pois o contrário é justamente premiar os mais sonolentos às custas dos mais competitivos.

Um programa novo, agora batizado de “Próximo Passo”, qualquer que seja a sua feição e moldura, há de cometer os mesmos erros. Formando jovens para programas governamentais de construção de moradias populares e obras públicas, o governo está apenas alocando recursos para áreas em que o investimento privado teria encontrado aplicações mais urgentes, e a serem executadas de forma mais eficiente. Não tarda a haver uma crise qualquer, seja afetada pela má concessão de créditos imobiliários, seja pelo aumento da inflação de corrente dos gastos públicos desenfreados.

Por outro lado, um programa de redistribuição de renda tende a tornar menos atrativo o emprego formal. Para um cidadão não contemplado, um emprego significar trocar o seu tempo de ócio por atualmente quinhentos e dez reais. Para um beneficiário, o mesmo emprego lhe representa um ganho que pode não ultrapassar meros trezentos reais. Isto não me parece um incentivo ao trabalho.

 

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