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Questões de método

3 de outubro de 2009 - 20:23:18

O gramscismo tem táticas de uma eficiência satânica. Satânica, de facto, quer se entenda aí a referência ao demônio como literal ou metafórica. Eu estou pensando sob o aspecto metafórico, considerando o demônio como símbolo do anti-Cristo, ou seja, aquele que se opõe aos valores morais e os inverte ou subverte, propugnando um mundo em que o Mal é o Bem e vice-versa.

Um exemplo prático dessas táticas satânicas é a transformação de Mel Zelaya em um líder legítimo deposto e a acusação de golpista ao governo interino de Honduras, quando o que ocorre, na verdade, é exatamente o contrário. A Organização dos Estados Americanos não está pressionando Micheletti em nome da democracia e apelando ao repúdio arraigado às intervenções militares, com o intuito de reconduzir ao poder um discípulo do coronel Hugo Chavez?

Outro exemplo, bem mais grave, de gramscismo é a difusão da crença de que o colapso da União Soviética significou o fim do comunismo. Na Veja desta semana há uma reportagem intitulada “O socialismo não morreu (para eles)”, segundo a qual “para um bloco de partidos nanicos de esquerda, o marxismo está mais vivo do que nunca e o capitalismo caminha inexoravelmente para seu fim. Eles são inofensivos, apesar desse delírio”.

A matéria trata de agremiações como o PSOL, o PSTU, o PC do B, o PCB e o minúsculo PCO (Partido da Causa Operária), considerando-as sob seu aspecto folclórico, que de facto têm. Afinal, todos esses agrupamentos professam uma visão tão ortodoxa do marxismo-leninismo ou do trotsquismo, que os coloca em total descompasso com a realidade. São todos eles um total anacronismo e talvez a melhor maneira de expressar isso seja descrever um cartaz de convocação à greve que vi há algum tempo (um ano, talvez mais) numa parede da praça João Mendes.

Não me lembro do que o cartaz dizia exatamente, nem a que greve ele se referia, mas a imagem nele estampada era inesquecível. Tratava-se de um suposto operário, representado de acordo com os cânones do realismo socialista: um homem alto, loiro e forte, de bastos bigodes stalinistas, que trajava um avental de ferreiro, segurava na mão um martelo e estava diante de uma bigorna… Cazzo! Acreditar que um operário brasileiro do século 21 se identifique com uma imagem dessa é o fim da picada!

A imagem desse operário reflete exclusivamente as concepções ultrapassadas dessa patota. Isso os torna folclóricos, sem dúvida, mas absolutamente não os torna inofensivos, de vez que eles continuam alimentando a crença no marxismo e difundindo-a nos meios estudantis e sindicais, bem como nos movimentos de supostos camponeses sem terra. Não deixam, por isso mesmo, de colaborar com as forças de esquerdas mais atualizadas, como o petismo e o bolivarianismo, ou ainda outros movimentos ativistas – gays, negros, feministas, adeptos da descriminalização da maconha, etc.

Colaboram por difundir a base comum que existe entre eles – o marxismo -, bem como por servir de contraponto a essa mesma esquerda mais atualizada que, por comparação a eles, acaba sendo considerada civilizada e incorporada ao regime democrático. Exibindo escancaradamente seu radicalismo revolucionário, esse grupos, que se podem chamar de leninistas, ajudam aos grupos gramscistas a construir sua “persona” democrática.

Estabelecer uma distinção clara entre leninistas e gramscistas (talvez fosse mais acertado dizer gramscianos), ver o que há de semelhante, mas, também e principalmente, o que há de diferente entre eles e entre seus métodos de ação é fundamental para poder enfrentá-los. Não se pode considerá-los todos farinha do mesmo saco (apesar de o serem no fundo) e sair demonizando um comunismo ou uma esquerda genérica como fazia a direita há 30 ou 40 anos. Esta é uma estratégia já desmoralizada pelo próprio gramscismo.

http://observatoriodepiratininga.blogspot.com

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