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Requer-se maior ação psicológica contra as FARC

7 de fevereiro de 2010 - 7:25:52

Porém, também indicam que, se não houver injeção da presença estatal efetiva com obras de infra-estrutura, melhoria na saúde, residência, educação e geração de empregos mediante o estímulo à criação de empresas, os terroristas terão a possibilidade de recrutar outros incautos.

Ademais, se requer uma alta dose de ação psicológica para convidar os terroristas a desertarem, a entregar as armas, os documentos, os preciosos computadores, os equipamentos de comunicação e, evidentemente, que denunciem seus cabeças, a menos que os chefes das frentes entrem no caminho da sensatez e se entreguem com todos os seus subalternos.

Assim como a atividade da Chancelaria no exterior tem sido muito escassa para desmascarar as FARC e o ELN ante o mundo inteiro, a atividade do Governo Nacional em seu conjunto tem sido muito tíbia no campo da guerra psicológica.

Por gestões ilícitas nos tribunais feitas por advogados de meia-tigela, herdadas dos formalismos santanderistas, há limitações para publicar de maneira permanente, consistente, sistemática e séria, a informação de recompensas. Nenhum colombiano sensato pode entender que os ministérios da Defesa, Interior, Comunicações e Relações Exteriores não articulem planos mais sólidos para induzir os potenciais informantes a denunciar os terroristas, e muito menos que não se aproveite a cobertura midiática para repetir até a saciedade as cifras que se pagam pelas recompensas, para quem forneça informação que conduza à captura e posterior julgamento dos que se declararam inimigos da Colômbia e promotores do atraso que não deixa o país sair do subdesenvolvimento.

Por outro lado, é necessário avaliar qual é o ponto de quebra da guerra. Não bastam as transcendentais baixas em combate que sem dúvida têm afetado a intencionalidade combativa das FARC. É urgente atuar onde têm sido fortes para desarticular essa fortaleza estratégica. Há experiências interessantes que podem servir de referências estratégicas e táticas. A luta do governo filipino contra as guerrilhas Huks oferece muita informação a respeito.

A principal razão para que as FARC tenham subsistido durante 50 anos reside no trabalho persistente de organização de células de apoio, realizado de maneira simultânea pelo Partido Comunista Colombiano e as comissões de “masseros” [1] das FARC. Na medida em que Alfonso Cano adquiriu maior ascendência dentro do Secretariado e que o dinheiro recebido pelo narcotráfico converteu as FARC em uma guerrilha rica e bem dotada, o grupo terrorista deu ênfase a essa parte de seu plano estratégico, vital para a sobrevivência.

Entre as atividades desenvolvidas para arraigar seu crescimento político, as FARC aumentaram a presença de “embaixadores” no exterior, estreitaram laços com Correa, Chávez, Lula e demais mandatários comunistas chiques do hemisfério, multiplicaram as células delitivas nos sindicatos, nas universidades, nos bairros mais pobres das principais capitais e desenvolveram a conscientização pró-terrorista de colonos e camponeses no sul-oriente colombiano.

Os computadores apreendidos em diversos golpes táticos indicam que, como alternativa que lhes resultou efetiva, as FARC aumentaram o trabalho político, na medida em que avaliaram que a estratégia de segurança democrática lhes impedia o desdobramento armado que conseguiram durante os débeis governos de Gaviria, Samper e Pastrana.

Dessa realidade depreende-se uma conclusão simples porém concreta: se as FARC fincaram raízes “sentimentais” em algumas zonas como produto da comunicação interpessoal, do contato cara a cara com o camponês ou o alvo audiência determinado para recrutar mais terroristas, é óbvio e elementar que o Governo Nacional deve deixar atrás a retórica publicitária de ministros de Defesa ansiosos por protagonismo eleitoreiro ou de personagens ansiosos em mostrar resultados com mortos adversários, mas sem conquistar as mentes e os corações da população civil e dos que de maneira equivocada se envolveram com a guerrilha.

Para o efeito, deve-se dar menos importância à distribuição de volantes desde helicópteros e aviões, ou informar através de megafone depois de um combate. Sem dúvida que são ações positivas, mas estas seriam mais efetivas se antes da elaboração de um programa com direção estratégica e tática, de execução obrigatória em todo o território nacional, os comandantes dos soldados, os infantes da marinha ou aviação e os policiais, se dedicassem a estreitar laços com a comunidade, reuni-los e entregar-lhes os testemunhos dos terroristas desertores, enviar volantes com os camponeses para os terroristas para que se rendam, e participar da organização comunitária objetivando evitar que os guerrilheiros politizem as associações cívicas, as juntas de ação comunal, etc.

Assim fluirá a informação e se fortalecerão os nexos cívico-militares necessários. A população civil estará do lado do Governo Nacional e das Forças Militares, será possível combater o narcotráfico com intensidade e se evitará que por afã de protagonismo midiático ou pressão superior, alguns fardados cometam delitos criminosos como tolerar grupos de auto-defesa ilegal, ou cair na tentação de cometer “falsos positivos”. A explicação é clara: a única força armada que pode transitar pelo território colombiano é a Força Pública, que é um patrimônio dos colombianos. Aos bandidos de todas as pelagens é necessário combatê-los com todo o peso da lei.

Porém, claro, paralelo a tudo isto o Governo Nacional deve chegar com soluções em todos os campos, situação que requer que os ministérios deixem de pensar que seu trabalho principal circunscreve-se à capital da República, que os senadores legislem e atuem, não pensando nas conchavadas de sempre ou nas obscuras montagens de suas gordas pensões. Que os governadores e prefeitos entendam que eles são parte integral e definitiva para a solução do problema, não simples espectadores. Que as altas cortes cumpram com o dever constitucional e nada mais.

Que os altos hierarcas da Igreja Católica entendam que não são só mediadores de oportunidade, senão parte do conflito. Que os jornalistas aterrissem e deixem de pensar e de difundir em diversos cenários que são imparciais, e só lhes compete cobrir a notícia. Basta que se detenham a pensar nas arbitrariedades de Chávez com os meios de comunicação, para que se dêem conta do que lhes sucederia se os comunistas governassem o país.

Mas também, claro, que os politiqueiros corruptos deixem de roubar e de fazer conchavos obscuros para perpetuar seus herdeiros e amigos nos cargos públicos, ou nas corporações legislativas dos três níveis da administração. A Colômbia é um patrimônio de todos os colombianos, não a dispensa pessoal de umas poucas famílias que têm-se apoderado por décadas da representatividade nacional e regional.

E, evidentemente, que a população civil entenda que a guerra das FARC contra a Colômbia é um problema que exige a participação de todo o país. Que não é um simples problema de militares e policiais contra os terroristas, ou que a paz é um assunto entre o presidente e os delegados do secretariado das FARC.

Em síntese: a Força Pública tem feito o trabalho e derrotou várias vezes os bandidos, porém falta o comprometimento total da direção política em todos os níveis da administração. Ademais, aqui não há população civil alheia ao conflito como de maneira irresponsável promulgam alguns jornalistas, alguns membros da Cruz Vermelha nacional e alguns “analistas” do conflito, todos carcomidos pela estupidez funcional, de pensar que a guerra dos comunistas e das FARC não é contra a Colômbia senão contra um segmento social.

 

Nota da tradutora:

[1] Chama-se de “massero” o guerrilheiro ou guerrilheira que faz trabalho de doutrinação político-ideológica e de embelezamento das FARC com as massas, com o povo das comunidades, objetivando depois recrutá-los para integrar as fileiras terroristas.

Tradução: Graça Salgueiro

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