1. Arquivos
  2. Outros

Serra e a mídia

8 de março de 2010 - 9:09:39

Essa modificação estratégica ficou explícita no editorial de ontem (5) da Folha de São Paulo (Serra ou não Serra). A raiz dessa mudança é o descortino de que a candidatura de José Serra está fazendo água, em face dos titubeios, indecisões e divisões no arco político liderado pelo PSDB. Pragmaticamente, os barões da mídia preferiram “apoiar” o poder a contestá-lo. Esse gesto é uma repetição do gesto muitas vezes praticado por aqueles que deveriam resistir ao assalto dos revolucionários e não o fazem, seja por interesses mesquinhos, seja por cálculo errado, seja por pura covardia e seja, ainda, por alinhamento ideológico com a causa revolucionária.

O que vimos no evento citado foi a mais abjeta rendição de quem ainda teria os meios para resistir. Até as pedras sabem que o eventual governo da Dilma será a radicalização do programa do PT, em busca do totalitarismo. A convenção do PT, que homologou a candidatura, e o programa de governo da candidata não esconderam as más intenções. O PT usará os últimos meses da administração de Lula para acumular forças sem espantar a lebre, embora muitas de suas medidas radicais já estejam em processo de implantação.

O pano de fundo desse processo é a agonia do PSDB, do projeto da social-democracia. Se Serra for candidato, hipótese mais provável, será traído em Minas, pois Aécio deverá ter dois palanques, como da outra vez, e no final somará com o candidato vencedor. Se for Aécio o candidato, hipótese improvável, em São Paulo, mesmo se os caciques apoiarem, terá votos insuficientes para vencer o pleito.

Com a grande mídia sob o cabresto do PT a coisa toda ficará ainda mais periclitante. A derrota do PSDB está traçada com muita antecipação. O pleito figurará assim como uma mera homologação da candidata oficial.

O desdobramento histórico desses acontecimentos será da maior gravidade. Tanto maior se o PT conseguir derrotar o PSDB na corrida pelo governo do Estado de São Paulo. A lição da história é que sempre a social-democracia serve de abre-alas para os socialistas radicais. Estamos a ver no Brasil o mesmo filme. A menos que tenhamos alguma reviravolta sensacional – e improvável – Dilma Rousseff receberá a faixa de primeira presidenta da República. O desastre para o Brasil está traçado como um encontro com o destino.

Quem viver verá.

{slide=Artigos Relacionados}{loadposition insidecontent}{/slide}

{slide=Artigos do Mesmo Autor}{loadposition insidecontent2}{/slide}