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Tutti buona gente!

8 de junho de 2010 - 19:43:58

Antigo membro de uma organização clandestina envolvida na luta armada – a Ação Popular (AP) – o candidato tucano não abre o jogo. No entanto, qualquer sujeito que se interesse seriamente pela questão da droga pesada no mundo, em especial na América Latina, sabe perfeitamente que o tráfico da cocaína está hoje ligado por um hífen às FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -, a organização terrorista gerada no baixo-ventre do Partido Comunista Colombiano em meados dos anos 1960.

O principal mentor da organização criminosa, Manoel Marulanda Vélez, o “Tirofijo” (morto de ataque cardíaco em 2008, aos 78 anos) entrou no ramo da guerrilha antes mesmo de Fidel Castro Ruiz, o Drácula do Caribe. Mas para tornar a guerrilha um excelente “medio de vida” depois de 30 anos laborando em roubos de cargas, extorsões, assassinatos, seqüestros, ocupação de terras pelo uso da força e contrabando de armas, “Tirofijo” voltou-se com toda força de que dispunha, no início dos anos 1980, para o bilionário negócio do narcotráfico, fazendo das FARC uma das organizações terroristas mais poderosas do mundo – senão a mais poderosa -, dispondo hoje de um efetivo bem armado de 12 mil homens.

Como se sabe, além da tarefa doentia de aterrorizar, as forças revolucionárias da Colômbia atuam na supervisão do plantio, colheita, beneficiamento, produção e distribuição da cocaína em larga escala. Segundo a DEA – Drug Enforcement Agency, americana – cerca de 60% da produção mundial da cocaína, que gera dividendos na ordem de 650 bilhões de dólares/ano, são distribuídas pelas FARC com a colaboração dos seus agentes “bolivarianos” instalados não apenas em boa parte da Colômbia, mas, de igual modo, em Cuba (dá-lhe, Fidel!), na Venezuela, Equador, Nicarágua, Brasil, Paraguai e Bolívia (perderam, por enquanto, Honduras), onde atuam com a conivência, a omissão e o interesse ideológico e econômico das esquerdas no poder.

(Conforme recomenda o manual da “Guerra de Quarta Geração”, cujo objetivo, nas suas regras ortodoxas, é acabar de vez com a democracia representativa na AL e, em particular, nos Estados Unidos, a difusão da droga é arma tão ou mais valiosa do que qualquer instrumento bélico poderoso. Para repetir ainda uma vez o mote de Manuel Marulanda Vélez, “La coca es una destrozadora arma política”).

Especialistas mais atentos do nosso cenário político observam, com propriedade, que os recursos provenientes do tráfico da cocaína (“narcodólares”) financiaram os meios logísticos sem os quais os socialistas integrantes do Foro de São Paulo, vacinados pelo comunismo totalitário, não teriam as mínimas condições de tomar sob jugo boa parte do infeliz continente latino-americano.

De fato, figuras como Hugo Chávez, Evo Morales, o tarado Daniel Ortega (estuprou a filha adotiva), Rafael Correa e demais filiados do FSP, não só foram beneficiados com armas e o rico dinheiro das Farc, como até hoje convivem “numa boa” com a organização criminosa, considerada pela máfia esquerdista um genuíno “exército insurgente”, merecedora da total solidariedade do “mundo progressista”.

O próprio Lula, beneficiário do esquema, segundo relatório recolhido nos arquivos da Abin, recebeu na campanha presidencial de 2002 cerca de US$ 5 milhões, doados pelas Farc, por intermédio do falso padre Oliverio Medina, um diligente “embaixador” da organização narcotraficante no Brasil.

Muito bem, vamos ao que interessa: se eu, Ipojuca Pontes, que nunca fui governador de São Paulo (onde se consome a maior quantidade de cocaína no país e local onde está instalado o PCC – o Primeiro Comando da Capital, organização de bandidos a serviço das Farc) nem disponho de dezenas de baba-ovos para me repassar informações de bastidores, nem considero o uso da maconha uma “questão de saúde pública”; se eu, do meu lado, repito, já estou farto de saber que as Farc estão por trás da exploração da cocaína em todo território nacional – seja pelos escoadouros da Bolívia e Venezuela, seja pelas fronteiras do Paraguai ou Colômbia – por que não sabe disso o ex-governador José Serra, um político que, além de egresso da AP, tem no ex-assaltante de banco e ex-ministro da Justiça, Aluysio Nunes, um dos seus mais próximos aliados?

Considero estranho que só agora José Serra, depois de duas derrotas nas eleições presidenciais (2002 e 2006), denuncie, de forma canhestra, o “corpo mole” do governo boliviano no combate ao tráfico da cocaína enviada para o território brasileiro. Por acaso o candidato desconhece que o monopólio do narcotráfico pertence às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, cabendo aos países do entorno tão somente o papel de asseclas do crime?

Desde logo quero lembrar aos leitores que as eleições presidenciais de 2010 estão sendo consideradas como as mais dispendiosas das últimas décadas. É, ao que se informa, cacife para muitos bilhões de dólares – o que torna compreensível, portanto, o temor do candidato Serra quanto às doações bilionárias das Farc, uma organização que, quando entra em ação, com ou sem a “diplomacia”de Oliverio Medina, não brinca em serviço. Com efeito, uma coisa é denunciar a permissividade do cocalero Evo Morales e outra, bem diferente, é se meter contra as Farc, o Foro do São Paulo e seus fortes aliados.

De minha parte, penso que a denúncia de Serra, por tímida, cairá na luz escura do vazio. O próprio Serra, um homem favorável ao casamento gay, já afirmou que a droga, como o aborto, é “uma questão de saúde”. O benemérito Lula, por sua vez, se diz preocupado com a expansão do mortífero crack, o subproduto da cocaína que representa menos de 10% da maconha consumida no Brasil – droga que Fernando Henrique Cardoso, sem tocar no nome das Farc, agora que ver liberada, assumindo mundialmente o papel de Paladino dos Viciados.

Pudera! Afinal, sono tutti buona gente!

PS – Outro dia escrevi que a maconha, com mais de 60 substâncias tóxicas, era um alucinógeno quase ou tão nocivo quanto o crack. Digo, repito e assino embaixo, pois não meço a sua periculosidade apenas pelo potencial químico. A maconha, entre os consumidores da pesada, é conhecida como a “Erva do Diabo”, capaz de não só criar dependência e vício, como estimular, pela euforia impulsiva, atos criminosos. A própria OMS a considera um alucinógeno anti-social por excelência.

O paraibano Zé do Queijo, já morto, garantia que a maconha era a única droga que se devia temer, pois a pivetada, com um “baseado na cabeça”, por um nada matava sem pestanejar – ao contrário do que ocorre com o consumidor do crack, que deseja apenas “curtir o barato” e ficar “na dele”, infindavelmente.

Zé do Queijo sabia do que estava falando. Enfrentou soberano, durante quinze anos, o tráfico da droga na Rocinha, a maior favela da América Latina, e no complexo do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, no coração da Zona Sul. Conheci a figura de perto, era um sujeito duro. Teve a amante morta por um maconheiro e morreu lutando para manter viva a sua Birosca do Zé.

Deus o tenha em bons modos.

 

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