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UnoAmérica: Em defesa da democracia na América Latina

19 de maio de 2009 - 21:23:52

O IPES, a CAMDE, o IBAD e as Forças Armadas formaram a base quadrangular político-econômica da Contra-Revolução de 1964, e que deu sustentação aos governos militares.
 
Convém notar que FHC, através do CEBRAP, pavimentou sua ascensão à presidência da República, como afirmou Sebastião Nery em Os filhos de 64. No poder, FHC iniciou o revanchismo contra as Forças Armadas, com a criação da espúria “Comissão de Mortos e Desaparecidos”, uma ação entre amigos que ao final do governo Lula deverá atingir cerca de R$ 5 bilhões em indenizações, muitas delas milionárias. Irmão siamês do PT, o PSDB não se opôs à eleição e à reeleição de Lula, seja com José Serra, seja com Geraldo Alckmin.
 
O projeto de Lula começou com a detonação do governo Collor, um verdadeiro golpe de Estado branco, iniciado com a “campanha pela ética” de Herbert de Souza, o Betinho, antigo pombo-correio dos dólares enviados por Fidel Castro a Brizola – e hoje sabemos muito bem como é a ética do governo dos petistas (a “cuética” – a ética das cuecas forradas de dólares e euros). No entanto, pouca influência na eleição de Lula teve o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), fundado por Betinho. Lula venceu pelo cansaço, depois que foi feita uma flambada de marketing em sua estampa. Uma das principais obras de Lula foi continuar o revanchismo contra os militares, tendo o coronel Ustra como seu principal factóide, farsa essa que é alimentada diariamente na imprensa por Tarso Genro e Paulo Vannuchi, com proposta de mudança na Lei da Anistia, de modo que favoreça apenas aos interesses esquerdistas de antigos terroristas.
 
Para apoio à UnoAmérica, deve-se buscar a ajuda de partidos políticos brasileiros que defendam a descentralização administrativa, de modo a tornar mais fortes os Estados e os Municípios, uma necessidade premente para emancipar essas unidades administrativas, hoje reféns de Brasília. Atualmente, o poder no Brasil só é federativo no nome, pois se trata de um poder central, nacional, imperial, de modo que o presidente da República tem poderes de um monarca. Essa situação é agravada nestes tempos em que viceja o fascismo de fato no País, com os “filhos da loba” e os “balilas” representados pelas hostes falangistas de Lula, quais sejam: CUT, MST (“braço armado do PT”) e demais movimentos campesinos/sem-teto/favelas, Força Sindical, UNE, PCdoB, Funai, Incra, CPT, a CNB do B (no dizer de Meira Penna), movimentos indígenas e quilombolas, além de todo o tecido social impregnado de idéias socialistas, especialmente nas escolas, nas universidades e no meio cultural.
 
Que tal pôr a mão na massa para não deixar morrer a democracia em nosso continente? Perdemos uma oportunidade de ouro para marcar posição durante a visita de Raúl Castro a Brasília, dia 18/12/2008. Por que não mandamos confeccionar algumas faixas para abrir na frente do Itamaraty, como “Cuba libre!”, “Fuera Castro!”, “Abaixo a ditadura cubana!”? Nenhuma sapatada? Somos todos uns bundões. Aliás, sugiro que para o próximo carnaval façamos uma música para cantarmos nas ruas: “Nós, os merdinhas, somos os maiorais… E assim seguimos, desde outros carnavais”… 

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Do
Arquivos I – Uma história da intolerância, de minha autoria, já disponível no site Usina de Letras:

IPES – Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais: fundado em 1961 no Rio de Janeiro pelo coronel Golbery e um grupo de empresários anticomunistas, dispostos a readequar e a reformular o Estado brasileiro, hoje está extinto. Tinha por objetivo criar barreiras intelectuais contra a propagação das idéias marxistas durante o Governo de João Goulart. Promovia Estudos de Problemas Brasileiros para os Governos Militares pós-1964.

O IPES, o IBAD, a CAMDE e as Forças Armadas formaram a base quadrangular decisiva para o desencadeamento da Contra-revolução de 31 de março de 1964, contra Jango, em sua política de implantar a “República Sindicalista” no Brasil.

O IPES passou a existir oficialmente no dia 29 Nov 1961 (Jânio Quadros havia renunciado em agosto do mesmo ano). O lançamento do IPES foi recebido favoravelmente por diversos órgãos da imprensa, como o Jornal do Brasil, O Globo, O Correio da Manhã e Última Hora. Contou com a aprovação do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jayme de Barros Câmara. Além do Rio e de São Paulo, o IPES rapidamente se expandiu até Porto Alegre, Santos, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus e outros centos menores. O IPES foi formado pelo trabalho do empresário de origem americana, Gilbert Huber Jr., do empresário multinacional Antônio Gallotti, dos empresários Glycon de Paiva, José Garrido Torres, Augusto Trajano Azevedo Antunes, além de serviços especiais de oficiais da reserva, como o general Golbery do Couto e Silva. Sandra Cavalcanti era uma das mais famosas conferencistas do IPES. As sementes do IPES (assim como do IBAD e do CONCLAP) foram lançadas no final do Governo JK, cujos excessos inflacionários geraram descontentamento entre os membros das classes produtoras do país, e durante a Presidência de Jânio Quadros, em cujo zelo moralista eles depositaram grandes esperanças.

O IPES produziu em torno de 8 filmes, para alertar os desmandos do Governo Goulart, como a ameaça comunista; os cineastas eram Jean Mazon e Carlos Niemeyer. Um escritor de peso do IPES foi José Rubem Fonseca, autor de
Feliz Ano Novo; segundo Fonseca, o “IPES buscava mobilizar a opinião pública no sentido do fortalecimento dos valores democráticos” (Del Nero,
op. cit.). [*]

O IPES participou também de operações internacionais, que ajudaram a derrubada de Salvador Allende, no Chile, e do general Juan Torres, na Bolívia (em Agosto de 1971, o general Hugo Banzer tomou o poder).

Entidades congêneres do “Complexo IPES/IBAD”:

1) México: Centro de Estudios Monetarios Latinoamericanos – CEMLA; Centro Nacional de Estudios Sociales – CNES; Instituto de Investigaciones Sociales y Económicas – IISE;

2) Guatemala: Centro de Estudios Económico-Sociales – CEES;

3) Colômbia: Centro de Estudios y Acción Social – CEAS;

4) Equador: Centro de Estudios y Reformas Económico-Sociales – CERES;

5) Chile: Instituto Privado de Investigaciones Económico-Sociales – IPIES;

6) Brasil: Sociedade de Estudos Interamericanos – SEI; Fundação Aliança para o Progresso;

7) Argentina: Foro de la Libre Empresa; Acción Coordinadora de las Instituciones Empresariales Libres.

“Em 64, quando Castelo Branco organizou o Governo, a maioria dos cargos foi entregue a quem tinha ensinado ou feito cursinho no IPES. A começar por Golbery e Roberto Campos” (Sebastião Nery,
in Os filhos de 64, Jornal Popular, Belém, PA, 6 Out 1995).

CAMDE – Campanha da Mulher pela Democracia: criada pouco antes das eleições de 1962, sob orientação de Leovigildo Balestieri (vigário franciscano de Ipanema, Rio de Janeiro), Glycon de Paiva e o general Golbery do Couto e Silva. “Eles convincentemente argumentavam que o Exército fora minado pelo ‘vício do legalismo’, que só mudaria se ‘legitimado’ por alguma força civil, e que as mulheres da classe média e alta representavam o mais facilmente mobilizado e interessado grupo de civis” (P. Schmitter,
in Interest, Conflict and Political Change in Brazil, Stanford, California University Press, 1971, pg. 447). A CAMDE era uma organização feminina anticomunista, promoveu a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, no dia 19 Mar 1964, em São Paulo (19 de março, Dia de São José, Padroeiro da Família), reunindo 500.000 pessoas, protesto que exigia o fim da balbúrdia e da carestia durante o Governo Goulart, e que antecedeu à revolução de 31 Mar 1964. No dia 2 Abr, a CAMDE reuniu 1 milhão de manifestantes no Rio de Janeiro para agradecer a interferência dos militares nos destinos do país, ocasião em que Aurélia Molina Bastos encerrou seu discurso dizendo: “Nós louvamos, nós bendizemos, nós glorificamos a Deus e o soldado do Brasil”. As mulheres do CAMDE de Minas Gerais ofereceram a Castello Branco, ainda antes de sua eleição, uma nova faixa presidencial, para que não usasse a tradicional, “já conspurcada pelos maus presidentes que o precederam” (
O Estado de S. Paulo, 12 Abr 1964). Outras organizações femininas e grupos católicos atuantes em 1964, além da CAMDE: Liga de Mulheres Democráticas (LIMDE), (MG); União Cívica Feminina (UCF), organizada em 1962 (SP); Campanha para Educação Cívica (CEC); Movimento de Arregimentação Feminina (MAF), teve início em 1954, foi liderado por Antonieta Pellegrini, irmã de Júlio de Mesquita Filho, proprietário de “O Estado de S. Paulo”; Liga Independente para a Liberdade, dirigida por Maria Pacheco Chaves; Movimento Familiar Cristão (MFC); Confederação das Famílias Cristãs (CFC); Liga Cristã contra o Comunismo; Cruzada do Rosário em Família (CRF); Legião de Defesa Social; Cruzada Democrática Feminina do Recife (CDFR); Ação Democrática Feminina (ADF), Porto Alegre, RS.

CEBRAP – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento: Fundado pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso (FHC), em 1974, quando voltou de seu auto-exílio “de caviar” (no Chile trabalhou na Comissão Econômica para a América Latina – CEPAL, onde tinha um Mercedes com motorista à disposição, e na França lecionou na Sorbonne). Em 1978, o CEBRAP recebeu 180 mil dólares da Fundação Ford. O livro mais conhecido de FHC foi
Dependência e Desenvolvimento na América Latina, lançado em 1967 e

escrito em parceria com o sociólogo chileno Enzo Faleto, em que propunham a “teoria da dependência”.

“Com ela, o senhor FHC, já àquela época, pregava o desenvolvimento do Brasil e de outros países latino-americanos sob a dependência da economia dos Estados Unidos. Esta proposta verdadeiramente herética para verdadeiros socialistas, passou quase desapercebida ou foi benevolentemente tolerada pelos seus correligionários, não somente porque ele era considerado um acadêmico teórico, mas também porque já existiam entre seus companheiros de ideologia outros que esposavam teses semelhantes, que hoje poderíamos definir como ‘teoria do desenvolvimento dependente’, embora apenas ele propusessse explicitamente que esta dependência deveria ser em relação à macroeconomia norte-americana. (…) … essa ‘dependência subalterna’ a que seu governo conduziu o Brasil não foi um equívoco involuntário e acidental, mas sim um erro continuado, deliberado e consciente, o simples fato de que, dentre os principais tecnocratas que ele nomeou no seu 1º Mandato para implementar o chamado Plano Real (Pedro Malan, Pérsio Arida, Edmar Bacha, Bresser Pereira, Eliana Cardoso e outros), vários deles integravam o grupo que participou da reunião realizada em Washington, em novembro de 1989, organizada pelo Institute for International Economics, patrocinada pelo FMI, Banco Mundial, BID e governo norte-americano, durante o qual foi realizado o estudo do diagnóstico sobre o Brasil elaborado por Eliana Cardoso e Daniel Dantas, e onde foram estabelecidas as bases teóricas do Washington Consense. Nessa mesma direção aponta o fato de que o artigo escrito por Pérsio Arrida e André Lara Resende, intitulado ‘Inertial Inflation and Monetary Reform in Brazil’, hoje considerado como uma das bases teóricas do Plano Real, foi originalmente apresentado em Washington, em dezembro de 1984, num seminário também promovido pelo mesmo Institute for International Economics que organizou o Washington Consense” (
in A verdadeira ideologia de FHC, ASMIR-PR, Curitiba, 08 de dezembro de 2000).

 

O CEBRAP era o “IPES de esquerda”, e tinha entre seus quadros, além de FHC, intelectuais como Paul Singer, Francisco de Oliveira, Arthur Gianotti, Florestan Fernandes, Ruth Cardoso. O CEBRAP orientou a trajetória política de FHC, culminando com a Presidência da República em 1994: “Como Castelo assumiu com o IPES, Fernando Henrique assumiu com o CEBRAP” (Sebastião Nery,
in Os filhos de 64, Jornal Popular, Belém, PA, 6 Out 1995).

IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática, IBAD, era uma organização anticomunista fundada em maio de 1959 por Ivan Hasslocher. Ao lado dele, jovens empresários fariam parte desta organização e da sua entidade-irmã, o IPES, dois anos e meio depois. Entre eles, Gilbert Huber Jr. (Grupo Gilberto Huber – Páginas Amarelas), de ascendência norte-americana, Glycon de Paiva e Paulo Ayres Filho. O financiamento para sua criação do instituto se deu a partir de contribuições de empresários brasileiros e norte-americanos. A finalidade inicial era combater o estilo populista de JK e possíveis vestígios da influência do comunismo no Brasil. O IBAD foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava a participação de capital estrangeiro na entidade, fato considerado ilegal [E os dólares de Cuba para Lula, isso foi um ato legal?]. No dia 20 de dezembro de 1963, o IBAD foi dissolvido pelo Poder Judiciário.

[*] Livro
A Grande Mentira, do general Agnaldo del Nero Augusto

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