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UnoAmérica – Memorando situacional

23 de outubro de 2009 - 4:55:34

O diário La Prensa intitula hoje em sua primeira página a seguinte nota: Unidade total contra a ditadura de Ortega, e explica que representantes de quatro bancadas parlamentares, organizações da sociedade e as duas cúpulas empresariais mais importantes assinaram um comunicado conjunto para rechaçar o golpe. Também informa que os magistrados liberais do Poder Judiciário emitirão um comunicado desconhecendo a sentença de seus colegas sandinistas. Tudo indica que a situação poderia se agudizar nos próximos dias, materializando-se assim o pesadelo dos integrantes da ALBA: que o efeito Honduras se expanda.

É preciso seguir difundindo o que ocorre na Nicarágua, buscando pronunciamentos em defesa da democracia nicaragüense, e em rechaço à atitude cúmplice e parcializada da OEA.

Quanto a Honduras, o ex-secretário geral da OEA, Cesar Gaviria, declarou no Brasil que o regresso de Zelaya é “impossível”, porque ele não conta com o apoio do Congresso, do Poder Judiciário e dos militares. Gaviria recomenda avalizar as eleições como saída à crise. Este é um duro golpe contra a OEA e contra Insulza, por vir de um ex-chefe dessa organização. O ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda, foi mais sarcástico, quando disse: “O Brasil permite que Zelaya esteja em sua embaixada e depois não tem um papel negociador. Do jeito como vão as coisas, Zelaya vai terminar ficando na embaixada a vida toda, vai procriar familia e pelo que vejo, será a primeira colônia brasileira em Honduras”.

As declarações do embaixador Roy Chaderton na Assembléia da OEA, insultando e ameaçando Micheletti, demonstram que o governo venezuelano está frustrado e assustado, porque sabe que perdeu a batalha em Honduras e porque crê que o exemplo hondurenho pode se expandir pela região. Por sua parte, o governo hondurenho denunciará a Venezuela ante a ONU e a OEA por suas agressões verbais e o ingresso de narco-avionetas.

O Senado espanhol aprovou ontem uma iniciativa na qual acusa o governo venezuelano de violar os direitos humanos e se insta o governo espanhol a que interceda ante as autoridades venezuelanas para que respeitem os direitos fundamentais dos opositores nos processos penais contra eles.

O ex-presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, denunciou que Fernando Lugo tem vínculos com os terroristas do Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP), e isso é o que explica a ineficiência do governo em enfrentar os seqüestradores. “Lugo visitou com Lacognata (sua atual chanceler) os responsáveis por estes seqüestros e os líderes do EPP”, denunciou.

Uma delegação de deputados argentinos encontra-se na Venezuela denunciando as similitudes que existem entre os modelos totalitários de Chávez e dos Kirchner, pela repressão aos meios de comunicação, a corrupção, etc. Anunciaram uma campanha internacional para libertar os presos políticos na Venezuela, desentranhar a verdade sobre a valise de Antonini e outras iniciativas, tão logo assumam a maioria no Parlamento no próximo dia 10 de dezembro.

É cada vez mais evidente que a batalha pela democracia não pode se dar exclusivamente em território nacional, mas deve efetuar-se em nível continental. A crise de Honduras foi de grande importância, porque desmascarou o papel da OEA e outros organismos multilaterais que operam a favor dos mandatários socialistas e não da democracia regional.

O Foro de São Paulo está preocupado pelo avanço de UnoAmérica. No domingo passado a agência cubana Prensa Latina catalogou a “União de Organizações Democráticas da América, cabeça da direita na região por suas posturas contra os processos de mudança em marcha”. Enquanto que hoje, o diário mexicano esquerdista La Jornada informa que “prepara-se uma denúncia judicial e pública de diversas organizações contra os anúncios golpistas da ultra-direitista União de Organizações Democráticas da América Latina (UnoAmérica), sobre a decisão de que 20 ONGs da Argentina que pertencem a essa fundação, promoverão a destituição da (presidenta argentina) Cristina Kirchner no marco da Constituição e normas da democracia, como sucedeu em Honduras com o presidente Manuel Zelaya, por considerar o governo local alheio aos interesses dos argentinos, enquadrado dentro do Foro de São Paulo e dentro dos objetivos do Comandante (Hugo) Chávez da Venezuela”.

Finalmente, hoje será publicada um nota em www.unoamerica.org onde se informa que uma importante instituição peruana aderiu a UnoAmérica.

Tradução: Graça Salgueiro

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