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Voltando de férias II

8 de maio de 2010 - 9:34:01

A campanha antitabagista é baseada em premissas falsas, pseudo-científicas, enquanto maconha, cocaína, heroína, crack e outras são comprovadamente lesivas à saúde do indivíduo que as usa e ameaçadoras à sociedade em geral. Nunca se ouviu falar que um sujeito acendeu um cigarro e saiu matando gente. Isto não quer dizer que cigarros não sejam eventualmente prejudiciais à saúde. Feijoada também. Tudo depende de sensibilidades e predisposições pessoais. Eu parei de fumar há 16 anos porque houve ameaça de futura lesão coronariana. Conheço ou tenho notícias de inúmeros nonagenários que continuam fumando – no mínimo três deles fuma 3 a 4 maços por dia! – e jamais tiveram doença alguma relacionada com o fumo.

A mais falsa premissa do anti-tabagismo é a mentira do ‘fumante passivo’, uma invenção do controle mental globalizado, como o aquecimento global, a possibilidade de heterossexuais que nunca tiveram relações homossexuais, adquirirem AIDS, a eficiência ‘comprovada’ da vacinação contra a H1N1, os malefícios da carne vermelha e os benefícios da alimentação vegetariana e dos Códigos Alimentares com os quais querem nos impingir o que comer e que corpo devemos ter. Interessante: os carnívoros e fumantes jamais, que me conste, tentaram obrigar alguém a seguir seus hábitos, mas o contrário é verdadeiro e aplica-se também aos usuários de drogas pesadas! Haverá um nexo aí?

O controle mental do antitabagismo já atingiu um nível tal que inúmeros fumantes já se sentem envergonhados de seu hábito e se auto-policiam cruelmente: o próprio desejo de fumar transformou-se numa crimidéia (apud Orwell, Newspeak em 1984).

CENA 1: num trailer cuja marquise não excedia 25 cm um casal fumava encostado ao balcão. Pois não é que um cara ridiculamente reclamou e eles tiveram que se afastar uns 10 cm? Se fosse eu soprava a fumaça direto na cara do imbecil! (interpretação na CENA 2).

(Quem quiser conhecer as idéias econômicas de Serra leiam o artigo José Serra e o pós-keynesianismo, de Leandro Roque).

A CAMPANHA CONTRA OS CANDIDATOS ‘FICHA-SUJA’

Este projeto de lei, já votado ontem, mas com emendas que serão objeto de debate hoje ou amanhã, é um absurdo jurídico total ao inverter a tradição básica do Direito de que todos são inocentes até prova em contrário. Se alguém é impedido de se candidatar só por ter sido acusado de um crime ou mesmo já tendo sido julgado em Primeira Instância por Juiz singular, ainda podendo recorrer e ser absolvido por provas de inocência está sendo considerado culpado até que prove o contrário! Ora, o ônus da prova é do acusador. Concordo com o ponto de vista de Klauber Cristofen Pires e acrescento unas cositas más.

Quem tiver o controle da Polícia Federal e desta outra excrescência da constituição ‘cidadã’, o ministério público (recuso-me a usar maiúsculas para esta pústula incrustada no Brasil como Lei Maior!), tem a faca e o queijo para controlar todas as eleições no país! Some-se a este poder o da ‘justiça eleitoral’, que já comentei, e além de roubar-se do eleitor o direito de ouvir as plataformas eleitorais em qualquer tempo e dar a juízes poderes supremos de calar ou até caçar candidatos, rouba-se também o direito exclusivamente seu de escolher em quem quer votar, mesmo que esteja sob suspeita. É mais um capítulo da suprema hipocrisia e ignorância deste país que nos levará ao cadafalso.

Até que o apoio popular a esta maluquice não foi tão grande – estima-se em menos de quatro mil assinaturas num universo de mais de cem milhões de eleitores – o que me surpreende, pois um povo como o nosso acostumado a ser culpado de tudo – menos os culpados que são inocentes sempre! – e por isto obrigado a portar carteira de identidade, CPF, documento de propriedade de veículo, reconhecer assinaturas e autenticar toda sorte de papéis – ah!, por que não consegui um cartório! – e submetido a câmeras, radares, pardais, e bafômetros – outro absurdo jurídico que obriga o sujeito a fazer prova contra si mesmo -, coisas inaceitáveis em países realmente livres.

Para fingir que a população tem algum poder, a Nova Classe precisa ceder pequenos poderes mixurucas que contentem pessoas que se sentem insignificantes. Um deles apresentei na CENA 1.

Agora a CENA 2: por descuido e imprudência minha exclusivamente tropecei e derrubei várias garrafas de vinho da prateleira de uma padaria. Havia uns quinze clientes e todas as mulheres presentes gritaram logo que havia uma mesa mal colocada e que a culpa era do gerente que deveria ser acionado e que eu não deveria pagar aquela que quebrou. Os homens calaram, só eu disse que pagaria sim porque a culpa era minha, ao que algumas senhoras passaram a me agredir verbalmente, pois eu tinha que me unir aos consumidores para fazer valer seus direitos, ‘é por isto que o Brasil está como está, etc’. Com medo da reação dos maridos eu não disse o que deveria ter dito: é sim, é por culpa de gente mesquinha e insignificante como vocês! (Esclarecendo às minhas leitoras: foram só as mulheres que reclamaram, sim. Não tenho culpa disto).

A CRISE DO EURO

Não entendo nada de economia e sempre que preciso de conselhos nesta área obtenho de minha mulher economista ou dos amigos Iorio, Nivaldo e das abalizadas opiniões de Gilberto Simões Pires do PONTOCRÍTICO. Mas entendo bastante de outras coisas: gente, política, psicologia, ideologia, nações, orgulho nacional, etc. Fui dos primeiros a dizer que o Euro não podia dar certo, ainda antes que entrasse em funcionamento. Os fortíssimos orgulhos nacionais germânico, francês, italiano e britânico não iriam resistir a ver suas moedas serem substituídas por outra coisa apenas para satisfazer o antiamericanismo das elites. A Inglaterra sequer aderiu e mantém sua Libra Esterlina, a Suíça manteve a tradição de neutralidade e também não topou. Além disto, a União Européia nunca passou de uma ficção que tentam enfiar goela abaixo dos diferentes povos com tradições às vezes antagônicas.

Pouco tempo depois da instauração do Euro, vindo da Dinamarca, onde ainda imperava a Coroa, chegamos a Amsterdam. Ao pagar o táxi que nos conduzira do aeroporto ao hotel eu disse: ‘Da última vez que estive aqui paguei em Guilders’, e o taxista respondeu ‘Oh, yes, good and real old money, not this painted sheet of paper!’ (Oh, sim, o velho e bom dinheiro real e não este papel pintado). Se na cosmopolita e bilíngüe Holanda a idéia prevalente era esta – e confirmou-se depois em várias ocasiões – pude imaginar como seria em países mais orgulhosos de suas tradições.

Pois a crise da Grécia está aí e já atinge fortemente a Espanha e em pouco tempo Portugal, Irlanda e Itália. E hoje é o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, um dos arautos da globalização e dos maiores entusiastas do Euro, que no momento assessora o governo grego, quem afirma: ‘A crise financeira pode significar “o fim do euro”, disse o vencedor do Prémio Nobel, em entrevista à Rádio BBC 4, citada pela Bloomberg. Se os “problemas institucionais fundamentais” da zona euro não forem resolvidos, “o futuro do euro pode ser limitado”, acrescentou. Para o professor de Economia na Universidade de Columbia, a falta de uma política orçamental comum aos 16 países da zona euro é um dos problemas que foi posto a nu pela crise financeira na Grécia, e que levou a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional a aprovarem no domingo um empréstimo de 110 mil milhões de euros. Diz ainda: “A esperança de que [este empréstimo] vá acalmar as pressões especulativas é, provavelmente, deslocada”, afirmou o economista, argumentando que o plano de ajuda “pode funcionar temporariamente, mas a longo prazo os problemas institucionais fundamentais estão lá, os especuladores estão conscientes destes problemas, e à medida que estas fraquezas na Europa se vão tornando mais severas, isso abre espaço para um ‘dia em grande’ para os ataques especulativos”, concluiu. (Ver mais Stiglitz aqui).

Afirma o Telegraph: ‘Suspeitas de que a crise grega poderia levar a um ataque maciço contra o euro foram reforçadas, pois especuladores aumentaram suas apostas contra a moeda ao maior nível desde sua criação….Contratos no Chicago Mercantile Exchange (CME), um excelente barômetro da especulação, mostram que, na semana passada as posições de liquidez de curto prazo contra o euro, saltaram de 39.500 contratos para 43.700 – numa diferença de € 5.5 bilhões ($ 7.5 bilhões de dólares).’

Mas é Sol Sanders, do Washington Times que aponta o real problema: ‘Certamente o euro parecia ser o próximo passo do “projeto europeu” – a tentativa de acabar com as guerras no Continente, que culminaram na II GM que quase destruiu a civilização européia. As figuras proeminentes de Konrad Adenauer e Charles de Gaulle viram na unidade franco-germânica o único caminho para evitar futuros conflitos (…) Uma moeda comum pareceu lógica para completar o maior e mais rico mercado mundial. Mas o que poucos puderam antever era a bomba enterrada que agora explodiu. A unificação político-econômica da Europa ocorreu sob a égide de um organismo não eletivo nem representativo, a Comissão Européia, que só pode opinar a respeito de matérias secundárias, mas que jamais poderia agir com firmeza sobre os ministros das finanças dos diversos países. Num País-Nação, com um governo representativo em funcionamento, um Parlamento poderia ditar o rumo da ação econômica. Mas os delegados que se assentam no Parlamento Europeu em Estrasburgo, França, têm tão pouco controle sobre os Comissários de Bruxelas e sobre a economia européia quanto o Congresso Continental tinha sobre as briguentas 13 Colônias (Americanas, logo após a Revolução).’

 

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