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“Licença social”: mais um truque sujo da esquerda

14 de junho de 2017 - 16:01:21

Justin Trudeau: legitimando, com um jogo de palavras espúrio, um conceito criado pela militância ecofascista para sabotar iniciativas que fomentem o crescimento econômico.

 

Licença social é uma daquelas expressões, assim como “apropriação cultural”, ou — tempos atrás — “sociedade civil”, que parecem simplesmente aparecer de repente na existência lexical, quase como vindas do nada, e instantaneamente assumem a autoridade de conceitos incontestados e há muito tempo aceitos. São recitadas em todos os discursos parlamentares, marteladas pelos sábios dos programas de debates vespertinos, e povoam os editoriais e artigos de opinião de todos os melhores jornais. Ontem, ninguém tinha visto ou ouvido falar delas. Hoje, são presumidas como os marcos fronteiriços dos debates e discussões. É tudo muito rápido. Mais um comentário sobre essa prática: esses termos e seus parentes semânticos normalmente emergem da fértil lexicografia da turma da justiça social, o que não deixa de ser adequado, já que “justiça social” é em si mesmo um termo oriundo da mesma fértil fábrica semântica.

Hoje, volto minha atenção para a “licença social” (estou reservando “apropriação cultural” e suas muitas inovações e auto-contradições para outro dia). Justin Trudeau é fã da licença social.

Falando diante do alto conselho do Sinédrio no Calgary Petroleum Club (n.t.: Calgary é a capital da província petrolífera de Alberta, no Canadá), antes de ser primeiro-ministro, Trudeau (como é seu costume com conceitos nebulosos, mas grandiloqüentes) conferiu plena autoridade à formulação vaga e na moda: “’licença social’ é mais importante do que nunca. Governos podem ser capazes de emitir autorizações, mas somente as comunidades podem conceder permissão.”

Um breve comentário sobre o peculiar jogo de palavras do primeiro-ministro. O que é uma autorização? Ora, é uma declaração oficial, por escrito, com força de lei, normalmente a partir de uma ordem do governo, de que uma pessoa ou empresa tem permissão legal para fazer alguma coisa. É Permissão com P maiúsculo.

Entretanto, na medida em que a declaração de Trudeau pode ser compreendida como significando alguma coisa, a permissão oficial do governo — aquela que vale — não tem força nenhuma sob as regras elásticas da licença social. Os governos “podem” emitir autorizações (permissão), diz ele, mas somente as comunidades podem conceder “permissão”. Uma compreensão muito estranha, partindo de um primeiro-ministro: que as “comunidades” são a autoridade final, e que autorizações do governo funcionam de modo muito semelhante a caixas de sugestão maquiadas.

Não importa. Por mais fugaz que seja o significado de licença social, a bondosa Rachel Notley, governadora de Alberta, o aceitou como um conceito que ela respeitava. Mais, ela iria  “conquistá-la” para o coitadinho do petróleo sem litoral de Alberta. Uma decisão difícil para ela — em Alberta.

Permita-me explicar o tamanho da dificuldade. Como governadora, estava disposta a aceitar os termos dos cruzados da justiça social/meio ambiente (contra a opinião da maioria dos residentes na província, é possível dizer) e a procurar cumprir as condições para a licença social.

Em troca — tendo demonstrado todo tipo de boas intenções ambientais, sendo o Imposto sobre o (dióxido de) Carbono o mais numinoso —, esperava que os cruzados então transigissem e concedessem esta tão aclamada licença social. E eis que a primeira governadora de Alberta do NDP (New Democratic Party) criou um imposto sobre a área de terra, e houve muito  tumulto, até ranger de dentes, em Fort McMurray. Os representantes da Suncor, Cenovus e ExxonMobil tremeram e estavam cheios de “ais”. E os trabalhadores (entre os quais as tribos de Newfoundland) disseram “O que é isto? Quer dizer que estamos demitidos? Ou esperando para ser demitidos? E agora esta Rachel está criando impostos sobre nosso petróleo, e quem saberá onde isto vai parar?”

O entendimento era que o bom trabalho e a boa fé de Notley conquistariam para sua província o direito a funcionar no âmbito econômico. Pobre e inocente governadora Notley. Bem nestes últimos dias, um novo regime regulatório foi esboçado por uma comissão federal completamente politicamente correta, regime que colocaria de lado o NEB (National Energy Board) — e presumivelmente engavetaria ou adiaria muitas das decisões e resoluções tomadas até aqui. Além disso, a mesma comissão identificou Alberta — Calgary (maior cidade de Alberta) em particular — como um lugar indigno de ser sede de futuras determinações regulatórias. Calgary foi “vista” como tendenciosa.

Como poderia deixar de ser? A cidade tem toda essa complexa experiência e conhecimento da indústria de petróleo, o que a deixa com um perigoso excesso de informação sobre o assunto em pauta, é o berço do recurso, e abriga a maioria dos que trabalham com ele. Conhecimento, experiência e proximidade do recurso em questão: todos notórios desqualificadores.

Melhor transferir o NEB 2.0 para Ottawa, bem na zona de nidificação da Coruja de Atena, morada de toda a sabedoria coletiva do Canadá e cercadinho de lobistas, arrecadadores de fundos para os partidos, políticos de carreira e todos os demais emblemas de criterioso desinteresse e imparcialidade. Ottawa é aquela tabula rasa da qual falaram os filósofos de antigamente, uma mesa despida de quaisquer interesses e influências. Calgary, em contraste… Ora, Calgary é um balcão de negócios, uma casa de comércio dominada pelas grandes corporações de petróleo, onde a honra está em exílio e a negociação justa é um boato esquecido.

Pelo menos é assim que pensam nessa comissão.

Então, por todas as suas boas ações, onde está agora a sobrecarregada Notley? Obteve a benevolência daqueles que eram contrários às areias betuminosas? Satisfez as onerosas condições da licença social? É claro que não. Porque a governadora Notley não reparou na característica mais intrínseca da licença social. Sua aplicação é infinitamente flexível. É uma demanda inesgotável. Ampliará as suas condições deliberadamente, sempre que um conjunto anterior de condições seja atendido.

Notley não percebeu a idéia central da licença social: suas pré-condições nunca podem ser atendidas, e não têm por objetivo o atendimento. É uma tática obstrucionista, projetada para impedir e atrasar, até que qualquer que seja o seu alvo torne-se tão desgastado pelo processo, e protesto, e atraso, que ele é simplesmente retirado da mesa política.

Notley teria tido mais sucesso perseguindo o vento do que satisfazendo a licença social. Enquanto isso, por todos os seus esforços honestos nesta frente, quanta ajuda pública ela tem recebido de Trudeau? Muito pouca, se é que recebeu. Ele tem conferências para comparecer, jantares em que discursar, reformas democráticas para deixar de lado, missões de paz para definir, pôsteres em tamanho real para distribuir, e reformas eleitorais para esquecer.


Rex Murphy
é jornalista canadense.

Publicado no jornal National Post (Canadá).

Tradução: Timóteo Kühn

(Título e legenda: Editoria MSM)

 

 

  • tabajara_music

    Semelhante à farsa dos “conselhos populares” que a gerentona pretendia implantar aqui.

  • Paulão

    Semelhante, também, aos “orçamentos participativos” implantados pelos governos do partido-quadrilha, onde só os seus militantes tinham voz;

  • Hattori Hanzo

    …em resumo este moleque é também um grande FDP.

  • Concordo plenamente em relação a fila quilométrica. Eu fujo de filas como diabo foge da cruz. Sou do tipo que prefere pagar juros do que enfrentar uma fila.

  • Ricardo Jafe Carelli Fontes

    OS PEQUENOS NÚMEROS, OS GRUPOS PEQUENOS, AS MENORES TORCIDAS, E A PRÓPRIA EXCELÊNCIA, NÃO PERTENCEM AOS GRANDES NÚMEROS. NEM ÀS MULTIDÕES. CRISTO PERDEU A ELEIÇÃO PARA BARRABÁS, CONFORME RELATOS CIENTÍFICOS…LARGO É O CAMINHO QUE CONDUZ À PERDIÇÃO. É UM ALÍVIO DESCOBRIR QUE PEGAMOS A FILA ERRADA – E QUE ALÍVIO !!!! HITLER ERA DO POVÃO E, COMO TAL, FOI ELEITO ! UAU ! AS MULTIDÕES ESTÃO SEMPRE ENGANADAS, COMO A HISTÓRIA PROVA E COMPROVA……VIVA O NÚMERO PEQUENO. VIVA ISRAEL, QUE É INSIGNIFICANTE – E, NO ENTANTO, É UM DOS PILARES DO OCIDENTE. ;;;; (VALEU, OLAVÃO !)….CONGRATS !

  • Renan Faria

    Fazendo um exame de consciência eu vi poucas virtudes e raríssimas boas ações. Mas por um outro lado, Deus me deu muitos dons e que estou descobrindo como melhor utilizá-los.

    Eu tenho 29 anos e fico muito mais doente do que quando era criança ou mais jovem.

    Ri muito sobre a visão do inferno como uma fila interminável que dá em outra fila.

    • Mauricio Ricardo Pinheiro

      Parece repartição pública….
      Alias a imagem me lembrou outra tão icônica quanto. Um quadrinho de Uderzo, Asterix. Os Dez Trabalhos de Asterix.

  • Ewerton Caetano

    O Inferno é o triunfo da vontade da criatura livre contra a vontade de Deus, e a prova mais impressionante do quanto Ele leva a sério a liberdade criada.

  • Robson La Luna Di Cola

    O Ciro poderá se tornar um Lula 2.0. O Lula original, nunca leu um livro na vida. Esta nova versão, leu um monte de livros. E vejam que nas últimas pesquisas os partidos de esquerda estão com mais de 50% dos votos. Sem contar os tucanos centro-esquerda, caviar e champanhe.

    • Thiago

      “Esta nova versão, leu um monte de livros”
      Como se não houvessem livros imbecis, e portanto imbecis letrados.

      “nas últimas pesquisas os partidos de esquerda estão com mais de 50%”
      Como se os institutos pesquisados fossem críveis e idôneos, sendo que Lula, grampeado, confessa que manipula o DataFolha: http://www.ilisp.org/noticias/novo-audio-mostra-que-lula-sabia-resultado-de-pesquisa-do-datafolha-antes-de-ser-divulgada

      Dê uma olhada no Paraná Pesquisas, para sair um pouco da hegemonia Ibope-DataFolha-Census.

      Bolsonaro é o candidato que mais cresce disparadamente, e acredite você ou não, ele tem sólidas chances de vencer.

      • Robson La Luna Di Cola

        Quando falei sobre “um monte de livros”, estou falando sobre a retórica que o partido do Ciro pode usar para valorizá-lo. E o texto do seu link não contradiz a minha afirmação de que mais de 50% do eleitorado escolheu partidos de esquerda na última pesquisa. Em um provável 2º turno, vão todos se votar no candidato de esquerda. Que pode ser Marina Mãe-Terra Silva, Lula, ou Ciro, por exemplo.

        • Thiago

          Robson, que pesquisa é essa na qual você insiste? Ibope, Datafolha ou Census, não valem nada. Erraram todas as últimas grandes eleições (davam o ladrão Aécio como um distante terceiro colocado e deu no que deu) e são corrompíveis; no lugar do método científico, eles manipulam os resultados a começar pela população analisada e os pesos que dão às variáveis, para “pagar” àqueles de quem receberam vantagen$. O ex-presidente da república já foi flagrado duas vezes mandando pauta de tese ao Mino Carta (Capital) e antevendo o resultado de uma pesquisa do Datafolha. Cadê o ceticismo?

          • Robson La Luna Di Cola

            Os institutos de pesquisa podem até fraudar os resultados das pesquisas. Mas não podem fugir da margem de erro. Pois qualquer partido político, ou qualquer associação civil pode contratar um instituto de pesquisa de outro país, inclusive dos EUA, e desmoralizar PARA SEMPRE estes institutos mais afamados. Aliás pesquisas eleitorais não funcionam em nenhuma parte do mundo. O ser humano é assim: no dia da pesquisa diz que vai votar em Fulano, mas no dia da eleição – uma semana depois – vota em Beltrano. Quantas vezes já não me fizeram esta pergunta, na fila da minha seção eleitora: “moço, em quem, que o senhor acha que eu devo votar?”. Democracia é uma …erda. Por isso sou Monarquista.

  • Thiago

    Ciro Gomes é um globalista sim. Basta olhar por baixo da pele de lagarto que verás a coloração vermelha-comunista (com um verniz armani por fora).

  • barbosa

    Esse sujeito muito pior que o Luladrão, sorte que ele não tem o carisma do pinguço, pois se tivesse
    carisma aliado a seu conhecimento poderia causar um estrago muito maior para o Brasil. Não nos enganemos, pois se esse sujeito ganhar projeção com o apoio da mídia, o que já esta acontecendo, vai ser difícil pro Bolsonaro encara-lo num debate, visto que o sujeito é pupilo do Mangabeira Unger. Acho que o Bolsonaro se quiser ter chance tem que procurar formar uma assessoria com gente capaz de prepara-lo para o debate. Diferente do Lula, que alem de ser bom de lábia e ser praticamente um ator, ainda tinha todo o apoio da mídia, o Bolsonaro vai enfrentar todo aparato midiático do país.

  • Rafael

    1 – Evolucionismo: Amplamente comprovado, e a teoria mais plausível.
    2 – Heliocentrismo
    3 – Terra esférica,
    4 – Tesla.

  • Forkert

    Se há consenso não é CIÊNCIA. Se é CIÊNCIA, não há consenso.

  • Forkert

    Nenhuma TEORIA pode ser considerada ser uma FRAUDE. A FRAUDE está em fazer as pessoas CRER, que TEORIA É CIÊNCIA.

  • Mauricio Ricardo Pinheiro

    Realmente sob o aspecto da filosofia pura, os temas são realmente complexos, realmente podem gerar dúvidas e falta de respostas. Como engenheiro, homem de fortes convicções técnicas, os três primeiros não me causam dúvidas, mas o quarto item é apaixonante!

  • Clementino Zelador

    Terra plana é apenas um delírio bem apresentado e fundamentado.
    Mas continua sendo um delírio.

  • Clementino Zelador

    E Tesla apenas fazia brincadeiras colegiais com o campo magnético.

  • Forkert

    Com duas coisas essenciais o senhor, professor Olavo, necessariamente terá que concordar: “Teoria não é ciência”. Com a segunda já concordou no final do seu artigo: “Se há consenso não é ciência. Se é ciência não há consenso”. A propósito, se não se sente desconfortável de partir dessa vida na ignorância, por que então colocou esta citação no início do parágrafo 15 do Jardim das Aflições (pág. 101): “Il faut que nous sachions bien que la menace pesant sur nous tous n’est pas seulement de mourir, c’est de mourir comme des imbéciles” (Georges Bernanos), que está em total contradição com sua afirmação atual?