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Antifa: a origem comunista do grupo radical

11 de novembro de 2017 - 18:20:44
Membro do grupo radical Antifa vandaliza fachada de uma loja em Nantes,
na França, em 14 de fevereiro de 2014. (Frank Perry/AFP/Getty Images)

O grupo extremista anarco-comunista Antifa esteve presente nas manchetes devido aos recentes confrontos violentos em Charlottesville, na Virgínia. No entanto, embora a organização tenha sido aplaudida por alguns meios de comunicação de esquerda por incluir nacionalistas brancos e neonazistas em sua lista de alvos, a organização nem sempre combateu o fascismo, como afirma.

A organização era anteriormente parte da frente de operações da União Soviética para implantar uma ditadura comunista na Alemanha, e que rotulou todos os partidos rivais como ‘fascistas’.

Membros da organização de extrema-esquerda Antifa fazem saudação com o punho cerrado em 1º de setembro de 1928. A intenção original do grupo era implantar uma ditadura comunista na Alemanha.
(Fox Photos/Getty Images)

A origem da organização pode ser rastreada a partir da ‘frente unida’ da Internacional Comunista da União Soviética (Comintern) durante o Terceiro Congresso Mundial realizado em Moscou, em junho e julho de 1921, de acordo com o livreto alemão intitulado ’80 Anos de Ação Antifascista’, escrito por Bernd Langer e publicado pela Associação para a Promoção da Cultura Antifascista. Langer é um ex-membro do Antifa Antônomo, anteriormente uma das maiores organizações antifascistas da Alemanha, que se dissolveu em 2004.

A União Soviética foi uma das ditaduras mais violentas do mundo, matando cerca de 20 milhões de pessoas, de acordo com ‘O Livro Negro do Comunismo’, publicado pela Harvard University Press. O regime soviético só fica atrás, em número de mortes, do Partido Comunista Chinês sob Mao Zedong, que matou cerca de 65 milhões de pessoas.

“O antifascismo é mais uma estratégia do que uma ideologia.”
Bernd Langer, ex-membro do grupo Antifa Autônomo

A estratégia da frente unida era reunir organizações de esquerda para incitar a revolução comunista. Os soviéticos acreditavam que, após a revolução russa em 1917, o comunismo se estenderia para a Alemanha, uma vez que o país tinha o segundo maior partido comunista, o Partido Comunista da Alemanha (KPD).

Congresso da Unidade Antifa, realizado na Phillarmonic Opera House em Berlim, em 10 de julho de 1932. O Congresso foi organizado pelo Partido Comunista da Alemanha como ponto de partida para derrotar o Partido Social Democrata e o Partido Nazista. Antifa rotulou ambos os partidos como ‘fascistas’, o qual era um rótulo político que usavam contra todos os partidos rivais (Domínio público).

Foi no Quarto Congresso Mundial do Comintern, em 1922, que o plano tomou forma. Moscou criou o lema “Para as Massas” como estratégia de sua frente unida e procurou unir os vários partidos comunistas e trabalhadores da Alemanha sob uma única bandeira ideológica sob seu controle.

“A ‘frente unificada’ não significava uma cooperação igualitária entre as diferentes organizações, mas o domínio do movimento dos trabalhadores pelos comunistas”, escreve Langer.

Benito Mussolini, um socialista marxista que foi expulso do Partido Socialista da Itália em 1914 por causa de seu apoio à Primeira Guerra Mundial, mais tarde fundou o movimento fascista como um partido político próprio. Ele tomou o poder através de sua ‘Marcha sobre Roma’, em outubro de 1922.

Na Alemanha, Adolf Hitler tornou-se chefe do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista) em 1921 e executou uma tentativa de golpe em 1923.

O KPD decidiu usar a bandeira do antifascismo para criar um movimento. Langer observa, no entanto, que para o KPD, as definições de ‘fascismo’ e ‘antifascismo’ eram “indiferenciadas”, e o termo ‘fascismo’ serviu apenas como retórica para apoiar sua oposição agressiva.

Ambos os sistemas comunista e fascista se baseavam no coletivismo e na economia controlada pelo Estado. Ambos também propuseram sistemas em que o indivíduo é fortemente controlado por um Estado poderoso, e ambos são responsáveis por atrocidades em larga escala e genocídio.

O relatório de 2016 emitido pelo serviço de inteligência nacional da Alemanha, o Escritório Federal para a Proteção da Constituição (BfV), assinala a mesma questão: do ponto de vista do extremista de esquerda, o rótulo de ‘fascismo’ usado pelo Antifa muitas vezes não se refere ao fascismo real, mas é meramente um rótulo atribuído ao ‘capitalismo’.

Enquanto os extremistas de esquerda afirmam lutar contra o fascismo ao lançar seus ataques contra outros grupos, o relatório afirma que o termo ‘fascismo’ tem um duplo significado sob a ideologia da extrema esquerda, indicando a ‘luta contra o sistema capitalista’.

Foi assim desde o início, de acordo com Langer. Para os comunistas na Alemanha, o ‘antifascismo’ significava simplesmente ‘anticapitalismo’. Ele observa que os rótulos só serviram como “guerra de conceitos” sob um “vocabulário político”.

Uma descrição do grupo Antifa existente no site da BfV diz que a organização ainda mantém esta mesma definição básica de capitalismo como sendo ‘fascismo’.

“O grupo argumenta que o Estado capitalista produz o fascismo, ou no mínimo o tolera. Portanto, o antifascismo é dirigido não apenas contra extremistas de direita reais ou hipotéticos, mas também contra o Estado e seus representantes, em particular contra os membros das autoridades de segurança”, afirma.

Langer observa que historicamente, ao rotular os interesses anticapitalistas do movimento comunista como ‘antifascismo’, o KPD usou essa retórica para rotular todos os outros partidos políticos como fascistas. Langer afirma: “Assim, os outros partidos que se opuseram ao KPD foram chamados de fascistas, especialmente o SPD [Partido Social Democrata da Alemanha]”.

Então, no que hoje seria considerado irônico, o grupo a que os “antifascistas” comunistas mais fortemente dirigiram seu novo rótulo de ‘fascismo’ foram os social-democratas.

Em 23 de agosto de 1923, o Bureau Político do Partido Comunista da Rússia realizou uma reunião secreta, e de acordo com Langer, “todas as autoridades importantes falaram de uma insurreição armada na Alemanha”.

O KPD ficou à frente deste chamado, lançando um movimento sob a bandeira da Frente Unida de Ação e chamando sua ala “antifascista” armada sob o nome de Antifaschistische Aktion (‘Ação Antifascista’), que o Antifa ainda usa na Alemanha e no qual as organizações Antifa em outros países estão enraizadas.

Nesta época, Hitler e seu Partido Nazista começaram a surgir no cenário mundial, e o Partido Nazista empregou um grupo semelhante ao Antifaschistische Aktion para a prática de violência política e intimidação, chamados de ‘camisas marrons’.

Antifaschistische Aktion, enquanto isso, começou a atrair alguns membros que se opunham à chegada do fascismo real na Alemanha e que não se filiaram ou desconheciam os laços da organização com a União Soviética.

No entanto, a violência instigada pelo grupo Antifaschistische Aktion teve, em grande medida, um efeito oposto. As táticas contínuas de violência e intimidação de todos os sistemas rivais sob o movimento Antifa, juntamente com sua ideologia violenta, levaram muitas pessoas ao fascismo.

“A violenta retórica revolucionária dos comunistas, que prometia a destruição do capitalismo e a criação de uma Alemanha soviética, aterrorizou a classe média do país, que sabia muito bem o que tinha acontecido aos seus homólogos na Rússia depois de 1918”, escreve Richard J. Evans em ‘The Third Reich in Power‘.

“O antifascismo é dirigido não apenas contra extremistas de direita reais ou hipotéticos, mas também contra o Estado e seus representantes, em particular contra os membros das autoridades de segurança.”
Escritório Federal da Alemanha para a Proteção da Constituição

“Assombrados pelo fracasso do governo em resolver a crise e assustados com o surgimento dos comunistas”, diz Bernd, “eles começaram a relevar as pequenas facções da direita política convencional e se voltar para os nazistas”.

Langer ressalta que, desde o início, o KPD foi um membro do Comintern e, “depois de alguns anos, se tornou um partido stalinista”, tanto ideológica quanto logisticamente. Ele afirma que o partido até se tornou “financeiramente dependente da sede de Moscou”.

Os líderes do KPD, com o grupo Antifa como seu movimento baseado na violência e intimidação de partidos políticos rivais, ficaram sob o comando do aparelho soviético. Muitos líderes do KPD tornaram-se mais tarde líderes da República Democrática Alemã Comunista, incluindo seu infame Ministério da Segurança do Estado, a Stasi.

Como diz Langer, “o antifascismo é mais uma estratégia do que uma ideologia”.

“Ele foi posto em prática na Alemanha na década de 1920 pelo KPD”, não como um movimento legítimo contra o fascismo que mais tarde surgiria na Alemanha, mas “como um conceito de luta anticapitalista”, escreve.

 

Colaborou: Christian Watjen

Publicado no Epoch Times em Português.

  • Anderson Barros

    porque ninguém para a Russia e seus métodos de opressão no mundo ?

    • Osvaldo Pereira Júnior

      Porque os líderes mundiais exceto raras exceções como o Trump por exemplo, estão mais preocupados em controlar suas próprias populações do que em parar os russos e chineses pelo mundo.

      Eles desprezam os serviços secretos da Rússia e da China sendo que esses serviços são a base da influencia russo-chinesa no mundo.

      Quando esses líderes fortalecem os serviços secretos ocidentais eles não estão preocupados em frear a influência russo-chinesa mas sim em controlar as suas próprias populações nos países ocidentais.

      Ou seja, os serviços secretos ocidentais hoje em dia nada mais são do que extensões indiretas terceirizadas a serviço de russos e chineses.

    • João Sena

      Boa pergunta. Além da ação dos agentes soviéticos nos diversos continentes, como disse o Osvaldo, uma cultura socialista foi disseminada pelo mundo através da mídia, das escolas e instituições. Aproveitando-se da democracia, a investida socialista ganhou espaços políticos importantes. Veja o caso de Obama, colaborador do socialismo. Lula, Chaves, Maduro, dentre outros. A estratégia é ocupar espaço, polarizar, criando conflito entre grupos, minoria x maioria (homofobia,islamofobia, etc.), minar a estrutura que sustenta população ocidental, religião e família.

      Deter a ação comunista não é algo trivial. Até porque, como o Olavo explicou, comunista se serve de ideologias, eles mudam o discurso conforme as conveniências. Entender esse processo é crucial para fazer frente ao movimento. Infelizmente eles estão na dianteira e é preciso atenção constate.

    • Rafael

      Porque é uma potência, e tem armas nucleares, o mesmo vale para os EUA.

  • Luiz F Moran

    Os lideres russo e chinês, são, respectivamente, stalinista e maoísta.

  • Marcos Menezes

    Esse Antifa de anti-fascista não tem nada.