1. Brasil
  2. Cultura
  3. Destaques
  4. Globalismo
  5. Indicados pelo Editor
  6. Media Watch
  7. Movimento Revolucionário

Boas notícias, meu povo feio: agora somos todos pós-bonitos!

14 de setembro de 2017 - 5:25:58

Este freak show exibido pelo UOL nada mais é do que outro desdobramento da deturpação de valores característica desta geração de seres humanos mimados pelo conforto advindo do capitalismo.

No mesmo blog, aliás, é possível deparar-se até mesmo com vitimização de pedófilos.

Eleger determinados extratos sociais supostamente desfavorecidos, sob um ponto de vista qualquer; apontar certos grupos de indivíduos como detentores de privilégios e responsáveis pelo sofrimento dos primeiros; gerar, desta forma, conflito e instabilidade no seio da sociedade; oferecer-se como mediador e defensor dos fracos e oprimidos; alegar que necessita, para realizar tão nobre missão igualitarista, concentrar muito poder e recursos financeiros extraídos do setor produtivo em suas mãos; usar tais prerrogativas para criar regramentos esquizofrênicos e implantar tributações que tornam o ambiente de negócios extramente viciado – no sentido de favorecer empresários com “boas relações” e impossibilitar que a concorrência lhes ameace.

Esta tática de Divide et Impera, isto é, Dividir e Conquistar, é tão antiga quanto o império romano, mas nunca sai de moda. Há sempre o embate da vez fomentado por aqueles que veem nas massas de manobra – aquelas pessoas que se deixam levar por uma onda filosófica qualquer sem se dar ao trabalho de investigar suas origens, agindo por impulso revolucionário e alienando sua própria consciência – os instrumentos necessários à legitimação de suas odiosas pretensões disfarçadas de “progressismo”.

Nesta esteira, nos acostumamos a ver  operários sendo atiçados contra patrões, negros contra brancos, esposas contra maridos, homossexuais contra heterossexuais, dentre tantas outras dicotomias artificialmente criadas entre povo e contra-povo, como bem definiu Gloria Álvarez em sua obra sobre o populismo bolivariano.

Mas tudo tem limite: opor pessoas feias e bonitas já é apelar demais – para não dizer que é hilário, com todo respeito aos “prejudicados no quesito face”, como dizia um amigo. Bem-vindos todos a era da pós-beleza, tema deste “trabalho” de publicidade produzido por um blog do UOL:

Observem a que ponto chega o relativismo de concepções, o desprezo pela realidade material: não há mais certo ou errado, melhor ou pior, e nem mesmo bonito ou feio – a menos que a ordem para enxergar beleza em alguma coisa tenha partido de pessoas “preocupadas com a diversidade”, claro: daí pode ser o cão chupando manga que vira lindo de morrer do dia para a noite.

Os entrevistados deixam clara sua preocupação em serem “diferentes”, ou então “meio errados”, como afirma um deles. Quase todos (com exceção da linda moça “reaça”) demonstram orgulho de dizer que “não estão nem aí para os outros”, mas gastam horas e horas na frente do espelho para, justamente, deixar o seu visual o mais estranho possível. Eis aí a demonstração prática da ideia de Supervalorização da Racionalidade nas Escolhas formulada por Theodore Dalrymple:

Não causa surpresa, pois, que as pessoas concluam que um costume qualquer não deveria ser ridicularizado ou descartado em razão de sua conteúdo particular, mas simplesmente por ser um costume e, portanto, deletério – ex officio, por assim dizer. Essa conclusão seria em muito fortalecida pelo elogio contemporâneo à originalidade, ou seja, aos esforços de uma pessoa meramente para se fazer diferente – não para ser melhor em algo, mas apenas para ser diferente. Aqui, de forma muito clara, temos um preconceito contra o preconceito.

Vale dizer: o conceito de clássico resta totalmente invertido, na medida em que deixa de ser aquilo que sobreviveu ao teste do tempo e foi aprovado e transmitido adiante por muitas gerações como algo a princípio bom, para passar a ser algo que merece ser desmoralizado pelo simples fato de ter sido herdado de nossos ancestrais – ainda que tal tradição se mostre benéfica. A verdade, neste contexto, passa a ser também apenas uma questão de ponto de vista – ótimo para defensores de ideologias que não deram certo uma única mísera vez na história.

Roger Scruton, em sua obra Por que a Beleza Importa, argumenta que a beleza não é apenas uma questão de gosto puramente subjetivo, mas algo que dá sentido à vida, que nos conduz momentaneamente a planos morais e espirituais superiores:

“Em qualquer época entre 1750 e 1930, se você pedisse às pessoas cultas para descrever o objetivo da poesia, da arte ou da música, elas teriam respondido: a Beleza. E se você perguntasse pela razão disso, você aprenderia que a Beleza é um valor, tão importante quanto a Verdade e o Bem. Depois, no século XX, a beleza deixou de ser importante. A arte, cada vez mais, concentrou-se em perturbar e em quebrar tabus morais. Não era a beleza, mas a originalidade, conseguida por qualquer meio e a qualquer custo moral, que ganhava os prêmios.

Não apenas a arte fez um culto à feiura; a arquitetura também se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso ambiente físico que se tornou feio. Nossa linguagem, nossa música e nossas maneiras estão cada vez mais rudes, egoístas e ofensivas; como se a beleza e o bom gosto não tivessem nenhum lugar real em nossas vidas.  […] Eu acho que nós estamos perdendo a beleza e há um risco de que, com isso, nós percamos o sentido da vida.”

Edmund Burke, em Uma Investigação Sobre a Origem de Nossas Ideias do Sublime e do Belo, assim definiu a beleza:

Chamo a beleza de uma qualidade social, porque toda vez que a contemplação das mulheres e dos homens, e não somente deles, quando a visão de outros animais nos proporciona uma sensação de alegria e de prazer (e há muitos que causam este efeito), somos tomados de sentimentos de ternura e de afeição por suas pessoas, gostamos de tê-las ao nosso lado e iniciamos de bom grado uma espécie de intimidade com elas, a menos que tenhamos fortes motivos para o contrário.

Mas tudo isso, aparentemente, virou démodé. O lance agora é chocar, é surpreender, é aplicar um susto – e olha que neste comercial do UOL eu levei alguns, viu? No episódio recente da exposição profana, pedófila, zoófila e de péssimo gosto organizada pelo Santander e bancada com dinheiro do pagador de impostos ( cuja resolução se deu sem demandar interferência estatal ou envolver episódios de violência, ensinando aos “antifascistas” como resolver as coisas feito adulto), alguns pândegos alegaram que “a arte sempre foi ofensiva”, como se artistas tivessem salvo conduto para incorrer em crimes em sua sanha de subverter a expectativa do interlocutor.

Sou bem mais a arte da minha sogra: ela não quer chocar os clientes que compram seus quadros, mas tão somente agradar suas vistas, provocar sentimentos positivos e acalmar-lhes a alma. E o resultado é de tirar o fôlego:

Este freak show exibido pelo UOL nada mais é do que outro desdobramento da deturpação de valores característica desta geração de seres humanos mimados pelo conforto advindo do capitalismo: o que representa a insignificante realidade diante da premente necessidade de ter os desejos atendidos? Se você nasceu ou é feio, portanto, basta exigir que lhe reconheçam como pós-bonito, e pronto – mesmo vivendo em uma época na qual tratamentos estéticos e de condicionamento físico são acessíveis a todos como nunca foram.

No mesmo blog, aliás, é possível deparar-se até mesmo com vitimização de pedófilos. Uma rápida pesquisa deixa claro o porquê desta orientação revolucionária ser tão presente no referido espaço virtual: o Universo Online faz parte do Grupo Folha, dono do jornal de mesmo nome que adora retratar policiais como bandidos, dentre outras presepadas típicas da esquerda pós-revolução cultural de 1968.

E agora? Vamos mandar queimar todas as cópias do best seller A Vida Sexual da Mulher Feia? Vamos retirar vídeos do cantor Falcão do Youtube? Que o façam, mas deixem pelo menos este aqui, como lembrança de uma época em que era sinal de bem-aventurança saber rir de si próprio:

 

https://bordinburke.wordpress.com

 

 

  • Luiz F Moran

    Gloria Alvarez foi citada neste artigo – aquela caribenha bonitinha que roda o mundo criticando o populismo e o socialismo (sabe-se lá com que dinheiro) – portanto se faz necessário esclarecer o seguinte ponto importante sobre ela: Ao mesmo tempo em que ela critica o populismo (como pano de fundo), ela pratica e defende a agenda da ONU, ou seja, liberalização das drogas, descriminalização do aborto, feminismo e ateísmo.
    Essa moça atrai uma legião de pessoas que detestam o socialismo, usa o discurso anti-populismo (que pode ser de direita ou esquerda) e apresenta a agenda da ONU como a melhor solução para o nosso futuro.

    • Osvaldo Pereira Júnior

      Ela é uma socialista fabiana. O socialismo fabiano é uma utopia revolucionária igual ao comunismo com a diferença de que nele, a sociedade será escrava sem perceber que se tornou escrava. Ou seja, é até pior do que o próprio comunismo porque no comunismo você sabe que virou um escravo e precisa fazer algo para de libertar.

      • Felipe Toget

        Socialista fabiana assim como o próximo presidente do Brasil: João Dória.
        Tamos lascado!

        • Luiz F Moran

          O TSE já decidiu que o Dória Fabius Máximus será o vencedor ?

          • Thiago

            Tomara que ele seja EMBOLSADO.

  • Renato

    É engraçado que pessoas feias, na falta de beleza, tentam chamar a atenção pela bizarrice. O belo chama atenção por si só. É tudo vaidade.

  • Rafael

    “o conceito de clássico resta totalmente invertido, na medida em que deixa de ser aquilo que sobreviveu ao teste do tempo e foi aprovado e transmitido adiante por muitas gerações como algo a princípio bom, para passar a ser algo que merece ser desmoralizado pelo simples fato de ter sido herdado de nossos ancestrais – ainda que tal tradição se mostre benéfica.”

    Mas não é assim que a arte se movimenta?As diversas escolas não são questionamentos daquilo que ficou para trás?

    • Raimundo Lulo

      “As diversas escolas não são questionamentos daquilo que ficou para trás?”

      não

    • Felipe Toget

      Oh comunista Rafael, pede pra cagar e sai, jovem!

    • Newton (ArkAngel)

      O que se costuma chamar de clássico é atemporal.
      As artes se movimentam? Com certeza, mesmo que muitas vezes se movimentem para trás…

  • Vavá

    Belíssimo artigo 😉

  • nando_dsqs

    Aceitar o bizarro é uma coisa, mas nem em um milhão de anos alguém vai mudar o meu conceito de que é bonito, feio ou escroto.

  • Alemoon

    É difícil criterizar o que é belo na ausência de convenções comuns. Com certeza os parâmetros de Leonardo da Vinci eram bem diferentes dos de Salvador Dali. Hoje, temos a industria da propaganda que difunde a “diversidade”, alienando padrões comuns e imbuindo conceitos, como por ex. linguinha de cobra (nojento!), na cabeça de quem quer ser diferente e parecer legal sendo esquisito. Esta é a evolução do capitalismo. Se o cara acha gostoso grampear o pênis, o que nós podemos fazer? Que loucura rapaz…

    • nando_dsqs

      Explique a parte do sistema financeiro ser responsável por isso

      • Alemoon

        Por exemplo: se você entra em uma loja de revistas e tem revistas de um único seguimento de leitura, que poderia ser, no caso, atualidades. Como você atingiria outros públicos, como tatuados, ou no seguimento de moda ou de beleza? A “diversidade” aumenta o poder de rotatividade dos produtos, é até meio óbvio.

        • Newton (ArkAngel)

          Ora, se lançassem uma revista dedicada à coprofilia, certamente alguém iria comprar, talvez o público fosse restrito, mas existiria. Isso não significa que a coprofilia seja algo agradável, pelo menos para as pessoas normais.

  • Osvaldo Pereira Júnior

    Por mais que eles tentem a Maria Bethânia jamais será tão bonita como a Charlize Theron.

    • Newton (ArkAngel)

      Discordo! Os materialistas capitalistas, que desonram a beleza natural de todas as mulheres, inclusive as belas que não possuem beleza, impõem padrões estéticos inalcançáveis para a maioria, dessa maneira criando expectativas irreais e causadoras de uma gama de doenças psicológicas que fazem com que seja criada toda uma indústria de embusteiros profissionais (psicólogos e afins) cuja missão neste mundo é fazer com que as pessoas acometidas de tais transtornos achem que suas psicoses são o supra sumo da normalidade, os loucos são os outros.

      Mas cá entre nós, eu preferiria me casar com a Charlize…

      • Osvaldo Pereira Júnior

        Beleza hoje em dia é colocar um boné de aba reta na cabeça com uma camisa do corinthians, um cordão de prata no pescoço e uma fitinha do Bob Marley na canela com uma tatuagem na batata da perna.

        Resumindo boa aparência hoje é vestir-se igual a um andarilho.

        E para as mulheres é vestir-se como vagabas igual a Anitta.

        • Newton (ArkAngel)

          Se for uma tatuagem do Coringa ou do palhaço é sucesso garantido entre as “mina”.

    • Carlos Castro

      De completo acordo!

  • Danilo Dalla Vecchia

    “….. a descrença leva ao fanatismo ….. ” – M. Ferreira dos Santos . Esses macromaníacos e suas crisis de ego e não de feiura .
    UOL é curral de bestas-feras . Agendamento de temas ‘revolucionários marcuseanos’ lá parecem ser diários , juntamente com G1.

  • Newton (ArkAngel)

    Hoje em dia as coisas não são o que são, mas o que dizem que são.
    Beleza? Ora, para um macaco, não há nada mais belo do que uma macaca…por causa disso devemos todos sermos macacos?

  • “Q”

    Pouco os sabem, mas glória alvares faz jogo duplo, ela é uma agente dupla. Faz críticas ao marxismo clássico mas defende o marxismo cultural!

  • Tobias Botelho

    Como diria Nelson Rodrigues: “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”.

  • Edilson Cantadore

    Esse pessoal decide ser “diferente”, e me impede de ser diferente deles discordando do que fazem, querem me obrigar a concordar ou acher correto o que eles conscientemente fazerm para se contraporem ao que penso, e eu é que sou o reaça, o ignorante, o atrasado, ou até mesmo o “fascista”. É por isso que o velho e bom “vão à merda” sempre serve nesses casos.

  • Clayton Silva

    Muito bom texto,mas não retirem as musicas de Falcão pois ele tira sarro de tudo isso!