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Chávez chega à Catalunha

11 de outubro de 2017 - 18:10:27

A Catalunha pode se converter na Venezuela do Mediterrâneo.

 

É preciso assinalar que, historicamente, a esquerda anti-sistema espanhola utilizou em repetidas ocasiões o nacionalismo catalão como um ariete para tentar dinamitar a ordem constitucional. O fez em 1909, no curso da denominada “semana trágica”, quando as oligarquias catalãs se aliaram com a extrema esquerda em uma tentativa de conservar privilégios, o que concluiu com uma revolução de rua marcada pelo sangue.

Voltou a suceder em 1917 quando, seguindo o exemplo russo, a extrema esquerda voltou a se aliar com as oligarquias catalãs em uma tentativa infrutuosa de fazer voar pelos ares a monarquia constitucional.

Finalmente, em 1931, a aliança conseguiu seus objetivos devido a que um setor importante da direita somou-se a ela e a que o próprio monarca Alfonso XIII rompeu, dando lugar à proclamação da Segunda República.

O regime republicano foi agredido pela quase totalidade da esquerda desde o princípio, uma vez que o considerava não como um regime que deveria perdurar como um passo no caminho para a implantação da ditadura do proletariado ou, em outras versões, do comunismo libertário.

Em 1934, de novo, a extrema esquerda – começando pelo PSOE – se aliou com o nacionalismo catalão e, em outubro, se alçou em armas contra o governo da república. Na Catalunha a revolução durou apenas algumas horas, porém nas Astúrias se prolongou algumas semanas causando centenas de mortos. Desde outubro de 1934 até fevereiro de 1936, o nacionalismo catalão continuou unido à extrema esquerda, o que derivou em uma vitória ilegal da Frente Popular e em um clima revolucionário que precipitou a sublevação de julho de 1936 com a qual deu início a guerra civil.

Pensou-se que tão sinistra aliança não ia se repetir mais, porém, de fato, é essencial seu conhecimento para compreender qual é a situação da Catalunha e o que pode ocorrer no futuro. Em princípio, na mesma região catalã, o atual governo nacionalista tem uma clara inclinação para a extrema esquerda. Seu vice-presidente, Junqueras, pertence à Esquerra Republicana de Catalunya (Esquerda Republicana Catalunha) – ERC -, um partido que participou do levante armado contra a República de 1934 e que, durante a guerra civil, torturou e assassinou milhares de pessoas na Catalunha.

Não deixa de ser significativo que Lluis Companys, presidente da Catalunha, tivesse em seu haver mais fuzilamentos durante o período de julho de 1936 a maio de 1937, do que todos os que se produziram na mesma região durante as quase quatro décadas da ditadura Franco.

Atualmente a ERC se caracteriza por um aberto anti-semitismo, uma acentuada simpatia com o islam, uma aliança expressa com a organização terrorista basca ETA e um apoio cerrado a ditaduras como a chavista na Venezuela. De fato, Junqueras foi objeto de um ato de repúdio dos exilados venezuelanos em Miami há poucos meses e é lógico que fosse assim, porque seu partido bloqueou no parlamento espanhol e no europeu todas as tentativas de sancionar, ou ao menos condenar, a ditadura chavista da Venezuela.

Marta Torrecillas, a farsante cuja imagem gritando que a polícia espanhola lhe havia quebrado os dedos um a um percorreu o mundo, também pertence à ERC. Apenas algumas horas depois ficava claro que ela só tinha uma ligeira inflamação em um dos dedos e, inclusive nesse caso, o dedo pertencia à mão oposta à que o agente da polícia lhe sujeitou. Torrecillas, à parte de ser uma flagrante embusteira, utilizou crianças e idosos como escudos humanos no local onde se celebrava o referendo ilegal. Ela também participou do ataque contra um aquartelamento da Guarda Civil que teve lugar poucos dias antes do referendo ilegal.

Sergi Saladié, Gabriela Serra e Xevi Generó, do CUP.
(Foto:Quique Garcia/European Pressphoto Agency)

Ainda mais radical – se é possível – que a ERC é a CUP, um grupo de extrema esquerda que faz parte do governo nacionalista catalão. Alguns de seus membros mais significativos pertenceram à organização terrorista catalã Terra Lliure (Terra Livre). Suas simpatias com Cuba ou Venezuela são clamorosas, como também o é seu caráter apenas ocultamente violento. A CUP há meses começou a constituir Comitês de Defesa de Bairro, cuja finalidade é se enfrentar com as forças da ordem, identificar os “feixistes” (fascistas) e acabar com a oposição. À CUP pertencem boa parte dos nacionalistas catalãs que agrediram mais de 481 policiais e guardas civis – 39 tiveram que ser retirados imediatamente para receber atenção hospitalar – em 1 de outubro, dia do referendo ilegal.

Podia atuar impunemente porque o próprio presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, garantia às hordas da CUP que a polícia regional, os Mossos D’Escuadra, não seriam utilizados contra eles. Com estes antecedentes, não deve surpreender que já há algumas semanas o rabino da comunidade judaica de Barcelona recomendasse a seus correligionários abandonar a Catalunha para evitar sofrer – o afirmou expressamente – o destino da Venezuela. O rabino não exagerava o mais mínimo. Para dizer a verdade, a Catalunha pode se converter na Venezuela do Mediterrâneo e nessas circunstâncias tem um papel essencial Podemos, a sucursal do chavismo na União Européia.

Durante anos os dirigentes de Podemos – Monedero, Iglesias, etc. – fizeram parte do grupo de corifeus de Hugo Chávez. Suas gravações de louvação ao totalitarismo chavista podem ser encontradas com facilidade no Youtube e não vale a pena que sejam descritas aqui.

Também está mais do que documentado que Podemos recebeu robustas quantias do chavismo como também as recebeu da ditadura islâmica do Irã. Para Podemos, o processo independentista da Catalunha constituiu – do mesmo modo que ocorreu com a extrema esquerda no passado – um autêntico presente. Não é que Podemos seja independentista. É que seus dirigentes captaram que o nacionalismo catalão pode ser o ariete com o qual pode acabar liquidando um mais que erodido sistema espanhol. Foi precisamente Jaume Roures – um empresário catalão trotskista, dono de distintos meios de comunicação – quem reuniu Iglesias e Junqueras em um jantar celebrado em sua casa para traçar uma estratégia comum.

Essa estratégia passou a utilizar o império midiático de Roures – o mesmo que convidou Junqueras a Miami – como difusor de falsidades sobre o sucedido no domingo 1 de outubro na Catalunha, em um empenho por apresentar os nacionalistas que feriram centenas de policiais espanhóis como pacifistas inofensivos, e aos agentes da ordem como êmulos do franquismo, apesar de que na segunda-feira 2 de outubro só havia dois afetados pelas forças da ordem e um deles por um enfarte hospitalizados.

A estratégia de Podemos é simples e inquietante. Primeiro, a péssima – covarde e indecisa, diriam muitos – gestão da crise catalã por parte de Mariano Rajoy deve desgastar o governo o suficiente, para forçá-lo a convocar eleições antecipadas. Segundo, nessas eleições antecipadas a meta é ir para uma Assembléia Constituinte – lhes soa familiar? – que implantará um sistema similar ao chavista. Terceiro, a meta eleitoral é mais do que possível uma vez que, previsivelmente, Rajoy perderia boa parte do apoio de seu eleitorado justificadamente decepcionado com sua atuação e, em paralelo, Podemos conseguiria o número suficiente de deputados para formar um governo de coalizão com um PSOE desnorteado. Quarto, essa coalizão receberia o apoio dos nacionalistas catalãs e bascos para elaborar uma Constituição nova e anti-democrática, onde se apanharia o caráter pluri-nacional – lhes soa familiar de novo? – do Estado espanhol. Assim, paradoxalmente, Catalunha, Euzkadi e Galícia seriam nações, mas a Espanha não.

Por último, semelhante situação viria facilitada propagandística e taticamente pela ação da Igreja Católica, cuja mediação propugnam tanto os nacionalistas catalãs quanto o Podemos. Seria demasiado prolixo se deter em explicar este chamativo fator, porém basta dizer que desde 1985 os arcebispos e bispos da Catalunha assumiram totalmente as teses nacionalistas; que no referendo do dia 1 de outubro inclusive algum desses bispos catalãs difundiu fotos votando pelas redes sociais; que a própria Conferência Episcopal espanhola emitiu um comunicado unânime na semana passada assumindo a linguagem de Podemos e dos bispos catalãs, e insistindo em que a saída era o “diálogo generoso” com os golpistas catalãs e que o Papa Francisco tem uma mais que bem ganhada fama de amigo de instâncias totalitárias como Raúl Castro, Evo Morales, Nicolás Maduro ou as FARC colombianas. A mediação eclesial permitiria – como em trágicos episódios recentes – desarmar as forças da democracia em favor de movimentos totalitários aos quais se cobriria de privilégios.

As conseqüências de todo este processo não podem ser ocultadas de ninguém. A União Européia teria uma chaga aberta em seu baixo ventre precisamente em seus momentos de maior fragilidade porém, sobretudo se cumpriria um velho sonho de Hugo Chávez: o de contar com um governo amigo do outro lado do Atlântico. Quando se tem em conta esta circunstância se compreende que, até o momento, o único presidente do planeta que anunciou expressamente seu respaldo aos nacionalistas catalãs tenha sido Nicolás Maduro. O herdeiro de Chávez sabe, sobejamente, o que derivaria dessa cabeça de ponte na União Européia.

Quando se tem em conta todo este panorama, talvez se compreenda o entusiasmo inesperado de Donald Trump ante a idéia de manter a Espanha unida e seu qualificativo de “foolish” com relação à independência da Catalunha. É possível que Trump não seja um expert em História da Espanha, porém tem olfato suficiente para saber que os herdeiros de Chávez estão mais que assentados na Catalunha e que tão inquietante circunstância pode constituir só o princípio.

 

Tradução: Graça Salgueiro

 

 

  • Osvaldo Pereira Júnior

    [Modo irônico on] Isso é teoria da conspiração. O comunismo acabou! [Modo irônico off]

    • Valério

      Acabou o cassete, vc não vê nem lê jornais ?

      • Renato Lorenzoni Perim

        Ele está sendo irônico, Valério, não percebeu?

      • Rafael Nascimento

        hahaha puts, mano, o cara desenhou que está sendo irônico, pelo amor…

  • Denis Rodrigues dos Santos

    Corrijam o termo “catalã”.
    Ele é catalão
    Ela é catalã
    Eles são catalães
    Elas são catalãs 😉

  • Bispos são autoridades da Igreja Católica, mas o posicionamento político individual deles não deve ser considerados como uma postura institucional.

    O texto é esclarecedor, mas tem um nítido viés anticlerical nesse ponto e chamando o regime de Franco de “ditadura”, quando na verdade era um regime de restauração monárquico cuja consumação ocorreu em 1969.

    • Diego Segvida

      A igreja está corrompida, veja o exemplo do papa q tem postura alinhada com a esquerda.

      • A Igreja é a Instituição, seus Dogmas e crenças. O Clero é a parte humada da Instituição.
        Temos que diferenciar, até porque o Modernismo que hoje assola o Clero é uma corrente ideológica de esquerda (liberal).

  • Trader Binarias

    Vale lembrar que o George Soros está envolvido no movimento separatista da Catalunha. Se for assim, não duvido que aquilo vire uma nova Venezuela. Fica mais fácil implantar o comunismo em um país daquele tamanho…

    • Samir Saad

      Soros está envolvido em toda e qualquer coisa. Mas doou apenas 27mil dólares para esse evento. É uma quantia ridícula, que pelo visto serve somente para confundir conservadores e fazê-los contra a independência catalã. Independência essa que não atende ao seu interesse de governo mundial.

      Outra coisa, NÃO é mais fácil implementar comunismo em países pequenos. Países pequenos não são sustentáveis, não produzem tudo, precisam importar e é fácil sair de casa e viajar até a sede do governo. Veja a Venezuela mesmo, os caras não produzem nada, o comunismo durou uns 10 anos até o país entrar em colapso total.

      Compara com o Brasil…só de ter de sair de São Paulo para ir protestar contra o governo no meio do mato lá no DF já mata a vondade de qualquer um de se rebelar contra o governo.

      • Trader Binarias

        Ele doou 27,049 dolares para o Catalonia’s Council for Public Diplomacy e mais 24 973 dolares para o BCIID. Isso apenas via OpenSociety, pelo que se sabe, que é a ong dele. Se isso atende ao governo mundial ou ao bolso dele, eu não sei. Um membro do governo mundial não iria doar esse dinheiro apenas para vê-lo perder.
        Quanto a implementação do comunismo em países pequenos, é mais fácil sim. Basta olhar a Coreia do Norte e Cuba que estão assim há mais de 50 anos. Eles não precisam ser sustentáveis como uma democracia porque recebem ajuda internacional para manter o sistema. E isso do comunismo durar 10 anos na Venezuela é você quem diz, não o povo venezuelano.

      • Adelson

        Brasilia foi um projeto comunista. Foi projetada pelo comunista Oscar Niemeyer e construída para que o centro do poder estivesse longe das grande cidades. Lá só tem políticos, burocratas, diplomatas e funcionários públicos de alto escalão. Ali é uma rocha segura para os ditadores. Se não fosse a reação dos militares em 1964, estaríamos sob um terrível ditadura comunista, semelhante a de Chavez e Maduro.

        • Seu Zé

          até para quem mora nas cidades satélites o poder central é distante

        • Rafael

          Ah sim, inclusive a ideia de fazer uma capital lá partiu do camarada Dom Pedro II

          • Adelson

            E daí que ele possa ter pensado assim em um tempo bem diferente?! O Objetivo dele nada tinha a ver com o que estava por trás do ideal comunista miserável que infestou o Brasil, da escolinha aos centros de pesquisas, do grêmios estudantis aos centros do poder. Para o comunista, o sábio da caverna de Platão é um esquerdóide maluco e criminoso do tipo de Fidel Castro.

      • Gustavo Brandão

        Ótima análise.

    • Osvaldo Pereira Júnior

      [Modo irônico on] George Soros é um judeu e empresário liberal. Isso é teoria da conspiração! [Modo irônico off]

    • Rafael

      Não é nossa prioridade, no momento focamos nos EUA, onde o camarada Trump já está cerceando a imprensa, a Catalunha não é importante.

  • Alemoon

    Este é o mostro do comunismo, que se debate desesperadamente tentando sobreviver as próximas gerações. Joga sal grosso, usa alho, bata com uma estaca no coração, sei lá, faça alguma coisa.

  • Marcos Menezes

    É no minímo curioso que essa separação aconteça num momento em que a Europa está sendo invadida pelos muçulmanos e que o nacionalismo se espalha pelo mundo.A esquerda certamente lucraria com essa divisão,esse artigo só reforçou o que eu penso sobre o separatismo catalão.É possivel que o separatismo seja uma resposta ao nacionalismo que está pipocando no mundo.

    • Samir Saad

      Curioso por que? Os europeus estão cansados dos lideres globalistas importando muçulmanos e fazendo os europeus bancarem todos eles.
      Não há nada curioso na independência.

      O que é curioso é que, só porque a esquerda está aproveitando a oportunidade para implementar a sua agenda, como sempre fez em todas as oportunidades, vocês conservadores estão contra, condenando os catalães a se manterem reféns da UE.

      E esquerda não lucra com separatismo. O único ganho que eles podem ter nesse evento é o desgaste do governo espanhol. Se ganharem a próxima eleição, toda essa conversa de nacionalismo catalão desaparece e a Espanha deverá permanecer “unida”.

  • Adelson

    O criptocomunismo está dominando o mundo. E seu principal alvo é a educação, do ensino primário ao superior. Eles estão fazendo uma lavagem cerebral em relação a questões internacionais, nacionais e locais. Tem muita gente tola sendo enganada, mas os líderes são enganadores e sabem onde querem chegar.

    • Rafael

      Sim, na verdade em breve vamos eleger o camarada Bolsonaro presidente.Como fizemos com o camarada Don Trump.

      • Recado do Ceu

        Deus te ouca!

      • Adelson

        Que assim seja!