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E se a Polícia Militar não estivesse trabalhando?

1 de agosto de 2017 - 18:12:15


Dias atrás a jornalista Eliane Brum publicou no jornal El Pais, com base na ocorrência envolvendo o catador de material reciclável Ricardo Silva Nascimento na região de Pinheiros na capital paulista, um artigo no qual acusa – por vezes, direta e outras, enviesadamente – policiais militares de práticas discriminatórias. E outras inúmeras ofensas vão sendo destiladas no transcorrer do texto.

Em determinada parte do artigo, a jornalista afirma que é “tempo de os policiais militares responsáveis, competentes e honestos, porque eles também existem (sic), se posicionarem”.

Pois bem, tão legítimo quanto o direito de Eliane Brum expressar seu pensamento é a apresentação de dados, histórias e casos que podem iluminar um horizonte, provavelmente, bem mais amplo do que a cena apresentada no texto publicado pelo El Pais.

Apenas antes de ampliarmos este horizonte, é importante explicar que é falsa a informação indicada pela escritora de que policiais militares permanecem impunes. Nos últimos dez anos, mais de 2.700 policiais militares foram expulsos ou demitidos da Polícia Militar de São Paulo, em processos instaurados pela própria Instituição, por terem praticado atos não compatíveis com a nobre função de proteger a sociedade. Além disso, a preocupação da Instituição não se resume apenas em possuir uma forte estrutura de apuração de irregularidades, mas reside, principalmente, na criação de mecanismos de prevenção de erros e de aperfeiçoamento dos procedimentos policiais por meio da formação e treinamento contínuos, reforçando a constitucional missão de proteger o cidadão e defender a vida de todos. Aliás, o afastamento dos policiais envolvidos em ocorrências com resultado letal para serviços administrativos não é um “prêmio” concedido pela Instituição mas sim uma recomendação de organismos e documentos internacionais fundamentadas em estudos e pesquisas científicas.

Realizado este “parênteses” e concentrando-se ao fatídico dia 12 de julho de 2017, é importante lembrar que naquelas 24 horas os policiais militares de São Paulo, os mesmos acusados por Eliane, realizaram, em todo o Estado, mais de 90 mil intervenções policiais, atenderam mais de 4 mil ocorrências policiais, realizaram mais de 7 mil atendimentos sociais e efetuaram mais de 400 resgates a cidadãos. E tudo isso, naquele mesmo e único dia…

Caso desejasse desenvolver um senso crítico mais equilibrado, Eliane poderia ouvir algumas outras histórias que ocorreram naquele dia e até perguntar aos clientes e funcionários das Lojas Americanas, na Zona Sul da Capital, que foram salvos por policiais militares que, atendendo aos pedidos de socorro, intervieram em um roubo que ali estava ocorrendo e prenderam quatro criminosos em flagrante delito, livrando do iminente perigo as inocentes vítimas da violência criminosa. Poderia, ainda, conversar com outra vítima que, na Avenida Aricanduva, teve seu aparelho celular roubado por um criminoso e, após pedir socorro a policiais militares, teve seu aparelho, comprado com tanto esforço, recuperado após a prisão do infrator. Talvez não fosse necessário, mas diante das graves acusações realizadas pela escritora, é importante ressaltar que, dentre aquelas vítimas, havia milhares de “pobres” e negros, que constituem a imensa maioria dos que são atendidos pelos policiais militares diuturnamente. São dados, são histórias, são vidas salvas.

Naquela data, certamente encontraremos inúmeras outras histórias de alegria e satisfação de cidadãos paulistas que se sentiram protegidos pela Polícia Militar e por seus integrantes. Até o final do ano de 2017, serão mais centenas de milhares de pessoas salvas e gratas diante das mais de 34 milhões de intervenções que são realizadas anualmente pelos policiais militares.

Infelizmente, não apenas de histórias com final feliz é feita a vida dos policiais militares. É triste constatar que não há menção no texto da escritora de que naquele mesmo dia 12 de julho um policial militar foi assassinado na frente de sua casa no Estado de Pernambuco, em uma emboscada realizada por três criminosos somando-se, infelizmente, às centenas de policiais militares mortos no Brasil, em 2017. Apenas no Estado de São Paulo a taxa de homicídios/latrocínios contra policiais foi superior a 70 mortos por 100 mil habitantes, sete vezes maior do que para a população paulista como um todo que tem a menor taxa do Brasil, inferior a 10 mortos por 100 mil habitantes. Não deveria haver comoção popular por esta terrível disparidade? Se fosse o policial militar que na mesma ocorrência em Pinheiros tivesse sido atingido pelo objeto que Ricardo empunhava e falecesse, haveria a mobilização destacada pela escritora? Seria publicado um artigo na imprensa tal qual o por ela redigido?

Também não há uma nota da escritora a respeito do Cabo Marcos Marques da Silva, da Polícia Militar de Minas Gerais, que, naquela mesma semana, dias antes, foi assassinado, com tiros de fuzil, por assaltantes de banco cujas imagens de seu corpo fardado caído na via pública percorreram o Brasil e o Mundo.

Provavelmente, Eliane sequer refletiu sobre o porquê do Cabo Marcos não ter revidado ou se antecipado aos disparos que sofreu, o qual, muito provavelmente, tomou esta decisão em virtude do alto risco de ferir reféns. Talvez, ninguém saiba sobre os inúmeros casos que um policial decide NÃO atirar. Talvez, pouquíssimas pessoas se importem com isso. Talvez, algumas outras prefiram não acreditar nisso. Afinal, algumas delas afirmam que os policiais são treinados para “combater o inimigo”, como se, de alguma forma, a formação policial removesse ou diluísse a humanidade dos policias militares.

Eliane tem todo o direito de escolher um caso e criticar o ato de qualquer policial, militar ou não, afinal toda ação policial deve estar sob o constante escrutínio público. Porém, não é possível ignorar os diversos protocolos institucionais de solução de crises criminosas adotada pela Polícia Militar paulista e seus maciços e positivos resultados operacionais sobre casos análogos, que salvaram vidas, e generalizar contra toda uma instituição. São milhares de intervenções policiais contra pessoas agressivas e armadas, não sendo sensato apresentar acusações tão graves a partir de um caso ainda em investigação.

Sim, Eliane tem o direito de criticar qualquer ação, errada ou não. E nós, Policiais Militares “responsáveis, competentes e honestos” temos o direito de mostrar, neste estranho mundo em que somos alvos de rasos ataques e ofensas, que não apenas existimos, como constatou Eliane, mas trabalhamos todos os dias, protegendo pessoas, salvando vidas e, infelizmente, também morrendo pela sociedade. Podemos, sim, declarar que nossa vocação é a de trabalharmos 24 horas para garantir a tranquilidade da sociedade.

Paulo Sérgio Merino é Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de São Paulo e Diretor do Instituto de Ciências Policiais da DEFENDA PM.

 

  • Robson La Luna Di Cola

    Um PM, conhecido meu, morava no lado oposto da cidade, com relação ao quartel onde atuava. Sua esposa punha para secar o seu uniforme dentro da cozinha, para ninguém ver que seu marido era policial. Dizia para os vizinhos que o marido trabalhava com vendas. Por que? Para ele não ser baleado em casa, pelo crime organizado, no bairro classe-média baixa onde morava.

    • Se os militares tive-sem prendido todos os comunistas durante o regime militar ao invés de deixá-los fugir para o exílio, hoje seu vizinho poderia andar fardado pela vizinhança a vontade.

      • Robson La Luna Di Cola

        Não ia adiantar. Quem sustenta as organizações do narco-tráfico são os mauricinhos e patricinhas do Leblon e Ipanema. Lá na Cidade Maravilhosa onde morei muito tempo, e conheço muito bem. Gente, que após uma árdua semana de trabalho, passa o fim-de-semana “puxando uma mardita”, ou “cheirando uma branquinha”. Pare com este papo ideológico.

        • E quem você acha que fez a cabeça desses mauricinhos e patricinhas?

          Professores universitários esquerdistas,políticos esquerdistas, jornalistas esquerdistas e artistas esquerdistas.

          Os mesmos que foram para o exílio na época do regime militar. Se não são eles são os frutos deles.

          O maior erro do regime militar foi o de não ter matado ou prendido esses filhos das putas. Até que os militares prenderam e mataram alguns mas foi muito pouco para poder ter o efeito desejado.

  • Robson La Luna Di Cola

    Quando vai aparecer alguém por aqui dizendo que El Pais é jornalduzkumunista?

    • Todos os jornais da face da terra já estão infiltrados por agentes comunistas. Uns mais, outros menos.

      Não sei o nível de infiltração que o El País já sofreu.

      • Robson La Luna Di Cola

        Tem razão. A mídia está dominada pelo PC. Mas não se trata do Partido Comunista. É o Politicamente Correto. Uma MERCADORIA que vende exemplares impressos e assinaturas digitais. GRANA! Agrade todas as chamadas minorias, pois a soma das minorias representa uma maioria. GRANA! Dos gays, lésbicas, maconheiros, feministas, libertários, defensores do meio-ambiente, anarquistas, esquerdistas, etc. Agrade a todos. Contrate também comentaristas de esquerda e de direita. Conservadores e libertários. GRANA!

        • E quem você acha que criou o politicamente correto?

          Vou dar uma dica: Começa com K, termina com B e tem um G no meio.

          • Robson La Luna Di Cola

            Vou responder quem criou o Politicamente Correto: começa com G, e termina com g: os Gerentes de Marketing das grandes organizações midiáticas. Se forem acusados de contradição, vão dizer que estão respeitando a diversidade…

          • Primeiro você tem que ler alguns livros importantes sobre infiltração soviética no ocidente e assistir algumas palestras na internet como por exemplo do ex-espião soviético Yuri Bezmenov e depois vir aqui para dar opinião.

            Se você não sabe de nada do que está acontecendo então fica difícil ter que explicar tudo pra você.

            Se você não for algum comunista me parece que você esta mais perdido que cego em tiroteio.

          • Robson La Luna Di Cola

            Livros sobre Teorias da Conspiração só nos ensinam Teorias da Conspiração. Prefiro analisar aquilo que REALMENTE está acontecendo. Não é estranho que esta gente que traz informações bombásticas sobre infiltração de potências inimigas da Civilização Ocidental SEMPRE escrevem livros, e possuem canais no youtube com assinatura paga? GRANA! Independente da ação externa, NÓS estamos nos destruindo. Estamos vendo uma civilização em colapso POR TER ABANDONADO OS PRINCÍPIOS DE SUA FUNDAÇÃO. A religiosidade :Cristã, a estrutura familiar, o sacrifício e a moderação, e o amor ao conhecimento. A maioria preferiu se entregar a este mundo hedonista-consumista. Onde prevalece uma mentalidade Politicamente Correta, para levarmos beijos e abraços de todos à nossa volta. E não sermos xingados de fascistas. Nossos inimigos devem estar esperando sentados. Vendo nos auto-destruir, com sexo, drogas e rock ‘n roll. Delícia, não é?

  • Josemario Paixão

    Parabéns ao coronel Paulo Sergio. É preciso cada vez mais respeito e apoio a Policia Militar, que há muito vem sendo criminalizada pelos veiculos de comunicação. Saiba que quando fui esquerdista(fato que não me orgulho nem um pouco) vocês tinham um detrator, mas hoje me coloco como incondicional defensor. Este texto me ajudará e aos meus colegas na defesa da corporação.

  • Rafael

    A PM precisa se expor mais como o Coronel fez, eu mesmo não sabia dessas ações de sucesso, quase nunca veiculadas.

  • Devemos louvar as ações em flagrante realizadas pela gloriosa Polícia Militar mas ao mesmo tempo temos que ter em mente que a principal proteção que o cidadão deve contar é com ele mesmo.

    A Polícia Militar assim como qualquer outra polícia na face da terra, não foi formada para defender o cidadão 24 horas por dia até porque isso é impossível de ser realizado por mais bem paga e preparada que ela esteja.

    Na maioria das vezes a polícia serve apenas para fazer o B.O. e auxiliar na remoção dos corpos das vítimas mortas até a chegada da ambulância do IML depois que a merda já aconteceu.

    Portanto, antes de contar com a polícia conte com você próprio e tenha uma arma de fogo. É melhor ter uma arma na mão do que um policial ao telefone caso um vagabundo pule o seu muro.

    • Newton (ArkAngel)

      Nos EUA, a população civil armada consegue maior êxito do que a própria polícia em prender criminosos pelo fato de que, estando mais próxima de um eventual crime, consegue agir mais rápido.

      • Exato. Somente imbecís completos entregam a segurança deles e de toda as suas famílias para a responsabilidade do estado.

        Na verdade a polícia não tem nem obrigação de defender as pessoas 24 horas por dia. Se ela tive-se realmente essa obrigação todos os cidadãos que perderam entes queridos deveriam processá-la por não ter cumprido esse papel obviamente impossível. Afinal, uma entidade só pode prometer aquilo que ela pode cumprir.

        A função principal da polícia é prender bandidos e não proteger cidadãos 24 horas por dia. AO menos se ela abordar criminosos cometendo crimes em flagrante mas isso é coisa rara de acontecer.

        Dizer que a polícia é que tem que defender o cidadão 24 horas por dia é a frase mais imbecil que pode sair da boca de um sujeito pois ele sabe que isso é impossível ou então é um jumento marciano que vive fora do planeta terra.

  • Rak Klein

    SOLDADOS, COMO SÃO TRADADOS E CONSIDERADOS.
    Quando as pessoas estão em perigo.
    Pedem ajuda a Deus e aos soldados.
    Depois que os soldados as livram do perigo (graças a Deus).
    As pessoas: Esquecem a Deus e maldizem os soldados.