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A Europa oriental escolhe a civilização ocidental

25 de julho de 2017 - 1:34:19

O povo polonês recebeu Donald Trump de forma calorosa.

Em um discurso histórico diante de uma exultante multidão polonesa, precedendo o início da reunião dos líderes da Cúpula do G20, o presidente dos EUA, Donald Trump descreveu a luta do Ocidente contra o “terrorismo islâmico radical” como forma de proteger “nossa civilização e nosso modo de vida”. Trump perguntou se o Ocidente tinha a determinação de sobreviver:

“Temos a necessária convicção de nossos valores a ponto de defendê-los a qualquer custo? Temos o devido respeito pelos nossos cidadãos a ponto de proteger nossas fronteiras? Temos o desejo e a coragem suficientes de defender a nossa civilização diante dos que querem subvertê-la e destruí-la?”

A pergunta de Trump poderá ressoar na Europa Oriental, lugar escolhido por ele para proferir seu eloquente discurso.

Depois que um homem-bomba assassinou 22 pessoas na saída de um show em Manchester, incluindo dois poloneses, a primeira-ministra da Polônia, Beata Szydło, destacou que a Polônia não seria “chantageada” a aceitar milhares de refugiados segundo as diretrizes do sistema de quotas da União Europeia. Ela urgiu os legisladores poloneses no sentido de protegerem o país e a Europa dos flagelos do terrorismo islâmico e do suicídio cultural:

“Europa, para onde você está indo? Levantem-se dos joelhos e da letargia ou vocês irão chorar todos os dias a morte de seus filhos.

Dias mais tarde, a União Europeia anunciou que começaria os procedimentos com o intuito de punir a Polônia, Hungria e República Checa por se recusarem a aceitar migrantes conforme a determinação de um programa criado pela Comissão Europeia em 2015.

Após o discurso de Szydło, Zoltan Balog, Ministro de Recursos Humanos da Hungria, declarou:

“O Islã é uma cultura e uma religião de grande importância, que devemos respeitar, mas a Europa tem uma identidade diferente e é indubitável que as duas culturas não têm condições de coexistir sem conflitos… A maior diferença é que na Europa, política e religião são separadas uma da outra, mas no caso do Islã é a religião que rege a política”.

É por esta razão que Viktor Orban foi tachado de “inimigo interno da Europa” — porque ele disse com todas as letras, para não deixar dúvidas, o que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, jamais dirá: “devemos manter a Europa cristã“.

Os discursos proferidos pelas autoridades de Visegrad – grupo europeu formado pela República Tcheca, Polônia, Hungria e Eslováquia – são apenas dois exemplos das profundas divisões ideológicas entre os países da Europa Ocidental e os da Europa Central e Oriental.

Há uma acentuada propensão dos líderes de Visegrad em retratar o Islã como uma ameaça civilizacional à Europa cristã. Se de um lado a Europa Ocidental tem se distanciado drasticamente pela opinião pública e severamente restringida pelas leis da UE, na Europa Oriental as mais recentes pesquisas de opinião revelam que o cristianismo continua tão robusto e patriótico como sempre. É por isso que Trump chamou a Polônia de “nação devota“. É por isso que as revistas católicas dos EUA perguntam abertamente se há um “despertar cristão” na Europa Oriental. A Eslováquia aprovou uma lei para evitar que o Islã se torne uma religião estatal oficial.

Para começar, esses países da Europa Central e Europa Oriental estão cônscios que o multiculturalismo da Europa Ocidental tem sido a receita para os ataques terroristas. Conforme observa Ed West do The Spectator:

“Não são todos os países da Europa. A Europa Central, principalmente a Polônia, Hungria e a República Checa, permanecem em grande medida salvos da ameaça terrorista, apesar da Polônia, mais especificamente, ser um ator da OTAN no Oriente Médio. É precisamente pelo fato das razões para isso serem tão óbvias, é que não se pode mencioná-las. A percentagem muçulmana da Polônia representa 0,1% da população, cujo maioria pertence a uma comunidade tártara estabelecida há muito tempo, a da Grã-Bretanha é 5%, da França 9% e de Bruxelas 25%, sendo que essas cifras estão em franco crescimento”.

O que é, supostamente, “óbvio” é que a Polônia e a Hungria não são atingidas por ataques terroristas islâmicos porque estes países têm pouquíssimos muçulmanos, ao passo que na Bélgica e no Reino Unido acontece o inverso. Provavelmente a Europa estaria mais segura se tivesse seguido o exemplo da Europa Oriental.

A Europa Oriental mostra maior entendimento da cultura ocidental do que a própria Europa Ocidental. Esses países do leste também têm sido bem mais generosos à OTAN, baluarte de sua independência e segurança. A cultura e a segurança andam de mãos dadas: se você levar a sério a sua própria cultura e civilização, você estará disposto a defendê-las.

Um breve olhar para os dispêndios militares dos membros da OTAN em relação ao PIB mostra que a Polônia cumpre com sua obrigação de pagar 2% do Produto Interno Bruto, diferentemente de todos os países da Europa Ocidental. Apenas cinco dos 28 membros da OTAN – os EUA, Grécia, Polônia, Estônia e Reino Unido – contribuem com os 2%. E a França? E a Bélgica? E a Alemanha? E a Holanda?

“Ao contrário da maioria de seus pares da OTAN e da Europa”, Agnia Grigas, membro sênior do Atlantic Council, esclareceu: “a Polônia tem ao longo das duas últimas décadas visto a defesa como uma questão prioritária e, como resultado, emerge lenta e de forma contínua como bastião da segurança europeia”. A Polônia – diferentemente da Bélgica, Itália e outros países europeus – não é um “penetra” e sim um parceiro confiável, aliado dos EUA. A Polônia mostrou lealdade aos Estados Unidos, tanto no Afeganistão como no Iraque, onde suas tropas lutaram contra os talibãs, além de ajudarem a derrubar Saddam Hussein.

Não é por acaso que o presidente Trump escolheu a Polônia, um país que lutou contra o nazismo e o comunismo, para conclamar o Ocidente a mostrar um tantinho de disposição em sua luta existencial contra o novo totalitarismo: o Islã radical.

“O Ocidente continuará desfrutando da vantagem militar por um bom tempo ainda, mas possuir armas é uma coisa, estar disposto a usá-las é outra coisa totalmente diferente”, assinalou William Kilpatrick, professor do Boston College. “O Ocidente é forte militarmente, mas fraco ideologicamente. Falta-lhe confiança civilizacional”.

É por esta razão que é crucial que a Europa Oriental continue a ser uma voz forte de dissidência ao projeto da UE. Ela poderia prover a confiança cultural que falta, tão acentuadamente, aos burocratas europeus – falta esta cujo custo é a própria Europa.

 

Giulio Meotti, editor cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

Publicado no site do Gatestone Institute – https://pt.gatestoneinstitute.org

Tradução: Joseph Skilnik

 

  • Phillip Garrard

    A Polonia, historicamente, sempre esteve do lado certo. Mesmo quando tomada por comunistas, o povo polones jamais se conformou! Viva a Polonia!

  • Mario Gonçalves

    Tristeza e raiva ao mesmo tempo foi ouvir o Caio Blinder, na Jovem Pan pela manhã, dizer que a Polônia e Hungria são regimes socialista totalitários e caminham para o extremismo ao lado de Trump. O excepcional repórter disse que o povo do interior, mais simples, mais devotos (e mais ignorantes na interpretação dele) foram trazidos de ônibus pelo governo como massa de manobra e não representariam a opinião do povo. Lamentável, tento ouvir a mídia nacional mas é difícil!!!

    • Robson La Luna Di Cola

      Corrigindo: Caio Blind (cego).

    • RONALDO SOUSA LEITE

      É verdade! Ouvi também e me deu uma raiva tão grande!

  • Robson La Luna Di Cola

    Não visitei nenhum país eslavo, mas convivi durante muitos anos com as comunidades polonesas, ucranianas e russas no interior do Estado do Paraná. Lá na roça. Um povo extremamente religioso, educado (mesmo os analfabetos), bem humorado, e caridoso. Se uma mulher enviuvasse, e perdesse a fonte de rendimentos e o carinho do marido, seria imediatamente adotada pela comunidade. Que lhe daria sustento e amor. Eu vi. Mundo real. Um bom exemplo para o Ocidente. Estas virtudes estão acima da questão ideológica. Maldita questão ideológica!!!!

  • Ver a Dixie tremulando na Polônia durante discurso do Yankee Trump não tem preço!

  • Everton Alves

    Ótima matéria! Parabéns!

  • Economy

    A Europa Oriental não apenas está se tornando o baluarte da civilização ocidental europeia como também tende a ser o polo de emigração de grandes companhias fugindo das grandes nações europeias que estão sucumbindo a dominação islâmica. E o Mundo ocidental (exceto a europa ocidental) tem que começar a enxergar a Europa Ocidental como um grande e potencial futuro inimigo, haja vista que o poderio militar e tecnológico hoje restante no velho continente pode-se tornar uma arma poderosa nas mãos de islâmicos contra o restante do Mundo civilizado.

    • Seu Zé

      outra coisa: tem conhecimento sobrando na Europa, muçulmanos se formando e desenvolvendo tecnologia com conhecimento adquirido em universidades europeias pode ser um altíssimo risco

      • Economy

        Exatamente! Altíssimo risco. E o perigo agora não virá mais do Oriente Médio e até mesmo da China, e sim da própria Europa para o resto do Mundo ocidental.

      • Economy

        Tens certeza! Formando tecnologia para arrebanhar o máximo de escravos para a ideologia de muhammad.

  • Seu Zé

    as universidades europeias tinham que restringir muçulmanos, se tivermos terroristas se formando nas universidades europeias, podemos ter futuramente problemas com tecnologias bélicas desenvolvidas por eles…

  • Renato

    Esses países contra a agenda globalista de islamização da Europa precisam se unir, sair da UE e formar novas associações comerciais entre si e com os EUA. Isto vai criar uma força que poderá contrapor a hegemonia esquerdista na Europa. Dentro da UE eles ficarão reféns desses globalistas.

  • Danilo Dalla Vecchia

    UE é o molde ”totalitário” do que poderá tornar-se o mundo daqui alguns anos , se a população não despertar , de seu sonho de viver o politicamente correto , sem encarar a realidade de fato .