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O Google e a hipocrisia moderna

9 de setembro de 2017 - 17:21:25

Da teologia à embriologia, da moral sexual à nutrição, não há nada que escape ao cacoete moderno de ser contraditoriamente hipócrita.

 

Um dos engenheiros de software do Google enviou a toda a companhia um memorando em que afirmava que a empresa criou uma “câmara de eco ideológica”. “O Google”, escreveu ele, “possui uma série de preconceitos, e a ideologia dominante tem silenciado a discussão honesta sobre estes preconceitos”. A resposta do Google às acusações do memorando consistiu, por um lado, em rebatê-las por palavra, proclamando o seu comprometimento com a diversidade e o diálogo aberto, e em confirmá-las, por outro, demitindo o engenheiro que as formulou.

Se você não enxerga a ironia da situação, então você tem provavelmente a mesma mentalidade que a “ideologia dominante” das universidades, dos meios de comunicação e das corporações — em particular, da indústria tecnológica — de hoje. Mas se você foi capaz de perceber a inconsistência da resposta do Google, então é provável que já tenha notado uma certa epidemia de “duplipensar”. (Termos orwellianos talvez se tenham desgastado pelo uso, mas isso só foi possível porque eles são cada vez mais apropriados à nossa realidade.)

A controvérsia em torno do memorando do Google é só mais um exemplo de como o mundo nos diz que devemos ser tolerantes e acolhedores, permitindo que todas as opiniões e estilos de vida sejam expressos e vividos… a menos que a sua opinião ou estilo de vida entre em conflito com os temas dominantes da sociedade secular, em cujo caso você será publicamente desprezado, e o seu sustento e a sua honra correrão sérios riscos.

Querem fazer-nos crer, como diz uma recente representação do seriado Sherlock Holmes, que Deus não passa de “uma fantasia absurda, concebida para dar alguma oportunidade profissional ao idiota da família”. E quem o diz são as mesmas pessoas que sugerem, com toda seriedade, ser possível que estejamos vivendo em uma “simulação” do tipo Matrix.

Insistem que a criança no ventre materno não é uma pessoa humana, embora já tenha orientação sexual firmemente determinada, mas não a própria “identidade de gênero”. (Trata-se, é claro, de um conjunto metafisicamente inconsistente de afirmações; mas, dizem-nos, a metafísica foi destruída de vez pelos filósofos iluministas, ainda que não nos expliquem como, exatamente, eles lograram tamanho feito.)

Dizem-nos que, para sermos saudáveis, precisamos sacrificar-nos, ter disciplina, que precisamos ser, efetivamente, atletas em treinamento (ou, como diríamos em grego, “ascetas”): nada de gordura saturada; nada de xarope de milho com altas doses de frutose; distância total dos carboidratos e do glúten; nem pensar em organismos geneticamente modificados ou vegetais com agrotóxico — pelo contrário, coma enormes quantidades de couve e de pescado sustentável e você viverá para sempre.

Na verdade, dizem eles, deveríamos sobretaxar ou banir por completo as chamadas “porcarias”, e é assim que, de uma hora para outra, o preço do seu refrigerante aumenta em 12%. No entanto, à mera sugestão de que outros tipos de apetite devem ser moderados e controlados — como, por exemplo, o apetite sexual, que afeta não apenas a saúde e o bem-estar das pessoas envolvidas no ato, mas tem ainda o potencial de gerar ali mesmo um novo ser humano — responde-se com uivos de: “Deixe o governo fora do meu quarto!” E quando perguntamos por que razão o governo teria o direito de se intrometer na sua cozinha, mas não no seu quarto, a única resposta que podemos esperar são zombarias.

A expressão “hipocrisia” é frequentemente mal empregada, ou, melhor dizendo, utilizada de forma imprecisa. Um “hipócrita”, na maioria das vezes, é visto como alguém que não vive à altura dos ideais que ele mesmo professa; essa caracterização, no entanto, parece insuficiente. Ninguém segue com perfeição o próprio código moral. De fato, todos somos pecadores, necessitados da misericórdia e da graça de Deus. Ora, se essa definição de “hipócrita” abrange todo o mundo e não é capaz de descrever algum atributo constitutivo da natureza humana, então ela não é lá muito útil.

Mas se acrescentarmos a ela um outro elemento, as coisas começarão a ficar mais claras. Um hipócrita, com efeito, não é apenas o sujeito que diz: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. O hipócrita é aquele que diz: “Eu tenho permissão de fazer isso, mas você não”. Os hipócritas aplicam às outras pessoas critérios distintos dos que eles aplicam a si mesmos. Não se trata, portanto, de fracassar em observar as próprias regras; é uma questão de querer submeter os outros a um conjunto de regras diferente daquele a que o hipócrita mesmo se submete.

É justamente isto que verificamos nos exemplos acima. Em todos eles, as pessoas pensam ser perfeitamente coerente agir de forma incoerente. É em nome do diálogo aberto que o Google manda um funcionário embora, pelo simples fato de ele querer ter um diálogo aberto. Chamam a Deus uma “ideia absurda”, e ao mesmo tempo propõem como modelo explicativo do mundo uma ideia flagrantemente absurda. Afirmando que os fetos ainda não são seres humanos, o pensamento social da moda reconhece no feto, não obstante, determinadas características que só um ser humano poderia ter. Exigindo liberdade de toda e qualquer coação externa, o ativista pretende policiar nos mínimos detalhes a dieta alheia.

Ora, a raiz dessa hipocrisia não é senão o desejo de controlar os demais. Os hipócritas desejam que todos cumpram a cláusula do contrato, enquanto eles mesmos vivem livres e desimpedidos de qualquer obrigação. Os hipócritas tendem a usar o “plural não inclusivo” — noutras palavras, quando dizem “nós”, o que na verdade estão dizendo é: “vocês todos, menos eu”. A classe política, só, poderia oferecer-nos uma multidão de exemplos: há os que se opõem à isenção de impostos para ricos e, ao mesmo tempo, fazem de tudo para contornar a taxação e, assim, pagar muito menos do que o “povo trabalhador” que eles dizem representar; há os que elaboram leis de seguridade médica que oprimem a população com planos de saúde obrigatórios e impagáveis, reforçados ainda por cláusulas penais contra os inadimplentes, planos porém de que eles mesmos estão isentos; há os que dão a volta no mundo em seus jatos particulares, denunciando a emissão de gases e o desperdício de recursos; há ainda os que negam a concessão de cheques escolares e tecem loas ao sistema público de educação, quando os seus próprios filhos frequentam colégios particulares caríssimos. E a lista poderia crescer indefinidamente.

Em nome da liberdade, impõe-se a conformidade. É a “ditadura do relativismo” de que falava o Papa Emérito Bento XVI. É a ascensão da classe dos tecnocratas, que modelariam uma humanidade nova, enquanto eles mesmos permanecem intocados, inalterados, desimpedidos, como já prenunciava C. S. Lewis em A Abolição do Homem. Só uma visão alternativa, que arraste consigo os corações com a força da verdade, do bem e da beleza, pode fazer frente a tudo isso: uma visão do homem como imagem de Deus, digno em si mesmo, valioso, inestimável, criado para unir-se ao seu Criador. Assim entendido, o homem não pode ser controlado ou manipulado; antes, tem o direito de amadurecer, o que não vai acontecer enquanto o obrigarem a viver à base de couve.

Fonte: Crisis Magazine
Tradução, adaptação e divulgação: Equipe CNP – https://padrepauloricardo.org

 

  • Osvaldo Pereira Júnior

    A agenda dessa pseudo-civilização pós-cristã possui várias contradições medonhas mas irei citar algumas;

    1- Como bem lembrou o artigo, toda criança dentro do ventre materno não é uma pessoa e portanto pode ser morta ainda em gestação sem problema algum. Ao mesmo tempo eles dizem que essa mesma “não pessoa” já tem suas funções sexuais desenvolvidas e portanto deve ter seu “direito” sexual respeitado.

    2- Em alguns países europeus já se está proibindo a compra de sexo. Ou seja, vender sexo é legal mas comprá-lo não. Seria a mesma coisa de legalizar a venda de drogas mas punir o viciado deixando que traficantes enriqueçam.

    3- Eles querem legalizar as drogas dizendo que a proibição irá acabar com o tráfico. Se isso fosse verdade não haveria contrabando de cigarros já que esse produto sempre foi legalizado. Se já é difícil combater as drogas hoje imaginem dando carta branca as mesmas.

    4- Eles são contra as armas dizendo que as mesmas não servem para proteção. Se isso fosse verdade eles não teriam seguranças armados 24 horas por dia.

    5- Querem eliminar a carne da dieta da população incentivando o consumo de vegetais e ate mesmo de insetos e carne artificial criada em laboratório. Como se eles da elite fossem abrir mão de um belo churrasco de picanha para comer alface, aranhas fritas e hambúrgueres criados na USP.

    6- Querem que a população economize água sendo que existe mais água no planeta do que terra firme e como se eles fossem realmente abrir mão de suas piscinas olímpicas com hidromassagem.

    7- Querem que a população aceite numa boa o homosexualismo sendo que eles da elite das famílias reais e dos grandes grupos empresariais não aceitam. Vocês já viram algum viado ou alguma sapatão em alguma família real européia ou dentro da família Bilderberg por exemplo?

    Essas regrinhas são para vocês nós os trouxas seguirem. Eles pelo contrário continuarão intactos e levando uma vida normal pela eternidade.

    O que eles querem na verdade é o retorno ás eras pré-cristãs onde existia apenas os senhores e os escravos. Só que desta vez com um controle muito maior devido ao avanço tecnológico e para que os escravos nunca mais consigam se libertar.

    Nesse sistema quando mais o idiota achar que e livre mais escravizado ele se encontrará.

    • Evelyn Petter

      Imagine Osvaldo quantos da grande massa sabem disso?
      É isso e muito mais. É um assunto vasto e complexo, mesmo.
      Infelizmente, estão conduzindo paulatinamente (e sorrateiramente) o gado para onde pretendem chegar.
      Se terão sucesso, só Deus sabe.
      Parabéns

      • Osvaldo Pereira Júnior

        Corrigindo; Onde eu escrevi “3- Eles querem legalizar as drogas dizendo que a PROIBIÇÃO irá acabar com o tráfico.” leiam 3- Eles querem legalizar as drogas dizendo que a LEGALIZAÇÃO irá acabar com o tráfico.

        Desconsiderem outros erros gramaticais pois escrevi com pressa e se eu ficar editando toda hora o disqus exclui a mensagem sendo impossível postar novamente depois.

      • Newton (ArkAngel)

        Tudo que vem sendo feito e estimulado nesta época tem um único objetivo: exterminar a população do planeta.
        A mídia e as elites culturais (argh!) tecendo comentários e exaltando o homossexualismo, inclusive colocando-o como estilo de vida aceitável e saudável; o pseudo-feminismo, que está mais para femismo, que demoniza todos os seres do sexo masculino, colocando todos como estupradores e machistas em potencial; a maldita ideologia de gênero, que almeja criar angústia e confusão nas cabecinhas das crianças. Tudo isso e mais um pouco com o objetivo de afastar o homem da mulher, impedindo a perpetuação da espécie, criando homens fracos e sem iniciativa, mulheres cada vez mais masculinizadas e sem os predicados que tanto atraem os homens de verdade. Pessoas sem saúde, mulheres enfraquecidas que mal conseguem procriar, homens cada dia mais efeminados…esta é a herança que querem nos legar.

        • Renato

          As feministas com o intuito de se justificar dos seus excessos criaram essa expressão “femismo” para rotularem as extremistas. É como os socialistas querendo diferenciar socialistas de comunistas, quando no fundo é tudo a mesma coisa. Não se deixe pautar pelo discurso esquerdista.

          • Lucas Santos Amaral

            CORRETÍSSIMO, Renato… na mosca…

  • Odilon Rocha

    Olá, pessoal.
    Li todos os comentários. Excelentes. Tem tudo isso, mas há também um basta no crescimento populacional. As grandes famílias que dominam o mundo estão por trás de todo esse projeto nefasto.
    A ideia fixa de um governo central, sem a perda dos nacionalismos, soberanias locais, parece estar tomando outros rumos. Os grandes metacapitalistas (nada contra o capitalismo sadio) querem manter as economias periféricas no atraso (pagam para que gente inescrupulosa faça o servicinho). Assim, retardam ou praticamente desencorajam o surgimento de empresas e marcas (nesses países) que possam se tornar concorrentes fortes, futuramente.

    • Newton (ArkAngel)

      Talvez seja esse o motivo de tantas regulações e regras estatais que inviabilizam o empreendedorismo. Empreender dentro da lei, aqui no Brasil, é suicídio…a não ser que o empresário tenha “conhecidos” no governo ou prefeitura.

      • Lucas Santos Amaral

        É modelo esquerdista de escravizar através da máquina pública, criando dificuldades para vender facilidades… observe: quem não produz geralmente é esquerdista, mas quem produz nunca o é…

    • Rafael

      Rui Costa Pimenta, presidente do PCO fala mais ou menos a mesma coisa que você.

      • Osvaldo Pereira Júnior

        Relógio parado acerta uma vez ao dia.

        • Rafael

          Os extremos têm muita convergência.

      • Diego Eduardo da Silva

        E daí? Um comunista doente certa vez disse que 2 + 2 é 4. E daí? Não seja idiota.

      • Lucas Santos Amaral

        Grande exemplo de HIPÓCRITA…

  • Wanderson Pereira

    Não utilizo o Google ou a Microsoft. Ouvindo a RadioVOX no Linux Manjaro KDE:

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  • Wanderson Pereira

    Evito o uso de serviços do Google e da Microsoft. Ouvindo a RadioVOX no Manjaro Linux KDE:

    https://uploads.disquscdn.com/images/d4e1b7753bf42f06e7a0857e0a18d5feb2d3fb8296b29f568c5b1fcb01f7520d.png

  • Luiz F Moran

    Os vigaristas da hipocrisia vivem no seguinte lema: “O que é meu é meu, o que é seu eu só quero metade(mas se bobear, fico com tudo)”.

  • Consideram estupro um homem admirar a beleza de uma mulher e dizem que somos uma “cultura de estupro”, mas ao mesmo tempo defendem que devemos respeitar o fato de que os muçulmanos acreditam que qualquer mulher desacompanhada de algum homem pode ser estuprada.

    Fazem a Marcha das Vadias porque um guarda sugeriu paternalmente que mulheres evitem locais perigosos, especialmente sozinhas e em certos horários e evitem usar roupas chamativas; mas ao mesmo tempo responsabilizam as mulheres molestadas na Europa por andarem sozinhas à noite com roupas chamativas – os muçulmanos não compreendem que não podem molestar mulheres, pobrezinhos, faz parte da cultura deles.

    Consideram horrível ensinar atitudes e habilidades tradicionalmente masculinas para meninos e atitudes e habilidades tradicionalmente femininas para meninas, mas consideram maravilhoso ensinar atitudes e habilidades tradicionalmente femininas para os meninos e atitudes e habilidades tradicionalmente masculinas para as meninas.

    Fazem o maior drama porque dentre 60.000 assassinatos por ano no Brasil 300 são de homossexuais (a maioria mortos por outros homossexuais ou por motivos diversos), dizem que somos uma cultura de homofobia e querem punições severas contra qualquer suposto ato de homofobia, mas calam-se diante das execuções de pessoas no mundo islâmico pelo crime de serem homossexuais, além da prática corriqueira de homens ricos prostituírem meninos pobres que quando crescem têm que deixar a sodomia.

    Dizem defender a igualdade, mas defendem leis que punem o assassinato ou a agressão contra uma mulher como mais grave do que contra um homem; contra um homossexual, como mais grave do que contra um heterossexual; contra um negro, como mais grave do que contra um branco.

    Dizem combater o preconceito e promover a tolerância, a integração e a cooperação entre as pessoas estereotipando-as em grupos polarizados (sempre um grupo opressor e um grupo oprimido) e prejulgando cada pessoa, não por seu caráter e comportamento individual, mas pelo grupo do qual faz parte. E fazem isso omitindo que toda pessoa faz parte de muitos grupos.

    Vou parar a lista aqui, mas tem muito mais..

    • Felix André

      Eu moro e trabalho na periferia da cidade de São Paulo, no extremo leste, e posso garantir que esse tipo de mentalidade não atinge a população local. Ninguém se preocupa e a maioria sequer tem conhecimento do politicamente correto. O povo continua comendo seus churrascões de final de semana, todo gay afetado é bicha, toda mulher facinha é piranha e todo homem traído é corno mesmo. Os mais tendentes à vida piedosa são crentes ou católicos praticantes ainda fazem excursões para Aparecida. Claro que vão dizer que se trata de uma população como pouca ou falha formação intelectual. Não é bem assim. O politicamente correto é uma forma que se sentir elite, um seleto grupo da sociedade.

      • Concordo. A elite vive em uma bolha, isolada da realidade e da população em geral. Mas essas ideias vão aos poucos contaminando as pessoas e por isso devem ser combatidas. Além disso, leis e decisões do governo são feitas com base na mentalidade esquerdista, o que afeta a vida de todos, mesmo que a maioria não compartilhe dessas crenças e valores.