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Queermuseu/Santander: Um caso puramente legal?

16 de setembro de 2017 - 18:49:33

Ainda no gozo das minhas férias deparo-me com a brutalidade da exposição “cultural” do Banco Santander. Não tive acesso a todas as imagens, mas as que vi me bastam para  evidenciar a selvageria que tomou de assalto o termo cultura: em seu nome cometem-se as maiores barbaridades impunemente. Já sabíamos disto, mas o caso em apreço extrapola todos os limites da sanidade.

Surpreendeu-me a posição legalista do amigo e professor Olavo de Carvalho. Diz ele (Caso Santander: vilipêndio a culto é ilegal, e isso basta): “O que está em questão no episódio não são opiniões pró e contra isto ou aquilo, mas a simples TIPIFICAÇÃO LEGAL DE UM CRIME. O texto da lei é claro: “Vilipendiar objeto de culto.” Ponto final. É só disso que se trata. A lei é a mesma para gayzistas e antigayzistas, progressistas e conservadores, cristãos e anticristãos”.

Data vênia, não me parece ser apenas “disto que se trata”, pois alguns dos símbolos conspurcados são anteriores à existência de quaisquer leis humanas e as transcendem. Colocar um macaco nos seios da Virgem Maria não é uma questão legal, mas um ataque direto ao que há de mais sagrado no Cristianismo. Mesmo sendo um cristão “capenga” – por não me filiar a nenhuma denominação – sinto que tais ataques devem, sim, ser revidados de forma ideológica e que fazê-lo não se trata de “tagarelice ideológica (e) trapaça”.

João Spacca: “O monopólio da blasfêmia: com o cancelamento do Museu Queer, artistas iconoclastas sustentados pelo Estado e pelo Grande Capital se fazem de vítima e acusam a ‘direita fascista’ de ‘não respeitar o outro. Hahaha!”

Diferentemente de outros criticados pelo Olavo não “encho a boca“ para me dizer cidadão e estou me lixando para esta bobagem de “exercício da cidadania”, que mais me parece saído da pena de Antonio Gramsci. A lei depende de circunstâncias culturais – o mais das vezes inculturais – e da conveniência dos poderosos de plantão. Basta uma nova lei para invalidar a anterior. Indivíduos altamente incapacitados, beócios com poder recebido pelo voto – “exercício da cidadania” – podem propor e aprovar uma lei que revogue o Art. 208 do CP em nome da “liberdade de expressão”. E aí deveríamos calar a boca em nome do “exercício da cidadania”?

Essa exposição é mais um passo na revolução cultural e deve ser enfrentado como tal, e não somente apelando para processos legais (embora isso também seja importante).

Nos EUA, essa exposição seria absolutamente legal em função da 1ª Emenda. Nem por isso os conservadores americanos cessam a luta ideológica e política contra os avanços às vezes inexoráveis da esquerda revolucionária.

Se li bem, o próprio termo “Queermuseu” denota claramente a intenção não apenas de vilipendiar imagens sagradas, mas também escarnecer dos próprios fundamentos da Civilização Ocidental fazendo proselitismo da ideologia de gênero. Pior ainda: o alvo são nossas crianças em idade ainda imatura sexualmente. Pois sim, já que queer, inicialmente uma gíria inglesa para “estranho”, “esquisito”, “ridículo” ou “extraordinário”, hoje é usado para representar gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros, de forma análoga à sigla LGBT.

Aviso aos que já começaram a se masturbar antevendo um “racha” naquilo que chamam “hostes olavianas”: não haverá orgasmo, pois esse texto nada mais significa do que uma divergência pontual entre amigos.

www.heitordepaola.com

 

  • Odilon Rocha

    Perfeito, prezado Heitor de Paola.
    Quanto mais opiniões, bem fundamentadas, melhor. É assim que sairemos vitoriosos dessa chafurdada.
    Só quem “racha” é esquerdista, fascista ou comunista. São intolerantes entre si.
    Não? Faça parte daquele time e discorde de um pontinho que seja e vai ver o que acontece.

  • Daniel Robert

    Estes cabras tem o direito de expor a merda que eles quiserem e blasfemarem o quanto quiserem, mas eu também estou no meu direito de criticá-los e de ofende-los.

  • Leonardo Pastoriza

    Que belo texto, Heitor. Quando li o artigo do mestre Olavo a respeito também não concordei plenamente, mas nada como outro mestre para converter em palavras o que nós, leigos, não conseguimos fazer. Meus parabéns.

  • Adão Santos

    Excelente, Heitor. Meus parabéns.

  • Aluisio Fabricio

    Não há divergências.
    Olavo só disse para se CONCENTRAR no argumento juridico, para não dar margem a controvérsias.

    • João Carlos Madoglio

      Exatamente.

      • Rodolpho Pueyrredón

        Na verdade o professor Olavo diz para se conectar entrar no aspecto jurídico pq somente ele é imediatamente eficiênte para parar e causar medo nessa gente. A luta cultural é longa, não deve ser abandonada, mas somente ela não leva nada, porque se o inimigo continua podendo subverter livremente sem punição a vitória fica muito mais difícil. A questão é mostrar força jurídica, mostrar a força do povo e não simplesmente debater.

    • Rafael

      O argumento jurídico é falho.

      • Van der nodt

        Argumento falho o cu da tua mãe, um filho da puta escreveu palavrões em hóstias e estava lá para todo mundo ver, claro crime de vilipêndio a objeto de culto.

  • Marcos Pereira

    A tal da amostra, assemelha-se em seus objetivos, às manifestações iniciais da extrema-esquerda e 2013.Em ambas os rebeldes quiseram testar ou avançar descaradamente em sua agenda destruidora. Opiniões à parte, Olavo foi sincero, correto, mas não abrangente no tratamento da gravidade do tema. Quanto ao mbl, se contorcendo todo em seu liberalismo de araque, tentando de tudo para evitar a marca de censores. Imaginem um liberal censurando, como?? Heitor de Paolo, antecipando o término de férias, dado a gravidade do assuntou, abarcou mais a realidade e gravidade da nova tentativa de avanço da extrema-esquerda. A pergunta que não quer calar: Como o Satander entrou nessa? Imagino que sua direção sabia do que tratava. Afinal é um banco com história de falcatruas pesadas – uma delas o roubo do fundo de pensão dos antigos funcionários do Banespa, jogando com o peso da influência de lula e da justiça malandra, para abafar o grave crime. conheço vítimas desse “embroglio” – triste de ver. Outra mais recente foi o caso da demissão de colaboradora que ousou defender clientes. Um passarinho me falou que soros investiu nessa instituição.
    Com toda essa lambança, tanto do banco como do esquisito curador – que parece agora estar, totalmente abalado – não imaginavam a reação dos conservadores, principalmente jovens. Isso é um alento em meio a tantas tentativas das extrema-esquerda em destruir a sociedade. Sei que o Mal nunca avançará além de certo limites, sabiamente tolerados pelas sábias autoridades celestiais. Nada que comprometa o avanço natural da civilização prosperará. Abreviar esse sofrimento, voltar a divulgar e ensinar o verdadeiros valores da Verdade, Beleza e Bondade, depende de cada um de nós, dos velhos sábios e de um juventude corajosa e leal aos valores de uma civilização sadiamente evolucionária.

  • KC7reality .

    Liberdade de expressão é uma coisa.
    Libertinagem de expressão é outra coisa completamente diferente.

  • fabio

    muito bem dito, eu como professor de rede pública nem posso dizer muita coisa para os alunos pois são muito sentimentaloides e já estão contaminados pela mídia bombardeando suas mentes todos os dias, para eles é legal o pessoal lgbt, que as religiões são homofóbicas que temos que aceitar as diferenças etc, então sigo minhas aulas e não comento nada, apenas digo que para mim aquilo é lixo mas que cada um ache o que quiser e ponto. O que consigo fazer é compartilhar com uns poucos alunos que são mais abertos ao conservadorismo e ao liberalismo para mostrar-lhes os sites que eu sigo assim eles também vão conhecendo outras formas de pensar e juntando argumentos bem definidos para contrapor essas aberrações da esquerda…muito obrigado pelas ótimas análises sobre tantos assuntos…aprendo muito..

    • Daniel Rosario

      Parabéns, Fábio. Eu, como educador, faço como você para não polemizar e desvirtuar a aula.

  • Iason Souto

    O Vaticano é um dos acionistas do Satãder… Podem pesquisar..!!

  • Rafael

    Pois o articulista deveria ver as obras que estavam expostas, havia ali quadros de Pedro Américo, Volpi e de outros artistas consagrados, lógico que não devia acontecer visitação de escolas com crianças pequenas, mas pegar partes das obras,descontextualiza-las e chamar de ofensivas à religião, propagandas de pedofilia foi uma cretinice, uma forçada de barra para boicotar a exposição uma vez que a mesma tinha por tema um assunto que a esquerda costuma tratar.

    Agora, vamos entender um pouco a questão legal:

    “Escarnecer de alguém publicamente” – trata-se de algo pessoal. Se eu digo, “João é um imbecil, porque acredita que Maomé é o profeta de Deus”, eu estou escarnecendo de João. E aí é crime. Se eu digo, “a ideia de que Maomé é o profeta é ridícula”, eu não estou escarnecendo de ninguém. E aí não é crime.

    E não vejo como as obras de arte em questão possam estar “escarnecendo” de alguém.

    “Impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso” – exige que se trate de cerimônia ou culto religioso. Se eu entro numa missa católica e quando o padre começa a distribuir a hóstia eu começo a gritar que se trata de um ato de antropofagia ritual, eu estou cometendo um crime. Se eu digo a mesma coisa num seminário de pós-graduação sobre Religião Comparada… meh.

    “vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso” – isso é o que o pastor fez com a santa, chutando-a em frente às câmaras. Agora, que vilipêndio há numa figura que funde o Cristo crucificado com um desses deuses hindus de muitos braços?

    Não é caso nem de aplicação do CP. A direita antes era alfabetizada, esclarecida, amiga da liberdade, agora parece um bando de velhos truculentos, ranzinzas e obscurantistas.Lástimável.

    • The Question

      Impressionante como você com esse discurso quer parecer esclarecidão, culto, alfabetizado, superior!
      E quanto à obra que retratava o estupro de uma criança/adolescente, isso não é considerado pedofilia? O pessoal que quer ser respeitado é o que mais desrespeita, não sei o que você defende, mas tenho pena dos seus filhos e do que eles venham a se tornar. Por causa de professores iguais à você, a gente tá sofrendo o que sofre hoje.

  • Deivy Leão

    Com todo respeito as opiniões do professor e filósofo Olavo de Carvalho, no caso do Queermuseu, especificamente no seu texto “Caso Santander: vilipêndio a culto é ilegal, e isso basta”, tenho que reconhecer que a questão é mais grave e por isso deve ser tratada com mais amplitude, como expõe Heitor De Paola, no link abaixo, ambos do mesmo blogue , afirmando que além do confronto legalista, a luta deve ocorrer sim, nos campos ideológicos e políticos.

  • Adilson Baptista

    Penso que isso tudo foi propositadamente uma enquete para responder à questão que ainda pairava na cabeça dos esquerdistas: “Qual o nível de conservadorismo do brasileiro, depois de tantas produções como filmes, novelas, personagens, livros, etc, no intuito de ‘desconstruir’ os valores arraigados nessa gente?”. A resposta foi imediata e clara: Somos conservadores, graças a Deus!

  • Elvis Trivelin

    É salutar trazer essa batalha para o campo do confronto jurídico – como eles fazem com qualquer picuinha ou qualquer coisa que os desagrade. Utilizam a estrutura e o monopólio de violência do Estado, uma vez que este flerte com seus interesses, para esmagar oponentes e tirá-los da disputa política. Os objetivos, sabemos, são a desconstrução e subversão simbólica pois a luta cultural à maneira deles se dá através do esvaziamento semântico e simbólico. É sistematização de Gramsci, Alinsky, Marcuse, Adorno, Horkheimer. No entanto, em vez partirmos do complexo para atingirmos o simples (pois a população precisa de um alto engajamento filosófico para alancar o debate teórico), partimos do simples (as queixas de crime) para tentarmos posteriormente tornar mais complexa a compreensão coletiva desse processo de luta cultural. O resultado do processo não importa – como para eles não importa. Importa aproveitar toda a polêmica para causar choque de valores nessa população, tal como um médico usa o desfibrilador para acordar um paciente que começa a “fibrilar” e seguir em direção à morte. Atitudes simples como processar essas pobres criaturas sodomizadas mentalmente – mas crentes de que suas ideias são realmente suas – é até um ato de caridade cristã, esgotadas as etapas da conscientização individual e coletiva. Aliás, graças a eles, praticamente tudo se dá no plano ‘coletivo’ e raramente se acessa o ‘indivíduo’. As camadas de alienação proíbem o acesso de coisas “perigosas” ao esquema mental que absorveram uma vez arrebanhados nos grupos de controle em que entraram.
    De todo modo, é fundamental usar os instrumentos legais que até agora não estavam sendo utilizados, enquanto eles usam de forma organizada, articulada e até minuciosamente calculada – como vemos nos ataques normalmente perpetrados por mulheres, negros ou homossexuais (uma forma de aproveitar um eventual revide para capitalizar politicamente) nas universidades e manifestações de rua.
    Estamos enfrentando um inimigo pérfido, imoral, sujo, que como todo psicopata, utiliza a racionalidade ao extremo – para destruir o que tem em meta. Não precisamos repetir a sujeita que eles promovem, mas fazer seu fedor invadir todos os narizes dos ingênuos. É preciso que a carniça moral desse bando de hienas incomode, ainda que devamos levá-las para dentro das casas.

  • Prius

    O texto da lei é claro: “Vilipendiar objeto de culto.”

    Trata-se de um fóssil legislativo.

    O único acinte nesse negócio aí foi abrir a bobagem para menores. Se fosse restrito para maiores de 14 ou 16, problema nenhum. Vai quem quer…

    Outros fósseis legislativos em pleno vigor:

    Servir bebidas alcoólicas a quem se acha em estado de embriaguez: Pena – prisão simples, de dois meses a um ano.
    ( muita gente que eu conheço se daria mal nessa )

    Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses.
    ( O Dr. Olavo se daria mal nessa )

    • Vavá

      Infelizmente, é a mentalidade deste otário que impera no judiciário. Vamos lembrar que nem traficantes de droga pegos com fuzis são presos hoje em dia no Brasil. Tentar enquadrar essa corja com a lei vai ser frustrante.
      Agora, vagabundo é você, seu Prius. Quer ofender os outros, seja homem e mostre a cara primeiro, seu merda.

  • Vavá

    Olhem pra esse caso emblemático e, pelo amor de Deus, vejam o que dá certo, gente. O que fez o Satander acabar com a exposição e devolver os oitocentos milhões de reais (roubados) arrecadados pra promover (aquela putaria) o Queermuseum? Foi por acaso algum debate sobre os aspectos jurídicos ligados à transgressão do religioso e do moral através da manifestação artística? Foi a discussão intelectual acerca da evolução do conceito de arte e seu papel na modernidade? NÃO, porra.
    Quando você vê uma merda dessas, você APONTA E XINGA. SEM MEDO. Os cuzões da esquerda já aprenderam como isso é efetivo. É a técnica do shaming (envergonhamento kkk). Sem querer (querendo) foi isso que o povo no facebook fez, apontando a grave transgressão moral do Banco e ameaçando o boicote econômico. E deu certo. Se deixarmos os esquerdopatas apontarem qual o moralismo cabível, sem falar nada, com medinho da patrulha do politicamente correto, serão os valores deles que irão prevalecer.
    Todos esses lixos tem de ser apontados como o que verdadeiramente são: uma CORJA DE NOJENTOS, imorais, etc, etc, etc.
    A discussão jurídica é válida? Sim, mas esse não pode ser o ponto central do debate. A moralidade sempre conduz a aplicação da norma jurídica. Por isso – apesar da existência da norma, validade e eficácia – o adultério deixou de ser criminalizado. Eu tenho a impressão de que a acusação de crime de vilipêndio, nesse caso, não teria “ibope” – teria muita dificuldade em encontrar um promotor pra bancar o início do processo, e se um juiz resolvesse aplicar a norma, ainda tem os tribunais e os tribunais superiores, que, todo mundo sabe, tem uma visível tendência esquerdista liberal. E os cristãos, como um todo, se mostram, hoje em dia, não se interessam em se defender, exibindo uma personalidade de ovelhinha pronta pro abate.

    • Daniel Rosario

      Falou tudo! melhor, escreveu tudo. Eu também penso que os líderes religiosos tinham que defender sua Fé. seus dogmas publicamente e não só nas Igrejas; e os cristãos deveriam nas redes sociais protestar veementemente contra o mal, mesmo sabendo que muitos(as) já o fizeram independente de sua Fé.

  • Aaron DiBona

    eleiçoes c urna eletronica em 2018:???