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Quem é Carlos Velasco?

12 de março de 2014 - 4:23:57

«Na minha perspectiva particular, o Olavo erra em provocar o Dugin com palavras que o humilhem directamente. Seria melhor apenas vencer o debate usando de um tom didáctico. O sujeito é psicótico e não ponho de lado nenhuma hipótese quando sei o quanto ele está perto de putins e companhia. Se ele se sentir ofendido, está tudo em aberto. Penso que a nossa missão é tentar de alguma maneira construir as condições para derrotar esses bandalhos, e sacrificar o rei [Olavo de Carvalho] neste momento não trará a vitória.» [3]

 Após ter mostrado preocupação pelo seu professor, o Sr. Velasco fez uma intervenção no seu blogue pessoal, onde deu o debate por terminado, mesmo antes do seu término oficial, dada a fraca prestação de Dugin, considerando que a elite pensadora russa era sagaz mas longe de ser genial [
4]. Pouco menos de dois anos depois, Carlos Velasco assinou um artigo “expondo” Olavo de Carvalho como um agente provocador que, no limite, poderá até ao despoletar de uma guerra mundial. E fá-lo precisamente num jornal electrónico assumidamente eurasiano e subordinado aos interesses de Aleksandr Dugin [
5]. Todo o texto é um exercício de destruição de carácter ao
bom estilo soviético, alucinado e denotando uma total ausência do sentido do ridículo. Para mostrar serviço perante o seu novo guru, não bastaria ao Sr. Velasco mostrar hostilidade para com Olavo de Carvalho – que constitui um empecilho à entrada do Dugin no Brasil, apesar deste ter já proferido várias palestras em universidades brasileiras –, seria necessário também mostrar alinhamento com algumas ideias caras a Aleksandr Dugin, como o antissemitismo e a superioridade estratégica e até moral das elites russas. Ainda no artigo referido, o Sr. Velasco não se coibiu de fazer uma menção implícita à minha esposa, a propósito de mensagens de e-mail que trocou com ela e que ele tratou de deturpar para servir os seus fins [
6]. De certa forma, sinto-me agradecido por esta audácia do Sr. Velasco, que naturalmente me autoriza a usar a correspondência privada que troquei com ele.
Os meus contactos com o Sr. Velasco Conheci Carlos Velasco através do Curso Online de Filosofia ministrado por Olavo de Carvalho. Os poucos alunos a residir em Portugal, estando espalhados territorialmente, decidiram a fazer tertúlias “virtuais”, via Skype. O Sr. Velasco mostrou um conhecimento histórico fascinante, um fino humor, mas cedo também lhe conhecemos a veia belicosa. No rescaldo de uma tertúlia, o Sr. Velasco teve uma troca azeda de e-mails com outro aluno, tendo depois se retratado perante todos, onde confessou uma certa faceta de si:

«No conjunto de todas as tendências que existem dentro de mim, há algumas terríveis. Elas me acompanharam desde tenra idade e, apesar de conhecer a sua História e o seu desenvolvimento, não consigo explicar o porquê de lá estarem e de nunca desaparecerem: muitos passaram por coisas ainda mais extremas do que eu e não adquiriram estas tendências. São elas a ira, a arrogância e a paranóia, uma combinação verdadeiramente perigosa que quando se sobrepõe às tendências positivas, transforma um homem num verdadeiro monstro. Conhecer intimamente estas três irmãs é ao mesmo tempo um perigo, como todos imaginam, mas também é um dom, pois isso abre uma janela para a compreensão das mentes mais perversas, tanto a nível individual como colectivo, e nos meus estudos de História eu aprendi o quanto isso é precioso.

Entretanto, essa janela aberta para o lado mais negro do homem exige de mim um constante exercício para me manter fortalecido, até porque eu sinto todos os dias como a minha energia é sugada pelo mal. Quando estou bem e fortalecido, e isso não é apenas mental, mas também é físico, essas tendências me ajudam e acabam por me dotar de armas preciosas contra o mal, porém, quando estou fraco, elas podem tomar conta de mim e despertar paixões tão intensas que fazem de mim um verdadeiro louco; mas não um louco qualquer, mas um louco perigoso. Me aproximar da religião me permitiu compreender que o fenómeno não se esgota no foro do mundo físico e psicológico, mas transcende tudo isso.

Entretanto, basta de explicações. Há culpa nisso tudo pois eu fui tentado pelo mal, fui fraco e sucumbi. Mais do que buscar o perdão, escrevo estas linhas para vos explicar mais um bocado acerca de quem eu sou e quais são os perigos latentes que ofereço a quem se aproxima de mim.» [7]

À luz dos acontecimentos recentes, um distanciamento respeitável em relação ao Sr. Velasco pareceria precaução óbvia. Contudo, achei esta reflexão extremamente sincera e que fazia sobressair algumas regiões negras que todos possuímos, e por vezes são os que têm menos consciência delas que cometem os piores actos na maior candura. Apesar das tertúlias terem terminado (não logo após este evento) os alunos residentes em Portugal continuaram a manter contacto entre si e até se visitaram. A aproximação de posições políticas com o Sr. Velasco levou-nos, em meados de 2013, a criar um blogue colectivo [
8]. Contudo, no final de 2013, Carlos Velasco começou a mostrar uma inversão de posições em relação a várias questões, nomeadamente em relação aos judeus, às alianças geopolíticas e a respeito do filósofo Olavo de Carvalho. Estas mudanças pareceram-me um tanto repentinas, mas hoje creio que foram pensadas com grande antecedência e urdidas lentamente para me cooptar (assim como a outros) para o novo alinhamento do Sr. Velasco. Sendo óbvio que Aleksandr Dugin não tem capacidade para vencer Olavo de Carvalho num debate, a estratégia passou por tentar recrutar alunos do filósofo dispostos a voltar-se contra o mestre, no caso do Sr. Velasco, apelando à sua enorme ambição de percorrer as vias do poder.

A questão judaica Durante muito tempo, o Sr. Velasco apresentou-se no seu blogue pessoal como um proud friend of Israel [9]. Em maio de 2010 lamentava que Obama e a União Europeia deixassem Israel isolada contra a “investida islamo-fascista” [10]. Em abril de 2013 via o povo judeu como um aliado natural de Portugal, mas ressaltava que a expulsão dos judeus sefarditas deste país é uma questão histórica bastante complexa e incómoda [11]. Por esta altura, o Sr. Velasco disse-me pessoalmente que acreditava que algo tinha mudado na história desde que os judeus andavam em diáspora, dando-me alguns exemplos de como algumas decisões importantes foram tomadas por influência de judeus. Outra ideia curiosa que o Sr. Velasco deixou entrever na mesma ocasião: o povo escolhido na modernidade não seriam os judeus, obviamente, mas os portugueses… Em setembro de 2013, anunciou que já não podia continuar a ser amigo dos judeus e a sua argumentação já denotava alguns traços comuns aos ditos “anti-sionistas”, nomeadamente a referência à “coincidência” da presença de judeus simultaneamente com alguma coisa nefasta, neste caso o globalismo [12]. Contudo, estava ainda longe de toda a antipatia que mostraria já em Fevereiro deste ano: agora escrevia que “a propaganda sionista foi muito bem sucedida entre as classes instruídas”, depois falou de certos grupos influentes, a que alguns judeus conseguiram se associar, que ganharam um poder tal que conseguiram se tornar invisíveis e que conseguem controlar, através da maçonaria e de outras redes, famílias poderosas e até casas reais; sugere também que por trás de Cromwell, do Banco de Amesterdã e do Banco de Inglaterra terão estado capitais judaicos; que os grupos que promovem o sionismo são os mesmos que promoveram a perseguição aos “judeus”; enfim, que a máfia sionista, ou judaica, é a “cabeça do movimento revolucionário mundial”; faz a conveniente mas largamente inócua distinção entre anti-sionismo e anti-semitismo e termina dizendo que a “primeira vítima [da agenda sionista] é o próprio povo judeu, que, se um dia precisar de ajuda, poderá contar connosco pois nós adoptamos como norma de conduta o código da cavalaria e tomaremos sempre o partido dos mais fracos!” [13]

Apenas os ingénuos acreditam que o verdadeiro poder reside nos cargos oficiais, antes é necessário ter poder para aceder a estes, pelo que tem que existir uma rede de poder por detrás, de uma enorme complexidade e que passa largamente despercebida das massas, e quando o Sr. Velasco refere os grupos importantes que se tornaram invisíveis refere-se a isto. Talvez a última vez que alguém tenha tentado mapear essa rede tenha sido nos anos 50 do século XX, quando Wright Mills escreveu o livro Elite do Poder. Hoje em dia essa rede tem uma complexidade quase inabarcável, mesmo para os directamente envolvidos, e por conveniência podemos associá-la a alguns símbolos, como os Rothschild ou o Clube Bilderberg. Contudo, o Sr. Velasco acha que já percebeu tudo, qual é a composição da rede de poder, como ela opera e está hierarquizada (com os judeus à cabeça) e ainda como tem vindo a actuar ao longo da história. Não só tudo isto é óbvio para ele como lhe é evidente que quem não quer aceitar as mesmas verdades só pode estar comprometido com a causa errada.

Isto é espantoso, porque uns meses antes o Sr. Velasco ainda se iludia de que a sua amizade pelos judeus fosse correspondida e em pouco tempo teria conseguido estudar o suficiente para ter uma visão tão clara e definitiva sobre os judeus e o sionismo, mesmo considerando uma articulação com estudos anteriores [14]. Como pode alguém com menos de 40 anos ter uma imagem assim tão clara sobre um assunto tão intricado – no fundo, é saber quem manda no mundo – e que, para ser devidamente formada, exige uma grande dose de maturidade? Parece-me por demais evidente que o Sr. Velasco não fez nenhum estudo aprofundado sobre as matérias a respeito das quais tenta mostrar tanta autoridade. Então, o que realmente fez ele? Simplesmente combinou o seu conhecimento histórico com o voluntarismo típico do adolescente que vai para a internet procurar teorias da conspiração, e assim, de facto, é possível “fundamentar” em pouco tempo uma ideia a que já se aderiu à partida, bastando ignorar os factos contrários ou problemáticos.

Num texto ainda mais recente, do Sr. Velasco explica que o governo americano é um dos responsáveis pela destabilização da Venezuela, e de passagem refere que a Casa Branca está ocupada por um assassino sionista (assumo que fala de Obama) [15]. Desta forma, o círculo acaba de se fechar: comecei este tópico por referir que o Sr. Velasco lamentara, há cerca de três anos, que Obama tivesse deixado Israel ao abandono contra os inimigos islamo-fascistas, agora percebe-se que tal se explica porque ele é um perigoso sionista.

Posicionamento geopolítico Em abril de 2010, o Sr. Velasco comentou a morte do presidente polaco, Lech Kaczynski, e disse acreditar ter-se tratado de obra da Rússia, dominada pelo KGB, que mantinha a intenção de destruir o Ocidente [16]. Em Outubro de 2011 falava com segurança sobre a desinformação russa e chinesa, de como o regime russo podia assumir várias formas (democrática, monárquica, teocrática) conforme convier às elites internas, mas sempre encaixando-se no eurasianismo de Dugin [17]. Cerca de dois meses depois fez uma denúncia da estratégia russo-chinesa, por um lado com uma postura de ataque às elites globalistas internacionais, denunciado as suas manipulações económicas, mas também lhes dando apoio em tudo o que concerne à destruição das soberanias nacionais dos Estados ocidentais, com a finalidade de desencadear uma guerra civil na Europa, abrindo caminho para as tropas russas serem recebidas como libertadoras [18].

O Sr. Velasco dava uma especial importância aos assuntos militares. Preocupava-o, em janeiro de 2011, a decadência militar americana, nomeadamente em relação ao espaço aéreo, quando a China e a Rússia desenvolviam caças de 5ª geração aproveitando-se da experiência americana roubada [19]. O ambicioso programa naval chinês em marcha também mereceu as suas atenções [20]. Segundo a avaliação do Sr. Velasco, os russos não apenas já possuem uma superioridade militar em termos de mísseis como o sistema “Vozzvanie”, em desenvolvimento por estes, irá tornar inúteis os sistemas anti-míssil [21]. Ficou também bastante impressionado com os exercícios militares conduzidos por russos e chineses em julho de 2013, que demonstrariam a superioridade deste bloco numa guerra ofensiva [22].

O Sr. Velasco começou por reconhecer a monstruosidade dos planos russo-chineses, mas que iam cada vez mais mostrando uma superioridade em relação aos ocidentais em termos estratégicos e militares. Contudo, a China constitui um perigo real não apenas para o Ocidente mas para a própria Rússia. A partir daqui, o Sr. Velasco começou a explorar uma hipótese: o Ocidente e a Rússia só podem sobreviver se entrarem em algum tipo de aliança, que implica começar por destruir as elites ocidentais globalistas [23]. Vladimir Putin tem vindo, nos últimos anos, a tomar algumas medidas que agradam a muitos cristãos no Ocidente, mas Carlos Velasco estaria na posse de um dado suplementar a “comprovar” as boas intenções russas, a que teve conhecimento através do padre Paul Kamer: Putin teve uma espécie de conversão quando um seu familiar, com uma doença incurável, salvou-se depois de ter feito uma promessa a Nossa Senhora de Fátima [24].

A hostilidade para com Olavo de Carvalho Em setembro de 2013 o Sr. Velasco enviou-me uma mensagem pelo Facebook dizendo que tinha ficado bastante desagradado com Olavo de Carvalho porque este, numa aula recente do Curso Online de Filosofia, tinha dito, entre outras coisas, que Gustavo Barroso era nazi [25]. Na altura estava em mudança de casa e a minha mulher estava no final da gravidez, pelo que só várias semanas depois pude avaliar melhor esta questão, mas logo ali achei algo estranho naquela mensagem, não apenas no tom impaciente mas também porque nunca tinha ouvido o Sr. Velasco falar de Gustavo Barroso, e aquela “defesa da honra” parecia-me bastante artificial. Quando mais tarde pude ouvir aquela aula, tratava-se afinal de um aparte inicial em que Olavo de Carvalho se defendia de ataques, ao que tudo indica, de um integralista brasileiro. Para mais, quando fui procurar informação sobre Gustavo Barroso, encontrei uma citação dele escolhida por um dos seus apoiantes: «Não somos racistas e encontramos apesar de natural simpatia pelo nazismo, graves defeitos no racismo germanico, os mesmos que brilhantemente aponta Pierre Lucius no seu livro “Révolutions Étrangéres”.» [26] Quando, mais tarde, o Sr. Velasco começou a questionar publicamente Olavo de Carvalho, só me restava anunciar-lhe a nossa separação de caminhos, mas ingenuamente ainda lhe reconhecia boas intenções, que pouco tempo depois as suas acções desmentiram totalmente.

Antes disso, é importante referir que a família Velasco recebeu o padre Paul Kramer em sua casa, no início de dezembro de 2013, encontro para o qual também fui convidado. A minha situação familiar, com um filho com poucas semanas de vida, não me permitiria fazer a deslocação necessária, além de que senti que algo de estranho se passava e a visita do padre Kramer não tinha apenas uma finalidade de repouso. Isso foi de alguma forma confirmado quando o Sr. Velasco me informou que o padre Kramer e Daniel Estulin – jornalista especializado em assuntos globalistas mas que tem ligações ao governo russo – tiveram contacto telefónico [27]. Em 26 de Dezembro de 2013, o Sr. Velasco avisou os seus antigos colegas de tertúlia em Portugal que iria abandonar o Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, não referindo para já as razões mas dizendo: «Porém, que fique claro que a tensão entre o Sr. Carvalho e a minha pessoa só vai aumentar à medida que o tempo passa» [28].

Se o Sr. Velasco já tinha começado por apresentar motivos bastante forçados para começar a hostilizar Olavo de Carvalho, esta última declaração parece-me uma evidente confissão de que ele apenas estava a executar um plano. Nas semanas seguintes, os irmãos Velasco lançam-se numa intensa campanha difamatória contra Olavo de Carvalho, onde conseguiram obter documentos não facilmente acessíveis ao comum do mortal e, por “coincidência”, ocorreram também diversos ataques electrónicos à conta de Facebook do filósofo assim como ao site Mídia sem Máscara. O ponto alto foi o artigo já referido, escrito pelo senhor Velasco para um jornal eurasiano. Olavo de Carvalho diz nesta entrevista o suficiente para desmoralizar o esforço do senhor Velasco. Limito-me a pegar apenas em alguns pontos para deixar mais claro o tipo de gente que temos em mãos.

O Sr. Velasco diz que o grupo de alunos à volta de Olavo de Carvalho forma algo como uma seita. É notável que durante os mais de 4 anos em que foi aluno do filósofo, o Sr. Velasco nunca tenha dado por isto, nunca ninguém o ouviu a denunciar este tipo de coisas e só quando saiu do grupo “abriu os olhos”, mas ainda assim não consegue dar exemplos concretos a não ser a insinuação que referi logo no início do artigo. E não o pode fazer porque não tem material para tal, não pode apresentar nenhuma evidência de culto da personalidade, não pode mostrar um código de disciplina para-religioso, apenas pode contar com a credulidade ou mesmo com a malícia dos leitores, confiante que estes, usando uma expressão bem portuguesa, “emprenhem pelos ouvidos”. Algo idêntico se pode dizer relativamente à “denúncia” que o Sr. Velasco faz de Olavo Carvalho ter pertencido ao uma tariqa e depois ter estado envolvido num processo em tribunal em consequência. Trata-se de informação que o filósofo nunca escondeu dos seus alunos e sempre os preveniu dos perigos de entrar para este tipo de organização. Agora que tem de mostrar serviço aos seus novos senhores, o Sr. Velasco tem de fingir surpresa, que está cheio de dúvidas sobre algo que durante anos não lhe causou qualquer preocupação.

Mas mais importante é a acusação que o Sr. Velasco faz de que Olavo de Carvalho é um desestabilizador preparando uma “primavera árabe” para o Brasil, para provocar um conflito generalizado na América do Sul, podendo isso até gerar uma guerra mundial. Se há coisa que o Sr. Velasco lamentou repetidamente em Olavo de Carvalho foi este convocar os seus alunos apenas para uma restauração da alta cultura e não para a acção imediata. Foi precisamente a vontade insana do Sr. Velasco de partir para a acção que o levou a abandonar o filósofo. A propósito de Olavo de Carvalho, o Sr. Velasco fez recentemente o seguinte comentário:

 

«Me cansei de velhos cagões que atiçam os jovens e depois, quando a coisa pega fogo, lavam as mãos e inventam uma desculpa. Velhos assim não constroem civilizações. Pelo contrário, são parte da doença que costuma sepultá-las.» [29]

Isto pode parecer apenas um exercício de mau gosto e de falta de carácter mas é bem mais revelador do que pode parecer à primeira vista. O Sr. Velasco nunca conseguirá provar que Olavo de Carvalho andou atiçando os jovens mas ao mesmo tempo mostra-se cansado precisamente por nunca ter sido convocado a isso. Quando faz a menção ao tipo de pessoas que constrói civilizações – não apenas movimentos ou grupos específicos – ele já está a pensar em alguém que acredita que o pode fazer: Aleksandr Dugin. Este, como que respondendo aos apelos do seu novo aprendiz, publicou no passado dia 7 de Março um artigo com um título sugestivo: “Horizons of our Revolution; From Crimea to Lisbon”, e prossegue de forma sugestiva: «1. We aren’t going to limit ourselves by annexing Crimea. That for sure». [30]

Assim, o Sr. Velasco mostra que entranhou na perfeição o preceito de Lenine: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”.

Mas afinal quem é Carlos Velasco? Carlos Velasco é uma caricatura moderna de Alcibíades, e este tornou-se, por excelência, no modelo do
mau exemplo. Alcibíades descendia das melhores famílias de Atenas, foi educado por Péricles e companheiro de Sócrates. Os seus dotes de político, orador e general foram colocados apenas ao serviço da sua vontade de agir e de obter glória para si mesmo, mesmo que para isso tivesse que conduzir Atenas para expedições ruinosas ou traí-la em favor dos persas. Pelo que conheço do Sr. Velasco, não creio ser possível dizer que se trata de um eurasianista, de um tradicionalista, de um fascista, ou mesmo de um nacionalista. Trata-se somente de um
velasquista, que apenas procura obter brilho para si e para o nome da sua família [
31]. Serve agora os interesses eurasianos não por convicção mas por ali ter encontrado uma oportunidade de aumentar o seu poder de influência. Mais tarde poderá trair com toda a naturalidade os seus actuais companheiros e oferecer os seus serviços aos chineses, aos radicais islâmicos ou até mesmo aos perigosos sionistas. Talvez aí o Sr. Velasco descubra que quem abraça o
urso russo contraiu um casamento para toda a vida.
Notas: [1] Ver a intervenção onde Olavo de Carvalho analisa minuciosamente cada um dos argumentos anteriores de Aleksander Dugin:           
http://debateolavodugin.blogspot.pt/2011/05/r4-olavo-eng.html [2] Ao longo deste artigo, o acrónimo “KGB” será usado para identificar os serviços secretos russos, que ainda governam efectivamente a Rússia. É estratégia recorrente de muitos teóricos da “queda do comunismo” e da inocuidade da actual Rússia dizerem que o KGB já não existe, apenas porque se dividiu e mudou de nome (FSB e SVR), como se alterando o nome à rosa significasse mudar-lhe o aroma. [3]
Ver e-mail em:
https://www.dropbox.com/s/nhmlmt82ulctlc1/Mail-Debate_RE_%20Pedido.eml [4] Ver artigo “
Aviso acerca do debate Olavo de Carvalho x Alexander Dugin”. [5] Ver artigo “
Exposing a Brazilian Agent Provocateur”, no “Journal of Eurasian Affairs”.
(
http://www.geopolitika.ru/en/article/exposing-brazilian-agent-provocateur#.UxZYUfRdVnH
) [6] Ver artigo “
Sr. Carlos Velasco, um caso de memória seletiva”.

[7] Ver e-mail em: https://www.dropbox.com/s/naed8hmu56flr4u/Retratacao_Acerca%20da%20idiotice%20de%20ontem..eml

[8] O blogue
Prometheo Liberto foi criado à luz de uma
declaração de intenções, para não iludir os leitores como fazem tantos outros, mas actualmente apenas segue os princípios delineados inicialmente de forma caricatural, quando não mesmo se dedica a realizar uma agenda oculta.

[9] Lamentavelmente, o blogue de Carlos Velasco encontra-se actualmente sem mensagens, mas o google permite recuperar muitas delas (transferidas depois para o Dropbox), o que serviu para a recolha de muita informação que consta neste artigo. Ainda em Julho de 2012, apesar do Sr. Velasco dizer que Israel esteve por trás da desestabilização do regime sírio (algo para o qual não tenho dados para avaliar), nos comentários ao texto ainda se confessava um filo-judeu, ver artigo A diplomacia do tiro pela culatra”.

[10] Ver artigo “Israel entregue às feras: Agora é a vez do 4º Reich”.

[11] Ver artigo “Uma questão complicada”.

[12] Ver artigo “Coincidências, para muitos…”.

[13] Ver artigo “O tradicionalismo perante a política, os judeus e o sionismo”. É interessante salientar que o Sr. Velasco já não fala a título individual mas como porta-voz de um grupo tradicionalista católico, coisa que não muito tempo antes merecia-lhe pouca atenção.

[14] No artigo referido em [13] o Sr. Velasco confessa ainda não ter lido a totalidade do Talmude, do Zohar ou da Bíblia. Tal não impede que seja um especialista em assuntos judaicos e conspirações sionista, mas parece-me um dado altamente significativo.

[15] Ver artigo “Venezuela: apenas um passo para algo mais ambicioso”. O Sr. Velasco diz aqui que o objectivo final dos americanos é destabilizar o Brasil, mas isso é apenas uma forma de esconder que os seus amigos russos já se encontram agindo neste país, quem sabe para aparecer no futuro como “libertadores”.

[16] Ver artigo “Presidente polaco morre em desastre aéreo na Rússia”.

[17] Ver artigo “Mais uma vez os factos confirmam Anatoly Golitsyn”.

[18] Ver artigo “Max Keiser e o Russia Today”.

[19] Ver artigo “A decadência militar americana”.

[20] Ver artigos “Novidades sobre o Programa Naval Chinês: Fim” e “Novidades a respeito do programa naval chinês”.

[21] Ver artigo “Novas da Rússia: Já ouviram falar em Vozzvanie?“.

[22] Ver artigo “Os impressionantes exercícios militares de Moscovo”.

[23] Essa hipótese já se encontra delineada no artigo “Globalismo: a cartada sionista”, contudo já tinha trocado impressões com o Sr. Velasco a respeito deste assunto em privado, achando que se tratava apenas de uma especulação em aberto, quando o meu interlocutor já estaria a pensar em tomar parte activa no processo e a fazer os necessários ajustamentos políticos e (i)morais.

[24] Quem realmente forneceu estes dados a Carlos Velasco foi o seu irmão, Jorge Velasco, que já tinha contactos com o padre Kramer pelo facebook.

[25] Ver mensagem em:

https://www.dropbox.com/s/sqoydzsrbnbx4q4/CV_Gustavo-Barroso.jpg

[26] Ver artigo “Gustavo Barroso, racista?“.

[27] Ver mensagem no link abaixo. Esta ligação não seria propriamente secreta porque algum tempo depois o padre Kramer deu uma entrevista a Daniel Estulin.

https://www.dropbox.com/s/6j1r50ldy5f8mzn/CV_Kramer-Estulin.jpg

[28] Ver mensagem em:

https://www.dropbox.com/s/n8h77tocxqemz4d/CV_Mail-aos-colegas.jpg

[29] Ver comentário ao artigo “Um mundo cada vez mais interessante: o caso brasileiro”.

[30] Ver artigo de Aleksandr Dugin “Horizons of our Revolution”.

[31] Na última conversa que tivemos, o Sr. Velasco disse-me claramente que pretendia não apenas liderar a sua família, disciplinar os primos, mas que queria ser um herói. Ah, e também que aquela raiva que sempre viu nele finalmente tinha sido controlada, agora já podia agir sem se deixar levar pelas emoções…   {slide=Artigos Relacionados}{loadposition insidecontent}{/slide} {slide=Artigos do Mesmo Autor}{loadposition insidecontent2}{/slide}

  • Ícaro Corrêa

    Grande artigo.

  • Junior Adalberto

    leitura obrigatória!