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A conversa fiada da liberação das drogas

4 de janeiro de 2018 - 16:07:27

A relação direta de causa e efeito entre o consumo de drogas e a criminalidade gera, quase necessariamente, a ideia da legalização. Seus defensores sustentam que se o consumo e o comércio forem liberados, a maconha, a cocaína, a heroína e produtos afins serão formalmente disponibilizados, inviabilizando a atividade do traficante. Extinto o comércio clandestino, dizem, cessariam os lucros que alimentam o crime organizado e se reduziria o nível de insegurança em que vive a população. Muitos alegam, ainda, que a atual repressão agride o livre arbítrio. Entendem que os indivíduos deveriam consumir o que bem entendessem, pagando por isso, e que os valores correspondentes a tal consumo, a exemplo de quaisquer outros, deveriam ser tributados para gerar recursos ao setor público e não ao mundo do crime. A aparente lógica dos argumentos tem um poder muito forte de sedução.

No entanto, quando se pensa em levar a teoria à prática, surgem questões que já levantei em artigo anterior e não podem deixar de ser consideradas. Quem vai vender a droga? As farmácias? As mesmas que exigem receita para uma pomadinha antibiótica passarão a vender heroína sem receita? Haverá receita? Haverá postos de saúde para esse fim? Os usuários terão atendimento médico público e serão cadastrados para recebimento de suas autorizações de compra? O Brasil passará a produzir drogas? Haverá uma cadeia produtiva da cocaína? Uma Câmara Setorial do Pó e da Pedra? Ou haverá importação? De quem? De algum cartel colombiano? O consumidor cadastrado e autorizado será obrigado a buscar atendimento especializado para vencer sua dependência? E os que não o desejarem, ou que ocultam essa dependência, vão buscar suprimento onde? Tais clientes não restabelecerão fora do mercado oficial uma demanda que vai gerar tráfico? A liberação não aumentará o consumo? Onde o dependente de poucos recursos vai arrumar dinheiro para sustentar seu vício? No crime organizado ou no desorganizado?

A Holanda, desde os anos 70 vem tentando acertar uma conduta que tolerância restritiva. É proibido produzir, vender, comprar, e consumir drogas. A liberação da maconha recuou 30 gramas para apenas 5 gramas nos coffeeshops, que acabaram sendo municipalizados para maior controle e diversos municípios se recusam a assumir a estranha tarefa. Bélgica se tornou a capital europeia da droga. Um plebiscito realizado na Suíça em 2008 rejeitou a liberação, mas autorizou trabalhos de pesquisa que envolvam a realização de estudos e testes com usuários de maconha. O país, hoje, fornece, com supervisão de enfermagem, em locais próprios para isso, quotas diárias de heroína para dependentes…

O uso da droga, todos sabem, não afeta apenas o usuário. O dependente químico danifica sua família inteira e atinge todo seu círculo de relações. Ao seu redor muitos adoecem dos mais variados males físicos e psicológicos. A droga é socialmente destrutiva, e o poder público não pode assumir atitude passiva em relação a algo com tais características.

“Qual a solução, então?”, perguntou-me um amigo com quem falava sobre o tema. E eu: “Quem pensa, meu caro, que todos os problemas sociais têm solução não conhece a humanidade”. O que de melhor se pode fazer em relação às drogas é adotar estratégias educativas e culturais que recomponham, na sociedade, valores, tradições, espiritualidade, disciplina, dedicação ao trabalho, sentido da vida e vida de família, para fortalecer o caráter dos indivíduos e os afastar dos vícios. Mas, como se sabe, é tudo intolerável e “politicamente incorreto”. Então, resta ampliar o que já se faz. Ou seja, mais rigor legal e penal contra o tráfico, mais campanhas de dissuasão ao consumo, menos discurso em favor da maconha, menos propaganda de bebidas alcoólicas, e mais atenção aos dependentes e às suas famílias.

Alguém aí acredita que, legalizado o tráfico e vendidas as drogas em farmácia ou coffeeshops, todos os aparelhos criminosos estruturados no circuito das drogas se transmudarão para o mundo dos negócios honestos? Que os chefões das drogas se tornarão CEOs de empresas com código de ética corporativa e política de compliance? Que os traficantes passarão a bater ponto e terão carteira assinada? Pois é.

http://puggina.org

 

  • Robson La Luna Di Cola

    Quando os seres humanos não se auto-governam, baseando-se nos preceitos transcendentes da Religião, inicia-se o caos. Então, surge o Estado para resolver o problema. No Ocidente, democracias dominadas pelo Politicamente Correto, temem tomar decisões que possam ser identificadas como radicais ou autoritárias. Já nas ditaduras, as soluções são mais simples e cruéis. Vejam nas Filipinas e na China o que o Estado faz com os traficantes: FUZILA!

    • Gustavo Costa de Oliveira

      essas ditaduras todas usam as drogas como armas de guerra contra outros países e por conhecerem esse caráter bélico da droga, reagem a ela internamente como se reage numa guerra..

      diferentemente de nós, eles não estão resolvendo um problema social, mas um problema de manutenção do poder, entende?

      e se os seres humanos não conseguem resolver seus problemas, porque acha que eles, por trás do estado conseguiriam? por acaso atuando por trás do estado eles ganham super poderes mentais que não possuem fora dele?

      • Robson La Luna Di Cola

        Quando os cidadãos não se auto-governam, surge o caos. E em seguida, como reação, as ditaduras. Que tranquilizam a situação na bala e na porrada. E quase sempre, A MAIORIA DA POPULAÇÃO ACEITA ESTA VIOLÊNCIA, PARA TEREM ORDEM NA CASA!

    • Rafael

      Tenho pra mim, especialmente no caso Filipino, que é tudo briga de quadrilha.

      • Robson La Luna Di Cola

        Nos EUA, cerca de 60 mil pessoas morrem por ano devido ao consumo de drogas químicas. Fora os que sobrevivem com sequelas mentais permanentes. As drogas estão acabando com nossa civilização. Nesta era de políticos bundões, ninguém tem coragem de tomar medidas radicais para acabar com essa desgraça. Por exemplo, a CRIMINALIZAÇÃO DO CONSUMO. As ditaduras terão mais sucesso para resolver o problema. Exatamente por serem ditaduras…

        • Carlos Eugênio Abreu Camargo

          Canso de falar:-enquanto não criminalizar o usuário, não se resolverá o problema das drogas.O usuário não pode ser tratado como “coitadinho” nessa história,pois o tráfico só existe por causa do usuário.
          Quantos artistas e pseudo intelectuais usam e abusam das drogas e depois querem dar lição de moral na polícia,nos políticos e na sociedade de maneira geral.
          Duvido que um usuário que fique preso dois anos numa penitenciária,volte a consumir droga.Duvido!!!

          • Robson La Luna Di Cola

            Isso mesmo. Quanto aos VICIADOS, a lei deveria OBRIGÁ-LOS a se inscreverem em programas de tratamento médico para se livrarem do vício. Seja em hospitais públicos ou privados. Uma vez, lí um texto fabuloso de um sociólogo, provando que a grande maioria dos crimes cometidos por bandidos profissionais, acontecem com a aliança da assim chamada “sociedade honesta”. Desde o tráfico de drogas, o roubo de celulares, até o roubo de caminhões de carga, etc… Quem compra um celular semi-novo, último modelo, por R$100,00 não imagina que foi roubado?

          • Raphael Soares

            Eu já acho que lei obrigando viciado à se tratar também não funciona, pois o primeiro passo para o indivíduo livrar-se de um vício é ele próprio reconhecer-se como viciado e principalmente querer ajuda para se livrar do vício. Obrigando todo viciado a se tratar, acaba-se caindo naquele ciclo em que o estado finge que trata e o drogado finge que se recupera (apenas pra cumprir a “lei”), abrindo mais uma torneira para o desperdício de recursos públicos. Mas concordo com a punição para usuários, pois são eles quem sustentam o tráfico.

          • Robson La Luna Di Cola

            Prenda um consumidor de drogas. Em seguida, verifique como se comporte após alguns dias sem consumir drogas. Se o cara começar a rolar no chão feito louco, implorando por drogas, é viciado. Qualquer médico reconhece. Então, terá que se tratar. obrigatoriamente.

          • Rafael

            Tá cheio de droga nas prisões, para a maioria seria o paraíso.

    • Rafael

      Em Cuba e em países socialistas em geral a tolerância com os usários são bens grandes, curiosamente, ao contrário do que prega a esquerda brasileira.

  • Albanez

    “O que de melhor se pode fazer em relação às drogas é adotar estratégias
    educativas e culturais que recomponham, na sociedade, valores,
    tradições, espiritualidade, disciplina, dedicação ao trabalho, sentido
    da vida e vida de família, para fortalecer o caráter dos indivíduos e os
    afastar dos vícios.”
    Disse tudo aí… é a melhor forma de lidar com a questão das drogas. Excelente artigo.

  • tabajara_music

    Se a coisa não funciona com o Estado reprimindo, menos ainda funcionaria com o Estado regulamentando. Basta ver o que aconteceu no Uruguai.

    • Evelyn Petter

      Não só Uruguai, onde parecem terem voltado atrás nos “investimentos

  • Daniel De Paula

    Excelente… o problema é que a quantidade de maconheiros militando em favor da legalização explode a cada ano.

  • Rafael

    Finalmente um artgio que concordo, e do Puggina!

    • David Freitas

      Ufa! o que seria de website sem a sua aprovação. KKKKKK!!!!!

      • Rafael

        KKKKKKK

    • Robson La Luna Di Cola

      Seu comunista! Está usando a Estratégia da Tesoura! Criando visões contraditórias para implantar a Revolução Cultural Gramsciana nesta página! (desculpe a ironia, kkkk).

      • Rafael

        KKKKKK, Camarada Bolsonaro 2018!

        • Robson La Luna Di Cola

          Cála a bôca búrru! Você é um analfabeto funcional! E não pára de cometer a paralaxe cognitiva! Aposto que você é um agente da frente russo-chinesa, ou do Grupo Bilderberg, ou do Califado Mundial! Está aqui para ajudar na implantação da NOVA ORDEM MUNDIAL!!!! kkkk

          • Rafael

            Já deixei o curriculum pra essa turma, já que o FSP tem atrasado o salário.

          • Robson La Luna Di Cola

            Estude! Você será mais um inocente útil. Após a implantação da NOM, os níveis inferiores de militantes serão eliminados, deixando o controle total do planeta nas mãos de uma elite! Faça o COF, burro! kkkk

          • Rafael

            É mesmo! Vou já me matricular assim que o Maduro depositar meu décimo – terceiro atrasado.

          • Robson La Luna Di Cola

            Seu cumunista! A Venezuela não tem dinheiro nem para produzir papel-higiênico! Eu sabia que você tinha conexões com o Foro de São Paulo! Mas veja no que deu a Pátria Grande! Só miséria! E com certeza o crescimento da economia da Bolívia de Evo Morales é tudo fake news!!!

  • ANDRÉ LUIZ VIEIRA DOS SANTOS

    Acrescentaria mais algumas perguntas aqui:

    Conhecendo o caos que é a saúde pública, os hospitais numa situação-limite dariam prioridade a quem? A uma mãe prestes a dar à luz ou a um toxicômano que “passou da conta” e vai competir por atendimento?

    Em se priorizando a mãe que vai dar à luz, os profissionais de saúde seriam acusados de toxicomanofobia (ou termo que o valha)?

    Sendo o vício em drogas legalizado, os planos de saúde seriam obrigados a disponibilizar atendimento na rede credenciada à recuperação de toxicômanos?

    E, se forem obrigados a arcar, quem pagaria a conta?

    Ah, já sei. Essa eu respondo: essa conta iria para os demais segurados, justamente aqueles que nunca deram sequer um trago num baseadinho, que sequer cheiraram uma carreirinha…

  • Newton (ArkAngel)

    Por definição, vagabundos não gostam de trabalhar, e almejam lucros rápidos e fáceis. Se os traficantes perderem mercado frente à municipalidade, simplesmente procurarão outras atividades.
    A pessoa tem o direito de se entupir de drogas até morrer, mas eu não tenho obrigação de bancar tratamento de nenhum drogado. Dinheiro público usado para comprar doses de droga e tratar viciados, enquanto hospitais fecham por falta de recursos é o cúmulo do mau caratismo.

    • Robson La Luna Di Cola

      E o mané que vem assaltar e matar pessoas em busca de dinheiro para comprar drogas? E os inúmeros acidentes de trânsito provocados por motoristas drogados? Brigas e tiroteios entre pessoas drogadas? Suicídios? Tudo isso, inclusive dentro de sua ótica Adam Smithiana, tem seu custo…

      • Newton (ArkAngel)

        E por acaso o mundo já não está assim? Liberar as drogas apenas abreviaria, creio eu, a passagem desses lixos por esse planeta. Que reencarnem em outro lugar.

        • Robson La Luna Di Cola

          E se amanhã você ficar sabendo que um parente ou um grande amigo seu é viciado em droga? Não será bom saber que existem recursos para tirá-lo desta desgraça?

          • Newton (ArkAngel)

            Claro que sim. O que tenho ojeriza são daqueles que usam o vício como pretexto para cometer barbaridades. Existem viciados e viciados.

  • Roberto Motociclista

    Porque alguns Brasileiros se negam compreender que droga é uma “DROGA” e quem usa ,sempre está fomentando a criminalidade ,seja ela ( droga)legal ou ilegal o fomento ao crime será o mesmo. .ACORDA BRASILEIROS !…….abandone as drogas ..

  • Evelyn Petter

    Um extraordinário artigo. Salvarei.
    E assim também é com a questão do armamento.
    O Professor Puggina também já se posicionou a respeito. Vale a pena ler.

  • Itk Inacio

    Infelizmente, a droga é um componente da seleção natural das espécies! Desde que, no momento da concepção, um espermatozoide fecundou um óvulo, segue a marcha constante do teste para selecionar os mais aptos a continuarem a evolução. Do nascimento até a morte enfrentamos uma série de patologias físicas e psicológicas que vão colocando-nos a prova. E será isso até o último batimento cardíaco. A sociedade deve possibilitar as melhores condições possíveis para que possamos resistir a todos os tipos de enfermidades, vícios e acidentes dos mais diversos que venham a nos dificultar o aproveitamento da vida. Mas a seleção natural continua no seu ritmo sem ter muitos obstáculos…

  • Fernando

    Como o Olavo disse certa vez de modo genérico, o debate perde o sentido moral mais amplo e fica restrito no patamar à esquerda de libera/não-libera drogas. Esse debate é ridículo, nem deveria existir. Entretanto, só consigo pensar em uma coisa: Liberando as drogas não ira mudar absolutamente nada, nadinha, pois todos sabemos que os cabeças do tráfico no Brasil residem no Congresso Nacional.

  • Marcelo Rodrigues Alves

    Então…álcool pode? Rivotril pode? Há muita hipocrisia aqui.

  • Marcelo Rodrigues Alves

    Então…álcool pode? Rivotril pode? Há muita hipocrisia aqui. Concordo que drogas como a cocaína e anfetaminas, as drogas químicas em geral, são de difícil controle e podem acabar com a vida humana (como o álcool). Mas a descriminalização resolveria muita coisa, teria mais benefícios que problemas. O artigo é, exceto no primeiro parágrafo, muito tendencioso. Aumentar o rigor? Mas não está claro que não funciona? O número de usuários de Cannabis hoje no mundo passa dos 200 milhões e só aumenta, mesmo sendo proibida. A Lei Seca nos EUA só piorou as coisas. Se querem condenar, comecem pelo álcool, uma droga devastadora, que é causa de milhões de acidentes de transito, agressões familiares e públicas, isso sem falar na juventude. Embebedar uma mulher para obter relações sexuais é praxe. Muita hipocrisia.

  • Américo Vespúcio Ribeiro de Ol

    A maconha produz uma doença incurável: a “esquizofrenia”. Basta isto para que toda sociedade estremeça.

  • Paulo Bel Cristovão

    O Cara pode usar o que bem entender. Daí quando fica doente (por culpa própria, a despeito da modinha de atribuir culpa ao mundo) vai ao hospital tirar vaga e recursos de quem precisa.