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Candidatos do esquema global

27 de novembro de 2017 - 8:23:45

Desde que Roberto Marinho morreu (agosto, 2003), o Grupo Globo (antiga Organizações Globo) não acerta uma. Lá se vão quase 15 anos, mas o grupo, aferrado aos ditames e interesses do “politicamente correto”, navega na contramão do que pensa a população brasileira, como se sabe, de natureza notoriamente conservadora.

Já assinalei aqui, muitas vezes, que o povo brasileiro, na sua imensa maioria, acredita em Deus, repudia o aborto, o casamento gay, o fanatismo ambientalista, etc. etc., além de ter se manifestado, em referendo, favorável ao livre comércio de armas e à compra de munições.

Nos últimos tempos, no plano da catequese política, o esquema da Rede Globo foi derrotado nas suas pretensões  inúteis de triturar o presidente eleito dos EUA, Donald Trump. Já no caso do plebiscito inglês, torcendo os fatos  em favor da embananada União Europeia e contra a criação do vitorioso Brexit, o esquema se ferrou de véu e grinalda (tal como a social democrata Angela Merkel, a “Dama de Alumínio”).

Na campanha pela Prefeitura do Rio de Janeiro, circuito interno, o pessoal do esquema, sempre arrojado, apostou suas fichas nas enfadonhas arengas do comunista Freixo (acolitado pela dupla Gil & Caetano) que, tal como previsto, terminou surrado pelo inodoro pastor Crivella. De fato, até o cambaleante Temer, encostado nas cordas do ringue, conseguiu vencer o Grupo Globo na sua campanha pró impeachment presidencial – em que pese a ferrenha atuação dos seus jornais, rádios e rede de TV.

No momento, o Grupo Globo atravessa o seu inferno astral, vitimado pelas contradições do mundo “politicamente correto”. Por exemplo: em data recente, um galã das novelas (rebarbativas)  da TV Globo foi posto em quarentena por assédio sexual a uma figurinista da emissora – assédio em que valia tudo, inclusive apalpadelas na “genitália” da mulher.

Por sua vez, William Waack, âncora do Jornal da Globo, o mais  “austero” da casa, foi posto de escanteio por fazer comentário tipificado, nos dias atuais, como racista: em Washington, durante a campanha de Trump, em entrevista ao vivo entrecortada por buzinaços, o jornalista deixou escapar em “off”: “É coisa de preto”.

No escândalo do Caso Fifa, a adensar o inferno astral, um ex-executivo da empresa Torneos e Competencias, que fazia mediação entre as competições e as emissoras interessadas em sua transmissão, acusou a TV Globo de pagar propina a dirigentes em troca de direitos de transmissão. Em nota, contestando a acusação feita num Tribunal de Nova York, o Grupo assegurou que jamais negociou ou pagou propina. E informou que “se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido” – exatamente como fazem Lula, Temer e tutti quanti diante das acusações do juiz Moro.

Hoje, às vésperas da campanha presidencial de 2018, em que procura detonar a todo custo o candidato Jair Bolsonaro, considerado uma “ameaça”, o esquema Global, em artigos, comentários e entrevistas seletivas, inventa presidenciáveis que possam derrubar o Deputado Federal mais votado do Rio de Janeiro (já que Lula, condenado em primeira instância, pode – e deve – curtir nove anos e meio de cadeia.

Assim, ora promovendo Marina Silva, a Tigresa de Papel, ora badalando o aposentado Joaquim Barbosa, chegou mesmo a compor a “chapa ideal”: Marina de Presidente e Joaquim, de Vice – ou vice e versa. No mesmo diapasão, se incensa a sombria figura de Henrique Meirelles, um sujeito que mente adoidado e que vive ameaçando trazer a CPMF de volta.

Mas a grande onda, que a mídia cultiva como flor de estufa em notas e e comentários diários, é a figura de Luciano Huck, o animador de programa de “brincadeirinhas de auditório” da TV Globo. Óbvio, ninguém de bom senso pode levar a sério a piada de mau gosto. Nem ele próprio. No fundo, tudo não passa de mero jogo de marketing para o inviável candidato viajar na maionese e faturar mais comerciais. Mas é bom lembrar que o comunista Roberto Freire (nomeado procurador do Incra pelo general Médici, o “cruel ditador”), depois de uma “sabatina”, garantiu que o animador é um “brioso social-democrata” e abriu as portas do seu PPS (antigo PCB) para o candidato de voz fanha e nariz de tucano.

Enquanto as eleições não chegam, o pessoal do esquema intensifica sua peçonha diária contra o candidato Bolsonaro, que sobe nas pesquisas. Semana passada, O Globo descobriu que o candidato é contraditório: posando de liberal, Bolsonaro teria votado contra o Plano Real e reformas “progressistas”. Pior: votou contra a privatização da Petrobras e, por não concordar com a venda da Vale do Rio Doce por preço de banana, afirmou que FHC, mentor da façanha, “merecia um tiro”.

Vamos por partes. Antes de tudo é preciso dizer que o mitológico Plano Real não passou de uma fraude  programada. Na conversão da moeda, em 1994, a mercadoria que valia, por exemplo, Cr$ 30,00 passou a custar Cr$ 100,00, visto que a antiga moeda, substituída pelo real, foi desvalorizada em cerca 70%. Por sua vez, num passe de mágica, o dólar passou a valer (artificialmente) menos que o real – o que elevou os juros aos cornos da lua e, mais tarde, alimentou a inflação e o desemprego em dois dígitos, tornando FHC, no segundo mandato, objeto da ira e do deboche popular. Sendo apontado  por isso como principal responsável pela vitória eleitoral de Lula, o Chacal.

No que se refere à postura de Bolsonaro quanto a manutenção do monopólio da Petrobras, a empresa  foi simplesmente considerada como  princípio ativo do nacionalismo econômico dos militares que tiraram o Brasil da merda, de Castelo Branco a Figueiredo, passando por Médici e Geisel. Mais radical, em sentido inverso, foi Roberto Marinho que, nos anos 1950, promoveu ostensiva campanha contra a estatização do petróleo.

Ia falar sobre o “populismo” imputado ao candidato Bolsonaro, mas deixo a tarefa para depois.

 

PS – No caso do animador da Globo, a recente retirada de sua candidatura não anula o espaço global gasto na promoção do falso candidato. Nem invalida as minhas observações, pelo contrário, as confirmam.

 

Ipojuca Pontes, cineasta, jornalista, e autor de livros como ‘A Era Lula‘, ‘Cultura e Desenvolvimento‘ e ‘Politicamente Corretíssimos’, é um dos mais antigos colunistas do Mídia Sem Máscara. Também é conferencista e foi secretário Nacional da Cultura.

 

 

  • Eduardo Cabral

    O Ipojuca poderia falar das noviças rebeldes e o banqueiro João Amoéba

  • tabajara_music

    Dá náusea, ligar a TV neste
    canal.

  • Osvaldo Pereira Júnior

    Fiquei aliviado ao saber hoje que Luciano Huck não irá se candidatar. Imagine quantos votos esse desgraçado iria tomar do Bolsonaro?

    Só falta agora ficarmos livres do Dória e ai sim as chances de Bolsonaro realmente vencer são bem grandes. Mas claro com voto impresso nas urnas, caso contrário quem vence é Ciro Gomes ou o Lula se ele não for preso.

    • Daniel De Paula

      Vai nessa que não vai se candidatar. Agora ele sai de cena, mas no meio do ano que vem pode reaparecer quando o povo menos espera, e com 99% de intenção de voto segundo o DataFalha!

      • Osvaldo Pereira Júnior

        Pode ser.

    • Candangus2

      Desculpe, mas minha opinião diverge. Luciano Huck não toma votos de Bolsonaro, nem hoje, nem ano que vem. Acho até que atrapalharia a esquerda. E é por isso que vetaram a sua candidatura. Se fizesse cosquinhas no eleitorado do Mito, teria alguém financiando o narigudo.

      • Rodrigo Gonçalves Pereira

        Que histórico? Conte mais que tá pouco!

  • Daniel De Paula

    Texto excelente. Só acho que você devia ter se aprofundado mais nessas questões referentes ao Plano Real e às privatizações. Este assunto é pouco abordado por conservadores, dada a sua complexidade. PS: Ainda não vi absolutamente nada na Globo sobre o Bolsonaro. É absoluta a certeza de que, quando abrirem o bico para falar dele, utilizarão da mais pesada artilharia. E artilharia fake, como sempre fizeram.

    • Paulo Silveira

      eu vi.. o escandalo que fizeram dele mostrar o livro do ustra (efeito contrario – promoveu o ivro).

  • Marcos Menezes

    É Luciano Huck,dr. Rey,daqui a pouco até o Bozo vai querer se candidatar.

    • Gustavo Costa de Oliveira

      Dr. Rey é um cara bom pra ocupar espaço como deputado

      • Rodrigo Gonçalves Pereira

        Se quem vota no Lula votar nele. Jé é lucro.

        • Blue Eyes Na Resistencia

          Ocupação de espaços… o inimigo do meu inimigo é meu amigo… clássico pensamento gramsciano, tem que ser usado pela direita como fogo contra fogo…

    • Darlei dos Santos

      kkkkk
      Pior viu, e todos falando que são de “direita”
      estranho não?…… depois de tantos anos de esquerda caviar…
      agora ta na moda dizer que é de direita…
      ou será para nos dividir ainda mais?
      BOLSONARO 2018! e ponto final.

  • Rafael

    Quando li o título pensei que seria mais uma teoria da conspiração…Até que não.

    À esquerda e à direita nos estamos perdidos.

    • Blue Eyes Na Resistencia

      ISENTÃO DAZISQUERDAS… rsrsrssrssssss…

  • Volverine Silva

    Até que enfim um artigo imparcial e equilibrado. Mesmo assim certos comentários meu Deus! Até hoje existe brasileiro esperando aparecer um presidente deus, ou o superman, a parte retardada do Brasil é que provoca o sofrimento das pessoas sensatas desse país. Só espero por um presidente honesto e que seja ser humano e não um parasita politicamente correto com sangue de barata.!

  • Paulo Silveira

    Peço que comentem também – o tal encontro do Geraldo Alckimin – com a esquerda de verdade – direitos humanos. Também tenho um caso na UNESP que pode ser principio de coisa boa – diretores e vices, alguns esquerdistas, cansaram de serem malhados pelos sindicatos de professores e servidores e responderam em carta aos ataques. vou passar os textos no face de voces. alias tenho muito o que passar a voces do midia.

  • Mauro Julio Vieira

    Excelente análise da nossa totalmente podre realidade jornalística e política.