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Exibindo as entranhas do poder

6 de novembro de 2017 - 19:00:07

(Artigo sugerido por Olavo de Carvalho em seu Diário Filosófico no Facebook.)

Nigel Farage, líder do UKIP, e o presidente americano Donald Trump.

 

Se alguma coisa podemos aprender com a ascensão do UKIP no Reino Unido, com a candidatura de Donald Trump nos Estados Unidos e, dentre outros exemplos, com a emergência de uma direita desorganizada no Brasil, é que o surgimento de uma nova força política sempre acaba por expor a verdadeira natureza de um regime e, consequentemente, dos grupos que o controlam.

Clausewitz dizia que a política é a continuação da guerra por outros meios, e, em que pese ouvirmos com certa frequência que isso não passa de uma metáfora inteligente, acredito que o general prussiano nos ofereceu uma das descrições mais exatas da política moderna.

Nas democracias ocidentais, a política normalmente se reveste de um manto de civilidade que, apesar de estar brutalmente distante da realidade e talvez justamente por isso, serve apenas para encobrir sua verdadeira natureza e para impedir que as pessoas comuns e os outsiders vejam além das externalidades, frustrando-os de enxergar o que está por trás da aparência de normalidade com que os detentores do poder ocultam os meios, mais do que sórdidos, que utilizam para se manter no poder: o controle hegemônico, a mentira, a dissimulação, a trapaça, a manipulação, a pilhagem, a corrupção, o homicídio… a lista é infindável.

Essa realidade oculta é exposta quando surgem novas forças políticas porque, quando o são de fato novas, estas forças surgem sempre como expressão de um grupo de outsiders que jamais será capaz de chegar ao poder se aceitar os métodos “civilizados” daqueles que está a desafiar, e que, portanto, terá de expor publicamente a violência e a feiura escondidas por trás de todo o aparato de ocultação, revelando as condições concretas que corroem os próprios valores que o establishment dissimuladamente diz defender.

Assim, com a ascensão do UKIP, o povo britânico e europeu é exposto à arrogância centralizante da União Européia; com a candidatura de Trump, os americanos são confrontados com a corrupção inimaginável não apenas dos Clintons e dos Obamas, mas do establishment como um todo; e, com a emergência da direita brasileira, nosso povo começa a ter, pela primeira vez, um pequeno vislumbre da sórdida e intrincada estratégia que permitiu à esquerda estabelecer sua hegemonia cultural e, com isso, dominar as mentes até mesmo daqueles que nos dominam politica e estatutariamente: os membros do velho estamento burocrático.

Nenhum desses processos está concluído. O UKIP ainda precisa ver o Brexit tornar-se realidade; Donald Trump ainda precisa consolidar o seu poder e superar uma série de desafios; e a direita brasileira tem pela frente um universo de afazares, a começar pela sua organização interna e pela luta por seu direito de existir. Em todos estes casos, porém, o êxito só será possível mediante o reconhecimento de que os grupos que controlam o poder não são onipotentes nem anti-frágeis, que a maior força deles é também sua maior fraqueza, e que, como ensinam Bertrand De Jouvenel e Olavo de Carvalho, o poder pode mudar sua aparência mas jamais a sua realidade – em outras palavras, é necessário fazer da denúncia da natureza do poder de nossos inimigos a nossa maior arma, esmagando as aparências e tornando, exibindo as entranhas do poder e tornando a realidade visível a todos.

* * *

Guillaume Liegey, o estrategista de Emmanuel Macron, chegou hoje ao Brasil prometendo à nossa classe política a fórmula secreta para derrotar o “populismo”, uma palavra-gatilho que cada vez mais tem sido esvaziada de seu significado e utilizada para despertar reações contra o deputado Jair Bolsonaro, que, ironicamente, dentre todos os presidenciáveis, é o menos afeito à demagogia, aos jogos de cena e ao bom-mocismo do marketing político.

Liegey, que também trabalhou nas campanhas de Obama e de uma porção de outros políticos de esquerda apresentados ao público sob um invólucro de novidade, se reunirá com Luciano Huck, Henrique Meirelles, João Dória e Marina Silva. Ele também se encontrará com representantes de lideranças nacionais fabricadas pelo establishment, como os movimentos “Agora!” e “Acredito”, e tem a pretensão de voltar para a França com um contrato milionário e com a missão de repetir por aqui a façanha de transformar algum figurão do establishment em um outsider biônico; em um candidato capaz de prometer mudança e novidade à população ao mesmo tempo que garante continuidade às classes dominantes.

Os truques de Liegey e de seus parceiros, Vincent Pons e Arthur Muller, não são grande coisa, mas, se surtirem efeito, certamente teremos por aqui o aprofundamento da crise atual e uma situação ainda pior que a da França, onde apenas 12% dos franceses estão satisfeitos com o governo, um número significativamente menor do que os obtidos por Donald Trump nos EUA (em torno de 43%), motivo pelo qual a aprovação de Macron é sempre omitido pela nossa mídia — a mesma mídia que quer nos vender o presidente francês como o modelo a ser seguido e que, frequentemente, alardeia a aprovação do presidente americano como sinal de fracasso e rejeição.

Seja como for, de uma coisa podemos estar certos: como tenho dito desde o início do ano, o Brasil será o próximo palco de um embate entre forças soberanistas e forças globalistas; de uma queda de braço entre o povo e os grupos que o dominam; entre o homem comum e os donos do poder.

https://www.facebook.com/filipe.garcia.5621

 

  • Marcos Menezes

    O momento político e histórico que estamos vivendo é decisivo.Pela primeira vez em muito tempo o povo,a massa,a maioria da população tem a chance de se livrar desses parasitas globalistas e o Brasil terá essa chance em 2018.Espero que aproveite.

    • Osvaldo Pereira Júnior

      Sem voto impresso e com Lula solto será mais 8 anos de PT.

      Sem voto impresso e com Lula preso sera Ciro Gomes em 2018.

      Com voto impresso será Dória ou Bolsonaro em 2018.

  • Rafael Nascimento

    A direita está se expandindo tímida porém consistentemente em todos os segmentos da sociedade brasileira já faz alguns anos. Liberais, conservadores, libertários, monarquistas, etc, cada grupo a seu modo tem tido sucesso em fazer sua mensagem ecoar com cada vez mais amplitude no seio da sociedade, coisa inimaginável há 20 anos atrás. Essa onda não vai retroceder tão cedo, pelo contrário, tende a avançar com ainda mais fulgor nos próximos anos e tudo leva a crer que o primeiro símbolo concreto desse avanço será a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. O establishment está acusando o golpe e sabe que sua única chance de respirar mais um pouco e brecar o avanço da direita são as urnas fraudadas. É imperioso que todas as vertentes da direita sejam unânimes e tenham como prioridade pelo menos um ponto: urnas auditáveis e apuração pública de 100% dos votos em 2018.

    • marcosxbr martins

      Tem razão Rafael! Esse é o único estratagema esquerdista que não devemos aceitar de modo algum; a auditoria a portas fechadas das URNAS. Se aceitarmos novamente essa patifaria, estaremos enviando um sinal “posiivo” para os políticos, que assim pensaram: ACABOU CAMARADAS ISSO AQUI É TUDO NOSSO, PODE ACELERAR O PROCESSO E FODA-SE O POVO.

    • Rafael

      Desculpinha boa essa ai da fraude.

      • Marcelo Leira

        Porque desculpinha? Por acaso você acredita que as eleições no Brasil são legítimas?

        • Rafael

          Até agora não constatou fraude eleitoral no Brasil, mas aqui tudo é possível, caso o “mito” ganhe nas regras atuais pedirão auditoria também?Duvido.

          • Osvaldo Pereira Júnior

            Lógico que não constatou. Como você vai fazer recontagem de votos sem voto impresso?

          • Pedro Hongaratti

            A urna eletrônica usada no Brasil não é totalmente confiável, “está sujeita a fraudes internas e externas” e “não permite auditoria”, segundo especialistas ouvidos pelo UOL. Isso significa que seu voto pode ir a outro candidato e não……. https://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/08/29/especialistas-alertam-para-possibilidade-de-fraudes-na-urna-eletronica.htm

          • Newton (ArkAngel)

            Apuração feita de portas fechadas em um sistema que não permite recontagem não é fraude? Ou você é muito cínico ou então é burro mesmo.

          • Ig Moura

            Ao que parece as duas coisas.

      • Gustavo Costa de Oliveira

        é claro que se o Bolsonaro ganhar a suspeita de fraude será menor, já que o establishment inteiro está contra ele.. vc não sabe pensar, não?

        • Rafael

          Contra ele e contra o Lula.

          • Pedro Hongaratti

            Contra o Lula? kkkkkkkkkk Faz me rir!!

      • Gustavo Costa de Oliveira

        e tem várias fraudes comprovadas, mas devidamente abafadas.. por exemplo, mesma impressão digital chega a corresponder a 30 títulos

    • rodrigo

      Dizer que Bolsonaro é de direita quando não há em seus projetos propostas redução do estado. O que vocês chamam de direita não passa de um anti petismo.

  • Adilson Baptista

    Os danosos governos esquerdistas no Brasil deram ampla margem para o surgimento da direita como contraponto do que tínhamos até então. O momento é crucial, mas a direita não pode perder o bonde da história por conta da desinformação e desorganização. Se a esquerda é articulada, a direita deve ser ainda mais. As eleições de 2018 podem ser esse divisor de águas a clarear os rumos do nosso futuro, não que a direita brasileira seja salvação de algo, mas é, com certeza, o freio providencial nesse processo de comunização da América Latina.

    • Rafael

      Governos esquerdistas onde? No Brasil? Quando? A esquerda brasileira é tudo menos articulada, tanto que apanha sempre da direita mais imbecil do mundo.

      • Marcelo Leira

        O que você acha que é direita no Brasil?

        • Rafael

          A bancada BBB que domina o Congresso é exemplo, a mídia hegemônica é direita, enfim, aqui esquerda só apita em DCE e na cabeça dos leitores desse site.

          • Renato

            Quem a Globo apoiou para a prefeitura no Rio? De onde saiu Jean Wyllys? O que a Globo acha de homem pelado em museu?

          • Rafael

            Na PRJ estava um dos líderes da IURD, a Globo apoiaria o próprio satã contra ele, Jean foi na aba do Chico Alencar. Se homem pelado em museu chegou a ser discutida na Globa só prova que a direita tacanha consegue pautar o país no que bem entende, o que só evidencia a fraqueza da esquerda nacional.

          • Renato

            1) Pelo menos você reconhece que a Globo apoiou Marcelo Freixo.
            2) Quem tirou Jean Wyllys do anonimato foi a Globo, ou você se esqueceu que ele é um ex-BBB?
            3) A direita não pautou o país com o caso do pelado no museu porque os protestos surgiram como uma REAÇÃO a isso. E a Globo se aproveitou disso para fazer proselitismo ideológico.

          • Rafael

            Ex- BBB não uer dizer nada, quantos concorreram e não ganharam.
            Reação? Sei.A direita lança as cenouras e a esquerda vai atrás.

          • Ig Moura

            O fato de uma mídia mainstream querer discutir algo não quer dizer que ela apoie o assunto. Se você prestar atenção na matéria exibida no fantardigo, o viés do discurso é puramente de esquerda. No seu comentário, o que tem de realidade é a fraqueza que a esquerda tem demonstrado ultimamente. Fraqueza essa que não existia a uns 20 anos atrás.
            A direita começou a dar sinais de vida agora, e muito precário por sinal. Falta organização e coesão.

          • Rafael

            A mídia dá uns biscoitos pra esquerda ficar feliz, nisso a mesma deixa de discutir os problemas de verdade da população,segurança, trabalho, e fica presa na pauta moral.A direita brasileira precisa estudar, parar com teoria da conspiração e ir direto ao que interesse ao povão: Trabalho, se ir por essa linha acaba de exterminar a frágil esquerda nacional.

          • Ig Moura

            Não, a mídia não dá biscoito a esquerda. É o governo de esquerda quem dá os biscoitos à mídia. Isso justificado pelo 70% de todo custo das emissoras que são pagos com dinheiro concedido pelo governo. E sim, esses são problemas de verdade, no entanto, é necessário uma prioridade na ordem de importância. Coisa que acredito, que a ordem que você citou não corresponde. E a direita está estudando, e muito, diga isso ao pessoal do TERÇA LIVRE, BRASIL PARALELO, CONSERVADORES, SENSO INCOMUM.
            Essa justificativa de teoria da conspiração não cola mais, Rafael.
            E trabalho não é um ponto de grande importância se comparado a moral, entenda que não estou dizendo que nada deve ser feito com relação ao trabalho, deve ser concomitante a atuação em ambos, porém, acredito que a maioria dos leitores deste site admitem, a urgência está em resguardar a moral e os bons costumes. Reverter o quadro que foi pintado pela esquerda, dentro do campo moral, vai demorar uns 20, 30 anos.

      • Newton (ArkAngel)

        Não há como apanhar da direita, pois não existe nenhum partido de direita no Brasil.

  • Roberto

    Quem disse que a política é a continuação da guerra por outros meios foi o FOUCAULT!!!! O que o Clausewitz disse foi que a guerra é a continuação da política por outros mesmos. O Foucault inverteu a frase dele e o mencionou em um texto. Que erro enorme! Que horror! Não duvido nada que a citação tenha sido tirada do Foucault mesmo,

    • Rafael

      Nossa rapaz, o senhor citou o Foucault aqui, se disser que leu, logo te chamarão de petralha/comunista/gaysista/feminista.

      • Roberto

        Só idiota pra achar que mencionar um autor e o mesmo que admitir adesão ou até fazer apologia do mesmo. Nem dou bola pra gente assim.

        • Rafael Silva

          Não dê bola pra esse outro Rafael. A maioria dos direitistas que ouço falar(inclusive eu) leem gente como Foucault, não porque acham que vão encontrar algo aproveitável, mas para saber o que seus opositores pensam. Isso é tão verdade que ninguém lhe xingou aqui.

      • Pedro Hongaratti

        Não somos de esquerda, por isso não vamos fazer isso, diferente de pessoas como você, nós somos tolerantes!!

        • Ig Moura

          Não tolere demais. Tem muitos leitores e comentaristas desse site que já estão de saco cheio com ele. Pra tudo tem um limite, até a tolerância.

      • Tiago Sarmento Franco Araújo

        Grande Rafael, você é um agente de desinformação muito fraco. Na época que militava para as hostes comunistas eu não deixava rastros nas redes sociais. Precisei verificar por alguns minutos seu profile pra descobrir que você é um participante ativo do Diário do Centro mundo ( extrema esquerda) e do A Pública (Esquerda). Suas postagens são bem interessantes nesses fóruns e demonstra claramente que o senhor é um agente da desinformação esquerdista. Vide um dos comentário no Diario do centro mundo que coloco aqui na íntegra:
        Discussão sobre Diario do Centro do Mundo 51 comentários
        VÍDEO: Feliciano convoca para ato contra palestra em SP de filósofa americana cujos livros não leu e cujo nome não sabe
        Rafael
        Rafael há 8 dias
        O voto evangélico e extremamente pernicioso, quem acredita em Deus acreditada em qualquer coisa.
        Responder Ver na discussão
        Rafael
        Rafael Thiago Melo Teixeira 8 dias atrás
        Isso foi bem sucedido em 2013 e em 2014, mas democraticamente deixamos a coxinhada tomar como ruas, deu no que dar.

        • Rafael

          Sou não Tiago, nunca escondi minha tendência ideológica.

    • Marco Marco

      Como não sabia quem realmente fez a citação fui procurar. E quem de fato a fez foi Clausewitz, o Autor do artigo está correto.

      Para mais informações ver : https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Carl_von_Clausewitz

      • Roberto

        As fontes confirmam o que eu disse. Não confunda as duas frases. Elas são parecidas mas tem sentido completamente diferente. Uma diz que a política é a guerra sob forma civilizada. Outra diz que os problemas internos de um país transbordam para fora em confrontos com outros países.

      • Marcelo Sproesser

        Não confie tanto na wikipedia. Veja a página 91 do livro “Da Guerra”, tradução do inglês para o português por Luiz Carlos Nascimento e Silva do Valle, do site Escola de Guerra Naval, link https://www.egn.mar.mil.br/arquivos/cepe/DAGUERRA.pdf

    • Marco Marco
    • Marcelo Sproesser

      Postei meu comentário acima sem ter lido o seu, desculpe. Não sabia do comentário do Foucault, de quem pouco ou nada se aproveita. Talvez como contra-exemplo…

  • Marcelo Sproesser

    Sr Filipe Martins, concordo com o sentido geral do texto, mas cabe uma correção. Clausewitz NÃO disse que a política é a continuação da guerra. Ele disse, em seu livro Da Guerra: “A guerra não é um fenômeno independente, mas a continuação da política através de meios diferentes”. A inversão das proposições talvez tenha sentido, mas não estou certo de que as mesmas sejam realmente biunívocas. Às vezes citações de memória podem gerar confusões, e peço que entenda meu comentário de modo positivo.

  • Marcelo Sproesser

    Como parece persistir a dúvida sobre a citação, peço verificarem a página 91 (entre muitas outras) do livro “Da Guerra”, tradução do inglês para o português por Luiz Carlos Nascimento e Silva do Valle, do site Escola de Guerra Naval, disponível no link: https://www.egn.mar.mil.br/arquivos/cepe/DAGUERRA.pdf
    Apesar da tradução não ser feita diretamente do alemão, acho improvável ter ocorrido um erro deste tipo, além do mais repetidamente.

  • Pergunta: Será que Trump em algum momento irá investigar os crimes de Soros?
    e, quais são os aspectos internos da direita brasileira que precisam se organizar?