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O Rio de Janeiro continua sórdido

29 de janeiro de 2018 - 19:34:58

Ao contrário do que diz o sambinha baiano – de indisfarçável ranço demagógico – o Rio de Janeiro continua sór-di-do (e bota sordidez nisso). Ao vasto acervo de misérias que o degradam há mais de quatro décadas, ajunta-se agora o anúncio feito por Lula, no Teatro Casa Grande (velho terreiro da esquerda “festiva”), da candidatura de Celso Amorim, o “Celsinho da Embrafilme”, ao cargo de governo do Estado do Rio de Janeiro. É karma. Como já escrevi antes, Amorim é o anti-diplomata que o Brasil teria a obrigação de desterrar mas que nenhum país democrático do mundo poderia receber.

Falo adiante sobre o “desastre” Amorim mas, antes, devo informar  ao leitor que atuo no Rio como jornalista desde os áureos tempos de Carlos Lacerda, governador excepcional, probo, corajoso e realizador que, no Rio Janeiro (à época, Estado da Guanabara), fez quase tudo que nele há de importante, ainda hoje, lá se vão quase 60 anos!

Embora sem a mesma grandeza de Lacerda, cito, de memória, alguns governadores corretos, entre eles, Negrão de Lima, ex-prefeito da antiga Capital Federal, que se interpôs à bagunça comunista; Floriano Faria Lima, administrador objetivo na integração da cidade ao interior do Estado, tarefa árdua, além de construir viadutos, obras do Metrô e, na base, as usinas nucleares de Angra dos Reis; e ainda Chagas Freitas, que durante dois mandatos dialogou com os militares e empreendeu milhares de obras – e que, por isso mesmo, era odiado por Ulysses Guimarães, múmia politiqueira que nos legou uma constituição de direitos sem haveres – vale dizer, uma mixórdia que tornou o país ingovernável.

Mas quem marcou fundo a esculhambação assumida que impera hoje no Rio foi, em definitivo, Leonel de Moura Brizola, o “Engenheiro do Caos”, caudilho rocambolesco que introduziu no pedaço o permissivo “socialismo moreno”, prática política  que consolidou a transformação das favelas em território livre para a  exploração do narcotráfico e do contrabando de armas – ambos oficialmente imunes ao combate policial. Seus acólitos iam do malandro Carlos Imperial ao folclórico Cacique Juruna, passando por Agnaldo Timóteo, César Maia e Garotinho até chegar a Darcy Ribeiro (“louco de pedra”) e Saturnino Braga, economista da Cepal que, eleito prefeito, decretou a falência da cidade e em seguida, por incompetência, abandonou (chorando) o cargo.

Depois do caudilho Brizola vieram os socialistas Moreira Franco (apelidado de “Vira-Bosta”, pássaro dos pampas, pelo próprio Brizola); Marcelo “Velho Barreiro” Alencar; Anthony “Trêfego” Garotinho e a consorte Rosinha; Sérgio Cabral (formado pela Juventude Comunista na decoreba de “O Estado e a Revolução”, do também assaltante Vladimir Lenin) e Luiz Fernando Pezão, herdeiro de Cabral, conhecido intramuros como “Mãozão” – todos, sem exceção, investigados, processados e alguns até condenados por ladroagem, corrupção, falsidade ideológica, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crimes de igual teor. O mais vil, Sérgio Cabral, mitificado pela mídia esquerdista enquanto candidato eleito (duas vezes), era o anfitrião de festas romanas rigorosamente “privês” oferecidas ao chefão Lula, o Chacal, no seu Taj Mahal de Mangaratiba.

No seu livro “Leviatã”, Thomas Hobbes, teórico político inglês do século XVIII, profetiza o advento de uma sociedade na qual prevaleceria a “guerra de todos contra todos”. Toucheé!

É exatamente o que se passa no Rio de Janeiro de hoje, desgovernado ao longo dos anos por mandatários socialistas absortos em propagar “direitos humanos, igualdade e justiça social”. De fato, fracionado em centenas de campos de batalha, a cada minuto policiais enfrentam bandidos bem armados, que, por sua vez, tocam fogo nas falidas UPPs (invenção e objeto de marketing cabralino) e matam militares aos magotes. Em meio a permanentes  rajadas de metralhadoras, granadas e tiros de fuzil, morrem homens, mulheres, velhos e crianças vítimas de “balas perdidas” – que de perdidas não têm nada.

Por sua vez, com a mídia local voltada para a divinização de lésbicas, gays, bissexuais e travestis (LGBT) e a fervorosa campanha pela liberação da droga, o Rio aflito vive no sufoco vitimado por “sequestros relâmpago”, arrastões em praias e zonas comerciais, assaltos a restaurantes, bares, lojas e hotéis. Nos últimos tempos, intensificaram-se as explosões de caixas eletrônicos e os sequestros de caminhões transportadores de alimentos e produtos eletrônicos, embora o comunista Raul Jungmann, barbudinho ministro da Defesa, apareça toda hora nas TVs prometendo o controle dos assaltos e saques pelas tropas do Exército – saques que se sucedem, em rotina monótona, pelo menos seis vezes por dia.

Inútil assinalar ainda que o Rio, cidade de limpeza urbana ocasional, está catalogado pela Agência TripAdvisor International como “uma das dez cidades turísticas mais sujas do mundo”, ao lado de Bangkok e Bombaim, urbes 100% putrefatas. Nas suas calçadas e sob viadutos, vegetam cerca de 90 mil zumbis, alcoolizados ou maconhados e famintos, num vai e vem sem fim. Pior: nas regiões serranas, chuvas mais prolongadas colocam cidades como Petrópolis, Teresópolis e Friburgo à mercê de desabamentos fatais pelo deslizar de encostas sobre casas e barracos. Em geral, como as verbas oficiais são roubadas pelos prefeitos não há ação preventiva nem apoio aos deserdados da sorte.

Voltando ao “desastre” Amorim – o candidato do condenado Lula ao governo do Rio de Janeiro -, descobri  que o espaço ficou exíguo para relatar parte mínima de suas “proezas”. Fica para o próximo artigo.

 

Ipojuca Pontes, cineasta, jornalista, e autor de livros como ‘A Era Lula‘, ‘Cultura e Desenvolvimento‘ e ‘Politicamente Corretíssimos’, é um dos mais antigos colunistas do Mídia Sem Máscara. Também é conferencista e foi secretário Nacional da Cultura.

 

  • Felipe Amaral

    Ótimo artigo parabéns!!
    Triste realidade do Rio de Janeiro

  • Newton (ArkAngel)

    Deus fez o mundo em seis dias, e no sétimo Ele descansou; estava lá Ele limpando o nariz, quando então pega a meleca, faz a “bolinha” e atira em direção à Terra. Onde a bolinha caiu, hoje é a Lagoa Rodrigo de Freitas.

  • Eduardo Prestes

    Muito bom o artigo. Morei 4 anos no Rio de Janeiro e minha percepção foi muito similar. O local que a cidade ocupa é paradisíaco, há interessantes construções antigas, mas a decadência material, moral e humana nos últimos 30 anos causou estragos insolúveis. Saí do Rio pela convicção de que tudo só irá piorar. Há uma falta de civilidade entranhada na cultura popular (favelas), os jovens são violentos e avessos ao conhecimento. E a elite está contaminada por um marxismo preguiçoso, que tolera a barbárie como um prenúncio de uma revolução redentora. O Rio é uma cidade pontilhada de monumentos naturais, mas também suja, sem educação, sem lei e sem harmonia social.

    • Sebastião José da Silva

      É exatamente o que vejo. Pena que ainda não consegui ir embora daqui.

  • Jr

    O maior responsável por todo esse caos é o eleitor.

    • Felipe Toget

      Eu acho ingenuidade colocar a culpa num ser humano limitado, que vota com o estômago e acredita em salvador da pátria. Se esse eleitor (desconsiderando aqui a manipulação de votos articulada pelo trio: TSE, SmartMatic e urnas eletrônicas) ao menos pensasse com o próprio cérebro, eu até concordaria com o senhor. Acho que você se refere a outra parte desses votantes: o idiota útil, né isso? Tipo Wagner Moura e afins… Ah, mas esses também não pensam com a própria cabeça. Foi mal!

  • Luiz F Moran

    O marco mais infeliz da nossa história foi o golpe militar dado em 1889, e que veio a se tornar o maior problema do Brasil: a proclamação da república.
    A República é uma sucessão de golpes e fracassos regados ora pelo populismo de viés fascista-marxista (socialista / desconstrucionista), ora pelo patriotismo de viés positivista (estatista / protecionista).
    Os inúmeros governantes republicanos, dotados de poder quase monárquico-absolutista, promoveram uma enormidade de estragos nas esferas cultural, política, econômica e social ao longo dessas 13 décadas, agravados em intensidade e espectro especialmente após a promulgação da Constituição Federal de 1988.
    Na esfera cultural o que nos resta hoje é uma elite intelectual recheada de vigaristas, com uma retórica sofista e intelectualmente desonesta, impondo à nossa sociedade uma abjeta ditadura do politicamente correto e das “minorias”, amparada e promovida por uma mídia de massa alinhada ideologicamente a esta trupe de farsantes.
    Na política o que vemos é um bando de corruptos hipócritas azeitando a máquina parasitária do Estado em seu benefício próprio, estimulando e incrementando o medonho e amoral modelo patrimonialista, centralizado no politburo candango.
    Em economia sequer conseguimos chegar perto do que se entende por capitalismo, ao contrário: desde o primeiro minuto do Brasil República nos encontramos atolados no intervencionismo estatal (keynesiano) operado sob as bases de um modelo econômico fascista, onde meia-dúzia de grandes empresários e banqueiros com boas conexões políticas se vendem ao modus operandi dessa gangue dos 03 poderes.
    Por fim, no âmbito social o que temos são: 70 mil homicídios por ano, uma justiça abraçada à impunidade, uma exorbitante carga tributária sem contrapartidas e serviços públicos calamitosos (saúde / seguridade / ensino). A mentalidade marxista da maior parte da sociedade, sempre ávida por uma “ajudinha” do Estado-Babá que, em sua crença pueril teria o poder de lhes assegurar tudo o que necessitam para usufruírem de suas vidinhas estéticas, melancólicas e alienantes, vem a ser a garantia inabalável deste círculo vicioso.

    • Robson La Luna Di Cola

      Me mostre um país onde existe o verdadeiro capitalismo. Uma utopia. No mundo inteiro, inclusive nas democracias super-desenvolvidas, vemos a associação gigantesca entre Estado e a iniciativa privada. E não pode ser de outro jeito.

      • Luiz F Moran

        Suiça, EUA (sob Trump), Irlanda, Nova Zelândia e Austrália, são alguns exemplos de países onde o liberalismo econômico existe dentro dos limites “permitidos” pela atual conjuntura global.
        No Brasil o modelo econômico é o FASCISTA, e o político é o SOCIALISMO descarado.

        • Robson La Luna Di Cola

          Os EUA de Trump, onde ao mesmo tempo em que ele reduz impostos, aumenta as despesas militares para fortalecer o Império da “liberdade e da democracia”? Agora, ele vai levar o Big Stick para o planeta inteiro. E lucrar com isso, como fizeram durante séculos na América Latina. E a Suiça? O Grande Banco Mundial? Inclusive usado para estratégias de evasão fiscal, lavagem de dinheiro? Do narco-tráfico, inclusive? Liberalzotes, deixem ser as Pollyannas mais ingênuas do planeta! Vocês não perdem nem para os utopistas comunistas…

          • Luiz F Moran

            amigo, quem disse que sou liberal ? sou conservador e não gosto de rótulos.
            quanto à sua opinião: prefiro o modelo dos EUA, Suiça, Nova Zelândia do que o nosso.
            Por fim: como a opção é apenas o planeta Terra, então…o menos ruim é o que temos de melhor.

          • Robson La Luna Di Cola

            Ufa! Ainda bem! O liberalismo é a pura lei das selvas. Onde prosperam os espertalhões e os mais ferozes. Realmente os modelos que você citou, comparado com o nosso, são melhores. Agora no plano de uma visão ideal, referencial, defendo o Capitalismo Virtuoso. Onde existem valores transcendentes (cristãos) orientando cada atitude que tomamos em nossa profissão e nos nossos negócios.

          • Sebastião José da Silva

            Boa tarde,
            Existe algum país onde Capitalismo Virtuoso já é realidade?

          • Robson La Luna Di Cola

            Não! Somente no Jardim do Éden existia, antes do Pecado Original. Depois da Queda, nosso planeta virou a terra dos bandidos. Por isso, temos que ter sempre os bandidos lutando entre si. Para que não nos esmaguem. Os bandidos do capitalismo lutando contra os bandidos de um estado regulador e vigilante.

        • Leonardo Braga

          Veja isso:.

    • JOSE FERNANDO DE MOURA COUTINH

      Textos irretocáveis !! Tanto o do Ipojuca quanto o seu comentário!! Ave Império !

  • Francisco A. Lobo

    Ipojuca Pontes, irretocavel, exelente, com uma visão incisiva, considero um dos melhores colunistas desta país.

    • Felipe Toget

      Precisão cirúrgica!!!

  • Robson La Luna Di Cola

    Mas quem quer acabar com a pobreza no Brasil? Os políticos, sejam de esquerda, sejam os “coroné” dos grotões do Norte/Nordeste, querem manter os miseráveis dependentes de seu assistencialismo feito de migalhas. As empresas, querem também uma multidão de miseráveis, dispostos a trabalharem por um salário mínimo e uma cesta básica. Além dos casos extremos das empresas ilegais trabalhando com MO semi-escrava. Poder e dinheiro! Isso move o mundo! Ganância!

  • Robson La Luna Di Cola

    Falando em criminalidade no RJ, e os 100 PM’s que foram presos no ano passado, inclusive oficiais, acusados de conluio com o narco-tráfico? E os casos de juízes vendendo sentenças para inocentar bandidos? É claro que essas desgraças explicam a maior parte da altíssima criminalidade que acontece no RJ e no Brasil inteiro. GRANA!!!! Neste maldito mundinho burguês, sem valores transcendentes, todo mundo quer ficar milionário. Seja honestamente, seja na sacanagem ou na violência. Mas para os liberalzotes, é túdu kúpa duz kumunista…

    • Jorge Mateus

      O Rio não tem Mais Jeito. Os Policias Presos Bateram a Meta do ISP em Primeiro lugar do Estado. Com mais 1100 Presos, 1500 Armas entre Fuzis Pistolas e revolveres etc.Nem eu Entendi como morador isso.
      O delator condenado por 4 Crimes inclusive assassinato. AOs100 Pms Presos. 97 Estão soltos. um Deles trabalhava na Folga para Mim..suspeita-se de De Tortura, Falsidade documental,Falso testemunho e inclusive um estupro dentro da Dp Onde o delator ficou estudando a ficha dos delatados durante 1 Ano e 4 Meses. Enquanto isso A Vida Aqui São Gonçalo virou um inferno..
      E perdi meu Comercio passei a ter q Pagar ao Tráfico 800 Por mês para vender Água e gás Próximo de uma Comunidade. 4 Funcionários sem emprego. Ah Inclusive meu Concorrente Fechou. Tudo Acabou. Quero Saber que Justiça é essa.. Só No Estado do rio Mesmo

      • Robson La Luna Di Cola

        Enquanto ficamos com este ESTÚPIDO discurso ideológico, tipo Foro de São Paulo, Revolução Cultural Gramsciana, vemos o colapso civilizacional de nosso país. A corrupção se estendendo em todas as esferas de nossa sociedade. Inclusive na iniciativa privada. e na conduta moral dos nossos cidadãos. Hoje, no Brasil, prevalece a Lei de Gerson. Todo mundo quer levar vantagem em tudo. Não adiantarão as trocas de partido nas próximas eleições. Somos uma nação decadente. Em todos os sentidos.

  • “Falo adiante sobre o ‘desastre’ Amorim mas, antes, devo informar ao leitor que atuo no Rio como jornalista desde os áureos tempos de Carlos Lacerda, governador excepcional, probo, corajoso e realizador que, no Rio Janeiro (à época, Estado da Guanabara), fez quase tudo que nele há de importante, ainda hoje, lá se vão quase 60 anos!”

    Meu pai morou na zona norte do Rio de Janeiro nos anos 1960 e dizia que Carlos Lacerda era um falastrão, que vivia criticando os outros mas que não fez nada pela cidade. Se bem que a Zona Norte nunca foi parte, na prática, da “Cidade Maravilhosa”. Quanto ao “probo”, não se como chamar alguém que fez parte da “Frente Ampla” desse jeito. Aliás, tenho visto que nessa década começou a aparecer gente inventando um mito que não existiu.

    Fora esse detalhe controverso sobre Lacerda, o texto é preciso na descrição da tragédia fluminense sob a égide sinistra de Brizola e seus sucessores, que se mostra mais cruamente na capital.