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Reflexões (inevitáveis) de fim de ano

26 de dezembro de 2017 - 21:34:31

Não há o que comemorar. Apesar de a imprensa anunciar com assombro algumas “vitórias” da suposta direita conservadora, o que se viu na realidade foi maquiagens e arranjos na base do Photoshop, limpezas cosméticas para enganar incautos.

Muito se celebrou sobre o “acordo de paz” na Colômbia, onde as FARC, agora partido político oficial com outro nome mas a mesma sigla e planos estratégicos, saiu dos montes e se incorporou à vida civil. Na ONU, e com o aval do governo dos Estados Unidos, as FARC foram retiradas da lista negra como grupo terrorista. Deixaram e entregaram as armas? Só uma meia dúzia de fuzis e pistolas velhas enquanto o arsenal pesado continua bem guardado, em Cuba e Venezuela, ou em alguns esconderijos secretos dentro do território nacional. Suas fichas criminais foram lavadas e hoje permanecem mais imaculadas do que os lírios do campo. Criou-se uma lei especial para julgar seus crimes que não vão puni-los com prisão mas, bem ao contrário, vão premiá-los com 16 cadeiras no Parlamento, mesmo e apesar de mais de 80% da população ter rejeitado esta excrescência, mais um crime cometido contra suas vítimas.

Acabou-se a guerrilha mais antiga e financeiramente mais poderosa da América Latina? Evidentemente que não. Mais uma maquiagem foi feita. Uma parte dos guerrilheiros hoje aparece como uma “dissidência”, para que o movimento permaneça ativo fazendo o que de melhor sabem: produzir e comercializar cocaína, em pasta base ou pó, que garante os bilionários lucros aos chefões.

Na Venezuela a oposição tornou-se maioria na Assembléia Nacional mas não teve o direito de legislar, pois o ditador Maduro a despeito do rechaço da população num fraudulento e inconstitucional plebiscito instalou uma Assembléia Nacional Constituinte que é quem DE FATO está mandando no país. A miséria e a opressão aumentam a cada dia, mas a cosmética segue, com o apoio do Foro de São Paulo (FSP), numa rodada de conversações ocorridas na República Dominicana onde a palavra final ficou com a ditadura.

O Chile realizou eleições presidenciais e a vitória coube ao ex-presidente Sebastián Piñera, um bilionário que é visto como “conservador”, pelo simples fato de ser dono de uma grande fortuna. Em 2013, quando Piñera estava em seu primeiro mandato, a CELAC realizou seu primeiro encontro oficial no Chile e, a propósito desse evento escrevi o artigo-denúncia em meu blog Notalatina [1]. Naquela ocasião, Piñera, que era visto como democrata e conservador, “odiado” pelo FSP, impediu que o Paraguai – que é membro oficial do bloco – participasse do encontro para não causar “constrangimento” nos outros países membros do MERCOSUL e UNASUL que o haviam suspendido pela deposição – legítima e constitucional – de Fernando Lugo. Como se não bastasse, Piñera prestou homenagens no túmulo do ex-ditador Salvador Allende, para agradar o ditador Raúl Castro, de Cuba, que desejava colocar flores em sua memória.

Seu governo anterior foi pífio, e tanto é prova disso que apenas 56% da população em condições de votar participou das eleições, sendo sua vitória consagrada de fato por apenas 28% da população.

Mas nem tudo foi desgraça. Uma maquiagem foi desfeita quando Mônica Valente, Secretária Executiva do Foro de São Paulo, confirma a análise que fiz em meu livro “O Foro de São Paulo – a mais perigosa organização revolucionária das Américas” [2], quando afirma que o “novo” MERCOSUL, a UNASUL e a CELAC foram criadas pelo FSP para melhor expandir seus tentáculos.

Em março o processo contra Lula deve ser julgado em segunda instância e só depois disso saberemos se essa organização revolucionária criminosa realmente está enfraquecida, ou se renascerá das cinzas como a Fênix. A ver…

 

Notas:
[1] http://notalatina.blogspot.com.br/2013/01/um-assassino-preside-celac-e-chavez.html

[2] “O Foro de São Paulo – a mais perigosa organização revolucionária das Américas”, Capítulo 7, pág. 96 – As sucursais do Foro de São Paulo: Fórum Social Mundial, Mercosul, Alba, Unasul e Celac.

 

  • Francisco Carlos Siqueira Mour

    Como a gente caí na conversa melosa da mídia, ainda bem que a Graça Salgueiro nos chama a realidade dura e crua.

    • Rafael

      Graça Salgueiro chama à realidade? Sério? Esse artigo é uma gota nas teses estapafúrdias que essa senhora defende, totalmente desconectadas da realidade, a esquerda está longe de ter essa influencia e poder n América Latina que ela diz ter.

      • Osvaldo Pereira Júnior

        Governar 8 dos 10 países sulamericanos não é um sinal de poder para você?

        O Foro de São Paulo chegou a controlar em 2011 nada menos que oito países da América do Sul (Brasil, Argentina, Peru, Venezuela, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Equador). Só a Colômbia e o Chile não estavam sob o domínio do Foro de São Paulo em 2011.

        Sem contar os países da América Central na época como Cuba, Panamá, Guatemala, Belize, República Dominicana, Nicarágua e Haiti.

        Ou seja em 2011 o Foro de São Paulo estava quase que dominando todo o continente latino-americano.

        Por incompetência administrativa deles próprios, por subestimarem demasiadamente a força da oposição e pela pressão das mídias sociais, o Foro de São Paulo acabou perdendo grande parte desses governos mas isso não fez com que ele morre-se. O Foro de São Paulo está hoje muito mais rico e experiente com os erros que ele cometeu.

        Mesmo eles tendo perdido grande parte desses governos eles ainda são as principais forças de oposição nos tais países.

        A própria Graça Salgueiro já colocou que está em dúvida se o Foro de São Paulo ainda poderá voltar a dominar o continente e para isso ela deixou claro no final do artigo que é necessário esperar se Lula será preso ou não.

        Lula não sendo preso, se candidatando e vencendo as eleições no Brasil mostrará claramente que o Foro de São Paulo está mais vivo do que nunca e poderá voltar com força total nos próximos anos.

      • Francisco Carlos Siqueira Mour

        Da onde você é, de Marte, o que eles conquistaram não foi nada, e o pior de tudo, mudaram a cabeça das pessoas, fazendo a guerra cultural. Olavo de Carvalho sempre disse, que a pessoa que mais entende da política sul americana é a Graça Salgueiro, por acaso já leu o livro dela.

        • Rafael

          A guerra cultural é uma teoria da conspiração, lógico que como força politica-ideológica a esquerda tem alguma influência, mas não é maior que as demais. Conheço o trabalho dela, acompanhei enquanto tive estômago o Nota Latina,mas são coisas tão distantes da realidade, informações desencontradas, descontextualizadas, tudo para fazer crer na (falsa) conspiração comunista que domina a AL.

          • Newton (ArkAngel)

            Larga mão de ser canalha, ninguém aqui engole mais esse papo de “a esquerda á fraca, a influência dela é pouca”. Isso é estratégia de dissimulação. Se você acredita nisso, é um jumento, se não acredita, é um safado canalha, que subestima a inteligência alheia.

          • Lucas Santos Amaral

            Mandou bem, amigo… o rafinha é uma figurinha cansativa… chato pracarai… se ao menos fosse mais intrigante, sofreríamos menos suas chatices e seria algo mais desafiador… mas ele é pequeno demais… uma pulga no saco que não para de coçar… rsrsrsrssss… não mata… mas enche o saco… 🙂

          • Newton (ArkAngel)

            Eu já acho que o Rafael é um sujeito que tem os pés bem no chão…e as mãos também.

          • Rafael

            E vc larga mão de ser burro, a esquerda controla a Febraban? A CNI? A CNA? O Congresso? A realidade mostra claramente que ela não passa de uma força política moderada, e no caso do Brasil, enfraquecida. Mas tu e outros ficam ai a seguir um teórico da conspiração delirante, sem ver o que está à sua frente.

          • Newton (ArkAngel)

            Pra começo de conversa, NÃO EXISTE nenhum partido legítimo de direita no país.
            Não subestime a inteligência alheia, meu caro. Vá no site do Congresso e veja:
            Presidente-Eunício de Oliveira PMDB
            Vice-Fábio Ramalho PMDB
            2º vice- João Alberto Souza PMDB
            1º secretário-Giacobo PR
            2º secretário Gladson Cameli PP
            3º secretário JHC PSB
            4º secretário Zezé Perrella PMDB

            Esses são somente os principais; como se vê, não há NENHUM esquerdista, não é mesmo?

            No Brasil, não há liberdade econômica, o que há é conluio entre grandes indústrias, empresários e bancos e o governo, de maneira a obter incentivos e protecionismo, fechando a concorrência e piorando os serviços oferecidos à população.
            Aliás, você sabia que o Febraban declarou abertamente “que iria oferecer todo o apoio ao governo Temer” em 2016? Ah, claro, tudo isso é teoria da conspiração…

          • Rafael

            Sério que vai chamar essa turma ai de comunista? Pq a maioria é do PMDB? O PMDB não é de esquerda. Lógico que a Febraban ia oferecer apoio ao Temer, a Dilma foi golpeada justamente para que esse sujeito tocasse as reformas que o MERCADO quer, e pelas quais a esquerda luta CONTRA.

            Procura um psiquiatra, sério, Eunício Oliveira comunista, kkkkkkk

          • Newton (ArkAngel)

            Rafael, parabéns, você se superou, no 1º dia do ano já ganhou o prêmio de idiota útil 2018!

            PMDB não é de esquerda? Claro que não, são direitistas ultra liberais a favor do livre mercado e contra regulações estatais, kkkkkk!

            FHC e socialistas fabianos agradecem.

          • Rafael

            PMDB não é esquerda, e sim reformas que o Mercado quer.

          • Newton (ArkAngel)

            O mercado exige serviços bons e baratos, e livre concorrência.. Se encontrar algo assim aqui, me avise.
            Sim, PMDB não é de esquerda, e reza pela cartilha da Escola Austríaca, e Ludwig Von Mises é seu mentor.

          • Rafael

            Nossa, não sabia dessa base ideológica consistente do PMDB, realmente, agora fico até mais tranquilo. Brincadeira, o nível de alienação que uma pessoa chega.

          • Newton (ArkAngel)

            Ser chamado de alienado por um esquerdalha é até elogio.

          • Lucas Santos Amaral

            Então, filhinho, o que que tu tá fazendo aqui, senão guerra cultural em terreno alheio ???… pedir pra que sejas honesto intelectualmente é pedir demais para um vermelhinho… então, me contento em te mandar pastar em outras paragens…

        • Renato Passero

          Não adianta falar com esse cara, ele sempre acha que tudo é conspiração, só vai acordar quando a realidade chegar na porta dele. Na verdade nem sei o que ele faz nesse site, só entra aqui para ter o prazer de discordar de tudo e não contribui com nenhum argumento decente.

          • Newton (ArkAngel)

            Que nada, esses esquerdalhas sabem muito bem o que estão fazendo. O motivo de atirar pra todo lado é o desespero de ver o povo cada vez mais informado e descrente dessa cachorrada.

          • Rafael

            Vcs se comportam como uma seita, e sou eu quem não vê a realidade? Fica ai então olhando se não há comunistas embaixo da sua cama.

          • Renato Passero

            Ah sim, é tudo uma teoria da conspiração, a realidade é que não existe o foro de São Paulo, apesar dos vídeose documentos, que antecedem os acontecimentos que neles estavam, também não existe a degradação moral e cultural em nosso pais feito pela esquerda. As urnas eletrônicas são 100% confiáveis assim.como as pesquisas eleitorais…..
            Você não vê a realidade e fica atacando os que tentam entender o mundo

          • Rafael

            O FSP não passa de um tihnk tank da esquerda, como tantos outros, assim como há os de direita como a fundação dos irmãos Koch e o próprio instituto milenium. A degradação moral e cultural é uma conversa antiga que tentam imputar à esquerda, mas o fato é que esta nunca teve poder real, quando chegou perto teve que fazer concessões gigantescas até ser golpeada, o estado de coisas da moral e da cultura nacionais se deve à direita, a elite do atraso, no bem dizer de Jesse De Souza.

      • Diego Eduardo da Silva

        Claro. A America Latina está longe do socialismo, é, de fato, uma referência liberal conservadora. Rsrsrs

        • Rafael

          Não chega a ser, mas socialista é que não é também.

          • Lucas Santos Amaral

            DI NOVO, cumpanheiro ???… QUANDO ESTOU FRACO ME FAÇO DE FORTE… QUANDO ESTOU FORTE ME FAÇO DE FRACO… sei… essa “tatica” vermelha é velha… OLHO NELES, MEU POVO !!!…

      • Marcio Zielinsky

        Rafael, descordo de suas observações. A realidade parece estar desconectada na maioria das vezes por falta de informação que dispomos no momento. Quando digo falta de informação não estou desmerecendo a vossa pessoa, é que sobre essa questão do Foro de São Paulo, requer muitos anos de leitura, e se debruçar com um olhar, podemos dizer assim como os historiadores da École des Annales , de “longa duração”. Mas não vamos tão longe.
        Veja esta entrevista do Sr. Lula retirado do site oficial da presidência da republica, e repare no decorrer do texto o que é dito pelo ex-presidente. A influência e poder na América Latina já em fato concreto.

        ……..Será possível que ele não percebeu que tudo isso
        acabou? Que, na América Latina, todos aqueles que pensavam em chegar pela
        luta armada, com exceção das Farc, chegaram ao poder.
        E eu sinto orgulho de ter participado disso porque criamos, em 1990, o
        Fórum de São Paulo, que era um processo de unificação da esquerda latino americana.

        Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio
        Lula da Silva, após a Cúpula da América Latina e do Caribe sobre
        Integração e Desenvolvimento (Calc)
        Costa do Sauípe-BA, 17 de dezembro de 2008
        Presidente: Bem, companheiros da imprensa, companheiros presidentes.
        Primeiro, eu penso que hoje é um dia histórico para a nossa América Latina e
        para o Caribe. Certamente, quem estava acostumado às tradições das políticas
        internacionais dos nossos países pode até estranhar porque eu estou falando
        que é um dia histórico o dia de hoje. É porque todos os países aqui, há quase
        ou mais de 200 anos, todos conquistaram as suas independências. O Brasil
        fará 200 anos em 2022. E é a primeira vez, desde que nós conquistamos a
        independência, que conseguimos reunir todos os países da América Latina e
        do Caribe.
        Qual é o significado disso? O significado disso é que todos nós, do
        menor país do nosso continente até o maior país, estamos compreendendo
        que quanto mais nos juntarmos, mais chance nós temos de ter uma
        participação nas decisões das políticas globais, de ter uma participação maior
        no bolo da riqueza produzida na economia global e, ao mesmo tempo, de
        termos mais chance para evitar que a crise nascida exatamente no seio dos
        países ricos atinja muito fortemente os países que não provocaram a crise, que
        não foram convocados para participar da suposta riqueza que criou a crise e
        que agora, certamente, esses países tendem a sofrer as conseqüências de
        uma crise da qual não participamos.
        Eu posso dizer para vocês que eu já participei de muitas reuniões. Aqui,
        acho que só o Chávez participou de mais reuniões internacionais do que eu. E
        eu penso que foi uma reunião, do meu ponto de vista, extraordinária, pelo alto
        grau de consciência política, pelo alto nível que se deu na reunião. E eu acho
        que isso só vem a confirmar que a política está mudando, e está mudando
        muito mais rapidamente.
        Não apenas a existência dos países emergentes, com economias
        sólidas e, às vezes, tão importantes quanto as dos países até então
        considerados ricos, mas, sobretudo, pela compreensão política de que essa
        crise pode ser uma grande oportunidade para nós fazermos aquilo que
        deveríamos ter feito há 30 ou 40 anos e não fizemos, porque todo mundo
        ficava esperando que um país rico desse uma chance a um país pobre. E nós
        agora estamos descobrindo que nós temos muito a contribuir, se soubermos
        tirar proveito da similaridade que existe entre nós.
        Ditas essas palavras, eu não sei se os companheiros presidentes
        gostariam de dar uma mensagem ou abriríamos para a imprensa, porque me
        parece que a imprensa já almoçou fartamente e os pobres presidentes estão
        aqui com hambre, com muita fome, e nós gostaríamos de, terminando a
        coletiva, nós iríamos almoçar.
        __________: Então vamos às perguntas. Primeiramente o jornalista…
        Presidente: Por favor, ninguém tire o sapato. Aqui, como é muito calor, se
        alguém tirar o sapato a gente vai perceber antes de jogar, por causa do chulé.
        __________: Passamos à próxima pergunta. Com a palavra o jornalista Clóvis
        Rossi, da Folha de São Paulo. Por gentileza.
        Jornalista Clóvis Rossi: A minha pergunta é para o presidente Lula. Eu queria
        saber se o senhor está de acordo com a proposta que o presidente Evo
        Morales fez (inaudível) nesta manhã de que o grupo de países aqui reunidos
        estabeleceu um prazo para que os Estados Unidos levantem o embargo a
        Cuba e, em caso contrário, retirem todos os seus embaixadores. O Brasil
        estaria preparado para retirar os seus embaixadores?
        Presidente: O companheiro Evo Morales fez uma proposta de ação da
        América Latina e do Caribe, com relação a exigir o fim do bloqueio a Cuba.
        Veja, eu sou mais cuidadoso do que o Evo Morales. O Obama vai tomar posse
        dia 20 de janeiro, penso que todos nós aqui, que falamos com o Obama,
        falamos apenas para cumprimentá-lo pela vitória. Não houve nenhum contato,
        feito por nenhum de nós aqui, talvez só o México que teve mais acesso ao
        Obama até agora.
        Portanto, eu acho que nós temos que esperar o Presidente dos Estados
        Unidos tomar posse. Nós temos que esperar para ver qual é a sua proposta de
        política para a América Latina, qual é a política de tratamento que ele vai dar,
        com relação a Cuba, qual é a política que vai dar com relação ao Oriente
        Médio. Porque é esse comportamento do Presidente dos Estados Unidos que
        vai mostrar se houve ou não mudança na política internacional norteamericana.
        Depois, nós vamos saber o que vai acontecer com o muro do México, o
        muro para evitar que mexicanos pobres vão para os Estados Unidos, porque as
        pessoas olhavam muito o muro de Berlim, olhavam muito o muro de não sei
        onde, agora, os muros que são construídos nas nossas casas a gente não
        percebe.
        Então, eu penso que nós temos que esperar, primeiro, o Obama tomar
        posse, ver quais são os sinais que ele vai dar, com relação à sua política, e
        depois eu penso que, quem sabe, um dia, a gente possa, depois do Obama
        visitar a Venezuela, ou o Chávez visitar o Obama, a gente possa convidar o
        Obama para um encontro da América Latina e Caribe para discutir política
        internacional com ele.
        Eu acredito… Eu sou esperançoso de que mude. Eu sou esperançoso,
        porque não é possível que os Estados Unidos não se dêem conta de que a
        América Latina, nos anos 70, aonde milhares de jovens imaginavam chegar ao
        poder pela luta armada, num ano em que nós tínhamos a bipolaridade,
        tínhamos a guerra fria. Será possível que ele não percebeu que tudo isso
        acabou? Que, na América Latina, todos aqueles que pensavam em chegar pela
        luta armada, com exceção das Farc, chegaram ao poder.
        E eu sinto orgulho de ter participado disso porque criamos, em 1990, o
        Fórum de São Paulo, que era um processo de unificação da esquerda latinoamericana.
        E hoje eu vejo muitos companheiros que participaram do Fórum de
        São Paulo no governo, em seus países.
        De forma que eu acho que nós temos que ter apenas a prudência e a
        diplomacia política de dar tempo a que o Obama tome posse e que faça a sua
        política, para que a gente possa aprová-la ou questioná-la.
        Eu confesso, Clóvis Rossi, que eu não consigo entender a permanência
        do bloqueio a Cuba, por nenhum… A não ser por birra, ou seja, eu não quero
        porque eu não quero e acabou. Mas não existe nenhum sentido. Então, eu
        espero que isso aconteça.
        Da mesma forma que eu acho que a paz em Israel vai acontecer quando
        tiver outros interlocutores discutindo a paz em Israel. Ou seja, se os Estados
        Unidos forem uma das razões do confronto no Oriente Médio, ele não pode ser
        o único interlocutor para resolver o problema do Oriente Médio, é preciso que
        tenha outras representações de outros países, que os grupos diferentes, dentro
        de cada país, seja de Israel ou da Palestina, estejam representados na mesa
        de negociação, senão você não encontra acordo.
        Agora, eu acho que… eu sou muito esperançoso que haverá uma
        mudança para melhor da política americana para a América Latina e Caribe.
        Já são 3h20. Para quem veio de Brasília já são 4h20. Eu queria fazer o
        seguinte: o companheiro que for fazer pergunta, faça a pergunta dirigida a um
        presidente e aquele presidente responde. Se outro tiver interesse, pode fazer
        um comentário à pergunta, ou se tiver divergência. Senão nós não saímos
        daqui, ainda faltam três perguntas.
        Eu não vou nem pedir para vocês abrirem mão de fazer perguntas. A
        não ser que tenha uma novidade estupenda. Se não tiver novidade,
        poderíamos todos nos abraçar aqui, nos beijar e irmos comer. Porque depois
        cada um de vocês vai conversar com o presidente do país de vocês.
        A minha sugestão, companheiro, com toda a diplomacia, é a seguinte:
        tem alguma pergunta que é a novidade da novidade, que ninguém fez ainda?
        Aquela mais inteligente, que já não foi feita ainda? Se não tiver, companheiros,
        vamos almoçar, é um pedido que eu peço para vocês.

  • Evelyn Petter

    O aval dos EUA sobre as Farcs serem retiradas da lista negra como organização terrorista se deu no governo Trump?

    • Osvaldo Pereira Júnior

      Se eu não me engano foi no finalzinho do governo Obama.

      Ele não poderia deixar a casa branca sem antes fazer algumas merdas estratégicas para foder com os Estados Unidos.

      • Evelyn Petter

        Obrigado, Osvaldo. Foi o que pensei.
        Aliás, quem de fato orientou as Farcs para que abandonassem as armas, o meio violento, como forma de pressão para mudanças, foi o Lula. Há uma reportagem em que ele incentiva àquela força participar das eleições por meio de um partido.

        • Osvaldo Pereira Júnior

          Sim, o que acontece é que não existe mais espaço e nem condições geopolíticas para se fazer revolução pelas armas hoje em dia.

          A tecnologia avançou muito, principalmente a tecnologia militar e sendo assim, nenhuma guerrilha pode fazer frente a um exército convencional equipado com as últimas tecnologias militares. Se já era difícil para uma guerrilha enfrentar um exército convencional nos anos 70 (Vietnã por exemplo), hoje então é isso é praticamente impossível.

          A esquerda sabendo muito bem disso, mudou de estratégia e não mais quer saber de fazer revolução pelas armas pois ela sabe que o Vietnã foi um acidente do destino e não se repetirá novamente.

          A luta agora é política e cultural. Ou seja, eles abandonaram as armas e estão apostando tudo na guerra dentro das escolas, universidades, mídia e parlamento.

          • ROQUE EUGENIO STANGLER OLIVEIR

            Concordo inteiramente, parabéns pela ótica clara e perfeita,e onde estão lutando,nas universidades,escolas,midias,parlamento, formadores de opinião,estão ganhando de dez a zero,pois estão sozinhos, sem oposicão organizada nem desorganizada, tornando difícil evitar a retomada esquerdista
            .O povo em geral está alienado,a politica e os politicos foram desmoralizados, induzindo a uma apatia geral,uma catequese diaria e permanente de que “não adianta nada, TODOS ROUBAM”,criando uma desmobilizacão, o que SÓ É BOM PARA O FORO DE SÃO PAULO.
            Se isto não for modificado,criando movimentos para neutralizar e combater,,a hegemonia do atraso e do terror acontecerá.

    • Renato Passero

      A União Europeia fez a mesma coisa também, mas esa já era de se esperar.

    • Marcos Paulo

      Total apoio do marxista Obama! A época, as manchetes de jornais deixavam a falsa impressão que as FARCS teriam que abrir mão de suas armas e louvavam como um dos maiores feitos da política externa dos EUA!

    • Osvaldo Pereira Júnior

      A situação atual do Brasil, grande parte da América Latina e do próprio Foro de São Pailo e do PT é semelhante aquela vivida pelo sudeste da Ásia em 1973-1975.

      Na época o exército norte-vietnamita e o Vietcong haviam sido expulsos de quase todo o Vietnã do Sul mas com a retirada gradual dos americanos eles estavam se armando e se preparando em segredo para um ofensiva total assim que os americanos se retirassem e os acordos de Paris fosse assinado.

      Da mesma maneira que o Foro de SP perdeu os governos ele está mais rico e experiente do que antes assim como o exército norte-vietnamita e o Vietcong estavam em 73.

      Só estão esperando o momento certo e de fraqueza do povo para voltarem definitivamente e com força total.

      A última coisa devemos fazer agora é achar que a guerra está ganha e o Foro de SP morto pois eles não estão.

  • Osvaldo Pereira Júnior

    O Foro de São Paulo está muito mais rico hoje do que a quinze anos atrás devido a enorme quantia de dinheiro roubado durante seus governos na américa latina. Além de estarem bem mais experientes com os “erros” de conjuntura que eles cometeram.

    Caso o Foro de São Paulo consiga voltar ao poder nos países principais e estratégicos como Brasil, Argentina e Mêxico, eles não irão aliviar dessa vez e vão acelerar o processo revolucionários nas áreas estratégicas como aprofundar o aparelhamento das forças armadas colocando gente de confiança no alto comando (por exemplo enchendo o alto comando de Viddas-Bôas) e na desmilitarização da polícia e a regulamentação da mídia.

    Quando Lula diz que desta vez não haverá mais o Lulinha Paz&Amor, ele está dizendo exatamente isso. Só o fato dele falar isso abertamente já mostra o dinheiro e o poder de financiamento que esses caras hoje possuem.

    O Foro de São Paulo é um monstro que possui muito dinheiro, alianças estratégicas com potências comunistas e influência enorme entre os setores de mídia e até mesmo do aparelho repressivo. O problema é que falta para eles hoje o povo.

    Para burlar isso eles precisam que as urnas não tenham voto impresso e que as apurações sejam de portas fechadas com gente de confiança já previamente comprada pois o dinheiro para eles já não é mais o problema.

    Eles não precisam mais do povo, mas precisam dos contadores de voto.

  • Evelyn Petter

    Obrigado, Renato.
    Esperar o quê? Uma UE (liderada pela Alemanha) pautada por uma cartilha podre, obviamente que não iria denegrir as Farc.
    Veja isso: https://criticanacional.com.br/2017/12/27/o-voto-da-vergonha-na-onu-a-alemanha-contra-israel/
    Um abraço

  • Luiz F Moran

    AL = narcocleptocracia fascista

  • Robson La Luna Di Cola

    Quais acontecimentos fertilizaram o terreno para o surgimento de tantas desgraças aqui no sub-continente da América Latina? Resposta: 1) Após o surgimento das Repúblicas Bananeiras (inclusive o Brasil) no século XIX, estes países passaram a viver uma sucessão de desgraças. Sob o governo de ditaduras militares, ou de oligarquias rurais (os “coroné”). 2) O império americano, através de sua interferência – inclusive na bala – na política das republiquetas bananeiras, e sua exploração dos recursos naturais e agrícolas. Vejam nos livros de História a política do Big Stick, as Guerras das Bananas, e a crença do Destino Manifesto. Que norteou a política de muitos presidentes americanos, dentro do pensamento “América para os americanos” . Agora estão todos pagando o preço…O Foro de São Paulo é mais uma CONSEQUÊNCIA do que uma CAUSA de eventos.

    • Rafael

      Robson: o único lúcido desse site.

      • Robson La Luna Di Cola

        Se a América Latina tivesse países com padrão de vida semelhante ao dos países do norte da Europa, teria surgido o Foro de São Paulo? Claro que não! Idéias têm consequências? Não! Consequências geram idéias! Vejam como era a Europa dos tempos de Karl Marx, vivendo uma terrível Revolução Industrial com longas jornadas de trabalho, acidentes do trabalho fatais em grande número, trabalho infantil, poluição gigantesca nas cidades industriais, guetos miseráveis onde moravam os trabalhadores… Coincidência que surgisse nestes tempos o Das Kapital ? Claro que não. Vejam como era a Rússia de Nicolau II antes da Revolução Bolchevique. Ou a França de Luis XVI antes da Revolução Francesa. Desgraça gera desgraça…