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Entrega de armas das FARC: outra novela macondiana?

19 de junho de 2017 - 16:50:08


Completou-se 50 anos da publicação da fantasiosa novela que deu o Nobel de Literatura a um escritor colombiano, por descrever as vivências de umas pessoas exóticas em um povoado imaginário chamado Macondo. Tudo o que está escrito nesse livro se resume em ilusões e promessas vãs, no qual de denominou um entorno macondiano. Em 2017, a Colômbia parece estar vivendo outro episódio macondiano, com a promessa vã da desmobilização e entrega de armas das FARC.

Do mesmo modo que cada uma das etapas das conversações do governo Santos com as FARC, o assunto das zonas veredais de transição e a entrega das armas em poder do grupo terrorista caracterizou-se por informações inexatas, muita auto-publicidade do governo, imposições desafiantes das FARC, acompanhamento auto-elogioso da comunidade internacional, desinformação crescente para os colombianos, suposições noticiosas de alguns meios de comunicação e jornalistas colombianos próximos à marmelada santista, um congresso da República que não está a altura ante o desafio histórico, e uma academia manipulada por viezes esquerdistas que desejam ver um êxito político de paz onde não existe.

Em março de 2017, folclórico e irresponsável, o Alto Conselheiro do pós-conflito, disse que os terroristas teriam entregado todas as armas à ONU. Porém, como essa postura publicitária de Pardo Rueda resultou falsa como quase tudo o que este funcionário diz acerca da paz, saiu o recém-empossado vice-presidente Naranjo a dizer que “uma demora de alguns poucos dias na entrega das armas não seria muito grave”.

Assim chegou o dia D + 180 em 30 de maio de 2017. Como estava previsto, as FARC não entregaram nenhuma arma. Então, Santos recorreu a uma de suas costumeiras argúcias politiqueiras. Ordenou ao general Flórez Aristizábal que enviasse uma carta a Sergio Jaramillo advertindo que os terroristas fariam festa com gandaia e comilança para celebrar o 53º aniversário do percurso criminal, com o pequeno detalhe que de maneira estranha, porém conveniente para o governo colombiano, essa informação filtrou-se nos meios de comunicação, talvez para depois dizer como Pastrana em 2002 que “as FARC não cumpriram com a palavra”.

Ridícula carta de Flórez, pois nem é a primeira nem a única farra das FARC, às quais são muito bem-vindos os dançarinos da ONU que, além disso, estão empenhados em que o processo demore muito mais para continuar cobrando 150 dólares diários por funcionário de grau baixo, viagens em aviões e helicópteros, hotéis de primeira categoria, escoltas, atenções especiais, comidas e até festas com guerrilheiras desordenadas da cintura para baixo.

Para tapar o erro, Santos autorizou uma cúpula terrorista de cabeças do ELN e das FARC em Cuba, e depois reuniu-se com Timochenko e outros criminosos em Cartagena para postergar a opereta, evento ao qual as FARC assistiram prazeirosas para dizer que as zonas veredais não são transitórias senão permanentes, que a ONU guarda as armas em uns caros e insuficientes conteiners mas que os terroristas também têm uma chave desses depósitos, que o narco-tráfico e os demais delitos que as FARC continuam cometendo são dissidências, que a data de 20 de junho é uma satisfaçãozinha para que a imprensa publique e Iván Cepeda diga que tudo corre sobre os trilhos, que com pequenas demoras tudo continua bem (tudo bem, tudo bem, embora tudo esteja mal), etc., mas claro, o que as FARC buscam realmente é a anistia total, não pagar nenhuma pena, não entregar as armas, ganhar reconhecimento como força beligerante, governo de transição e, bla-bla-bla…

Em 11 de junho o jornal El Tiempo fez um mandado propagandístico para Santos por meio de uma de suas repórteres, que pediu como desejo pessoal seu, que as FARC dessem provas da entrega física das armas. Em 13 de junho uns terroristas das FARC aterrissaram em Cali, na Escola Militar Marco Fidel Suárez porque não puderam fazê-lo em Palmaseca, algo bem estranho, pois se tratava-se de mal tempo, afetava igualmente a Cali e Palmira. O importante para o “êxito da paz” era que os criminosos aterrissassem em uma das mais importantes bases militares do país.

No mesmo dia Santos apareceu ante os meios de comunicação para mentir como é seu costume. Disse que era um dia histórico e que lamentava que Pepe Mujica e Felipe González não tivessem participado do show publicitário FARC-Santos em La Elvira-Cauca, onde as FARC entregaram o segundo 30% das armas para completar os 60% do prometido pelos terroristas.

Porém, aos colombianos, inclusive os sisudos analistas e especialistas no conflito que diariamente opinam sobre o divino e o humano nos meios de comunicação, se lhes passou batido dois detalhes:

1 – Que nomear Mujica como mediador das FARC é como encarregar Garavito ou Uribe Noguera [1] para cuidar de um jardim de infância. Ou talvez como nomear o árbitro de futebol espanhol de sobrenome Carvallo, para apitar uma partida de Brasil-Colômbia na semi-final da copa do mundo de 2014.

2 – Que é absolutamente impossível que as FARC entregassem 30% das armas em La Elvira, mesmo que se tratasse de um ato simbólico, pois na guerra, na estratégia, nos negócios e até no amor, o que contam são os fatos tangíveis, mediáveis e verificáveis, não os simbolismos, nem as promessas, nem muito menos as mentiras auto-publicitárias.

 
Hoje, 17 de junho em Oslo, a chanceler Holguín disse que os acordos com as FARC vão se demorar um pouco, pois o que foi imposto a Santos e seus delegados em Cuba implica mudar 71% do atual Estado, então Timochenko, com vistas de alto estrategista terrorista internacional, a ratificou no mesmo cenário. Porém, como se fossem poucas as mentiras e ilusões vãs vendidas por Santos e sua coorte que sangra o orçamento nacional, um delegado da ONU esclareceu que as FARC não entregaram as armas, que o que fizeram foi guardar em alguns depósitos 40% das armas que a ONU tem identificadas, não as que as FARC têm em sua totalidade. Ao mesmo tempo, um terrorista afirmou desde uma zona veredal no Caquetá, que as FARC não vão entregar as armas até que o governo cumpra com todas as suas imposições. Em síntese, tudo está pior do que no princípio e o governo continua mentindo.

A Colômbia do ano 2017 navega em um mar macondiano, os altos funcionários do governo Santos estão empantanados no meio da marmelada e das mentirosas promessas de seu chefe, à unidade nacional interessa fazer politicagem e demagogia para conservar as prebendas no lapso vindouro, os meios de comunicação e a academia não têm clareza sobre o que está acontecendo, porém as FARC sim, sabem o que querem, como querem, para onde vão, quais são seus objetivos e como desenvolver um plano estratégico coerente com a guerra revolucionária marxista-leninista.

E para cúmulo dos males, a chanceler e seus corpos diplomáticos estão iguais ao ministro da Defesa Villegas: nem ouvem, nem vêem, nem entendem de temas de geo-política, inteligência estratégica e defesa nacional, pois nem por equivocação se lhes ocorre que enquanto o regime de Maduro esteja em crise na Venezuela, enquanto Donald Trump seja presidente e possa perseguir os capos do cartel das FARC onde estejam, e enquanto Lenin Moreno, Daniel Ortega, Evo Morales, Santos Cerén e os ditadores cubanos estiverem no poder em seus respectivos países, será impossível que as FARC entreguem as armas e deixem o terrorismo, pois o mais elementar é que um membro das FARC sem uma arma na mão, não tem nenhuma importância e nenhum meio de comunicação lhes dará a importância que tiveram durante os últimos anos.

 

O Coronel Luis Alberto de Villamarín Pulido, colunista do Mídia Sem Máscara, é especialista em Estratégia, geopolítica e Defesa Nacional. Autor de 33 livros e mais de 100 artigos relacionados com os temas de sua especialidade, é conferencista internacional em várias universidades, expositor em diversos meios de comunicação e analista convidado permanente de CNN em Espanhol.


Nota da tradutora:

[1] Garavito e Uribe Noguera são dois notórios pedófilos que cometeram vários crimes na Colômbia.

Tradução: Graça Salgueiro

 

 

  • tabajara_music

    Ow, tio, esse galho podre (e os outros) deixam de ser problema se a gente arrancar a árvore toda (Foro de São Paulo) pela raiz. Mas haja trator.

  • Marcos Menezes

    O Trump tem que cumprir o que prometeu na campanha eleitoral e investigar e prender esses democratas,sobretudo o Obama e os Clinton.Enquanto não fizer isso por mais boa que estiver a economia esses facínoras continuaram atacando-o até remove-lo da presidencia.