1. Estados Unidos

A jihad oculta nos Estados Unidos

6 de janeiro de 2016 - 3:00:00

É melhor mesmo estarmos cônscios desses fatos que tiveram um impacto de grandes proporções na esfera política, fazendo com que os americanos ficassem muito mais preocupados com a violência jihadista do que em qualquer outra época, menos quando dos ataques de 11 de setembro, aliás como deveriam estar. Tomemos o exemplo de 2011 em que 53% dos entrevistados responderam a uma pesquisa de opinião dizendo que o terrorismo é uma questão vital, agora esse número saltou para 75%.

E o caso de Yusuf Ibrahim? No início de 2013, na época com 27 anos de idade, esse muçulmano natural do Egito residia em Jersey City quando, segundo consta, baleou e em seguida decepou a cabeça, as mãos e arrancou os dentes de dois cristãos coptas, Hanny F. Tawadros e Amgad A. Konds, depois enterrou-os na cidadezinha de Buena Vista em Nova Jersey.

Ele é acusado de cometer dois assassinatos, crime doloso (quando há intenção de matar), sequestro, assalto, profanação de restos humanos e outros crimes. Além disso ele admitiu ser culpado de ter roubado um automóvel usando meios violentos em 22 de dezembro de 2011e de um assalto à mão armada em 20 de setembro de 2012, ambos em Jersey City (neste último ele atirou no pé da vítima), no início de 2015 ele foi condenado a 18 anos de prisão por esses crimes mais recentes.

As duas decapitações são impressionantes, horripilantes e repletas de elementos jihadistas (no linguajar policial, “terroristas“). O historiador Timothy Furnish explica que o “ritual da decapitação vem de longa data na teologia e história islâmica”, fazendo do ritualismo uma forma distintamente muçulmana de execução. O assassinato de um não-muçulmano por um muçulmano se encaixa no eterno padrão da supremacia islâmica. Esse tipo de assassinato também se encaixa no trágico padrão de comportamento que vem acontecendo nos Estados Unidos em anos recentes.

No entanto a polícia, políticos, imprensa e professores (leia-se establishment) não mostraram o mínimo interesse no ângulo islâmico do acorrido, tratando a dupla decapitação e amputação como se fossem assassinatos comuns. Sintomático dessa atitude é o boletim de ocorrência que trata da prisão de Ibrahim não mencionar nada sobre sua motivação. Tomando como base essa falta de menção, Snopes.com com viés de esquerda (que se auto-descreve como a “fonte definitiva de referência da Internet para lendas urbanas, folclore, mitos, boatos e desinformação”), chega ao cúmulo de rechaçar como “falsa” a alegação de que a grande mídia esteja “ignorando deliberadamente” esse incidente. Foi feita a blindagem.

Três anos após o incidente ainda não sabemos quase nada sobre Ibrahim, sua motivação, sua ligação com outros elementos ou suas filiações institucionais. Também não sabemos nada sobre a relação, se é que ela existe, entre o acusado e suas vítimas: será que ele era um criminoso que se desentendeu com seus comparsas, um amigo que exagerou na bebida, um amante em potencial golpeando seus rivais, um membro de uma família eliminando candidatos a uma herança, um louco atirando a esmo em transeuntes? Ou talvez simplesmente um jihadista procurando disseminar a mensagem, lei e soberania do Islã?

Não tenho como responder a essas perguntas porque elas se arrastam em total obscuridade, porque elas aparecem de tempos em tempos somente quando há uma ligação com algum procedimento técnico (como por exemplo o montante da fiança de Ibrahim ou a admissibilidade da sua confissão), que nada esclarece sobre o que motivou seu suposto crime.

O caso de Ibrahim tampouco é exceção. Eu compilei longas listas de instâncias de potencial violência jihadista (clique aqui, aqui e aqui) nas quais o establishment foi conivente em jogar para debaixo do tapete a dimensão islâmica, tratando os perpetradores como criminosos comuns cujas histórias de vida, motivações e ligações não dão Ibope e assim sendo continuam sendo um mistério.

Essa aura de silêncio em volta da possibilidade de se tratar da jihad acarretará na consequência importantíssima de aquietar a população americana (e seus pares no Ocidente) e fazê-la crer que a violência jihadista é muito mais rara do que ela realmente é. Se a esfera política compreendesse a real dimensão da jihad nos Estados Unidos, o alarme seria muito maior, a porcentagem daqueles que classificam o terrorismo como questão vital subiria a patamares bem mais altos do que os atuais 75%. E isso por sua vez poderia dar um empurrãozinho no establishment para que ele, de uma vez por todas, leve a sério o que está acontecendo e confronte a jihad.


O Sr. Pipes (DanielPipes.org, @DanielPipes) é o presidente do Middle East Forum. © 2015 por Daniel Pipes. Todos os direitos reservados.

Publicada no The Washington Times.

Tradução: Joseph Skilnik