1. Estados Unidos

A “Segunda Revolução Americana” já começou

19 de agosto de 2009 - 10:52:36

A América está fervilhando. Desde a Guerra Civil nada comparável a isto jamais aconteceu. Porém, os protestos ou estão sendo intencionalmente minorados ou simplesmente mal interpretados.

O primeiro tiro foi disparado em 15 de abril de 2009. Mais de 700 comícios anti-tributação e tea parties[1] irromperam por todo o país. Ao invés de reconhecer a sua importância, a mídia em geral ou ignorou ou ridicularizou tanto protestos quanto manifestantes, jogando com a expressão tea bagging[2] por sua conotação sexual.

Inicialmente, o presidente Obama disse que não tinha conhecimento das tea parties. Em seguida, a Casa Branca alertou que elas poderiam “transformar-se” em algo “insalubre”.

O tiro número 2 foi disparado no quatro de julho quando multidões de cidadãos reuniram-se por todo o país para protestar novamente contra a “tributação sem representação”. E, como antes, as manifestações foram rotuladas de travessuras de direita e descartadas.

A terceira descarga, disparada no início de agosto, foi mirada bem de perto contra senadores e deputados que empurravam o pacote de reformas do sistema de saúde proposto pelo presidente Obama aos seus eleitores. Em inflamadas audiências públicas, cidadãos furiosos, aos berros, reduziram seus representantes eleitos ao silêncio.  A presença de um grande número de policiais e/ou de guarda-costas corpulentos foi necessária para preservar um espaço físico seguro entre políticos e o povo enfurecido.

A Casa Branca e os meios de comunicação rotularam os manifestantes de “elementos marginais ao movimento conservador” ou de atores de espetáculos organizados por agentes do partido republicano encorajados pela Fox News e por apresentadores de programas de rádio de direita.

Em relação a esta última onda de irrupções, as empresas de plano de saúde, cujos interesses são opostos a qualquer reforma, também estão sendo responsabilizadas por incitar o público. A questão, porém, não é saber se os protestos são organizados ou espontâneos. Embora a maioria dos manifestantes mostre ter pouco entendimento do documento de 1000 páginas sobre a reforma do sistema de saúde (documento que nem um único legislador leu), o que eles sentem é claramente verdadeiro e nada teatral.

Com ou sem razão, a legislação é considerada como mais uma gota no já transbordante copo d’água.  Dinheiro público foi usado para salvar empresas quebradas, ações majoritárias foram compradas e pacotes de resgate e de estímulo financeiro foram lançados – isto é, uma série de medidas gigantescas, impopulares, impostas pelo governo, mas financiadas pelos contribuintes, foram socadas goela abaixo dos americanos. Sem uma tribuna pública para dar voz à sua oposição a tudo isso, os cidadãos viram suas opções limitadas a petições infrutíferas, mensagens eletrônicas e ligações telefônicas para o congresso, as quais foram todas respondidas por funcionariozinhos subalternos.

Agora, com o recesso do senado e da câmara e os representantes eleitos perto das suas bases, o povo está explodindo. O diabo não está nos detalhes da reforma dos planos de saúde; o diabo é o governo tornar os planos de saúde obrigatórios. Independentemente da forma como o plano é vendido ou do que está sendo prometido, para os cidadãos, a legislação é mais um caso em que o governo arranca um pedaço de suas vidas, fazendo-os pagar por isso; é o governo mais uma vez dizendo o que o povo pode ou não fazer.

Embora ainda nas suas fases iniciais, a “Segunda Revolução Americana” já está em curso. No entanto, isto que nós prevemos se tornará a mais profunda tendência política do século. A tendência que vai mudar o mundo ­ainda é invisível para aqueles mesmos experts, autoridades e comentaristas que só viram a crise financeira chegar no momento em que o fundo da economia cedeu.

Previsão de tendência: as condições continuarão a deteriorar-se. A economia global é uma doente em fase terminal. A recessão está numa breve remissão e não nas fases iniciais de recuperação. Dinheiro barato, crédito fácil, empréstimo irrestrito causaram uma crise econômica que não pode ser curada por políticas monetárias e fiscais que promovem mais dinheiro barato, crédito fácil e empréstimo irrestrito.

No entanto, Washington continuará a intervir, tributar e exercer controle. Os protestos vão intensificar-se e motins se seguirão.

Quarto tiro da “Segunda Revolução Americana”: embora existam muitos fatores incógnitos que poderiam acender o pavio, o Trends Research Institute [Instituto de Pesquisa de Tendências] prevê que, se a ameaça de vacinação obrigatória contra a gripe suína for cumprida, ela é que será o quarto tiro. Dezenas de milhões de pessoas vão lutar pelo seu direito de permanecer livres e não-vacinadas.

Nota do editor: o poder da internet e das novas tecnologias está inexoravelmente fermentando a “Segunda Revolução Americana”. Mesmo que generalizados e carregados de emoção, se os comícios contra os impostos, as tea parties e os protestos contra a reforma do sistema de saúde tivessem ocorrido anos atrás, eles poderiam ter ganhado a cobertura da mídia local, mas talvez não conseguissem aparecer nas manchetes dos noticiários nacionais, e já teriam nascido mortos.

Agora, com o onipresente celular equipado com câmera, o acesso universal ao YouTube, e os milhões de twitters e tweets, as revoltas não podem ser ignoradas, contidas, geridas, distorcidas ou editadas desfavoravelmente. O fervor revolucionário vai provar-se contagioso.

Existe algo que pode detê-lo?

Previsão de tendência: antes de o ímpeto da “Segunda Revolução Americana” tornar-se irresistível, ele poderia ser descarrilado por meio de um acontecimento false flag[3] para enganar o público, ou por meio de uma crise ou acontecimento genuínos, capazes de mobilizar toda a nação sob a liderança do presidente. Na pior das hipóteses, o diretor do Instituto de Pesquisa de Tendências, Gerald Celente, prevê: “Dado o padrão dos governos de apostar em fracassos notórios para gerar mega-fracassos, a tendência clássica que eles seguem é a de fazer seus países entrar em guerra quando tudo o mais tiver falhado”.

Um atentado false flag, uma crise verdadeira, ou uma declaração de guerra podem retardar o ritmo da “Segunda Revolução Americana”, mas nada vai detê-la.

Publicado originalmente em www.infowars.com

Tradução: Alessandro Cota

 

Notas:

[1] Nota do tradutor. Tea party, ou festa do chá, é como os conservadores americanos têm chamado seus protestos contra a expansão do governo, a criação e o aumento de impostos. A expressão tea party faz referência à Boston Tea Party, assim definida pelo The Century Dictionary: “Um nome humorístico dado a uma ação revolucionária ocorrida em Boston, em 16 de dezembro de 1772, em protesto contra a tributação do chá imposta pelo governo britânico às colônias americanas. Cerca de cinqüenta homens disfarçados de índios subiram a bordo de navios carregados de chá que estavam atracados no porto e atiraram a carga ao mar”. Dwight Whitney, William. The Century Dictionary: An Encyclopedic Lexicon of English Language. New York, The Century Co., 1891, v. VI, p. 6206.

[2] Nota do tradutor. A expressão tea bagging vem do verbo to tea bag, um eufemismo sexual assim definido pelo Contemporary Dictionary of Sexual Euphemisms, de Jordan Tate, na página 103: “puxar os testículos para dentro da boca através de movimentos da língua que criam sucção. (…) A gíria tea bag muito provavelmente originou-se da prática britânica de colocar o restante do saquinho de chá na boca depois de terminar de tomar a bebida para chupar as últimas poucas (e geralmente potentes) gotas da infusão. O uso de tea bag referindo-se aos testículos não é prática recente e originou-se no início do século vinte devido à similaridade do formato de ambos quando molhados (já que o saquinho de chá molhado tem uma aparência meio caída devido ao assentamento das folhas). Tate, Jordan. Contemporary Dictionary of Sexual Euphemisms. Macmillan, 2007, p. 103.

[3] Nota do tradutor. A expressão false flag, bandeira falsa, denota uma tática em que a fraude é utilizada como meio para a obtenção de objetivos militares ou políticos. Segundo o Dictionary of Politics (Brunswick, 1992, p.162) de Walter John Raymond, false flag é “uma prática comum entre oficiais de inteligência que consiste em tentar recrutar agentes para fins de espionagem por meios fraudulentos (por exemplo, nunca revelando o estado ou a agência que o agente recrutador representa e, em lugar disso, fazendo os recrutados acreditarem que o agente representa um outro estado ou organização). A KGB soviética, por exemplo, freqüentemente usava esta tática, fazendo os recrutados acreditar que eles representavam antes uma organização pacifista no ocidente do que um serviço de inteligência.” Nem sempre o recrutamento de pessoas é o objetivo, a false flag operation, segundo o Army Dictionary and Desk Reference (Stackpole Books, 2004, p. 90) é “uma operação que se apresenta como alinhada ou simpática a forças que se opõem aos verdadeiros aliados da operação.”

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