1. Estados Unidos

Caça aos conservadores

1 de abril de 2010 - 0:45:19

(Ann Coulter, para quem não sabe, é a personalidade midiática mais odiada pelos Democratas, e adora provocá-los. Após os ataques de 9/11 falou sobre os muçulmanos: ”
We should invade their countries, kill their leaders and convert them to Christianity.”)

Mas se o ódio fosse apenas contra Ann Coulter, que no fundo é uma humorista que vive de provocações, seria compreensível. O problema é que muitos outros, como por exemplo
David Horowitz, também já foram impedidos de discursar por multidões de esquerdinhas histéricos, que os acusavam de serem horríveis radicais nazistas, fascistas e sexistas. Para a esquerda, liberdade de expressão, só para os que concordam com suas idéias. Deixar um conservador discursar livremente seria terrível: afinal, alguém poderia se convencer que ele está com razão…

Os conservadores, curiosamente,
reagem com surpresa e espanto à perseguição. Não entendem como os esquerdistas possam ser tão agressivos, e tão contrários à “liberdade de expressão” que dizem defender. Alguns conservadores, acredite, se surpreendem até com as contumazes
mentiras da esquerda. Ora, é como surpreender-se que uma cobra morda, que um escorpião pique. É da sua natureza.

Mas e se Ann Coulter e David Horowitz fossem realmente racistas ou fascistas? Por mais incompreensível que possa parecer a um Democrata ou um Petista, Ann Coulter ou David Horowitz não são “direita raivosa”, são até moderados. Quero dizer que aqui nos E.U.A. há pessoas bem mais radicais, como os supremacistas brancos, os neonazistas, os radicais comunistas, os extremistas ecologistas, e toda uma fauna de malucos de todas as espécies e ideologias que, no entanto, de acordo com a Constituição, têm todo o direito de se expressar. Ou tinham até há pouco.

É verdade que algumas idéias são nefastas e conduzem à desarmonia. Pode ser então que a censura seja uma saída. Por exemplo, deveria uma conferência de supostos supremacistas brancos ser impedida de se reunir, como recentemente
ocorreu? (Para um ponto de vista contrário sobre a mesma conferência,
ler a coluna do polêmico e politicamente incorretíssimo humorista Fred Reed.)

Ou pensemos então no caso contrário. Façamos o papel de advogado do Diabo. Imaginemos um governo totalitário de direita que proibisse todo discurso marxista, como ocorreu durante os anos setenta na América Latina. Poderia tal decisão ser justificada? Se o marxismo é uma ideologia nociva, como muitas vezes informamos neste blog, não seria a sua censura algo positivo?

O não-tão-saudoso ex-comentarista Tiago, na outra vez, afirmou que a perseguição ao militante católico e “homofóbico” Julio Severo era válida, afinal, segundo seu raciocínio, “se alguém houvesse perseguido Hitler” não teriam acontecido tantos horrores. Deixando de lado a espúria comparação, ele toca num ponto importante. Até que ponto a liberdade de expressão deve ser permitida? Na Europa, há em teoria boas razões históricas para as leis contrárias à negação do Holocausto ou à propagação de idéias neonazistas. Nos EUA essas leis não existem. Mas imagine que as idéias neonazistas, que hoje representam uma minoria esquálida no país, se tornassem populares? Não seria uma boa idéia impedir sua propagação? As leis anti-racismo e anti-homofobia no Brasil, não tentam apenas proteger minorias discriminadas? Ou vão além?

O problema é que uma vez que se começa com a censura, fica difícil parar. E as idéias que são nocivas para uns não o são para outros. O pior é que, muitas vezes, quando o discurso livre das idéias é proibido, são justamente os mais extremistas e violentos que ganham mais força.

Ontem mesmo, “milícias cristãs” foram presas nos EUA, acusadas de planejar um atentado. “Milícias cristãs”? Se você ler a matéria, verá que são um
culto de malucos milenaristas, não exatamente cristãos tradicionais. Veja as tristes fotos que acompanham o artigo: parecem mesmo é
um bando de trailer trash com problemas mentais. (São esses os sujeitos que se consideram “raça superior”?)

Como o FBI não divulgou detalhes, não fica claro de que exatamente o grupo é acusado. O que sim fica claro é o interesse dos articulistas de esquerda em associá-los à “direita” e ao “cristianismo”, para assim pintar todos os cristãos e também os participantes de qualquer protesto antigovernamental como extremistas raivosos, racistas e violentos. Eric Holder, Procurador Geral da República Obâmica, declarou que os grupos terroristas de “extrema-direita” são a “prioridade número um da segurança”, muito acima dos terroristas muçulmanos.

Bem, aceitemos que seja verdade. De fato, anos atrás houve realmente casos graves de terrorismo das chamadas milícias, o mais famoso o caso de Tim McVeigh. Quer isso dizer que toda oposição ao governo é criminosa? Que toda idéia perigosa deve ser censurada? Que os participantes dos Tea Parties e os Republicanos devem ser
demonizados e criticados? Até que ponto a liberdade de expressão e a oposição ao governo podem ou devem ser toleradas?

Os “tea party” nada tem a ver com as “milícias”, mas já há vários Democratas querendo conectá-los ideologicamente. Há
dezenas ou centenas de grupos que poderiam ser chamados de “milícias” nos Estados Unidos. Em parte dos casos, meros clubes de armas, ou grupos de jovens antisociais “brincando de soldado”. Grupos repulsivos, pode ser, mas mesmo assim não mais perigosos do que as centenas ou milhares de gangues criminosas
não-ideológicas que existem no país, matando a torto e a direito.

Hoje as milícias têm liberdade de reunir-se e treinar (e, aliás, também a têm os radicais muçulmanos: há dezenas de
Jihad camps nos EUA, com plena liberdade de existir enquanto não cometerem violência real).

Mas e se um governo tirânico decidisse impor a perseguição total, não só às “milícias”, como a qualquer um que fizesse críticas ao poder? Será que esses bizarros grupos passariam a fazer parte da “resistência”? Quando é que um terrorista vira “freedom fighter”? Os jihadistas devem ter o direito de pregar jihad ou não?

Qual tipo de discurso é aceitável em uma sociedade civilizada? Em que momento a liberdade de expressão vira “hate speech”? Desobediência civil, como queria Thoreau, é um recurso aceitável de protesto?

São questões muito complicadas, e não tenho uma resposta pronta. Vou lá assistir a palestra da Ann Coulter. Talvez ela saiba responder.

ann-coulter1

Essa mulher é um perigo.

http://blogdomrx.blogspot.com

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