1. Estados Unidos

Economia de cabeça para baixo

4 de abril de 2009 - 3:12:35

Foi precisamente a intervenção governamental que transformou uma próspera indústria num caso perdido.

Um economista especializado em mercado financeiro nos permitiu um relance da história do mercado imobiliário quando disse: “Emprestar dinheiro aos compradores imobiliários americanos foi, por quase um século, o negócio mais rentável que um banco pôde fazer”.

Este era o mercado imobiliário antes da intervenção do governo. Como muitas intervenções governamentais, esta começou pequena e depois cresceu.

O
Community Reinvestment Act [Lei do Reinvestimento Comunitário] de 1977 orientou as agências regulatórias federais a “encorajarem” os bancos e outras instituições de crédito “a satisfazer as necessidades creditícias das comunidades locais de forma segura e de acordo com a saudável operação dessas instituições”.

Isso soa bem inocente e, de fato, teve muito pouco efeito por mais de uma década. Contudo, a premissa era de que os burocratas e políticos sabem aonde os empréstimos devem ir, muito melhor que as pessoas que comandam o negócio de emprestar dinheiro.

O potencial real dessa premissa se tornou aparente nos anos 1990, quando o Departamento de Desenvolvimento Imobiliário e Urbano (DIU) impôs a exigência de que os emprestadores imobiliários demonstrassem, com dados reais, que eles estavam satisfazendo o que determinava no
Community Reinvestment Act.

O que o DIU queria era números que mostrassem que os empréstimos estavam sendo feitos para pessoas de renda moderada ou baixa e no montante que o DIU esperava, mesmo se isso exigisse padrões “inovadores e flexíveis” de elegibilidade ao empréstimo.

Em outras palavras, cotas foram impostas – e se algumas pessoas não satisfizessem os padrões, então os padrões precisariam ser mudados.

Tanto o DIU quanto o Ministério da Justiça começaram a processar as instituições quando estas negavam empréstimos num percentual maior a pessoas de minorias étnicas do que a pessoas brancas.

Uma substancial maioria negra e branca teve seus empréstimos aprovados, mas uma diferença estatística era suficiente para que um banco fosse processado.

Deve-se ainda notar que as fontes estatísticas das quais se obtinham os dados sobre brancos e negros continham também dados sobre americanos de origem asiática. Mas estes últimos quase nunca eram mencionados.

Os brancos tinham empréstimos negados mais freqüentemente que os de origem asiática. Mas dizer isso prejudicaria a racionalidade que fundamentava todo o melodrama moral e político.

Os processos foram apenas parte da pressão feita pelas autoridades governamentais sobre os emprestadores. Bancos e outros emprestadores são supervisionados por agências regulatórias e devem conseguir dessas agências a aprovação para muitos dos negócios que outros ramos da economia podem fazer sem a aprovação de ninguém.

As autoridades reguladoras governamentais se negavam a aprovar tais negócios quando uma instituição estava sob investigação por não produzir uma estatística satisfatória em relação ao empréstimo a pessoas de baixa renda ou a minorias.

Sob pressões crescentes tanto da administração Clinton quanto, mais tarde, da administração George W. Bush, os bancos começaram a baixar seus padrões de empréstimos.

Empréstimos imobiliários sem entrada, sem verificação de renda e outros arranjos financeiros “criativos” abundaram. Embora isso tenha sido feito sob pressão em nome dos pobres e das minorias, pessoas que não eram nem uma coisa nem outra podiam também conseguir tais empréstimos.

Com tais empréstimos amplamente disponíveis às pessoas com questionáveis perspectivas de serem capazes de honrá-los, a situação eram um convite aberto ao desastre financeiro.

Aqueles que alertaram sobre os perigos tiveram seus alertas desprezados. Agora, aparentemente, precisamos de mais intervenção política em outros ramos da economia, caso se queira acreditar nos políticos e na mídia.



Publicado por
Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo.